Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

terça-feira, agosto 01, 2006

Cá fico a aguardar para ver concretizada a promessa

Quem entra nesta ocasião na intranet UMinho depara-se, logo na página de abertura, com a frase seguinte:

acerca deste site…
É intuito desta reitoria dedicar atenção especial ao desenvolvimento do Sistema de Informação (SI) da Universidade do Minho, em todas as suas vertentes.
O desenvolvimento do Sistema de Informação (e a inerente integração de informação) constitui vector estratégico para a nossa Universidade. Reduzir a burocracia, permitir uma maior transparência no acesso à informação e aumentar a eficácia dos processos. Em suma, permitir melhorar a qualidade dos serviços de apoio à comunidade.”

É uma frase curiosa – diga-se – de quem, nos últimos 4 anos, suportado nas tecnologias de informação e comunicação, multiplicou burocracias, gerou mecanismos de controle de informação e, com a ajuda de um certo numero de “boys”, abriu espaço para que se gerasse a suspeição sobre a existência de quebra de reserva de acesso ao correio electrónico pessoal de algumas pessoas menos bem-queridas do poder instalado (cf. abaixo mensagem intitulada “Recuso-me a acreditar que seja verdade!”). A meu ver, tratava-se de algo expectável em quem confunde gestão com rotinas administrativas, convive dificilmente com a crítica e o debate aberto sobre as vias de futuro para a Universidade, e prima pela falta de transparência da sua gestão.
Em todo caso, regozijo-mo de ver agora expressa tal intenção e cá fico a aguardar para ver concretizada a promessa. Este enunciado de intenções acaba, além disso, por ser um reconhecimento implícito de erros passados, o que também me apraz registar e só abona a favor de quem é capaz do fazer.

J. Cadima Ribeiro

Centro de Estudos Têxteis encerra

“O CENESTAP – Centro de Estudos Têxteis Aplicados, com sede em Famalicão, vai cessar as suas actividades. A decisão foi tomada pelos associados, em Assembleia Geral, com base em supostas «dificuldades em encontrar soluções de equilíbrio económico para a sua viabilização».
Constituído em 1993 (faria 13 anos no 11 de Outubro de 2006), o CENESTAP desempenhava um papel reconhecido no sector do têxtil e vestuário, ao nível da divulgação de dados, estatística, informação, estudos e recomendações.
O deputado do PCP Agostinho Lopes lamentou ontem o anúncio da dissolução do organismo, adiantando que já entregou na Assembleia da República um requerimento a fim de inquirir o Ministério da Economia sobre as razões que levam ao encerramento do Centro. Criticou o Governo por «deixar cair» este projecto, […]. «O fim deste organismo é incompreensível, é uma facada no sector do têxtil e vestuário», realçou, defendendo a constituição rapidamente de uma estrutura semelhante com a designação de Observatório Têxtil de Portugal
A dissolução do CENESTAP vem anunciada no sítio da instituição, através de um comunicado datado de 26 de Julho. O Centro é participado pelo CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxteis e do Vestuário de Portugal, Idite-Minho – Instituto de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica do Minho, Universidade da Beira Interior, Universidade do Minho, IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento, ICEP – Investimento, Comércio e Turismo de Portugal, Associação Industrial do Minho, ATP – Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal, ANIL – Associação Nacional das Indústrias de Lanifícios, ANIT-LAR – Associação Nacional das Indústrias Têxteis Lar, ANIVEC/APIV – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção e AICR – Associação dos Indústrias de Cordoaria e Redes.
Tinha por missão difundir informação relacionada com a evolução da conjuntura, estrutura industrial, mercados e posicionamento competitivo das indústrias têxtil e do vestuário (ITV), a nível doméstico e internacional, funcionando como uma unidade, por excelência, da inteligência estratégica do sector, orientando, dinamizando e integrando acções de promoção da competitividade internacional do mesmo. Contava com um observatório têxtil, um jornal de publicação mensal e um portal dedicado à indústria têxtil e do vestuário (Portugaltextil. com.).
O observatório tinha por objectivo recolher e analisar informação económica, estratégica e estatística de interesse para a ITV portuguesa, sendo frequentemente solicitado para fornecer dados e estudos (publicou cerca de 150 documentos), por parte, não só da Administração Pública, como também de universidades, organismos internacionais, além de empresas da indústria têxtil e do vestuário português e de empresas de consultoria.
[…].”

(extracto de notícia publicada no Diário do Minho, em 2006-07-31)

domingo, julho 30, 2006

"On the Economic and Fiscal Effects of Investment in Road Infrastructure in Portugal"

"The objective of this paper is to investigate the economic and fiscal impact of road infrastructure investment in Portugal, focusing on the effects for each region of both local investments and investments in other regions. We estimate VAR models for the national economy as well as for each of the five administrative regions in the country.
Empirical results suggest that investment in road infrastructures has been a powerful instrument to increase private investment, new permanent jobs and to promote long-term growth in all regions. More importantly, investment in road infrastructure, both at the aggregate level and for each one of the five administrative regions, generates fiscal effects that largely exceed the initial investment itself. Accordingly, there is no trade off in the long-term between the potentially positive economic effects and the potentially negative budgetary effects of such investments, i.e., both economic and budgetary effects are positive.
As a corollary, policies that would reduce current road investment as a response to the current budgetary concerns will result in lower long-term growth as well as worse future budgetary conditions."

Alfredo M. Pereira (Department of Economics, College of William and Mary);
Jorge M. Andraz (Faculdade de Economia, Universidade do Algarve) .

Keywords: public investment, road transportation infrastructure, regional spillovers, Portugal
JEL: C32 H54 R53; Date: 2006-07-13
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:cwm:wpaper:33&r=pbe

(resumo de “working paper”; nep-edu, 2006)

Ps: podendo parecer descabida a inserção neste “jornal de parede” desta referência, esclarece-se que a intenção foi trazer para aqui resultados de investigação científica relativos a um tema que se vem discutindo muito na praça pública, a mais das vezes, de forma bastante desqualificada, mesmo quando os intervenientes (universitários) deveriam fazer prova de seriedade na abordagem do assunto; isto é, tem-se dito e escrito muitas “blasfémias”.

Para uma situação de crise...

“Para uma situação de crise, são necessárias medidas excepcionais.”

(citação extraída de mensagem de correio electrónico proveniente de organização@snesup.pt, datada de 06/07/28, assinada por FENPROF e SNESup)

sexta-feira, julho 28, 2006

Nomeações definitivas: parte II

Sob a epígrafe “Nomeações definitivas: tudo seria muito mais simples se…”, trouxe-vos há dias uma experiência pessoal que disse considerar pouco gratificante para mim e, sobretudo, pouco edificante para a Instituição Universitária, lida no singular e no plural. Sublinhei, também, que a invocação se justificava porque o que retratava não era, infelizmente, caso isolado na UMinho (e, obviamente, na universidade portuguesa, no seu todo).
Na resposta, recebi algumas mensagens que confirmavam esta ideia de não se tratar de caso único e outras que sublinhavam que os elementos informadores do que estava em causa nesta situação não eram um exclusivo dos processos de nomeação definitiva. Em substância, estariam igualmente presentes em concursos para professores associados e catedráticos. Não seria de presumir, de facto, que fosse diferente nestes casos. Alguns, questionavam(-se), ainda, se o(s) reitor(es) não teriam um papel a desempenhar em tais circunstâncias (anormais).
Das mensagens que recebi, retenho algumas frases isoladas, onde se sublinham méritos de candidatos e a “anormalidade” do que se configurava numa ou mais situações, que, aliás, na substância, reproduzem o que eu destacava no relato que fiz então. Em concreto:

“É reconhecido(a) pela comunidade científica”;
“Publicou livros e artigos e interveio com comunicações em vários congressos nacionais e internacionais”;
“Todos os de boa fé o(a) reconhecem como figura de referência. na sua área”;
“É alguém que se move pelo compromisso com a promoção da qualidade da instituição universitária”;
“É possuidor de grande profissionalismo”;

“Situação insólita, de continuada violação de direitos legalmente protegidos”;
“Situação indigna e desprestigiante para a Universidade, sendo previsível uma repercussão pública desfavorável para a sua imagem”.

E mais frases e adjectivos poderia ter retido para dar expressão do desconforto e indignação que ia na alma dos que entenderam por bem dar-me notícia dos “seus” casos.
Partilhando esse desconforto, não sou capaz, no entanto, de pôr esperança alguma na intervenção do(s) reitor(es) nem, algumas vezes, dos presidentes dos Conselhos Científicos. Não é que não lhes cumpra verificar o cumprimento e/ou fazer cumprir a lei. É que, amiúde, são parte do problema. É, também, por isso que, há algum tempo atrás, neste mesmo jornal de parede, eu concluía que “a culpa era (é) de todos nós”.

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, julho 27, 2006

Recuso-me a acreditar que seja verdade!

Caros (as) colegas,
Estarão conscientes que, nos últimos tempos, tem-se vindo a generalizar o recurso a endereços de correio electrónico alternativos, para encaminhar assuntos de serviço, por manifesta insuficiência de capacidade das caixas de correio disponibilizadas pela UMinho para os seus agentes e estruturas. Esse é um factor adicional de crítica à gestão da Organização que se entende dado o papel que tomam as tecnologias de informação e de comunicação no nosso trabalho quotidiano e o “peso” crescente dos documentos manuseados. Aliás, é bom que se tenha presente que há multiplicados anos que essa capacidade das caixas de correio se mantém.
Este motivo de insatisfação profissional não é, entretanto, nada comparável com os que resultam de muitas outras dimensões do funcionamento da Organização. Não me deterei sobre isso nesta ocasião, até porque, infelizmente, podemos ter um horizonte de dois pares de anos para comentar isso.
Sabendo tudo o que acabo de referir, não estava, todavia, preparado (provavelmente, nunca virei a estar) para ser confrontado com mensagem do teor da que passo a apresentar, tal e qual como recebida de fonte bem identificada.

“Passei a usar um email alternativo ao da UM, para comunicar sobre este assunto, face aos insistentes rumores de que as caixas de correio de certas pessoas estão sujeitas a vigilância electrónica. Tenho ouvido coisas, que são verdadeiramente assustadoras. Parece haver uma realidade subterrânea e lamacenta, bem conhecida de certos funcionários, relativamente à qual os docentes têm um total alheamento e uma inocência angelical.”

É algo que vos deixo, sem comentários, a não ser o de que, na substância do que se enuncia, me recuso a acreditar que seja verdade.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, julho 26, 2006

Revista de imprensa

“António Guimarães Rodrigues tomou ontem posse para um segundo e «difícil» mandato ao leme da Universidade do Minho, numa cerimónia sem a presença de representantes ministeriais, nem do governador civil – representado pelo chefe de Gabinete José Lopes […].
No início de um novo mandato, o reitor optou por um discurso ´magnânimo`, em que renovou a sua aposta nos vectores da «região do conhecimento, a cultura de uma universidade sem muros e a responsabilidade social», ao mesmo tempo que aproveitou para anunciar a criação de uma licenciatura em Ciências Musicais […].
«A oferta de formação na área da música irá provocar um maior número de manifestações culturais de elevada qualidade artística, estabelecendo ligações com instituições da região», notou num propósito que não deixaria de ser subscrito pela candidatura de Moisés Martins, que prometeu uma postura leal, mas crítica da anterior “postura tecnocrática”.
[…]
O responsável máximo da academia começou por salientar «o apoio expressivo» ao programa de acção para os próximos quatro anos, de uma reitoria que ao longo do último mandato procurou «acomodar as implicações de uma acelerada alteração da envolvente do ensino superior, amortecendo o seu impacto e preservando a coesão institucional ».”

