Universidade alternativa

Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

Terça-feira, Maio 29, 2012

"Conheça os melhores créditos para estudar"

«As universidades mostram-se atentas às dificuldades financeiras dos alunos e há sempre a hipótese do financiamento bancário.
Estudar é um investimento para o futuro. Disso ninguém duvida. Mas também pode ser uma grande dor de cabeça para muitos pais, que querem ver os seus filhos tirar um curso superior, mas que se confrontam com o dilema de não terem posses suficientes para os pagar. Se numa universidade pública, o investimento maior é feito no início do ano, com o pagamento de uma propina, que ronda, em média, os mil euros, nas universidades privadas, as mensalidades podem ultrapassar os 300 euros.
De facto, os valores assustam. No entanto, as universidades mostram-se atentas às dificuldades financeiras dos alunos, apresentando soluções de pagamento mais flexíveis. Por outro lado, há sempre a possibilidade de se poder recorrer ao financiamento bancário para pagar as licenciaturas. A maioria dos bancos disponibiliza o crédito bancário com garantia mútua, um programa que consiste num crédito - com o Estado como fiador - e as suas próprias linhas de financiamento, que são vantajosas pelas condições que oferecem, como taxas de juro baixas, ‘spreads' que baixam de acordo com as médias finais obtidas pelos estudantes, entre outros. Além disso, o crédito pode ser concedido faseadamente, se isso for o que mais convier a quem o solicitar.
Há características comuns a todos os bancos, mas também algumas diferenças que podem ser dicisivas na altura de escolher. Passemos a apresentar caso a caso: No BES, o crédito com garantia mútua oferece um spread de 1%, 0,65% e 0,2%, consoante a média. O empréstimo, que vai dos mil aos 25 mil euros, é utilizado ao longo do curso e entregue em parcelas mensais. O prazo varia entre os 30 e os 204 meses, ou os 21 e os 48 meses para programas internacionais. Já a Linha BESUp Futuro financia até 30 mil euros, até 120 meses, com taxa de juro fixa. O aluno que vier de instituições com protocolo com o BES beneficiam de uma bonificação de 2%.
Já o Santander Totta, e no que se refere ao crédito ensino superior com garantia mútua, oferece um ‘spread' que varia entre 0,2% e 1%, consoante a média. As tranches são mensais de igual valor, num máximo de cinco mil euros por ano. O prazo de carência é de um ano e o de reembolso de dez.
Já o "crédito universitário plus" financia até 30 mil euros em Portugal e 75 mil euros no estrangeiro. O ‘spread' é de 3% e a taxa de juro variável indexada à Euribor a seis meses. O prazo máximo é de 60 meses, podendo ir até aos 24 meses.
Também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BPI disponibilizam soluções de financiamento com condições vantajosas. Na CGD, o crediformação financia licenciaturas em Portugal até 30 mil euros, ou no estrangeiro até 50 mil euros, num prazo máximo de 14 anos, com taxa de juro indexada à Euribor a três meses, e um ‘spread' que diminui quanto mais alta for a média. Para escolas com protocolos com a CGD, há desconto de 25%. Já quem optar pelo crédito com garantia mútua, o financiamento vai até aos cinco mil euros, por ano, num máximo de 25 mil euros, até 16 anos, com ‘spread' de 1%.
No caso do BPI, o crédito formação permite solicitar montantes de mil até 75 mil euros, a pagar de 24 a 120 meses. São possíveis amortizações totais ou parciais, sem penalizações. A taxa de juro é indexada à Euribor a três meses e o ‘spread' de 3,5%. A utilização do crédito pode ser faseada, se optar por carência, com mobilização de tranches mínimas de 1.250 euros. Pode optar por um período de carência de capital de 12 meses ou múltiplo de 12 meses, num máximo até 60 meses.
Pode ainda recorrer ao Millenniumbcp que, através do crédito universitário financia até 15 mil euros em Portugal e 30 mil euros no estrangeiro, com reembolso até 60 meses e utilização até 36 meses. A taxa de juro é indexada à Euribor a três meses e o ‘spread' de 4%. As tranches podem ser mensais, trimestrais, semestrais ou anuais. O crédito com garantia mútua financia até 25 mil euros, em tranches mensais, com o ‘spread' a variar entre 1% e 0,2%, em função da classificação. Na página ao lado, pode consultar simulações que permitem antever o que poderá ficar a pagar.
