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terça-feira, abril 03, 2007

70 milhões de euros!

«O Governo prepara-se para assinar um quarto acordo de “internacionalização do sistema científico e tecnológico português”: dentro de duas semanas – mais precisamente a 18 de Abril –, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) lança as bases de entendimento com a sociedade Fraunhofer, rede germânica de investigação aplicada que reúne 80 unidades de investigação.»
[...]
«Nos três acordos de parcerias assinados anteriormente com as universidades norte-americanas – MIT, Carnegie e Texas (Austin) –, foram envolvidos 141 milhões de euros, dos quais 70 milhões destinados às instituições estrangeiras.»
/...
(extractos de mensagem intitulada "Governo assina com Fraunhofer quarto acordo internacional", datada de 07/04/02, disponível em Blog de Campus)
Comentário: o MCTES lá prossegue, afanosamente, a sua política de financiamento de instituições de ensino e investigação estrangeiras; vá lá que desta vez trata-se de uma instituição europeia, pelo menos.

sexta-feira, março 23, 2007

Marketing institucional: diferentes modos de estar no mercado

Há poucos dias (19 de Março), podia ler-se em Co-Labor, o seguinte:
«Por responsabilidade directa do vice-reitor Prof. J. A. Rafael foi disponibilizado via página da Universidade de Aveiro o relatório de auto-avaliação da instituição.
Este relatório faz parte do processo de avaliação institucional que a UA solicitou à Associação das Universidades Europeias (EUA), tendo como objectivo a melhoria contínua da sua qualidade.
Uma vez que este é um tema que tem interessado os escassos leitores dos blogs que dedicam à educação superior parte dos seus tempos «livres» e uma vez que a leitura dos escritos dos outros proporciona ganhos de escala, deixo aqui o link directo para os documentos fazendo votos de que aproveitem bem o trabalho de “partir pedra” feito nesta Universidade."
[...]».
Apeteceu-me comentar na ocasião o escrito e a iniciativa da Universidade de Aveiro mas, por condicionamentos diversos, só agora o posso fazer. Julgo que o comentário não perdeu oportunidade.
O primeiro aspecto que quero sublinhar é o contraste entre tornar pública esta informação e divulgá-la na Organização a agentes seleccionados, com indicação expressa do carácter reservado da informação. Conheço uma situação que ilustra a segunda postura. Admito que outros (outras universidades) tenham seguido idêntico modelo.
Decorrente do facto que antes anoto, o segundo sublinhado vai para as diferenças de estratégia em termos de marketing institucional que as universidades começam (ou continuam) a evidenciar: estratégias de marketing agressivas/afirmativas ou defensivas, envergonhadas. Quero eu dizer: os factos que comento antes não devem ser interpretados como fortuitos, casuísticos, circunstanciais. Serão antes, a meu ver, peças das estratégias promoconais das organizações ou da sua ausência (de estratégia, digo), até porque vêm no desenvolvimento de outros gestos ou de outros passos que os indiciavam.
Neste comentário, estou a manter presente o pralelismo entre o que vem fazendo a Universidade de Aveiro e o da outra universidade a que faço alusão a abrir.
Concluo com as duas notas seguintes:
i) acho inteiramente legitimo que a Universidade de Aveiro faça da visita dos representantes da EUA peça do seu marketing institucional (mesmo porque essas coisas nunca são à borla - o inestimentos devem ter retorno); e
ii) identifico-me com estratégias promocionais abertas, ousadas; fazer diferente é evidenciar insegurança, hesitação de propósitos (mesmo quando se quer parecer muito seguro) e, no mínimo, tomar o investimento como despesa.
Curiosamente, nesta última dimensão, quem opta pela segunda estratégia está a macaquear o que o governo português vem fazendo, em se tratando da educação e não só.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 16, 2007

A coisa, aqui, está preta: comentário e resposta

1. Comentário (de J. Cadima Ribeiro a mensagem disponível em Co-Labor, em 07/03/15, intitulada "A transferência de conhecimento tecnológico num contexto de educação superior activa"):
«Caro Alexandre Sousa,
“A ficção é óptima para nos ajudar a enfrentar a realidade crua do dia a dia.”. Concordo! É por isso que eu não gosto de ir ao cinema ver filmes que falam sobre os nossos quotidianos.
O problema é que, quando consideramos a realidade da gestão actual do nosso Ensino Superior, nomeadamente aquela que é feita pela tutela, já não somos capazes de destrinçar o que é realidade e o que é ficção, sendo certo que tudo se nos sugere crescentemente como ficção.
Considerando os seus textos mais recentes, fico com o sentimento que se depara também com esse dilema. É certo que há ficções que nos transmitem ânimo, pelo menos enquanto o sonho perdura. A dificuldade sobrevém quando a realidade se impõe.»

2. Resposta (de Alexandre Sousa):
«Olá meu caro amigo…
Passados tantos anos, a canção do Chico Buarque mantém-se actual:
- A coisa aqui, está preta!
Como bons profissionais, vamos mantendo o jogo de cintura.
Ás segundas, quartas e sextas: faz-de-conta!
Ás terças, quintas e sábados: faz do mesmo!
Aos domingos: Vamos jogando futebol!
Aquele abraço»
/...
(retirado de Co-Labor, 07/03/15, "comments")

quinta-feira, março 15, 2007

Sub-urbanidades e agências AAAAAAAAAAA....ES

Na entrada intitulada "O decreto da avaliação (V)", de ontem, JVC (ApontamEntoS) continua a desfilar informação e argumentos sobre o projecto de criação da agência AAAAAAAAA...ES.
Do que escreve na citada entrada, sublinho a passagem onde diz:
"[...] detesto deslumbramentos internacionais, como tudo o que tem transparecido destes exercícios do MCTES, com a ENQA e com a OCDE. Vício pessoal de quem sempre gostou muito mais de passar os seus dias em Oeiras do que em Bruxelas."
A meu ver, este é um dos elementos de análise crítica fundadores da apreciação que importa fazer a este e a outros projectos de intervenção do MCTES, e à acção até agora desenvolvida. Algures neste blogue, referi-me a essa dimensão da actuação do governo como expressão de "provincianismo lisboeta", a mais das vezes interpretado por "expatriados" minhotos ou beirãos.
Pondo-me no lugar de JVC, teria entretanto que substituir o remate da afirmação "... passar os seus dias em Oeiras..." por "... passar os seus dias no Minho ...". É que Oeiras sempre me faz lembrar sub-urbanidade e esta conceito, desde que o ouvi nos bancos da faculdade lisboeta que frequentei, ficou-me associado a desqualificação urbana e social.
Hoje em dia, colar esta imagem a Oeiras é provavelmente injusto, mas há imagens que resistem para além da realidade que as fez nascer. Já falar de sub-urbanidade da política levada a cabo pelo MCTES me parece claramente ajustado, provavelmente mesmo mais do que provincianismo lisboeta, que soa mais elitista. É o que dá viajar muito e assentar pouco os pés na terra.
Também temos disso aqui pelo Minho!

J. Cadima Ribeiro