José Carlos Lima
(extractos de notícia publicada em Diário do Minho, de 2006-07-24)

terça-feira, julho 25, 2006

Recursos e desempenho das instituições universitárias

Numa altura em que tanto se fala em Portugal do desempenho das Instituições Universitárias (ou da falta dele), referido quer à vertente qualificação de recursos humanos quer à vertente produção científica e tecnológica, e da necessidade deste evoluir para padrões internacionais, parece-me interessante tornar públicos alguns números que mão amiga me fez chegar.
Na maior parte, trata-se de dados publicados recentemente pelo Diário Económico, conforme se explicita na indicação de Fonte. Esses dados foram completados com outros, recolhidos dos relatórios oficiais das instituições, para que o retrato fosse mais representativo e expressivo. É a este último título que é interessante olhar para os rácios da UMinho.
Os comentários deixo-os para os eventuais leitores, assumindo que os números possam sugerir ou significar alguma coisa.
Aqui ficam os ditos dados:
----------------------------------------------------------------------------------------------
(0) Instituições;
(1) Alunos(Grad.+Pós-Grad.);
(2) Pes. Docente;
(3) Pes. Não-Docente;
(4)=(2)+(3) Pes.Total.
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(0) Harvard (EUA)* ; (1) 19.789; (2) 2.000; (3) 9.000; (4) 11.000
(0) MIT (EUA)* ; (1) 10.206; (2) 1.620; (3) 8.380; (4) 10.000
(0) Oxford (RU)*; (1) 17.660; (2) 1.391 ; (3) 5.609; (4) 7.000
(0) Cambridge (RU)* ; (1) 18.133; (2) 1.542 ; (3) 8.570; (4) 10.112
(0) UTLisboa (Port.)*; (1) 22.206; (2) 1.912; (3) 1.184; (4) 3.096
(0) UMinho (Port.)** ; (1) 15.931; (2) 1.205 ; (3) 627; (4) 1.832
(0) UNLisboa (Port.)**; (1) 14.189; (2) 1.103; (3) 798; (4) 1.901
------------------------------------------------------------------------------------------------
------------------------------------------------------------------------------------------------
(0) Instituições;
(2)/(3) Pes.Doc./Pes.Não-Doc.;
(1)/(2) Alunos/Pes.Docente;
(1)/(4) Alunos/PesTotal.
-----------------------------------------------------------------------------------------------
(0) Harvard (EUA)*; (2)/(3) 0,22; (1)/(2) 9,89; (1)/(4) 1,79
(0) MIT (EUA)*; (2)/(3) 0,19; (1)/(2) 6,30; (1)/(4) 1,02
(0) Oxford (RU)*; (2)/(3) 0,24; (1)/(2) 12,69; (1)/(4) 2,52
(0) Cambridge (RU)*; (2)/(3) 0,17; (1)/(2) 11,75; (1)/(4) 1,79
(0) UTLisboa (Port.)*; (2)/(3)1,71; (1)/(2) 11,61; (1)/(4) 7,17
(0) UMinho (Port.)**; (2)/(3) 1,92; (1)/(2) 13,22; (1)/(4) 8,69
(0) UNLisboa (Port.)**; (2)/(3) 1,38; (1)/(2) 12,86; (1)/(4) 7,46
------------------------------------------------------------------------------------------------
Fonte: * Diário Económico, 06/06/06; ** Relatório da Universidade
Nota: a informação da UNLisboa é datada de 05/12/31

Como última nota, refira-se que o colega que me fez chegar esta informação continua interessado em aprofundar o assunto, pelo que não deu por encerrada a recolha de informação sobre outros casos. A essa luz, serão bem acolhidas eventuais colaborações de quem disponha de informação relevante.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, julho 24, 2006

Nomeações definitivas: tudo seria muito mais simples se ...

Há um bom par de meses, por força do meu estatuto profissional e enquadramento orgânico, estive directamente envolvido na tomada de posição sobre um pedido de nomeação definitiva como professor do quadro de professores da UMinho. Cumpri o que legalmente estava estabelecido e fiquei a aguardar que outros o fizessem, igualmente, e que o processo seguisse a tramitação conveniente, sem percalços de maior. Havia todas as razões para presumir que assim viesse a suceder, por duas razões essenciais: primeiro, porque nunca na EEG havia sido recusada uma nomeação definitiva, independentemente da qualidade do CV. dos que passaram por esse processo; e, segundo, porque era inquestionável o mérito da requerente, atestado por dois pareceres que, fazendo embora leituras diferenciadas do relatório produzido pela candidata, concluíam ambos com a formulação de proposta de deferimento do requerimento de nomeação. De forma a ilustrar esse mérito, em breve invocação da conclusão do parecer que elaborei na ocasião, retenho as seguintes passagens:

“…no período a que reporta este documento, a docente/investigadora publicou ou viu aceites para publicação 5 artigos em revistas internacionais. Dada a qualidade das revistas, isso não pode ser visto senão como expressão da elevada qualidade da investigação produzida;
…a docente/investigadora tem em curso a orientação de duas teses de doutoramento […] e orientou no período três dissertações de mestrado, concluídas com sucesso;
…a Professora esteve associada à organização de diversas (os) Conferências e Seminários de natureza científica […]. Está também ligada a uma iniciativa […] a decorrer nos EUA, na qualidade de membro do comité científico, o que é, também, revelador do prestígio científico que entretanto granjeou.”

Pese o que digo antes, devo informar que o processo (que presumo formalmente concluído, nesta data) passou por diversas atribulações, que foram desde o arrastamento do agendamento do assunto para reunião do Conselho Científico até à produção de um parecer por parte da AJ da reitoria, na sequência de votação inválida naquele órgão, por não estar reunido o quórum necessário.
Todavia, o mais chocante foi constatar que as mais fortes objecções ao desfecho favorável do processo provieram de professores estranhos à área científica da candidata, que ignorando os pareceres científicos produzidos, tiveram a ousadia de questionar o mérito científico da candidata, equiparando-o a desempenhos banais de docentes da respectiva área, e chegaram mesmo a enunciar dúvida sobre a existência de contributo em matéria de orientação de teses e dissertações.
Conclui na ocasião, e afirmei-o em sede formal, que tudo seria muito mais simples se a colega se limitasse a ter o perfil e o desempenho académico/científico de muitos outros que conhecia, isto é, um desempenho científico medíocre e um perfil de “yes woman”.
As coisas tem o valor que têm e talvez não valesse a pena lembrar este assunto não fora a circunstância de se saber que este não é caso único na Universidade do Minho, e a situação relatada não ser uma idiossincrasia da minha Escola, infelizmente.

J. Cadima Ribeiro

sábado, julho 22, 2006

Prestação de serviços para assegurar funções docentes

“Num número significativo de Universidades e em alguns Politécnicos recorre-se à contratação em regime de prestação de serviços para assegurar o exercício de funções docentes. Não apenas sob a forma, já de si degradante, de "recibo verde", mas também, inacreditavelmente, de "acto isolado", isto é, com pagamento apenas no fim do semestre lectivo.
[…]
Uma parte destas situações decorre de um equívoco quanto ao carácter vinculativo dos "plafonds" de ETI, que, tanto nas Universidades como nos Politécnicos, apenas se aplicam às contratações com suporte em verbas transferidas do Orçamento do Estado. Mas as restantes resultam de uma vontade de precarizar, e de colocar sob absoluta dependência aqueles que, por razões de subsistência e falta de alternativas profissionais, se sujeitam a este regime. Não é apenas a situação destes colegas que nos preocupa, é também a circunstância de com este tipo de "admissões" se perder o rigor e a exigência na constituição de corpos docentes que constituem elemento fulcral nos sistemas de garantia de qualidade de ensino.
[…]
O SNESup fez recentemente a experiência de pedir à maioria das Universidades o envio destas listas. Algumas nem sequer as organizam, outras não as enviam, a maioria disponibiliza-as, mesmo com indicação de situações quanto à existência de pessoal técnico e administrativo que claramente infrigem a lei. Mas nenhuma admite a existência de docentes em regime de aquisição de serviços, que se encontram assim, não só em situação ilegal, mas na mais rigorosa clandestinidade. Quando inquirimos directamente as instituições, as respostas, quando existem, mostram animosidade e vontade de fuga às responsabilidades.”

A Direcção do SNESup
(extractos de mensagem de correio electrónico recebida em 06/07/21, proveniente de organizacao@sensup.pt)

sexta-feira, julho 21, 2006

There are two cardinal sins

"In life and business, there are two cardinal sins. The first is to act precipitously without thought and the second is to not act at all."

Carl Icahn

(citação extraída de SBANC Newsletter, July 18, 2006, Issue 430-2006, http://www.sbaer.uca.edu )

quinta-feira, julho 20, 2006

Acolhimento dos alunos do 1º ano

Através do Despacho RT-29/2006, o reitor da UMinho homologa e divulga as “Directivas para o Acolhimento e o Acompanhamento dos Alunos do 1º Ano da Universidade do Minho (2006/2007)”. Nessas directivas, por seu turno, logo a abrir, pode ler-se que:
“A Universidade do Minho tem desenvolvido em anos transactos um Programa de Acolhimento e Acompanhamento dos alunos do 1º ano. Este Programa, fundado em análises e experiências desenvolvidas a vários níveis no interior da Universidade, tem-se revelado adequado enquanto estratégia de resposta a algumas das dificuldades que se colocam aos alunos que pela primeira vez ingressam no ensino superior.”
Mais adiante, na secção relativa ao ´Programa de Acolhimento`, pode, adicionalmente, ler-se:
“O primeiro ano é reconhecidamente um ano importante no desenvolvimento pessoal do aluno e na construção de competências e métodos de estudo que poderão determinar muito do seu sucesso académico. A definição e implementação das metodologias de acompanhamento dos novos alunos de cada Curso são, nesta medida, particularmente pertinentes.”
Atento ao que se tem passado em anos transactos e ao espírito que enforma o acolhimento, bem enunciado na frase que diz que “O primeiro ano é reconhecidamente um ano importante no desenvolvimento pessoal do aluno e na construção de competências e métodos de estudo”, confesso que fiquei baralhado. Em concreto, na boa tradição de “anos transactos”, questiono se não está este assunto de há muito convenientemente entregue e resolvido? Ter-se-ão o conselho académico e o reitor esquecido da “semana” de recepção ao caloiro há muito instituída pelos estudantes e respectivo cabido de cardeais? Mais: tendo, e muito bem, o Sr. reitor e o seu vice-reitor reafirmado ainda não vai para um ano, em sede formal de senado, que essa era matéria da estrita autonomia e responsabilidade dos estudantes e seus órgãos “representativos”, como se percebe que surja agora este despacho e esta surpreendente intrusão de órgãos da Universidade em assuntos da reserva dos estudantes?
Uma desatenção, seguramente, só compreensível em razão deste malfadado calor que se tem feito sentir e do adiantado do ano académico. Ainda bem que sobra tempo, ainda, para pôr as coisas no seu devido lugar.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, julho 19, 2006

Cultural attributes of a successful company

“Cultural Attributes of a Successful Innovative Company:
Honesty - The degree to which each employee has total confidence in the integrity, ability, good character of others, and the organization, regardless of role.
Alignment - The degree to which the interests and actions of each employee support the clearly stated and communicated key goals of the organization.
Risk - The degree to which the organization, employees, and managers take risks.
Teams - The degree to which team performance is emphasized over individual performance. Empowerment - The degree to which each employee feels empowered by managers and the organization.
Freedom - The degree to which self-initiated and unofficial activities are tolerated and approved throughout the organization.
Support - The degree to which new ideas are welcomed from all sources and responded to promptly and appropriately.
Engagement - The degree to which all levels of the organization are engaged with the customer and the operations of the organization.
Stimuli - The degree to which it is understood that unrelated knowledge can impact product, service, and operations improvements.
Communication - The degree to which there is both planned and random interaction between functions and divisions at all levels of the organization.”