Procura crescente por financiamento
Apesar do clima económico que se vive não ser muito favorável a grandes investimentos, os bancos têm registado uma procura constante pelos vários produtos e serviços relacionados com o crédito a estudantes. No BPI, por exemplo, em 2011, "o crédito formação registou um crescimento de 45% face a 2010", diz fonte oficial do banco. Já no BES, "a procura tem sido constante", garante fonte do banco, que frisa que a oferta "vai-se ajustando à evolução do mercado e às necessidades dos clientes". Também no Santander Totta, apesar da crise, verifica-se, no presente ano lectivo, "um aumento da procura do crédito ao ensino superior, face ao período homólogo do ano anterior", informa fonte oficial, sublinhando a grande vantagem associada à possibilidade de se pagar apenas depois de terminado o curso: "o facto do pagamento da dívida se iniciar apenas um ano após o final do curso, o que dá aos alunos a possibilidade de entrarem no mercado de trabalho já formados". O Santander Totta acredita, por isso, que estes financiamentos são o "apoio necessário para se iniciar a vida activa".
Santander Totta
Um aluno que opte pelo Crédito Ensino Superior do Santander Totta ficará a pagar 57,54 euros mensais, após o período de carência de 12 meses, para financiar a sua licenciatura, e tendo em conta um pedido de financiamento de seis mil euros, num prazo total de 168 meses, com período de reembolso de 120 meses. O período de libertação da bolsa é de 36 meses, sendo que, por ano, o aluno recebe um total de dois mil euros.
A taxa anual é de 2,7% e o TAEG de 3,6%, sendo importante referir que o pedido de financiamento terá associado um imposto de selo, com um custo total de 36 euros, a que se somam encargos no mesmo valor, bem como comissão de gestão de 1,65 euros por mês.
Já quem optar por um financiamento de 15 mil euros, também por 168 meses e no mesmo período de carência e reembolso, ficará com uma prestação mensal de 153,85 euros, com taxa de juro de 2,7% e TAEG de 9,232. Por ano, o crédito será de cinco mil euros no total, tendo o pedido de crédito um encargo de 90 euros, o mesmo valor do Imposto de Selo pela sua utilização. O ‘spread' varia entre 0,2% e 1% consoante a média final.
Millenniumbcp 
Quem recorrer ao Crédito Universitário Millenniumbcp para um financiamento de seis mil euros, com entrega de três tranches anuais de dois mil euros, a pagar a 60 meses, durante os três anos de duração do curso, apenas paga juros, no valor de 11,37 euros por mês, no primeiro ano, 22,73 euros, no segundo, e 34,10 euros, no terceiro, começando a amortizar o empréstimo no ano seguinte, numa prestação de 118,30 euros, durante 96 meses. O ‘spread' é de 5,7%, o valor indexante de 0,858% e a taxa nominal de 6.558%, com TAEG de 7,3%. Com as mesmas características, mas num financiamento de 15 mil euros, com tranches anuais de cinco mil euros, a pagar em 60 meses, durante três anos, o cliente apenas paga juros, no valor de 28,42 euros, no primeiro ano, 56,84 euros, no segundo, e 85,22 euros no terceiro ano. No período de amortização a prestação é de 295,75 euros.
Se o crédito de seis mil euros for através de garantia mútua, com entrega de 36 tranches mensais de 166.67 euros, durante esse período, o cliente apenas paga 16,73 euros de juros. No período de amortização, que é de 72 meses, a prestação fica em 92,30 euros, pressupondo um ‘spread' de 1%, uma taxa de juro de 3,217 e um TAEG de 3,266%.
Optando pelo crédito Universitário com Garantia Mútua do Millenniumbcp, para um financiamento de 15 mil euros, o cliente receberá durante 36 meses, tranches mensais de 416.67 euros, a pagar em 72 meses. Durante esse período, é debitado apenas o valor dos juros, que é de 41,82 euros.
De seguida existe um período de carência de 12 meses. Chegado ao período de amortização, a prestação fica em 230,97 euros, tendo em conta a mesma taxa de juro, indexante e TAEG, bem como o ‘spread' de 1%.»

