Assimetrias regionais: os dados sobre o Poder de Compra Concelhio em 2009
(título de mensagem, datada de hoje, disponível em Economia Portuguesa)
Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região
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quinta-feira, dezembro 22, 2011
segunda-feira, novembro 15, 2010
Mudando de assunto: "Trânsito Lento na Segunda Circular"
Trânsito Lento na Segunda Circular
(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010, disponível em Planeamento Territorial)
(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010, disponível em Planeamento Territorial)
sexta-feira, setembro 10, 2010
Desenvolvimento Regional: notícia de um livro que me chegou do outro lado do Atlântico (II)
“Desenvolvimento Regional: por que algumas regiões se desenvolvem e outras não?” é o título de um livro (edição UNISC, Santa Cruz do Sul, 2010) sobre a problemática em título que o seu autor, Valdir Roque Dallabrida, me fez chegar há um par de meses.
Trata-se de uma obra com objectivos didácticos, onde, conforme escreve no Prefácio Carlos Brandão, Valdir Dallabrida, actualmente professor da Universidade do Contestado, Santa Catarina, Brasil, “busca sintetizar as diversas abordagens teóricas que buscaram enfrentar esse enigma: por que algumas regiões se desenvolvem e outras não?” (p.9). Conclui o prefaciador que o “livro é oportuno e bem-vindo e poderá contribuir para sanar essa enorme lacuna de textos sintéticos e didácticos que busquem melhor qualificar o debate sobre o que faz o desenvolvimento de uma região e como promovê-lo” (p.12).
Encontrei no livro em causa muitas ideias em que me reconheço, nomeadamente as que insistem i) na inviabilidade de prosseguir aproximações de natureza disciplinar na interpretação das realidades complexas das regiões e na construção de respostas em matéria do seu desenvolvimento, e ii) na inviabilidade e/ou inutilidade de uma teoria geral do desenvolvimento, em razão da dita complexidade dos territórios, decorrente de determinantes endógenos (história, geografia, contexto económico e social, instituições, cultura) e exógenos (relacionamento económico, social e político com o restante território nacional e com o exterior) que são sempre singulares.
Como foi invocado, o autor do texto definiu o objectivo ambicioso de “fazer uma breve síntese das principais abordagens teóricas sobre desenvolvimento” (cf., Introdução, p.7) e, para mais, fazê-lo com recurso a uma linguagem simples, que permita ir além da “clientela académica”. Era um enorme desafio esse e será, porventura, essa uma das limitações maiores da obra.
Confesso que tive dificuldade em reconhecer no texto alguns autores, ficando-me a dúvida se foi a brevidade da referência que fez parecer reduzida a sua contribuição ou se Valdir Dallabrida fez das ideias daqueles leitura diferente daquela que eu faço. Meramente a título de exemplo, da referência que a dada altura faz a François Perroux retenho que este vê o desenvolvimento como “combinações de transformações de ordem mental e social de uma população que lhe possibilita o aumento cumulativo e duradouro do seu produto real global” (p.159). Modestamente, penso que, nessa dimensão de pensar social e institucionalmente as dinâmicas económicas territoriais, Albert Hirschman e Gunnar Myrdal, autores da mesma corrente de pensamento seus contemporâneos, foram mais longe que Perroux, até por a contribuição deste último relevar de uma aproximação muito mais micro aos fenómenos económicos.
Sem descurar a importância e contributo para a compreensão das realidades brasileira e da América Latina, também me parece discutível o destaque que tem no livro Celso Furtado, que conheço muito mais como autor do crescimento e do desenvolvimento prosseguindo abordagens macroeconómicas que aproximações territorializadas.
Lendo esta obra de Valdir Dallabrida, voltei a confrontar-me com algo que se me sugeriu deste o primeiro contacto que mantive com investigadores brasileiros, mesmo que tal não seja tão presente nele quanto noutros que conheci: refiro-me ao universo distinto de referências que parece ser mantido pelos académicos europeus e da América Latina. Haverá razões para tal, sobretudo no passado. Não sei se em expressão disso, causou-me estranheza ver atribuída a “paternidade” da Teoria da Base Económica de Exportação a D.C. North (p.52) e referida a sua génese entre as décadas de 50 e 60 do século XX (p.50). Para mim, a primeira grande referência que se me sugere quando se invoca a Teoria da Base é H. Hoyt (1936-1939).