Jack M. Kaplan e Anthony C. Warren
Patterns of Entrepreneurship. 2nd Edition, Von Hoffman Press, Inc., 2007, Page 275.

(citação extraída de SBANC Newsletter, July 11, 2006, Issue 429-2006, http://www.sbaer.uca.edu/ )

A capacidade instalada não é demais

“Toda a capacidade instalada em recursos humanos no ensino superior público não é demais para as necessidades de qualificação de uma população activa tão carente dos níveis educativos indispensáveis ao desenvolvimento do nosso país. Visões estreitas de “poupança” de recursos financeiros no ensino superior, sector onde os gastos por aluno se encontram ainda abaixo de metade do dispendido pela média dos países da OCDE (ver em ´Education at a Glance`), sairão a prazo muito caras ao país.”

(extracto de mensagem de correio electrónico recebida em 06/07/19, proveniente de organizacao@sensup.pt e assinada por FENPROF e SNESup)

terça-feira, julho 18, 2006

Economia: investigação em destaque

“A página denominada Economics Research in Portugal: People and Institutions, contém informação sobre as publicações de economistas portugueses e de Universidades e Centros de Investigação portugueses em mais de 350 revistas científicas internacionais indexadas na EconLit. A partir desta informação, os autores desta página, Paulo Guimarães (Medical School of South Carolina), Miguel Portela (Universidade do Minho) e Pedro Cosme (Universidade do Porto), quantificam a produção científica internacional em Economia por economistas e instituições nacionais. Recorrendo a um conjunto de critérios acreditados internacionalmente é possível ao utilizador da página obter a seriação de autores ou instituições com base na sua produção científica.
A página é promovida pelo CEMPRE (Centro de Estudos Macroeconómicos e Previsão) e pelo NIPE (Núcleo de Investigação em Políticas Económicas), centros de investigação da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, respectivamente, ambos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Apesar de ser um dos mais jovens departamentos de Economia do país, os resultados do investimento da Universidade do Minho na formação dos nossos docentes são hoje notórios na posição que ocupa na generalidade das seriações. É de destacar o facto de na generalidade dos rankings a Universidade do Minho surgir entre as quatro universidades portuguesas com maior dinâmica de investigação em Economia.
Sugerimos a visita a esta página de forma a conhecer melhor a evolução da produção científica em Economia por autores e instituições portugueses.”

(notícia extraída da entrada Investigação em Destaque do sítio do Departamento de Economia da EEG/UMinho; http://www.eeg.uminho.pt/economia)

segunda-feira, julho 17, 2006

Quem é o candidato?

Em véspera de férias, para alguns felizardos - sobretudo alunos e pessoal não-docente - venho desafiá-lo para um pequeno exercício, difícil mas não insuperável; a saber:
i) situar o lugar, isto é, a Instituição deste país ou doutro, e o tempo a que se referem os extractos do “manifesto eleitoral” que retenho de seguida;
ii) identificar o “candidato” que se anuncia nos extractos retidos.

“O candidato possui a convicção de que a instituição universitária tem a capacidade de se reformar, de encontrar as formas de realizar as suas metas e de demonstrar a sua relevância. Considera que a instituição universitária não é uma ´organização-empresa`. Entende que a crítica e a interrogação permanentes são mais valias da Instituição, que lhe garantem a sua criatividade e a capacidade de se modernizar. Considera que, por definição, o docente universitário deve ser irreverente mas responsável, em toda a extensão e consequência desta definição.”
[…]
“No momento em que é colocado em causa o próprio modelo de gestão democrática intrínseca à Universidade, e em que é feito apelo a uma visão de Universidade autista, elitista e fechada sobre si mesma, o candidato considera que o que está em causa é mais profundo.”
[…]
“Como organização que se pretende por natureza inconformista, na acepção mais profunda do termo, a Universidade deve rejeitar actuações de mera preservação de equilíbrios locais, de grupo ou pessoais. O futuro da Universidade inscreve-se nas gerações mais jovens, que devem consciencializar-se do imperativo da sua participação na vida da Instituição.”

Se conseguiu superar as dificuldades iniciais e se a sua ousadia o tenta para ir mais longe, deixo-lhe as questões adicionais seguintes:
i) se o docente universitário irreverente mas responsável de que se fala é aquele que, discordando embora de quase tudo quanto se passa na gestão de cúpula organização, está sempre disponível para votar as propostas do reitor (antes, candidato) e, mesmo, referendá-lo em processo eleitoral formalmente democrático?
ii) Onde se terá inspirado o candidato para reter no seu manifesto eleitoral expressões como autista, elitista e fechada, e se não queria, antes, falar de pseudo-democrático, elitista e sulista?
iii) Em que sentido o candidato afirma que “a Universidade deve rejeitar actuações de mera preservação de equilíbrios locais, de grupo ou pessoais”? Exprimirá alguma frustração face à sua manifesta incapacidade de comunicar com a envolvente político-institucional? Ou quererá reafirmar a sua cultura de solidão do poder, em detrimento da lógica de núcleo duro dentro da equipa reitoral? E, finalmente,
iv) porque razão se referirá o candidato a instituição e universidade umas vezes fazendo uso de letra maiúscula e outras de minúscula? Será para distinguir a “sua” Instituição / Universidade da dos outros, porventura, os tais elitistas e sulistas a que faço alusão?

E basta, para esta altura. Férias, são férias! Não convém forçar.

J. Cadima Ribeiro

sábado, julho 15, 2006

Educação e Fecundidade em Portugal

“O aumento nos níveis de produto e de rendimento é uma condição fundamental para a promoção do desenvolvimento económico, nos países e nas regiões. Ceteris paribus, níveis de rendimento mais elevados permitem que as famílias possam usufruir de níveis de rendimento disponível também mais elevados e, consequentemente, melhorar o seu nível de bem-estar.
A teoria do capital humano mostra-nos, a nível territorial, a estreita relação entre o aumento da riqueza e os níveis de qualificação da população. Níveis elevados nestas variáveis - rendimento e habilitações escolares - traduzem-se, pelo menos nos países da Europa, em níveis também maiores de riqueza. Por outro lado, sabemos que os territórios não poderão promover processos sustentados de desenvolvimento económico e social, particularmente em termos inter-geracionais, se o número de filhos que cada família tem for insuficiente para garantir a substituição de gerações.
Portugal é um dos países europeus com mais baixos níveis de rendimento (apenas 68.7% do PIB per capita em 2003), baixos níveis de qualificação no mercado de trabalho (cerca de 40% da população activa, em 2002, não tinha qualquer nível de instrução ou tinha apenas o 1º ciclo do ensino básico) e, simultaneamente com reduzidos níveis de fecundidade (em média, 1.4 filhos por mulher, em 2004). Efectivamente, este cenário coloca sérios desafios a Portugal, no que respeita à melhoria do comportamento destas variáveis.
Assim, com esta comunicação propomo-nos, a partir de dados estatísticos para os concelhos de Portugal continental, analisar a existência de inter-relações entre as diferenças nos níveis de educação - particularmente das mulheres - e o número médio de filhos.”

Conceição Rego (Department of Economics, University of Évora)
Maria Filomena Mendes (Department of Sociology, University of Évora)
António Caleiro (Department of Economics, University of Évora)

Keywords: Desenvolvimento económico, Desigualdades de rendimento, Diferenças nos níveis de educação, Fecundidade, Portugal
Date: 2006
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:evo:wpecon:10_2006&r=edu

(resumo de “working paper” intitulado Educação e Fecundidade em Portugal: as diferenças nos níveis de educação influenciam as taxas de fecundidade?; nep-edu, 2006;
Edited by: João Carlos Correia Leitão http://ideas.repec.org/e/ple48.html
Universidade da Beira Interior Date: 2006-07-09)

sexta-feira, julho 14, 2006

Professores auxiliares convidados

“O SNESup tem vindo a denunciar como abusiva a contratação de doutores como professores auxiliares convidados em tempo integral. Um inquérito por questionário recentemente aplicado pelo Sindicato (ver anexo), confirma que:
- esta prática decorre de políticas adoptadas pelas instituições;
- está associada em muitos casos à celebração de contratos por períodos até um ano, que o ECDU permite quando as necessidades lectivas assim o recomendarem, e à sua subsequente renovação por períodos também até a um ano, quando o Estatuto estabelece que sejam renovados por cinco anos;
- está igualmente associada à atribuição de cargas horárias superiores às nove horas de aulas semanais que o ECDU estabelece como limite para os docentes em tempo integral, de carreira ou convidados;
- a quase totalidade dos docentes nesta situação pretende passar à carreira, onde aliás está previsto um período probatório de cinco anos antes da nomeação definitiva;
- a grande maioria pretende que o SNESup intervenha junto das instituições.
A regularização das situações dos professores auxiliares convidados em tempo integral com doutoramento, bem como da de outros doutores que tanto nas universidades como nos politécnicos continuam sem enquadramento contratual adequado, está reivindicada no documento "Seis medidas pela estabilidade profissional e pela protecção em caso de desemprego", subscrito pelo SNESup e pela FENPROF e entregue no MCTES em 8 de Junho último.
Não podemos deixar de nos congratular por o Reitor da Universidade de Évora ter anunciado recentemente a delegações sindicais que pretende resolver estas situações.
Trabalharemos para que outras Universidades adoptem orientação semelhante. Desde já apelamos aos interessados para que nos contactem. Saudações académicas e sindicais.”