(reprodução de notícia ECONÓMICO online, de  29/05/12 -  Raquel Carvalho)   


[cortesia de Nuno Soares da Silva]

Segunda-feira, Maio 28, 2012

"MIT Portugal, um programa que nos últimos cinco anos custou 150 milhões de euros aos cofres do Estado"

Notícia JN
Governo corta financiamento ao programa MIT Portugal:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2550764

Comunicado SNESup: "há pelo menos três tipos de professores auxiliares nas fundações"

«Carreira docente universitária: há pelo menos três tipos de professores auxiliares nas fundações

Colegas

1. Aquando da apreciação parlamentar do ECDU em 2010 o SNESup conseguiu fazer incluir uma norma que permitia às universidades fundações continuarem a contratar pessoal docente em regime de contrato de trabalho em funções públicas.
Evitava-se desse modo criar uma dualidade de situações entre "antigos" - contratados em regime de contrato de trabalho em funções públicas - e "modernos" - contratados ao abrigo do Código de Trabalho, com regimes diferentes, criando evidentes disfunções.
Até há alguns meses a Universidade do Porto, embora tendo criado um regulamento de contratação de professores em regime de direito privado, contratava os seus professores de carreira em regime de contrato de trabalho em funções públicas, tal como o fazia o ISCTE, que no princípio reservou o regime do Código do Trabalho para o pessoal especialmente contratado.
2. Posteriormente algumas Faculdades da Universidade do Porto começaram a publicar anúncios de "concursos" para professor auxiliar que não passavam pelo Diário da República e, mais grave, não oferecem qualquer meio prático de reação contra os resultados.
Registe-se que no Regulamento se fala de "processos de recrutamento", mas aparentemente achou-se preferível chamar-lhes "concurso", tendo-nos sido explicado
"A qualificação do procedimento como concurso, não se nos afigura enganosa, na medida em que, também no âmbito do direito privado se podem realizar concursos, sendo estes, no entanto, atos de direito privado e como tal sujeitos às regras de direito e sindicáveis, pelos tribunais competentes em matéria civil".
Para os colegas interessados: bem podem procurar na legislação, designadamente no código do trabalho, como impugnar estes pseudo-concursos, que não encontrarão.
3. As Universidades fundações reúnem já ou reunirão a breve trecho três categorias de professores auxiliares:
· os professores auxiliares de carreira contratados ao abrigo do ECDU;
· os professores auxiliares pagos como assistentes por deliberação do Conselho de Gestão;
· os professores auxiliares do código de trabalho que, podem até ganhar mais do que os restantes.
4. Entretanto, o Conselho de Ministros anunciou ter resolvido sujeitar as universidades fundações ao código da contratação pública, destruindo mais uma vantagem comparativa de que gozavam.
É uma limitação adicional. Mas se a reuniformização legislativa corresponde a uma opção governamental, atue-se então sobre o fator de confusão que se tornou o recurso ao regime do Código de Trabalho para admitir pessoal docente.
Saudações académicas e sindicais
A Direção do SNESup

22-5-2012»
(reprodução de comunicado SNESup; cortesia de MFTF)

Domingo, Maio 27, 2012

"Portugal foi o país que mais cortou no superior"

«Estudo da Associação Europeia das Universidades mostra Portugal no grupo de países que cortou 20% no financiamento público do superior.