Concluo, sublinhando que o trabalho “agora” dado a conhecer por Vadir Dallabrida merece bem uma recensão que vá para além da brevidade destas notas. É ele próprio que a solicita, “para que, no futuro, se possa aperfeiçoar o texto” (p.21).
J. Cadima Ribeiro
(reprodução de artigo de opinião publicado na edição de ontem do Jornal de Leiria)
Trata-se de uma obra com objectivos didácticos, onde, conforme escreve no Prefácio Carlos Brandão, Valdir Dallabrida, actualmente professor da Universidade do Contestado, Santa Catarina, Brasil, “busca sintetizar as diversas abordagens teóricas que buscaram enfrentar esse enigma: por que algumas regiões se desenvolvem e outras não?” (p.9). Conclui o prefaciador que o “livro é oportuno e bem-vindo e poderá contribuir para sanar essa enorme lacuna de textos sintéticos e didácticos que busquem melhor qualificar o debate sobre o que faz o desenvolvimento de uma região e como promovê-lo” (p.12).
Encontrei no livro em causa muitas ideias em que me reconheço, nomeadamente as que insistem i) na inviabilidade de prosseguir aproximações de natureza disciplinar na interpretação das realidades complexas das regiões e na construção de respostas em matéria do seu desenvolvimento, e ii) na inviabilidade e/ou inutilidade de uma teoria geral do desenvolvimento, em razão da dita complexidade dos territórios, decorrente de determinantes endógenos (história, geografia, contexto económico e social, instituições, cultura) e exógenos (relacionamento económico, social e político com o restante território nacional e com o exterior) que são sempre singulares.
Como foi invocado, o autor do texto definiu o objectivo ambicioso de “fazer uma breve síntese das principais abordagens teóricas sobre desenvolvimento” (cf., Introdução, p.7) e, para mais, fazê-lo com recurso a uma linguagem simples, que permita ir além da “clientela académica”. Era um enorme desafio esse e será, porventura, essa uma das limitações maiores da obra.
Confesso que tive dificuldade em reconhecer no texto alguns autores, ficando-me a dúvida se foi a brevidade da referência que fez parecer reduzida a sua contribuição ou se Valdir Dallabrida fez das ideias daqueles leitura diferente daquela que eu faço. Meramente a título de exemplo, da referência que a dada altura faz a François Perroux retenho que este vê o desenvolvimento como “combinações de transformações de ordem mental e social de uma população que lhe possibilita o aumento cumulativo e duradouro do seu produto real global” (p.159). Modestamente, penso que, nessa dimensão de pensar social e institucionalmente as dinâmicas económicas territoriais, Albert Hirschman e Gunnar Myrdal, autores da mesma corrente de pensamento seus contemporâneos, foram mais longe que Perroux, até por a contribuição deste último relevar de uma aproximação muito mais micro aos fenómenos económicos.
Sem descurar a importância e contributo para a compreensão das realidades brasileira e da América Latina, também me parece discutível o destaque que tem no livro Celso Furtado, que conheço muito mais como autor do crescimento e do desenvolvimento prosseguindo abordagens macroeconómicas que aproximações territorializadas.
Lendo esta obra de Valdir Dallabrida, voltei a confrontar-me com algo que se me sugeriu deste o primeiro contacto que mantive com investigadores brasileiros, mesmo que tal não seja tão presente nele quanto noutros que conheci: refiro-me ao universo distinto de referências que parece ser mantido pelos académicos europeus e da América Latina. Haverá razões para tal, sobretudo no passado. Não sei se em expressão disso, causou-me estranheza ver atribuída a “paternidade” da Teoria da Base Económica de Exportação a D.C. North (p.52) e referida a sua génese entre as décadas de 50 e 60 do século XX (p.50). Para mim, a primeira grande referência que se me sugere quando se invoca a Teoria da Base é H. Hoyt (1936-1939).
Concluo, sublinhando que o trabalho “agora” dado a conhecer por Vadir Dallabrida merece bem uma recensão que vá para além da brevidade destas notas. É ele próprio que a solicita, “para que, no futuro, se possa aperfeiçoar o texto” (p.21).