A Direcção do SNESup
14-7-2006
SNESup – Sindicato Nacional do Ensino Superior
snesup@snesup.pt

LISBOA (sede nacional) - Av. 5 de Outubro, 104 - 4º - 1050-060 LISBOA
Tel. 217995660; Fax. 217995661

(reprodução de mensagem de correio electrónico recebida nesta data)

quinta-feira, julho 13, 2006

"Concurso nacional distingue ideias inovadoras de universitários"

«Identificar pessoas e ideias inovadoras com potencial e dar-lhes condições para o desenvolvimento das ideias numa perspectiva de valor e mercado. Estes são os objectivos do Prémio Innovation Point 2006 – Concurso Nacional de Inovação para Universitários, com periodicidade anual.
O projecto foi ontem dado a conhecer, no âmbito da apresentação pública da “Innovation Point S.A.”, uma sociedade anónima cujo capital é detido pela “holding” DST SGPS S.A. e por accionistas privados. A cerimónia foi presidida pelo secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro.
José Teixeira, vogal do Conselho de Administração da empresa, anunciou que o concurso se dirige a estudantes do ensino superior, universitário ou politécnico, público ou privado e a estudantes estrangeiros que frequentem o ensino em Portugal ao abrigo de programas de mobilidade. As candidaturas, que podem ser individuais ou apresentadas em equipas, “às quais se podem juntar docentes ou investigadores “, têm de ser apresentadas até 3 de Novembro. O período de análise das candidaturas decorre de 6 a 30 de Novembro e a sessão de entrega de prémios realiza-se entre 11 e 20 de Dezembro.
Podem ser apresentadas "a concurso ideias inovadoras em qualquer área, com elevado potencial de mercado, nos formatos de modelo de negócio, de produto (bem) e de produto (serviço)". Os projectos são avaliados por um júri que integra elementos da “Innovation Point”, do Plano Tecnológico, do IAPMEI, da Agência de Inovação, da Tec-Minho e da Associação Industrial do Minho.
Incubar ideias e gerar produtos.
O presidente do Conselho de Administração da “Innovation Point”, José Mendes (ex-vice-reitor da Universidade do Minho), explicou que a missão da empresa consiste em “incubar ideias e gerar produtos”. O respectivo modelo de actuação começa na geração de ideias, seguindo-se a identificação de oportunidades e avaliação da ideia, a incubação da ideia, o desenvolvimento e a comercialização.
A propósito do Processo de Bolonha, a “Innovation Point” lançou um programa de Investigação & Desenvolvimento + Inovação, tendo em vista o desenvolvimento de soluções de gestão da aprendizagem que endereçam esta nova realidade, com perspectiva de lançamento no mercado internacional. Para este ano, a empresa tem previsto o desenvolvimento de projectos no âmbito do ambiente, engenharia e construção, tecnologias da informação e conteúdos, administração pública, educação de nível superior e exploração vocacional, através de tecnologias móveis.
O primeiro produto, lançada esta semana, denomina-se “where-to-invest-inportugal.com”, uma solução global de marketing territorial dirigida aos municípios para a atracção de investimento directo, explicou o responsável.Trata-se de uma solução que permite aos municípios adquirir visibilidade no contexto dos processos de decisão das empresas investidoras, nomeadamente no que se refere à selecção de localizações vantajosas.»

Cláudia Pereira
in Diário do Minho de 2006-07-13

quarta-feira, julho 12, 2006

Universities as drivers of .../policies and recomendations

“The general context of socio-economic activity in any given locale shapes the actions and performances of the universities. But more than that, university leadership emerges as an important factor in determining whether universities adopt a proactive approach. Adjusting their strategies to very diverse contexts, university managers can deploy their talents and leadership skills to address economic needs.
[…]
As for factors hindering or supporting university-industry linkages, the institutional framework for urban development policies, and more specifically the incentive policies put in place by local governments, emerge as crucial. In those cities where local governments have more liberal and open policies – like Ho Chi Minh or Danang – universities tend to work more closely with firms.
[…]
There is a range of policies that need to be improved for facilitating linkages between Universities and local firms. Financial constraints and the shortage of a new generation of university staff merit especially focused attention. Incentives need to be extended to enable university research to become more market driven and thus to better serve the needs of firms and industry. It is only though long-term vision that universities will become key actors in the overall innovation system in the country.”

Tran Ngoc Ca
Date: 2006-06-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:wbk:wbrwps:3949&r=edu
(extractos da secção “Policies, institutional framework and recommendations” de “working paper” intitulado Universities as drivers of the urban economies in Asia : the case of Vietnam; nep-edu, 2006)

terça-feira, julho 11, 2006

"Talentos e Regiões"

"Na última década, países e, sobretudo, cidades europeias acordaram para a necessidade e de reter os seus talentos e atrair os provenientes de outros locais. Por exemplo, a Irlanda tem hoje programas como as Young Presidential Investigation Awards para apoiar os seus jovens cientistas mais talentosos. Dublin oferece até ateliês para os mais prometedores arquitectos internacionais.
Na vizinha Barcelona, criou-se uma iniciativa (http://www.bcn.es/22@bcn/) para transformar a cidade num magnete de talento mundial nas áreas dos novos media e biotecnologia. Essa iniciativa associa as principais universidades, empresas e entidades bancárias de Barcelona. Os impostos sobre rendimentos na região foram também reduzidos para atrair residentes estrangeiros baseando-se numa tarifa plana de 20% […]. A recente instalação do laboratório europeu de investigação da Yahoo demonstra a crescente atractividade da cidade.”


António Câmara
Prof. da FCT-UNL e Presidente da YDreams

(extracto de artigo intitulado “Talentos e Regiões”, publicado no EXPRESSO – Economia, de 06/07/08, p.19)

segunda-feira, julho 10, 2006

Instituto Ibérico de Investigação em Braga?

Em artigo com a assinatura de Francisco de Assis/Lusa e intitulado “Instituto Ibérico de Investigação vai ter sede em Braga”, podia ler-se no Diário do Minho de 20 de Novembro de 2005 o seguinte:

“A cidade de Braga foi honrada na XXI Cimeira Luso Espanhola, que decorreu em Évora, ao ser escolhida para acolher a sede do Instituto Ibérico de Investigação. Trata-se de um centro científico que vai permitir uma maior mobilidade e cooperação entre investigadores de Portugal e Espanha.
Os primeiros-ministros de Portugal, José Sócrates, e de Espanha, José Luís Zapatero, consideraram que esta cimeira representou um «salto qualitativo» na relação entre os dois países, «sendo a ciência a nova estrela da cooperação». O concelho e a região de Braga certamente vão recordar este encontro com satisfação por esta decisão, uma vez que ela representa um reconhecimento das potencialidades da região e das actuais infra-estruturas de ensino sedeadas no Minho. O reitor da Universidade do Minho, António Guimarães Rodrigues, manifestou o seu agrado, considerando que «o Centro de Investigação virá alavancar diversos clusters que se pretendem ver instalados e reforçados na região. É, portanto, de grande relevância para a região».
Guimarães Rodrigues disse ainda que as informações sobre o Centro e a sua configuração irão ainda ser detalhadas. Mas tem já conhecimento da importância do instituto, uma vez que lhe foi comunicado pessoalmente pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago. Uma informação recebida com «satisfação», considerando a sua importância para a Universidade. Guimarães Rodrigues recordou que a UM tem como sua prioridade estratégica a criação de uma Região do Conhecimento no Minho. A sua acção, em parceria com os demais agentes de desenvolvimento, tem sido desenvolvida no sentido de criar na Região do Minho as condições para o desenvolvimento sustentado. «O Pacto de Desenvolvimento Regional assinado em 2003 tem essa expressão, e os diferentes agentes envolvidos têm vindo a construir a malha que permite a sua implementação».
[…]
Sobre o futuro Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento, o ministro português da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, afirmou no final da conferência de imprensa dos dois chefes do Governo que o instituto de Braga será presidido pelo espanhol José Ribas, docente na Universidade de Santiago de Compostela.
De acordo com Mariano Gago, o instituto vai acolher cerca de 200 investigadores portugueses e espanhóis, mas também está aberto a especialistas de outros países e que entrará em funcionamento até 2007, com um investimento público português e espanhol, anual que rondará os 30 milhões de euros. Para o primeiro-ministro português José Sócrates, «esta cimeira esteve à altura destes tempos de exigência, de responsabilidade e de ambição», realçando os 12 acordos de cooperação assinados na área da ciência e tecnologia.
Por sua vez, o chefe do Governo de Madrid, disse na conferência de imprensa que encerrou a cimeira de Évora, a propósito da cooperação ibérica na área da ciência, que «Portugal e Espanha estão a viver um momento de excelência» nas suas relações bilaterais […]. «Para além das tradicionais áreas de cooperação da segurança e das relações económicas, alargámos agora o campo de actuação conjunta ao emprego, ao ambiente e à ciência, que foi a estrela desta cimeira», sustentou Zapatero.”

Depois de um longo período de silêncio, este assunto voltou a ser mencionado na comunicação social nos últimos dias (cf. artigo de La Voz de Galicia, de 06/07/04, inserto abaixo - El AVE Vigo-Oporto estará en funcionamiento el 2013), se bem que com saliência menor.
Dado o tempo entretanto decorrido e as datas anunciadas para o arranque do Instituto, não seria de esperar que se soubesse já algo mais sobre a configuração do projecto, a sua instalação física, a estrutura humana encarregue da sua implementação, entre outros aspectos? Significará este vazio de notícias e de acções que, afinal, se tratou apenas de mais uma acção de propaganda dos governos? E que dizer da irrelevância política que parece ter tido e continuar a ter a UMinho (leia-se: a sua reitoria) na configuração e eventual materialização deste projecto? Deverá essa realidade ser entendida como uma simples desatenção dos agentes políticos ou significará muito mais que isso?
Seria muito interessante ver estes aspectos esclarecidos, a breve prazo. Ao fim e ao cabo, estão em causa as enunciadas apostas do governo na Ciência e Tecnologia e no desenvolvimento da nossa região. Obviamente que, na falta de resposta, o tempo e os factos se encarregarão de fazer plena luz sobre a matéria.

J. Cadima Ribeiro

sábado, julho 08, 2006

FCT: candidaturas a financiamento de projectos de investigação

“Caro investigador(a),
O novo Regulamento de acesso a financiamento de projectos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, encontra-se disponível desde ontem dia 5 de Julho na página web da FCT em: http://www.fct.mctes.pt/projectos/concurso2006/regulamento/
Para que a adesão da comunidade científica às várias iniciativas que estão em curso, ou em vias de lançamento, seja o mais participada possível, a FCT decidiu alargar o prazo de submissão de candidaturas a financiamento de projectos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, até dia 31 de Agosto.
Com os meus cumprimentos,”

João Sentieiro
Presidente da FCT

(mensagem recebida de Presidência presidencia@fct.mctes.pt
Data: Fri, 07 Jul 2006 21:37:09 +0100
Reponder para: Presidência
Assunto: Regulamento de acesso a financiamento de projectos)

sexta-feira, julho 07, 2006

"Universities as drivers of the urban economies in Asia: the case of Vietnam"

”This study looks at the contribution of the university system in Vietnam to the socioeconomic development in general, and their relationship with firms, dynamic actors of the economy in particular.
The study uses different methods of research, from reliance on secondary data to interviews with universities and survey of firms. Several case studies of the key universities in four regions have been undertaken: Hanoi in the north, Danang in the center, and Ho Chi Minh City and Cantho in the south of Vietnam.
The findings show that the role of Vietnamese universities in research is much weaker than teaching, and that their contribution to the socioeconomic development of the country is limited to the production of an educated labor force rather than innovation. However, in selected universities, innovation did take place to a certain extent and brought benefits for both the universities and firms they served. This situation is explained by both the inherited university system in Vietnam and its shift in behavior in the context of economic renovation and globalization.”