Portugal está no grupo de países que mais cortou no financiamento do ensino superior na sequência da crise económica. A conclusão foi apresentada por Thomas Estermann, responsável pela Unidade de Governo, Autonomia e Financiamento da Associação Europeia das Universidades (EUA) no seminário a "Autonomia Universitária na Europa", que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian segunda-feira passada. Um corte de 20% no financiamento das instituições que afectou também Grécia, Hungria, Itália, Letónia e Espanha.
O estudo revela que Inglaterra, Estónia, Islândia, Irlanda e Holanda aplicaram reduções de 15% nas verbas para as universidades. A maioria dos países europeus cortou cerca de 10% no financiamento. Áustria, Bélgica e França, por exemplo, cancelaram o reforço dos investimentos que estavam previstos. Apenas a Noruega e a Alemanha continuam a aumentar as verbas que colocam nas instituições de ensino superior.
Com maior ou menor impacto, os cortes que estão a afectar a maioria das universidades europeias poderão ter consequências graves.
"A Europa está a criar cicatrizes irrecuperáveis. Os efeitos de subfinanciamento podem demorar anos a recuperar" afirmou António Barreto, presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, durante a sessão.
Mas como compensaram as instituições estes cortes? Algumas conseguiram "substituir os cortes com receitas próprias", mas em quase todas, esse dinheiro não foi substituído, afirmou Thomas Estermann.
O drama é que está a ser pedido às universidades que respondem a três desafios que são incompatíveis, afirmou Howard Newby, vice-chaceller da Universidade de Liverpool. Que assegurem a" massificação" de frequência do ensino superior recebendo mais alunos, que mantenham a "garantia de qualidade" e que "custem menos dinheiro aos contribuintes".
Mas a redução de fundos públicos teve um maior impacto em Portugal se contarmos com os cortes salariais. Nos últimos seis anos as instituições tiveram uma redução de quase 45% no financiamento público, afirmou durante o encontro Cruz Serra, reitor da Universidade Técnica de Lisboa. O mais grave é que " sem utilizar os saldos de gerência as universidades não "conseguem continuar abertas", acrescentou. Para António Cruz Serra a crise "está a afectar catastroficamente a autonomia universitária".
Durante a sessão Thomas Estermann da EUA referiu casos de países em que uma das soluções utilizadas foi permitir às instituições que "contraíssem dívidas à banca". Uma medida que, no entender do reitor da UTL não serve para as universidades portuguesas. "Em Espanha já há uma instituição que deve quase cem milhões de euros à banca" e não sabe como vai pagar.
Para o responsável pela unidade de financiamento da EUA "há países em que os empréstimos são uma forma de financiar projectos, mas nunca poderão ser utilizados para substituir financiamento público".
As tendências do financiamento
Para este especialista da Associação Europeia de universidades está assistir-se em toda a Europa a "mudanças do modelo de financiamento". Uma das tendências é a criação de fundos competitivos, que exigem co-financiamento e em que a taxa de sucesso é um dos critérios na fórmula ", sublinhou. Depois há cada vez mais fundos que são atribuídos com um determinado objectivo. Nos critérios de atribuição de verbas pesam cada vez mais a performance e os ‘outputs' das instituições de ensino superior.
No final do encontro Helena Nazaré, presidente da EUA, afirmou que está a ser pedido cada vez mais às instituições. "Se no passado as universidades eram consideradas torres de marfim, hoje são vistas como poços de petróleo. Os governos pensam que podem encontrar nas universidades o remédio para todos os seus problemas". Para Marçal Grilo a solução passa por criar um modelo em que as instituições tenham dois orçamentos: o que provêm do OE, sobre o qual prestaram contas ao Ministério das Finanças; um outro orçamento em que as verbas são arrecadadas pelas instituições e não podem ser cativadas pelas Finanças. No encerramento, o administrador da Fundação Calouste Gulbenkian alertou que "temos que nos preparar para tempos mais difíceis".»
(reprodução de notícia Económico online de 27 de Maio de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

Sexta-feira, Maio 25, 2012

"Bolseiros da FCT com pagamentos em atraso"

«Metade dos 2216 bolseiros da Fundação para a Ciência e Tecnologia com projectos aprovados no ano passado ainda está à espera que lhes sejam feitos os primeiros pagamentos.