J. Cadima Ribeiro
(reprodução de artigo de opinião publicado na edição de ontem do Jornal de Leiria)
segunda-feira, junho 28, 2010
O ‘Mercado’ do Ensino Superior em Portugal: um diagnóstico da situação actual”
“During the recent decades the higher education system in Portugal has experienced structural changes, including the substantial increase in the number of higher education institutions, scattered throughout the territory, in parallel with the increasing number of students and teachers. Recently, international organizations that analyze the behavior of the subsystem of higher education, in particular the OECD, pointed to the existence of negative trends, i.e. a shrinking demand for higher education, in addition to excess of supply. As an equilibrium in the ‘market’ of higher education seems to be essential, those features do not appear to be sustainable in the long term. This fact suggests the theme for this study, i.e. toanalyze the characteristics of the current supply and demand within the subsystem of higher education in Portugal. As methodology we first make a characterization of key variables that shape the demand and supply of higher education in Portugal and, secondly, use tools of spatial analysis, namelymultidimensional scaling, in order to verify how distant are the higher education institutions in Portugal.”
Rego, Conceição
Caleiro, António
Date: 2010
Keywords: Higher Education; Multidimensional Scaling; Spatial Location
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:pra:mprapa:23331&r=edu
(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)
Rego, Conceição
Caleiro, António
Date: 2010
Keywords: Higher Education; Multidimensional Scaling; Spatial Location
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:pra:mprapa:23331&r=edu
(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)
domingo, junho 07, 2009
Porque a memória conta
*
(título de mensagem, datada de Domingo, 7 de Junho de 2009, disponível em UMinho: Novos Desafios, Novos Rumos)
quinta-feira, julho 24, 2008
Mudando de assunto
Jornal de Leiria
Resposta às questões colocadas pela jornalista Raquel Silva, em 08/07/18
Resposta às questões colocadas pela jornalista Raquel Silva, em 08/07/18
P – O Jornal de Leiria está a preparar um trabalho para a próxima edição sobre as potencialidades do distrito, região Oeste e Ourém/Fátima em termos de novas áreas de actividade em que se pode/deve apostar, por contraponto ou em paralelo às mais tradicionais, bem como o investimento público necessário para acompanhar a iniciativa privada. Seria muito importante poder contar com a sua visão sobre o assunto. Assim, venho pedir-lhe que me envie a sua opinião sobre esta matéria.
R – A sustentabilidade e a potenciação do desenvolvimento regional decorre, na maioria dos casos, da forma como este se estrutura a partir dos recursos e das competências dos territórios. Também raramente a evolução do tecido produtivo se dá por ruptura de sectores. São muito mais comuns as situações de transformação a partir de uma certa matriz sectorial, em direcção a novos produtos/serviços ou ao posicionamento num segmento diferente da cadeia de valor (por exemplo, distribuição versus fabrico).
A esta luz, acredito que o futuro dos territórios em causa se fará muito a partir das potencialidades que continuem a revelar os sectores dos moldes, dos plásticos, da cerâmica, dos vidros e dos cristais, do mobiliário e das madeiras, e do turismo. O sector mais inovador será mesmo o turismo, desde que saiba configurar produtos consistentes e diferenciados e o território saiba organizar-se como destino singular. Essa exigência em matéria de criatividade ao nível dos produtos e serviços e formas dos fazer chegar ao mercado coloca-se, igualmente, em relação às demais actividades. Daí decorrem exigências fortes a nível de inovação e de qualificação dos recursos humanos e das infra-estruturas e equipamentos. Aqui, reclamam-se importantes investimentos públicos, na recuperação de paisagens rurais e urbanas degradadas, na construção de um sistema de transportes eficaz, na promoção da formação, na qualificação dos serviços de saúde, no estímulo à I&D, no incentivo ao empreendorismo e ao desenvolvimento de dinâmicas associativas, seja para potenciar a competitividade das empresas ou uma melhor gestão do território.
J. Cadima Ribeiro
R – A sustentabilidade e a potenciação do desenvolvimento regional decorre, na maioria dos casos, da forma como este se estrutura a partir dos recursos e das competências dos territórios. Também raramente a evolução do tecido produtivo se dá por ruptura de sectores. São muito mais comuns as situações de transformação a partir de uma certa matriz sectorial, em direcção a novos produtos/serviços ou ao posicionamento num segmento diferente da cadeia de valor (por exemplo, distribuição versus fabrico).