Tran Ngoc Ca
Keywords: Tertiary Education, ICT Policy and Strategies, Agricultural Knowledge & Information Systems, Rural Development Knowledge & Information Systems, Access & Equity in Basic Education
Date: 2006-06-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:wbk:wbrwps:3949&r=edu

(Resumo de “working paper”; nep-edu, 2006)

quinta-feira, julho 06, 2006

As boas-vindas ao novo pró-reitor

Caros (as) colegas,
Já sabem que vamos ter um novo pró-reitor? E ainda por cima para as relações internacionais. Vai ser agora que vamos ter uma estratégia de internacionalização da UMinho!
Estranho, estranho é que o recém-candidato a reitor, Prof. António Guimarães Rodrigues, que se sabe ser pessoa que se distingue na sua acção directiva por pôr o planeamento antes de tudo o mais, se tenha esquecido de anunciar a inclusão deste novo elemento na sua “equipa” reitoral, para mais sendo o reforço que vão ver e tendo esta área a relevância estratégica para a Universidade que o reitor não se tem cansado de enunciar.
Se não sabiam do que anuncio, vão querer saber quem é a personalidade que vai protagonizar o lugar. Perdoar-me-ão que alimente o “suspense”. Confio que o vosso coração resista até à publicitação oficial.
De uma coisa podem estar seguros: é a pessoa certa, pelos seus atributos executivos, modéstia e discernimento estratégico, aliás, à imagem da equipa reitoral, no seu todo.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, julho 05, 2006

Whatever can be done will be done

"A fundamental rule in technology says that whatever can be done will be done."

Andrew Grove
(citação extraída de SBANC Newsletter, July 4, 2006, Issue 428-2006, http://www.sbaer.uca.edu )

terça-feira, julho 04, 2006

El AVE Vigo-Oporto estará en funcionamiento el 2013

“El encuentro entre el presidente de la Xunta, Emilio Pérez Touriño, y el primer ministro portugués, José Sócrates, sirvió ayer al jefe del Ejecutivo gallego para rebajar en dos años las previsiones de entrada en funcionamiento del AVE Vigo-O Porto.
La secretaria lusa de Infraestructuras había anunciado en abril de este año que antes del 2015 no se podría hablar de esta conexión que, ayer, según Touriño, retoma los plazos iniciales y su consideración de proyecto estratégico.
«Retómase a referencia de prazos que existía anteriormente, agora si, se retoman as primeiras referenias temporais», manifestó Touriño en su comparecencia en San Bento, la residencia del primer ministro luso.
[…]
Touriño salió contento de su encuentro de 40 minutos con Sócrates, y repitió en varias ocasiones que el AVE Vigo-Oporto tiene carácter «estratéxico» para el Gobierno luso. «O Goberno portugués está plenamente decidido e involucrado en esta actuación», observó el presidente de la Xunta.
La línea de alta velocidad desde Oporto hasta Galicia se construiría en los mismos plazos que la Madrid-Lisboa, si se cumplen los pronósticos expresados ayer.
Universidades
Touriño anunció también que en octubre habrá un encuentro entre las tres universidades gallegas y las del norte de Portugal, para estudiar la opción de crear un distrito compartido, lo que otorgaría la opción de ofrecer másteres de postgrado conjuntos y mayor movilidad a los estudiantes de ambas demarcaciones, que suman seis millones y medio de habitantes.
El presidente gallego se entrevistó, previamente a su encuentro con Sócrates, con el ministro de Ciencia y Tecnología, Mariano Gago, acompañado por la conselleira Laura Sánchez Piñón, para dialogar sobre el Centro Internacional de Nanotecnología de Braga, que dirigirá el gallego José Rivas, catedrático de Física de la Universidad de Santiago.
[…]
Touriño cerró la jornada de ayer con una cena en la embajada de España en Lisboa, que dirige Enrique Panés.”

(extracto de notícia publicada em La Voz de Galicia de 06/07/04, http://www.lavozdegalicia.es/)

segunda-feira, julho 03, 2006

Somos todos culpados

De um colega docente bem identificado, através de um canal paralelo a este, recebi há dias uma mensagem que, reportando-se a um texto que inseri neste “jornal de parede”, comentava que não era o reitor, este ou outro, o responsável directo por todos os erros e desmandos a que as pessoas e a instituição têm estado sujeitas, um pouco por toda a UMinho, nestes anos mais recentes. Dizia, ainda, que um reitor poderia ser um agente de transformação desta cultura institucional, a começar pela coragem que mostrasse de agir disciplinarmente contra quem prevarica de forma grave face à legalidade e ao dever de se respeitarem os direitos legítimos das pessoas, sejam elas professores ou não.
Mais acrescentava que “o cancro da instituição”, a seu ver, residia na mentalidade de muitos professores catedráticos, que interpretam essa sua condição como garantia de impunidade ou inimputabilidade. Concluía com a afirmação de que isso é que destruía energias, a participação, a criatividade e a inovação e, afinal, o prazer e o entusiasmo de avançar com novos projectos.
A reprodução do enunciado de ideias que aqui trago é da minha lavra, não sendo seguro que tenha captado literalmente tudo o pretendeu transmitir-me.
Recupero aqui esta troca de mensagens porque ela me parece transcender a simples comunicação pessoal e me permite sublinhar algumas concordâncias com o que o colega enunciava e, também, algumas dissonâncias.
A primeira concordância vai para a afirmação de o reitor (e, sem ambiguidade, é deste que estamos a falar) não ser o culpado de tudo o que vai mal na UMinho. E vai muita coisa, como parece ser consensual. Não sendo responsável por tudo, é, todavia, o primeiro, mesmo por ser a cúpula formal da organização, e por não saber partilhar nem responsabilidades nem méritos e ninguém o ter obrigado a concorrer ao lugar.
Eu iria, entretanto, mais longe e diria que responsáveis somos todos, por acção ou, como é mais comum, por omissão. Pondo maior sentido cívico, mais empenho e mais exigência não haveria espaço para tantos jogos de poder, permissividade a conluios, nem lugar para que a obstinação persistente de medíocres vingasse. Culpados somos todos, os professores catedráticos, seguramente, mas igualmente os professores associados, os auxiliares, os assistentes (grupo em vias de extinção) e os funcionários não-docentes de todas as categorias profissionais e níveis. Aliás, permitimos até que deste grupo emergissem alguns pequenos senhores do paço ou equiparados, como se um não fosse já demais. Assim dizendo, fica, por outro lado, sublinhado um elemento de discordância sobre o que me transmitiu o colega em apreço e o que, porventura, pensarão outros.
Não partilhando o ponto de vista que se defende sobre a responsabilidade do reitor e dos catedráticos, concordo ainda menos com a eficácia de soluções do tipo disciplinar. Esses institutos jurídicos não servem como instrumento de gestão e não devem informar nenhum modelo de gestão, mesmo de deriva autoritária (até porque, nos dias que correm, não fica bem). O entusiasmo, a capacidade de motivar as gentes, a força do exemplo e a nobreza de atitude, serão, esses sim, poderosos instrumentos de gestão das organizações, capazes de minimizar contrariedades e levar à superação individual e colectiva. Entusiasmo, no entanto, não o tem quem quer. Têm-no, apenas, os que são capazes de perceber o trabalho e o lazer como partilha e possuem dose bastante de altruísmo.

J. Cadima Ribeiro

sábado, julho 01, 2006

"O método Scolari"

“O sofá e a televisão são a melhor escola que os aspirantes a uma carreira de sucesso como executivos de topo poderiam ter neste início de Verão. Precisam é de estar atentos a todos os gestos de Luiz Filipe Scolari . A cotação do seleccionador nacional não tem subido só no universo desportivo. Também os especialistas em liderança empresarial estão rendidos: o brasileiro parece ter um talento nato para a gestão de equipas, não ficando atrás nem de José Mourinho, o treinador mais bem pago do mundo, nem de muitos directores de multinacionais.
É verdade que está longe de exibir o «charme» de Mourinho mas, para a principal especialista da Heidrick & Struggles na área de «leadership services», Scolari possui uma qualidade mais interessante do que essa: «Tem perfume, uma atitude natural». Formada em medicina interna e com um doutoramento em psicologia relacionado com o comportamento dos executivos nas empresas, Isabel Rodrigues reconhece-lhe o atributo ideal para um gestor: «É um homem que está comprometido com a vida, para quem a vida não é um jogo. Para ele, é o percurso que conta e não o objectivo final. Sente-se que Scolari está bem e toda a gente quer estar perto de alguém que está bem, que acredita em si e nos outros. Isso faz com que os jogadores acreditem também em si próprios, de que são capazes de vencer».
Para Vítor Sevilhano Ribeiro, administrador do Laboratório da Formação, o seleccionador nacional cumpre os três «C» do triângulo da liderança empresarial: conceito, competência e compromisso: «Scolari sabe para onde quer ir e como fazer para lá chegar, além de comunicar bem e de conseguir construir um espírito de equipa. Essa é a parte do coração». O lado emocional é, claramente, um dos pontos fortes do brasileiro. “Reconheço nele o que diz Rob Goffee, um guru da liderança. Scolari usa as suas emoções para estimular as energias dos outros. Ele estuda e cria situações emocionais para gerar energia positiva».
Vítor sevilhano coloca-o lado a lado com o treinador do Chelsea. «Ambos têm uma empatia firme e sabem lidar bem com a comunicação para dentro e para fora do grupo. Profissionalmente, são parecidos. ”

in Expresso de 06/07/01, p. 6

sexta-feira, junho 30, 2006

"O optimismo da Ciência"

“O melhor:
- política clara e integrada de apoio ao sistema científico;
- comunidade científica numerosa, cosmopolita e com projecção internacional;
- investigadores muito jovens, produtivos …;
- valores dominantes de exigência transmitidos ao tecido empresarial;
- universidades e centros de investigação de portas abertas às empresas.

O pior:
- reduzido investimento das pequenas e médias empresas na investigação e inovação;
- financiamento privado pouco adequado à lógica de longo prazo dos projectos;
- baixa cultura de risco e de espírito empreendedor;
- instabilidade no financiamento público quando o governo muda;
- burocracia na utilização dos fundos europeus;
- grande carga do ensino na carreira do investigador.

in Expresso de 06/06/24, p. 8

quarta-feira, junho 28, 2006

O ensino superior português cresceu sem rei nem roque

“Em pouco mais de 30 anos, o número de estudantes no ensino superior português passou de 30 mil para 400 mil. O sector cresceu sem rei nem roque em número de instituições e de cursos e só a quebra do número de alunos, sentida com mais força a partir de 2003, fez soar os alarmes. […]
Esta pulverização é antiga. As instituições multiplicaram-se nas décadas de 80 e 90 para responder a uma procura que parecia imparável, sem se terem dado ao trabalho de olhar para as projecções demográficas. […]
Apesar de considerar que «há ilhas de qualidade no ensino superior», Henrique Neto pensa que o sistema «é mau no seu conjunto» por formar, «com fartura, jovens em busca de emprego e de um ordenado mensal». […]
Apesar de existirem em Portugal 40 mil licenciados no desemprego, Pinto dos Santos considera a situação «um sinal de desenvolvimento» e contesta os que pensam que uma licenciatura é sinónimo de emprego.”