Em causa estão estudantes de doutoramento e pós-doutoramento e os valores situam-se entre os 980 e os 1490 euros. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) diz que os atrasos são normais e justificam-se por não estar ainda concluído o processo de atribuição.
O MEC confirma “que aproximadamente 50% já começou a receber o seu subsídio” mas recusa a ideia de que a situação seja anormal. “Não se pode dizer que existam atrasos no pagamento aos bolseiros de investigação da FCT”, garante o gabinete do ministro Nuno Crato numa nota escrita enviada ao PÚBLICO, acrescentando que “situações desta natureza ocorrem todos os anos, devido às exigências processuais”. Segundo a tutela, o que existe são processos relativos ao concurso de bolsas de 2011 cuja execução ainda não se iniciou por não estar terminado o respectivo processo de atribuição. O ministério garante, por isso, que se “inicia o pagamento aos novos bolseiros logo que o seu processo esteja completo”.
O atraso no pagamento das bolsas de investigação tem causado várias queixas dos estudantes, especialmente através da Associação de Bolseiros de Investigação Científica. Um desses casos foi contado ao PÚBLICO por uma estudante que está a iniciar o pós-doutoramento em História, partilhado pelas universidades do Porto e Évora. O seu projecto foi aceite no concurso de 2011 e o contrato com a FCT devia ter começado a 1 de Abril, mas desde então ainda não recebeu qualquer pagamento.
 “As dificuldades começam a acentuar-se e o meu senhorio começa a perder a paciência, porque há vários meses que não tenho condições de pagar a renda”, conta a investigadora, que pediu anonimato. Como ela, há outros colegas “com filhos ou com créditos à habitação para pagar” que estão a sentir dificuldades.
As queixas dos estudantes estendem-se também ao atraso na aprovação das bolsas suplementares para os períodos de mobilidade no estrangeiro. O tempo médio para resposta nestes casos é de cerca de um mês e meio, segundo o MEC. “Os pedidos ainda não respondidos deram entrada nos serviços da FCT a partir do mês de Abril, pelo que ainda se encontram compreendidos no tempo médio de resposta”, garante.
Mas não é isso que acontece com pelo menos uma estudante da Universidade do Minho que iniciou o seu processo em Março e que ainda não teve resposta: “Apenas me informaram por e-mail que o processo ainda estava em análise”.»
(reprodução de notícia Público online, de 24.05.2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

Terça-feira, Maio 22, 2012

"Há demasiados cursos sem saídas profissionais"

«A acreditação dos cursos superiores já levou ao encerramento de mais de mil formações e permitiu por fim a casos como um doutoramento de Física que não tinha nenhum professor doutorado.

O caso foi referido pelo presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior(A3ES) para exemplificar o que considera ser "uma falta de exigência" que existem em alguns casos. Alberto Amaral denunciou ainda a existência de um número excessivo de cursos sem saídas profissionais.»

(reprodução de notícia Diário de Notícias online, de 21 de maio de 2012)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

Sábado, Maio 19, 2012

"LIVROS EM PDF - GRÁTIS"

«LIVROS EM PDF - GRÁTIS - (URGENTE VER E DIVULGAR)
Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desactivada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:
·Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
·Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
·Ler poesia de Fernando Pessoa
·Ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;
·Ter acesso às melhores historias infantis e vídeos da TV ESCOLA
·E muito mais...
Esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, bastando acessar o sitewww.dominiopublico.gov.br
Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desactivar o projecto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
Divulgue para o máximo de pessoas!»
(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente de Antonio Cardoso - amfc2008@gmail.com)

"A Academia está pronta: Nuno Crato quer ser ´fundido`?"