A esta luz, acredito que o futuro dos territórios em causa se fará muito a partir das potencialidades que continuem a revelar os sectores dos moldes, dos plásticos, da cerâmica, dos vidros e dos cristais, do mobiliário e das madeiras, e do turismo. O sector mais inovador será mesmo o turismo, desde que saiba configurar produtos consistentes e diferenciados e o território saiba organizar-se como destino singular. Essa exigência em matéria de criatividade ao nível dos produtos e serviços e formas dos fazer chegar ao mercado coloca-se, igualmente, em relação às demais actividades. Daí decorrem exigências fortes a nível de inovação e de qualificação dos recursos humanos e das infra-estruturas e equipamentos. Aqui, reclamam-se importantes investimentos públicos, na recuperação de paisagens rurais e urbanas degradadas, na construção de um sistema de transportes eficaz, na promoção da formação, na qualificação dos serviços de saúde, no estímulo à I&D, no incentivo ao empreendorismo e ao desenvolvimento de dinâmicas associativas, seja para potenciar a competitividade das empresas ou uma melhor gestão do território.
J. Cadima Ribeiro
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Ensino Superior e Desenvolvimento Regional
quinta-feira, agosto 23, 2007
Universidade e desenvolvimento regional
Quer tomemos como ponto de partida a abordagem funcionalista quer a territorialista, instituições como a Universidade podem ser importantes instrumentos de desenvolvimento, se bem que o sejam mais quando a estratégia tenha uma matriz informadora endógena.
No primeiro caso, a Universidade será assimilável a investimento externo, eventualmente público, dotando o território de um equipamento importante pelos seus impactes em termos de criação de rendimento e de emprego, de estimulo à fixação e desenvolvimento de actividades económicas e à modernização da sociedade.
No segundo caso, a sua importância estratégica é maior já que a Instituição tende a ser vista como um agente da parceria para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais vêm sublinhando a componente criação e partilha de conhecimentos inerente a qualquer projecto de desenvolvimento. Isto é, o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e organizacional, do saber e do saber-fazer, são os elementos portadores da diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social do presente.
Estamos, entretanto, a invocar um modelo de Universidade que descolou daquela cujos traços caracterizadores são: i) a criação de conhecimentos, que são armazenados nas bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão sucedendo; iii) o carácter elitista da oferta de formação que assegura, que a faz funcionar como filtro social.
Na fase de transição, a Universidade continua a formar as novas gerações mas, também, a intervir na formação continua. A oferta de formação tende a alargar-se e a equilibrar-se com a procura social. As expectativas que a sociedade coloca nas Instituições aumentam, se bem que as barreiras impostas pela estrutura produtiva (em especial, quando constituída por PMEs com restrita participação nas actividades de I&D e uma fraca dotação de técnicos qualificados) possam constituir barreiras ao desenvolvimento da relação da Universidade com o meio.
Esta fase intermédia anuncia o advento de um novo modelo cujos traços essenciais se podem já reconhecer (Massicotte, 2002): i) o conhecimento cria-se através da acção e uma nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental e aplicada, investigação e desenvolvimento, inovação e transferência; ii) a formação não está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de criação de conhecimento; e iii) a procura social de formação ultrapassa a oferta, daí o deslocamento do acento da selecção para o sucesso.
O crescimento da procura de acesso à formação superior de que se fala é consequência da crescente proporção de actividades que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível. Uma e outra coisa têm origem na aceleração dos avanços científicos e tecnológicos e das respectivas aplicações, numa dialéctica que a UNESCO (1998, p.26) sintetiza como segue: “o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior”.
Perante esta realidade, o sucesso de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do conhecimento de que dispõem ou são capazes de gerar, num quadro de procura de resposta para as necessidades identificadas. Acresce que, à luz deste modelo societário e deste ritmo de transformação, os saberes dos especialistas esgotam-se rapidamente se não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do conhecimento.
Para as Universidades e para os territórios, é um desafio de grande exigência este que lhes é colocado. Adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, é um desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento.
No primeiro caso, a Universidade será assimilável a investimento externo, eventualmente público, dotando o território de um equipamento importante pelos seus impactes em termos de criação de rendimento e de emprego, de estimulo à fixação e desenvolvimento de actividades económicas e à modernização da sociedade.
No segundo caso, a sua importância estratégica é maior já que a Instituição tende a ser vista como um agente da parceria para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais vêm sublinhando a componente criação e partilha de conhecimentos inerente a qualquer projecto de desenvolvimento. Isto é, o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e organizacional, do saber e do saber-fazer, são os elementos portadores da diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social do presente.