(extractos de artigo intitulado Apostar na qualidade, publicado no Expresso – Única, de 06/06/24, pp. 48-52)

terça-feira, junho 27, 2006

"A brincar me enganas tu"

“Ladeando o novo edifício com finalidades pedagógicas que integra o Campus Universitário de Gualtar, postado de frente para a estrada nacional existe um monumental «placard» em betão que, à presente data, não contém qualquer inscrição. Especulando sobre a informação que no futuro ornamentará aquele espaço, um amigo meu, fazendo uso do humor que lhe é característico, sugeriu-me que provavelmente virá a constar: «Machado dos Santos – compra e venda de imóveis».
Nesta frase pretende o meu amigo condensar duas ideias que têm uma inquestionável pertinência em Braga: primeiro, a relevância incontornável que o sector da construção tem na nossa cidade (há quem fale da cidade dos empreiteiros); e, em segundo lugar, o não menos relevante papel da Universidade do Minho no desenvolvimento da urbe, com marca também no sector da construção imobiliária. Não estarei muito longe da verdade se disser que a Universidade se terá situado entre os três primeiros «promotores imobiliários» de Braga nos últimos 10 anos.
A importância da Universidade do Minho para o crescimento e evolução da cidade não se ficou obviamente por aí; e nem terá sido esse o seu maior contributo. Mau fora que tivesse sido.
Há, todavia, uma faceta desse crescimento do património imobiliário da U. M. que colhe na vertente mais criticável do crescimento da cidade, que é a aparência de «bairro social» que enforma o projecto do Campus de Gualtar.
É essa analogia implícita que dá substância ao comentário a que me reportei. Curiosamente, acaba por afigurar-se injusta, já que o edifício ultimamente surgido rompe claramente com o mau gosto que evidenciam as construções circundantes. Acrescente-se que não se trata apenas da estética dos edifícios. A questão é bem mais profunda e informa toda a estruturação do espaço (senão a própria orgânica institucional).
Não se vá, por isso, ver no reitor a origem de todos os pecados. Afinal, o maior pecado é não questionar; ou, melhor dizendo, não ousar. Fica, em razão disso, aqui, publicamente, a minha censura ao meu amigo, que brinca com coisas tão sérias.”

J. C.
(in Notícias do Minho, 1994/11/19)

domingo, junho 25, 2006

Uma comunidade que interiorizou os valores da exigência

“João Sentieiro salienta que «pela primeira vez existe entre nós uma política concertada para a Ciência», constatando que a comunidade científica portuguesa «começa a ter reputação internacional devido ao seu crescente envolvimento numa série de projectos com outros países da UE e com os EUA». No fundo, «é uma comunidade que interiorizou os valores da exigência e da avaliação, num país onde estes levantam tantas dificuldades de aceitação. E está a transmiti-los ao sector empresarial».
Há uma grande vontade de abertura às empresas nas universidades e nos centros de investigação, mas ainda existem barreiras. «Os anos lectivos são compridíssimos e a carga de ensino é demasiado elevada»., critica Irene Fonseca, acrescentando que «os jovens doutorados regressados a Portugal devem ter cargas de ensino mais leves, porque estão a começar uma carreira de investigação».
Eles encontram um país a duas velocidades onde há empresas, sobretudo em sectores tradicionais, que lutam pela sobrevivência, enquanto outras estão a investir no futuro.”

(extracto de artigo intitulado O optimismo da Ciência, publicado no Expresso de 06/06/24,
p. 8)

Este novo conceito de Bolonha

“O mais provável é que as propostas já apresentadas não ofereçam quaisquer novidades em termos de flexibilidade formativa. O mais provável é que os «novos» cursos sejam apenas a mera compactação das licenciaturas e que a designação de «unidade curricular», este novo conceito de Bolonha, fique esvaziada de conteúdo e não passe de uma convencional disciplina.”

Manuela Vaz Velho
(extracto de artigo publicado no Expresso, em 06/06/24, p. 24)

sábado, junho 24, 2006

A UMinho não pode faltar à chamada!

“Conforme o afirma a UNESCO, em documento de trabalho datado de 1998: «o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior. O avanço do conhecimento está crescentemente a provocar inovações tecnológicas que, muitas vezes, se oferecem revolucionárias» (UNESCO, 1998 p.26).
Sendo este um modelo emergente (sobretudo, quando tomamos o estádio de desenvolvimento da Universidade Portuguesa, aliás, em relação estreita com o próprio nível relativo de imaturidade da sociedade e da economia do país), parece oferecer-se incontornável por força das suas determinantes substantivas: a complexidade económica e tecnológica da realidade do presente e do futuro que se adivinha; a velocidade a que a mudança ocorre; e, obviamente, também por força dos enquadramentos políticos e institucionais que o país mantém.
Perante esta realidade, presente ou configurada, a capacidade de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do acesso aos conhecimentos de que ela/ele dispõe e cada vez em menor medida de conhecimentos que se possam obter em bibliotecas ou através de consulta de documentação. Diferentemente, o conhecimento deve desenvolver-se no contexto em que emergem as próprias necessidades, dando-lhes respostas (UNESCO, 1998, p.p. 9 e 18). Acresce que, à luz deste modelo societário e deste ritmo de transformação económico-tecnológico, os saberes dos técnicos (isto é, dos especialistas) esgotam-se rapidamente se não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do conhecimento de que carecem.
Para as Universidades e para os territórios, este é um desafio de grande exigência. É, adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, um desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento de cada espaço concreto.
Sabendo-se isto, não deve ser por défice de contributo da Universidade para a parceria que o projecto de desenvolvimento de um certo território seja hipotecado. Tratando-se do Minho, recuso-me a admitir que a Universidade do Minho possa faltar à chamada.”

J. Cadima Ribeiro
(extraído de “O Minho faz sentido. E a Universidade também!”, Área – Revista dos Alunos de Geografia e Planeamento da Universidade do Minho, nº 4, 2004, págs. 17-28)

quinta-feira, junho 22, 2006

Linhas gerais para a revisão do ECDU

“O Estatuto da Carreira Docente Universitária (ECDU) só foi capaz de preencher, durante os quase 27 anos que leva de vigência, o papel dinamizador que lhe é unanimemente reconhecido, mesmo por parte dos que desejam a sua substituição, por ter instituído uma verdadeira carreira, de elevadas qualificação, exigência e responsabilidade, em que se garante a quem venha a preencher as condições estabelecidas, a permanência e progresso na carreira, e o reconhecimento profissional adequado, garantias hoje erodidas por medidas avulsas, designadamente em matéria de retribuições e de gestão de quadros.
Redefinir a carreira docente universitária por forma a colocar patamares de exigência mais elevados e credibilizar a avaliação do cumprimento das exigências poderá passar quer pela aprovação de um Estatuto elaborado de raiz, quer pela introdução de alterações pontuais, mas cirúrgicas, no actual articulado.”

A Direcção do SNESup
(extracto de texto intitulado Linhas gerais para a revisão do ECDU - texto de apresentação, constante de http://www.snesup.pt/debate/inicio.htm e divulgado pela Direcção do SNESup, através de mensagem electrónica recebida de snesup@snesup.pt , em 06/06/22)

quarta-feira, junho 21, 2006

"Bolonha: far from a model, just a process for a while.../concluding remark"

“In a famous 2002 article, Pfeffer and Fong, two American professors, expressed very critical views against US business schools. Among other negative points, they argued that « large body of evidence suggests that the curriculum taught in business schools has only a small relationship to what is important for succeeding in business»
Many European universities today are devoting considerable amount of time and energy to redesign their curricula. As a famous economist (Keynes) used to say: «politicians are often victims of economists who are already dead».During this key transition phase, let us have a close look at our dominant competitors and, instead of copying them, identify what in our educational tradition is of great value to the future. And there are many… let us simply be creative and never forget that if market forces can certainly help introduce some movements and reforms in our often conservative academic institutions, education is fundamentally a public good which takes decades to build up and never benefits from «quick fix» solutions.”

Mottis, Nicolas (ESSEC Business School)
Keywords: AACSB; Accreditation; Bologna Process; Business Education; EFMD; MBA; Ranking JEL: A20 I21 I23 M53 Date: 2006-0
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ebg:essewp:dr-06006&r=edu

(extracto de conclusão de “paper”; nep-edu, 2006)

O Poder de Portugal nas Relações Internacionais

“Decorrerá no dia 22 de Junho de 2006, às 18.00 horas, no Instituto Diplomático (Ministério dos Negócios Estrangeiros), em Lisboa, o lançamento da obra "O Poder de Portugal nas Relações Internacionais", da autoria de José Palmeira, professor do Departamento de Relações Internacionais e Administração Pública da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. O livro, editado pela Prefácio, consiste numa análise à interacção de Portugal com o sistema geopolítico mundial no período compreendido entre 1945 e 2005, tendo por base a tese de doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do autor.
A apresentação da obra estará a cargo do Professor Doutor João de Deus Pinheiro, actualmente deputado ao Parlamento Europeu e que, no passado, desempenhou, entre outros cargos, os de Ministro do Negócios Estrangeiros, Comissário Europeu e Reitor da Universidade do Minho”.

(extracto de notícia disponível na entrada eventos de http://www.eeg.uminho.pt/, em 06/06/17)

terça-feira, junho 20, 2006

O falhanço do Pacto de Desenvolvimento Regional foi uma oportunidade perdida?

“CM - No sentido da criação dessa liderança, o falhanço do Pacto de Desenvolvimento Regional foi uma oportunidade perdida?

CR - A afirmação de que o designado Pacto Regional falhou é sua. O reitor da Universidade do Minho em funções, seu principal promotor, ainda há meia dúzia de meses afirmava que não considerava esse assunto encerrado. Seja como for, até pelo tempo decorrido desde o anúncio público da iniciativa, tem razão para considerar que algo falhou.
Do que percebi da proposta, o ´pacto` pretendia ser uma plataforma de entendimento sobre o que deveriam ser os vectores de desenvolvimento do Minho e, consequentemente, também de quais seriam os investimentos prioritários para a região para a conduzir para e consolidar num patamar superior de competitividade e coesão social. Pareceu-me meritória. Para ser uma etapa nesse processo de criação de uma liderança, entendi, desde o princípio, que lhe faltavam o condimento institucional e uma percepção mais apurada dos mecanismos de negociação e coordenação dos actores do território. Essa percepção que tive suportava-se na vivência que mantinha do território e dos seus agentes enquanto técnico de planeamento regional, resultado de projectos em que estive envolvido que atravessavam todo o território”.

(extracto de entrevista a J. Cadima Ribeiro - então, Presidente da Direcção da Plataforma Minho, ADR -, conduzida pelo jornalista José Paulo Silva, publicada pelo Correio do Minho, em 05/11/10)

segunda-feira, junho 19, 2006

"Bolonha: far from a model, just a process for a while..."

“One of the drivers of university reforms in Europe over the last decade has been the need for a better harmonization of degrees and pedagogical systems. Launched by governments with a clear political objective - improve the competitiveness of Europe on a world scale - the European harmonization process structured by European Education Ministers summits and formal declarations (Paris, Bologna, Prague, Berlin, Bergen) every other year has fostered many changes in most countries. In business education, sector regulation mechanisms - like accreditations and rankings - also gained momentum over the same period of time. When analyzed carefully in practice, it is obvious that these three movements - Bologna process, accreditation and ranking - leave management education institutions much room to maneuver.
The thesis of this paper is that underlying factors, like the internationalization of students and faculty recruitments or the pressure on public spending, play an equally significant role to explain the structural evolution of academic institutions. Accreditations, rankings and the Bologna process are each capturing only a fraction of these phenomena. Taken altogether they do contribute to an upgrade in the management of European higher education institutions. But due to the cross-country differences in the adaptation to these changes and the various academic traditions, a harmonized European academic landscape is not for tomorrow …”.