«1. A crise portuguesa é transversal - afecta todos os sectores da nossa vida social. O Ensino Superior não é excepção: as Universidades confrontam-se, actualmente, com inúmeras dificuldades de financiamento, carecendo já de verbas para renovar o corpo docente, apoiar projectos de investigação ou tão somente para pagar o papel higiénico das casas de banho (não, este não é um exemplo hiperbólico para provar o meu ponto: é verídico e foi-me dito por um Professor que exerce funções dirigentes numa instituição de Ensino Superior). Chocado, caro leitor? Pois bem, não é caso para menos: o estado a que deixaram chegar o Ensino Superior português é altamente censurável. O poder político prefere assumir, perante as Universidades, um comportamento dúplice: por um lado, acusa as Universidades de esbanjarem dinheiro, de contraírem despesas supérfluas e acima das suas possibilidades; por outro lado, recusa atribuir-lhe maior autonomia às Universidades, porquanto receia que estas se convertam em "pólos de contestação" do poder vigente. É uma constatação histórica e intemporal: o poder político não gosta (tem medo!) de formar elites. Daí que as Universidades portuguesas não consigam atingir uma dimensão internacional: o poder político prefere desafiar constantemente a autonomia universitária, em vez de potenciar as suas mais valias, o seu conhecimento, o seu capital humano. Felizmente que quando o poder político falha, erra, se perde por visões exclusivamente conjunturais descurando o futuro, eis que criatividade empreendedora, o dinamismo crítico e criador, o voluntarismo cívico da Academia se revelam. Numa altura tenebrosa da nossa existência colectiva, em que todos (parece) trabalhamos para os mercados e para as agências de rating, a Universidade Clássica de Lisboa e a Universidade Técnica de Lisboa estão prestes a fazer História: os respectivos Conselhos Gerais já aprovaram o projecto de fusão de ambas as Universidades. O que é isso da "fusão"? A Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica congregam as suas valências, passando a constituir uma única Universidade - a maior de Portugal. Será um marco histórico: Lisboa, capital de Portugal, há muito que reclamava uma Universidade de dimensão europeia e até internacional.
2.Para além da dimensão histórica e simbólica, a fusão entre a Universidade de Lisboa e a Universidade Técnica apresenta as seguintes vantagens:
a) Permitirá valorizar o conhecimento e a investigação académica e tecnológica, promovendo uma ligação mais intensa entre a Universidade e a sociedade, com o intuito de promover o desenvolvimento económico de Portugal (em geral) e de Lisboa (em particular);
b) Possibilitará uma maior racionalidade na gestão de recursos, criando sinergias entre os vários pólos e coordenando prioridades e estratégias;
c) Facilitará a constituição de uma "economia de escala"com a vantagem de reduzir custos e dispor de vias para aumentar as receitas;
d) Um maior número de projectos de investigação científica será apoiado, colocando Portugal a par dos seus parceiros europeus no que toca à investigação e produção científica;
e) Portugal terá uma Universidade respeitada e estimada exteriormente, celebrando diversos protocolos de cooperação com as melhores Universidades a nível mundial;
f) O tecido empresarial terá um novo aliado com dimensão para o apoiar na sua modernização, no lançamento de novos métodos de produção e produtos com o objectivo de aumentar a competitividade nacional.
Em conclusão, Portugal só terá a ganhar com a fusão da Universidade de Lisboa com a Técnica: o espírito irreverente, inquieto e dinâmico da Técnica aliar-se-á à sabedoria e alma humanista da Clássica. Esta fusão só pode dar certo.

Nuno Crato não tem escolha!


3.Falta, porém, ultrapassar um obstáculo: chama-se poder político (mais rigorosamente, Governo). Nuno Crato ainda não confirmou se apoiará a fusão entre as duas Universidades lisboetas. Na nossa opinião, Nuno Crato não tem margem política para outra decisão: ele vai aprovar a fusão UL/UTL. Porquê? Por três razões, essencialmente:
1) O Ministro da Educação - com outros colegas de Governo - anda a asfixiar financeiramente a Universidades, alegando não haver dinheiro para as financiar. Ora, a fusão vai precisamente eliminar custos, sobretudo, custos sobrepostos - cumpre-se, assim, a vontade do Ministro Crato;
2) A retórica do Governo Passos Coelho centra-se sempre nas reformas estruturais e no desenvolvimento económico do País. Se é certo que ainda não vimos (nem sentimos) para já qualquer alteração quanto ao essencial do nosso modelo económico - as reformas estruturais do Governo são meras intenções -, seria contraditório um Governo incapaz de mudar o País, impedir que as Universidades se fortaleçam e aproveitem a crise para se reorganizarem;
3) Nuno Crato, caso inviabilizasse a fusão perderia todo o seu capital político e ficaria , para sempre, como o autor do maior erro da nossa História recente: seria o Ministro que se pôs à renovação do Ensino Superior e o levou à mediocridade por falta de dinheiro.
Posto isto, Professor Nuno Crato, é o futuro do ensino e da investigação científica em Portugal que está em causa: Estados sem Universidades fortes, coesas, é um Estado sem futuro. A nova Universidade de Lisboa vai ajudar Portugal e encontrar uma "luz ao fundo do túnel" na lugubridade dos tempos que vivemos
João Lemos Esteves 

(reprodução de artigo Expresso - www.expresso.pt - de Sexta-feira, 18 de Maio de 2012)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]