Estamos, entretanto, a invocar um modelo de Universidade que descolou daquela cujos traços caracterizadores são: i) a criação de conhecimentos, que são armazenados nas bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão sucedendo; iii) o carácter elitista da oferta de formação que assegura, que a faz funcionar como filtro social.
Na fase de transição, a Universidade continua a formar as novas gerações mas, também, a intervir na formação continua. A oferta de formação tende a alargar-se e a equilibrar-se com a procura social. As expectativas que a sociedade coloca nas Instituições aumentam, se bem que as barreiras impostas pela estrutura produtiva (em especial, quando constituída por PMEs com restrita participação nas actividades de I&D e uma fraca dotação de técnicos qualificados) possam constituir barreiras ao desenvolvimento da relação da Universidade com o meio.
Esta fase intermédia anuncia o advento de um novo modelo cujos traços essenciais se podem já reconhecer (Massicotte, 2002): i) o conhecimento cria-se através da acção e uma nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental e aplicada, investigação e desenvolvimento, inovação e transferência; ii) a formação não está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de criação de conhecimento; e iii) a procura social de formação ultrapassa a oferta, daí o deslocamento do acento da selecção para o sucesso.
O crescimento da procura de acesso à formação superior de que se fala é consequência da crescente proporção de actividades que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível. Uma e outra coisa têm origem na aceleração dos avanços científicos e tecnológicos e das respectivas aplicações, numa dialéctica que a UNESCO (1998, p.26) sintetiza como segue: “o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior”.
Perante esta realidade, o sucesso de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do conhecimento de que dispõem ou são capazes de gerar, num quadro de procura de resposta para as necessidades identificadas. Acresce que, à luz deste modelo societário e deste ritmo de transformação, os saberes dos especialistas esgotam-se rapidamente se não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do conhecimento.
Para as Universidades e para os territórios, é um desafio de grande exigência este que lhes é colocado. Adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, é um desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento.
J. Cadima Ribeiro
Referências:
- Massicotte Guy (2002), "L’enseignement supérieur et le développement des territoires", Le développement des territoires: nouveaux enjeux, Le Mouvement Territoire et Développement (Ed.), Grideq, Université du Québec, Rimouski, pp. 5-12.
- UNESCO (1998), “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences”, Word Conference on Higher Education, UNESCO, Paris.
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(artigo de opinião publicado nesta data no Jornal de Leiria, recuperando extractos de um texto já com alguns anos)
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Ensino Superior e Desenvolvimento Regional
quarta-feira, maio 02, 2007
Competitividade territorial e capital humano
4.º Congresso da ADLEI
Conclusões da secção "Competitividade Territorial":
Conclusões da secção "Competitividade Territorial":
"[...]
3. É da maior importância centrar esforços no desenvolvimento do capital humano criando competências de elevado nível para apoio e diferenciação com efeitos sectoriais, económicos e empresariais da Região numa perspectiva de formação de quadros com competências especializadas, mas igualmente com uma formação para a liderança, o empreendedorismo e para uma cultura científica que lhes permita a adequação permanente a novas realidades;
4.Uma das apostas essenciais da Região deverá centrar-se no conhecimento – capital humano – para apoio à indústria, procurando o estreitamento de relações e desenvolvendo acções conjuntas entre as entidades de investigação e as empresas. Este investimento vocacional, diferenciador e projector da Região, pressupõe a constituição de um Conselho Estratégico inter-municipal e que integre autarquias e outros agentes políticos, da sociedade civil, económicos e institucionais da investigação e Ensino;
5. O IPL como agente concentrador do conhecimento e criador do saber, deve contribuir para a inovação e deve adequar-se às necessidades dos agentes económicos da Região, bem como ser agente catalizador e de cooperação entre todas as entidades económicas, sociais e outras, visando a consenso estratégico de desenvolvimento, assumindo esse papel regional através de uma relação insistente entre os docentes e a Região e procurando parcerias com os municípios para estudos e projectos de definição vocacional de competências municipais e sua concretização;
[...]"
/...
(extracto das "Conclusões da secção Competitividade Territorial" do 4.º Congresso da ADLEI, realizado em Leiria, a 20 e 21 de Abril pp., na ESTG, Instituto Politécnico de Leiria)
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