Mottis, Nicolas (ESSEC Business School)
Keywords: AACSB; Accreditation; Bologna Process; Business Education; EFMD; MBA; Ranking JEL: A20 I21 I23 M53 Date: 2006-05
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ebg:essewp:dr-06006&r=edu

(resumo de “paper”; nep-edu, 2006)

domingo, junho 18, 2006

Um blogue. Um ponto de encontro

Sei, de múltiplas conversas que tenho mantido com colegas de diferentes sensibilidades e formações; sei, do culto do poder que, desde meninos, nos foi incutido; sei, de vivências multifacetadas que fui experimentando em meio século de existência, que questionar um poder acabado de referendar suscita inibições e questionamento. É assim mesmo que ao poder instituído falte a legitimidade de uma eleição democrática representativa; é assim mesmo que convirjamos no balanço negativo do exercício do poder formalmente confirmado.
Discordo, frontalmente, destas leituras e destas posturas que, no limite, nos conduzem a assumir que todo o poder é legítimo, enquanto for poder. Recuso a ideia que, depois de um exercício que fica a marcar com as cores mais sombrias a vida da UMinho, seja necessário dar uns anos, uns meses, uns dias mais de benefício da dúvida aos detentores desse poder. Pelo contrário, acho que cada dia que decorra é um dia a mais; acho até que, se as personagens instaladas no poder têm o carinho e o empenho no engrandecimento na Instituição que dizem ter, não têm melhor modo do demonstrar isso que não seja demitirem-se, com carácter de urgência.
Clarifico que, dizendo isto, estou a ser tão transparente e tão leal quanto gostaria que o poder instalado o fosse com cada um e todos os membros da nossa academia. Sei, entretanto, de experiência própria (que remonta aos primeiros dias do 1º mandato), que esses são valores que os ocupantes actuais do poder não cultivam.
É neste contexto de luta pelos valores com que me identifico e de reclamação de uma Universidade assaz diferente da presente que tomei a iniciativa de criar este blogue que, no essencial, visa ser um ponto de encontro. Dar-me-ei por satisfeito quando ele for percebido pela nossa comunidade universitária como isso mesmo, um ponto de encontro de gente livre, empenhada em continuar a sê-lo e em deixar um contributo para o desenvolvimento da sua comunidade humana, local, regional, nacional, europeia, global.
Fica dito!

J. Cadima Ribeiro

sábado, junho 17, 2006

Acabar com o actual sistema de eleição de reitores seria um bom primeiro passo

“No sul da Europa, os líderes das universidades não são, tipicamente, nem cientistas reputados, nem gestores reconhecidos […].

Se por um lado é hoje unanimemente reconhecida a necessidade de reformar as universidades (agora ainda mais, devido ao processo de Bolonha), por outro lado, as actuais estruturas de governação e mecanismos de escolha dos líderes não facilitam essas reformas, sendo elas próprias inibidoras da mudança. Bolonha, que se espera possa significar mais do que «cosmética de diplomas», constitui uma oportunidade única para repensar e reformar o sistema de ensino superior. Acabar com o actual sistema de eleição de reitores de universidades ou directores de faculdades seria um bom primeiro passo”.

Pedro Oliveira
(extracto de artigo publicado no Expresso - Economia, de 06/06/17, p.19)

"A chave do êxito"

“A América e o Japão só crescem porque as reformas foram assumidas pela população. Não foi o governo a impor”.

Jorge Braga de Macedo (in Expresso - Economia, de 06/06/17, p.5)

Prémio Jacques Delors 2005

“Sandra Dias Fernandes, docente na Escola de Economia e Gestão da UMinho, recebe no dia 19 de Junho, no Centro Cultural de Belém, o Prémio Jacques Delors 2005, pela obra "Europa (In)Segura - União Europeia, Rússia, Aliança Atlântica: A Institucionalização de Uma Relação Estratégica", já editada pela Principia.
O prémio, instituído pelo Centro de Informação Europeia Jacques Delors (CIEJD), contempla "o melhor estudo sobre temas comunitários" e foi atribuído por um júri presidido pelo Dr. Vítor Constâncio (Governador do Banco de Portugal), pela Dr.ª Isabel Mota e pelo Dr. José Paulouro das Neves.
A obra analisa os problemas decorrentes da queda do Muro de Berlim, nomeadamente em termos de segurança e de estabilidade do continente europeu, à luz das relações estabelecidas a nível institucional entre a União Europeia e a Rússia”.

(extracto de notícia disponível na entrada eventos de http://www.eeg.uminho.pt, em 06/06/17)

sexta-feira, junho 16, 2006

"UMinho forma recursos em Timor"

«A Universidade do Minho (UM), em Braga, está a liderar um projecto que prevê o desenvolvimento institucional e formação de recursos humanos na Universidade Nacional de Timor.
Financiado pelo programa "Ásia-Link", da Comunidade Europeia, o "Sidnuet" iniciou-se há um ano com a coordenação do professor Adérito Marcos da UM. "No final do primeiro ano do projecto, o balanço é francamente positivo. A actual situação de instabilidade que se vive em Timor, especialmente em Díli, até agora não tem tido implicações negativas no projecto", afirma o coordenador.
O projecto tem objectivos muito específicos: "o desenho e implementação de um sistema de informação e comunicação base, a formação intensiva ao nível da língua portuguesa e formação avançada ao nível do mestrado em educação, a fornecer pela UM a um núcleo inicial de 5 docentes da congénere timorense, que para o efeito permanecem em Portugal, na UM, durante 30 meses, a formação e organização da biblioteca local, tendo em conta não só conteúdos em língua portuguesa mas também inglesa e a organização pela UM da formação graduada e pós-graduada na área da educação que irá ser fornecida localmente na Universidade de Timor"».

(extracto de notícia publicada no Jornal de Notícias, em 06/06/16)

Em dez anos, aprendi duramente

“Há dez anos decidi prescindir de um pouco (ou muito) de vida própria para criar uma empresa com alunos e dar também algum contributo para abrir novos caminhos para a sociedade portuguesa. Em dez anos aprendi duramente que as dificuldades em "criar uma empresa", sobretudo aquele tipo de empresa de que (como continuo a acreditar) mais precisamos hoje, não são nem de perto nem de longe as dificuldades a que os governos possam responder tão linearmente com iniciativas "crie a sua empresa na hora". São ultrapassáveis, certamente, se percebidas e enfrentadas. Mas não são exactamente aquelas de que muitos "especialistas" académicos (alinhados), consultores (contratados), e políticos (nomeados) sempre falam, num exercício repetitivo de lavagem cerebral colectiva para um pensamento único que, sem convencer já ninguém, todos os dias nos entra em casa por canais de "informação" manipulados.

O primeiro passo para romper este cerco do desemprego, do desencanto e da desmoralização - em que Braga é neste momento a "praça" mais duramente castigada - terá de ser um toque a rebate, senão nos velhos sinos das torres, nos novos sinos da Internet e dos jornais verdadeiramente comprometidos com a verdade e com as pessoas”.

Luís Botelho Ribeiro (extracto de artigo disponível em http://botelhoribeiro.blogspot.com/, datado de 18 de Março de 2006)

quinta-feira, junho 15, 2006

Memória longínqua de uma campanha eleitoral - II

“De um forma genérica, concordo com as ideias enunciadas pelo colega Moisés Martins na sua entrevista (no seu todo). Só não consegui perceber onde vislumbra melhorias em matéria de organização interna. Quererá referir-se ao avanço em matéria de informatização dos serviços, que já tardava, conforme muito bem refere alguém em comentário precedente, ou quererá reportar-se à burocratização e centralização sem precedentes a que se assistiu entretanto? E que dizer dos prazos com que os documentos e pagamentos a fornecedores são processados? E que dizer de um sistema de informação que se sugere mais um "SIS" que um sistema de apoio à gestão e funcionamento da organização?
Relativamente ao controle de presenças, também não consegui descortinar no passado, e continuo a não ver hoje qual a respectiva vantagem, aparte a burocracia acrescida e a mensagem que passa que a eficácia da organização releva da afirmação de uma autoridade administrativa e não da mobilização das pessoas, seus agentes.
Nisso, o que se passa com os funcionários não docentes não difere da forma como são consideradas as unidades orgânicas e os seus responsáveis. O que está em causa é toda a filosofia de gestão e não acções isoladas. Por isso é que há que procurar novos intérpretes para a liderança da UMinho e, desejavelmente, alguém que perceba alguma coisa de gestão de organizações".
J. Cadima Ribeiro
(extraído de comentários, http://universidadeplural.blogspot.com, 17 de Abril de 2006)

quarta-feira, junho 14, 2006

Lágrimas de crocodilo

“Entre nós, os reitores em exercício costumam chorar piedosas lágrimas de crocodilo, endossando para a actual lei da autonomia universitária a responsabilidade das votações em colégio para a eleição do reitor. Uma questão de fundo, todavia, se coloca: o que é que têm feito os reitores para que o legislador altere a lei? Desconheço quaisquer tomadas de posição públicas do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) sobre esta matéria. E também não vi nunca um reitor em exercício pronunciar-se a favor de eleições por voto universal ponderado para reitor”.

Moisés Martins (extracto de artigo publicado no jornal Público, de 06/06/11)

terça-feira, junho 13, 2006

Saudação devida a um regressado

Caro colega Moisés Martins,
Folgo com o seu retorno à vida, por interposta figura de blogue. A luta por uma Universidade alternativa não se esgota, como bem sabe, nas candidaturas que, periodicamente, se possam apresentar, se bem que a sua tenha feito o seu papel, necessário, de agitação de consciências.
A ver vamos se seremos capazes de, dia-a-dia, estruturar um projecto diferente de Universidade que, para o ser, tem que ser forçosamente mais plural, mais democrático, mais criativo, mais próximo dos seus agentes e dos interesses do Minho.
O desafio está lançado!
Cordiais cumprimentos,

J. Cadima Ribeiro

O novo modelo de Universidade

“Tanto quanto se pode perceber, o novo modelo de Universidade, em fase de configuração, tem por traços dominantes os seguintes (c.f. Massicotte, 2002, p.7):
i) «o conhecimento cria-se através da acção e uma nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental, investigação aplicada, investigação e desenvolvimento, inovação e transferência»;
ii) «a formação não está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de criação de conhecimentos»;
iii) «a procura social ultrapassa a oferta, daí o deslocamento da acentuação da selecção para o sucesso», isto é, a proporção de empregos que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível vai sendo crescente e, daí, a posse de um grau deixar de ser o elemento distintivo”.

J. Cadima Ribeiro (extraído de “O Minho faz sentido. E a Universidade também!”, Área – Revista dos Alunos de Geografia e Planeamento da Universidade do Minho, nº 4, 2004, págs. 17-28)

segunda-feira, junho 12, 2006

O modelo tradicional de Universidade

“São traços dominantes do modelo tradicional de Universidade (UNESCO, 1998, p. 14; Massicotte, 2002, p.6): i) a criação de conhecimentos, que vão ser armazenados nas bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão sucedendo; iii) a oferta superior à procura social, funcionando a Universidade como filtro social.
Conforme o destaca Guy Massicotte (2002, p.6), «a Universidade deste período assemelha-se bastante a uma fábrica». Uma fábrica ou cadeia de produção de graduados, já que persiste uma excessiva orientação para o ensino (Domingues, 1998, p.43)”.

J. Cadima Ribeiro (extraído de “O Minho faz sentido. E a Universidade também!”, Área – Revista dos Alunos de Geografia e Planeamento da Universidade do Minho, nº 4, 2004, págs. 17-28)

sábado, junho 10, 2006

AG quê?

Há uns anos, em Dezembro de 2002, era 1º Ministro de Portugal José Manuel Barroso e Ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, reagindo ao momento económico e político que se vivia, escrevi um pequeno artigo na comunicação social que quero aqui invocar; vamos a isso:

“Nos últimos meses instalou-se em Portugal um clima de grande desânimo e descrédito. Sendo este um estado de alma profundamente funesto do ponto de vista da mobilização social e da dinâmica económica, permitimos todos que se instalasse e, pior que isso, assentou nisso a linha de força do discurso que o governo, em geral, e certos ministros, em particular, entenderam veicular aos portugueses.
Entende-se que essa estratégia possa fazer sentido enquanto o que importa sublinhar é a herança de ineficiência e ausência de visão do governo cessante. Entende-se pior quando o que passa a estar em causa é o sucesso das políticas do próprio governo em funções, e percebe-se menos, ainda, quando o que o discurso político acaba por veicular são iniciativas de gestão económica pública profundamente erradas, ultrapassadas na concepção que fazem do funcionamento dos mecanismos económicos e, além do mais, inconsistentes.
Embora, como digo, seja esse um sinal distintivo do discurso do governo do Dr. Durão Barroso, no seu todo, a nota mais negativa tem que ser atribuída à sua ministra das finanças, a quem escaparam coisas tão óbvias como a ideia que para cobrar mais receita fiscal é necessário que a actividade económica cresça de forma sustentada, e que o investidor não é mobilizado pela ideia de que ao fundo da estrada não deve esperar mais do que o precipício. Diferentemente, a subida das taxas de fiscalidade só pode gerar a retracção da receita, do mesmo modo que a retracção do investimento público não só acaba por afectar seriamente os sectores económicos implicados por essa despesa, gerando um efeito de retracção económica geral, como hipoteca o crescimento a prazo do país, ao não concretizar projectos essenciais para a modernização da infra-estrutura geral.
Perante dados tão óbvios, surpreende-me a cumplicidade dos fazedores de opinião e da comunicação social, em geral, com esta visão das coisas e estas propostas de gestão da economia. Surpreende-me tanto mais quanto se pretende passar a mensagem de que o que está em causa é rigor e seriedade na condução dos assuntos do país, porventura confundindo discurso agreste e convencimento pessoal com capacidade técnica e eficiência.
Num registo mais benévolo, pode-se admitir que o que subjaz à mencionada complacência, senão cumplicidade, será a perspectiva de que já não faltará muito para que um tal discurso se desmorone, por si, face à iminência da divulgação dos primeiros resultados de avaliação das políticas. Mas, pergunto, a que custos presentes e futuros? Não faria mais sentido prevenir o erro que ajustar a trajectória a-posteriori? Afinal qual é o conceito de cidadania que cultivamos?
Estas são as questões que se me oferecem face ao estado de passividade que vejo instaurar-se na sociedade portuguesa. São, por outro lado, como bem se percebe, a expressão escrita de um grito de revolta”.

Contrariamente ao que terá ocorrido a alguns, não pretendo com a invocação do texto em causa (que se intitulava “Manuela Ferreira Quê?”) fazer prova de que possuía na ocasião dotes de bruxo. Ocorreu-me este texto pela analogia que se me sugere existir entre a governação do país de então e a da Universidade do Minho dos últimos 4 anos. Se duvidam da acuidade da analogia, digam-me então o que vos fazem lembrar passagens como as que passo a destacar:

i) “Nos últimos (anos) instalou-se (na UMinho) um clima de grande desânimo e descrédito. Sendo este um estado de alma profundamente funesto do ponto de vista da mobilização (dos seus agentes) e da dinâmica (geral da organização), permitimos todos que se instalasse”;
ii) “Entende-se que essa estratégia possa fazer sentido enquanto o que importa sublinhar é a herança (da reitoria) cessante. Entende-se pior quando o que passa a estar em causa é o sucesso (da gestão) da própria (reitoria) em funções, e percebe-se menos, ainda, quando o que o discurso ... acaba por veicular são iniciativas de gestão (universitária) profundamente erradas, ultrapassadas na concepção que fazem do funcionamento das organizações)”;
iii) “A nota mais negativa tem que ser atribuída (ao reitor - se bem que o seu vice-reitor para a propaganda, em particular, também não esteja isento de responsabilidade -), a quem escaparam coisas tão óbvias como a ideia que para (fazer crescer o número de alunos e projectos captados e, de um modo geral, a actividade e eficiência da instituição) de forma sustentada, é necessário que (os seus agentes percebam e partilhem as orientações gizadas), e que (docentes, investigadores e funcionários não-docentes não são) mobilizados pela ideia de que ao fundo da estrada não deve esperar-se mais do que o precipício”; finalmente,
iv) “Surpreende-me a cumplicidade de (certos responsáveis intermédios da Instituição – presidentes de Escola; directores de Centros de Investigação; directores de Serviços, etc.- e) fazedores de opinião. Surpreende-me tanto mais quanto se pretende passar a mensagem de que o que está em causa é rigor e seriedade na condução dos assuntos da (Universidade), porventura confundindo discurso agreste e convencimento pessoal com capacidade técnica e eficiência”.

Esta derradeira frase era a chave para o título do artigo. Feito o ajustamento de agulha, sugere-se-me adequado que o texto passe a ser intitulado como agora proponho. Como diria um meu ex-amigo: é justo!

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, junho 09, 2006

É preciso que nos organizemos

“É preciso que nos organizemos nas Escolas, exigindo financiamento adequado para 2007, renovação dos contratos do pessoal docente, condições para formação.
É importante que denunciemos junto da comunicação social, do Ministério, dos órgãos de poder em geral, as situações que vêm sendo criadas.
É imprescindível que nos organizemos”.

(extracto de mensagem electrónica recebida de organização@snesup.pt, datada de 9 de Junho de 2006, 10,41 h, co-assinada por FENPROF e SNESUP)

quinta-feira, junho 08, 2006

Memória longinqua de uma campanha eleitoral

"Caros(as),
Depois de ver a lista eleitoral do candidato A. Guimarães Rodrigues e a lista dos seus apoiantes confessos, fico ainda mais preocupado. A urgência da reorganização e renovação da UMinho fica mais patente - e também a da sua democratização. Sai, por outro lado, vincada a minha convicção de que uma alternativa a este poder e a este autismo só pode vir de um colectivo alargado, que não vise o curto prazo e, muito menos, vaidades pessoais. A essa luz, tenho alguma curiosidade em conhecer a equipa deste homem "só" que até agora tem sido o Prof. Moisés Martins, e espero que não me desaponte tanto quanto o candidato e seguidores a que me refiro na abertura deste texto.
Cumprimentos,
J. Cadima Ribeiro"
(extraído de comentários, http://universidadeplural.blogspot.com, 2 de Maio de 2005)

terça-feira, junho 06, 2006

The Starting Point to Achievement

"The starting point of great success and achievement has always been the same. It is for you to dream big dreams. There is nothing more important, and nothing that works faster than for you to cast off your own limitations than for you to begin dreaming and fantasizing about the wonderful things that you can become, have, and do. "

Brian Tracy (extraído de SBANC Newsletter, Arkansas, USA, June 6, 2006, Issue 424)

domingo, junho 04, 2006

Da Universidade para a Região

1. As mudanças nas hierarquias espaciais observadas desde o início dos anos 70 do século XX conduziram os investigadores da Ciência Regional a formular novas explicações para e a inquirir sobre o papel desempenhado pelo território. A pesquisa subsequente permitiu compreender que o território deveria ser considerado como um recurso específico, resultado de um processo (colectivo) de construção histórica e cultural. Em vez da ultrapassada ideia da neutralidade do espaço até então vigente, impôs-se progressivamente a noção de espaço como campo de forças onde o nível de produto depende da capacidade para produzir um misto de coesão, inovação e de comportamentos estratégicos, num contexto sistémico evolutivo.

2. Instituições como as Universidades são vectores marcantes do campo de forças a que se alude antes. A sua importância estratégica será tanto maior quanto a instituição universitária tenda a ser vista pelas empresas e populações do seu entorno como um agente de primeira ordem da parceria mobilizável para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais entretanto acontecidas vêm sublinhando a importância das componente criação e partilha de conhecimentos inerentes a qualquer projecto de transformação territorial. Quer-se com isto dizer que o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e organizacional, do saber e do saber-fazer, se sugerem hoje como nunca antes os elementos portadores da diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social.

3. Uma percepção errónea do significado e importância destes dados poderá levar a pretender que as instituições de formação superior e de investigação se constituam em centros de poder social e político, mesmo faltando aos seus interpretes a legitimidade que resulta dos processos democráticos de escolha pública alargada. Obviamente, da sua relevância estratégica, algum poder lhes resulta mas, atentos à missão da Universidade e das instituições de investigação, cumprir-lhes-á, sobretudo, ser agentes de formação, de inovação (tecnológica e organizacional) e de mudança social, ser facilitadores da comunicação entre diferentes instâncias de poder económico e deste com os poderes políticos, e ser espaços de diálogo e agitadores de novos desafios sociais.

4. Quando se consideram as propostas avançadas pelo actual reitor da UMinho, no início do seu primeiro mandato, de um designado “Pacto de Desenvolvimento Regional” ou, mais recentemente (eventualmente, ensaiando o lançamento de uma nova bandeira eleitoral), de uma candidatura do Minho a “Capital Europeia da Cultura”, é em grande medida desse mal-entendido que se trata, para além de denunciar alguma insuficiência de informação. Lamentavelmente, este laborar no erro não só inviabiliza ideias que, em si, poderiam ser portadoras (refiro-me à do pacto regional, que não à da “região” capital europeia da cultura) como tira espaço à Instituição no seu diálogo com os demais actores sociais. Se, entretanto, nem tudo foi perdido, é porque a UMinho vai muito para além da sede de protagonismo e estreiteza de leituras do actual titular.

5. Da minha exposição ao mundo empresarial e político, como técnico e como académico, sou, porventura, dos que está melhor posicionado para perceber o universo de inibições, barreiras e complexos que têm toldado a comunicação e a efectividade da parceria para o desenvolvimento entre a Universidade do Minho e os principais actores da Região. Não tenho dúvidas que há responsabilidades divididas da UMinho, dos empresários e dos políticos da sua região envolvente no insuficiente partido que o território tem tirado da Instituição. Se, pese isso embora, não se consegue pensar a presente realidade do Minho (sobretudo, do Baixo Minho) sem o contributo da sua Universidade, imagine-se o que se poderia ter alcançado e, especialmente, o que se poderá conseguir tirando pleno partido das capacidade e competências científica e técnica instaladas.
Seguro que estou desse potencial, não estou menos certo que as instituições carecem de lideranças esclarecidas. A sua ausência ou o insuficiente exercício desse papel nas organizações, quando não as levam à morte, debilitam-nas. É também por isso que a mudança na UMinho urge mais do que nunca.


J. Cadima Ribeiro