Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

segunda-feira, março 05, 2007

Ensino universitário privado: uma história pouco edificante

"A polémica em torno da Universidade Independente (UnI), que levou o Governo a avaliar se mantém ou não a autorização de funcionamento da instituição, é o capítulo mais recente de gestões conflituosas que abalaram algumas universidades privadas nos últimos 20 anos. Uma análise aos casos mais expressivos – Universidade Livre (UnL), Universidade Moderna, Universidade Portucalense e Universidade Lusófona – permite vislumbrar que apenas uma das instituições conseguiu recuperar e expandir na fase posterior ao conflito interno – a Lusófona."

(parágrafo de abertura de artigo, datado de 5 de Março de 2007, intitulado "Lusófona foi a única privada que cresceu depois dos anos de crise", disponível em Blog de Campus)

domingo, março 04, 2007

“The Changing Nature of the School-to-Work Transition Process in OECD Countries”

“Despite the fact that today’s young cohorts are smaller in number and better educated than their older counterparts, high youth unemployment remains a serious problem in many OECD countries. This reflects a variety of factors, including the relatively high proportion of young people leaving school without a basic education qualification, the fact that skills acquired in initial education are not always well adapted to labour market requirements, as well as general labour market conditions and problems in the functioning of labour markets. The paper highlights the contrasting trends in youth labour market performance over the past decade using a wide range of indicators. It also presents new evidence on i) the length of transitions from school to work; and ii) the degree to which temporary jobs serve as either traps for young people or stepping-stones to good careers. In addition, the paper reviews some recent policy innovations to improve youth employment prospects.”

Glenda Quintini (OECD)
John P. Martin (OECD and IZA)
Sébastien Martin (OECD)
Keywords: youth labour market, school-to-work transition, temporary and permanent contracts, apprenticeship, youth labour market programmes
Date: 2007-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iza:izadps:dp2582&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, março 03, 2007

A semana da morte da UM-NET

Em vésperas da sua morte, via um-net, caiu-me na caixa de correio electrónico a mensagem de que reproduzo de seguida a parte de abertura, a saber:
«“POÉTICA DO MOVIMENTO” - Helena Santos
“Feita poeira suspensa na luz explorava o caos, descansando na textura das emoções, na cor do tempo, no espaço dum sorriso, no volume da ilusão…em volta o movimento dançava, sempre”.
-Helena Santos
A mensagem não me saiu da memória desde então, talvez pelo carácter promonitório que revestia. Assim sendo ou não, a verdade é não deixou de dar una tónica poética à morte da um-net.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 02, 2007

Apetecia-me dar notícia de outras desgraças ...

No dia que sucede ao da triste mas inevitável certificação da morte da um-net, deixo abaixo um trecho ainda não integralmente reproduzido neste jornal de parede de artigo de opinião oportunamente elaborado, intitulado "UMinho: exposição pública pelas piores razões", que é o 4º e último da série.
Apetecia-me dar aqui notícia de outras desgraças que, dia a dia, se sucedem ... Rejeitando, sem hesitação, os poderes que se afirmam sob o primado de que "a Universidade não discuta nem se discuta", temos, não obstante, que poupar-nos a cúmulos emocionais que nos esgotem irreparavelmente.
/...
"[...]
Mas há mais, isto é, às práticas de cariz autoritário e de sonegação da informação e da liberdade de opinião, para que o ramalhete fique completo, soma-se a incompetência de gestão, o que tem ilustração fresquíssima na confiscação acabada de anunciar pela reitoria da UMinho do grosso das verbas disponíveis em contas afectas à prestação de serviços à comunidade, à gestão de cursos de pós-graduação e a projectos da mais variada índole, mantidos pela via da captação externa de recursos. É que, como é comum dizer-se "os erros de gestão pagam-se". Entretanto, ironicamente, na Universidade do Minho os erros de gestão de uns (a nomenclatura) são pagos por outros (aqueles que têm capacidade de gerar recursos e de fazer uma gestão rigorosa dos respectivos orçamentos). Será, porventura, como escreve um meu colega, “a estratégia de matar as (poucas) galinhas de ovos de ouro que ainda existem”, já que a mensagem que passa não pode ser mais clara: “mais vale ficarem parados...”. Não deixa de ser, no entanto, o triunfo do autismo, do arbítrio e da prepotência. A Universidade, com “U” maiúsculo, que lhe é conferido pela nobreza da sua missão e pela elevação de postura dos seus agentes, essa pode esperar (se é que pode).
A este propósito, nunca é demais assinalar que, nas universidades como nas empresas comuns, aparte a qualificação dos recursos humanos e a sofisticação das tecnologias que as servem, a motivação dos seus agentes (trabalhadores) é um aspecto crucial do seu desempenho. [...]"
/...
J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, março 01, 2007

A notícia do dia

«Assunto:
[Informação SCOM] Extinção da lista de distribuíção UM-Net - 2007/Março/01
[...]
A toda a comunidade académica, o Despacho RT-10/2007 (que se junta em anexo) extingue a lista de distribuíção UM-Net a partir do dia 1 de Março de 2007 e em simultâneo reorganiza o suporte de distribuíção de informação baseado em listas e outro canais complementares. Nesse sentido, o SCOM, como responsável pela moderação da lista de distribuíção UM-Net, informa que a lista será extinta a partir das 00H00 de amanhã, e adicionalmente, aproveita para agradecer a todos os utilizadores a companhia prestada a este serviço de distribuíção de informação nos 12 anos da sua existência.
Os melhores cumprimentos,
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Serviço de Comunicações - Campus de Gualtar - Universidade do Minho»
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(mensagem com a proveniência que se identifica, recebida na caixa de correio electrónico em 07/02/28, pelas 22:55:37 horas)
Comentário: a um-net está morta! Paz à sua alma!
Ps: e "O Moderador", coitado, será susceptível de reconversão funcional?

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - um comentário

As notícias de Harvard, de que dei aqui conta ontem e anteontem, mereceram 1 (um) comentário, que reproduzo abaixo, depois de me ter caído na caixa de correio electrónico em 07/02/26, à semelhança da mensagem original. O autor do comentário é pbarbosa@ilch.uminho.pt.
O debate na UMinho mostra-se animado!
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«A inspirar-nos nos melhores, teríamos de fazer uma grande reforma do nosso sistema universitário...
O 'core curriculum' é o conjunto das disciplinas que ***todos*** os alunos, independentemente do curso, têm de frequentar. É um conceito que se aplica ao sistema universitário americano em geral e não apenas a Harvard: baseia-se na ideia de que há requisitos comuns, tranversais, que devem incluir um determinado número de créditos de cada uma das principais áreas do conhecimento: das 'liberal arts' (humanidades, língua materna e estrangeira, etc.) às ciências exactas, naturais e sociais.
É essa transversalidade que garante duas coisas:
a) a formação geral de indivíduos minimamente informados acerca das preocupações centrais (e formas de pensar) das principais áreas do conhecimento;
b) a sobrevivência de áreas do conhecimento que, sendo fundamentais, têm um horizonte de empregabilidade reduzido.
Uma forma inteligente de encarar a gestão do curriculum.»

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - II

Reproduzo de seguida a 2ª parte de uma mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, e de que dei notícia da 1ª parte na ocasião, sob o mesmo epígrafe. Parece-me valer a pena a respectiva leitura, se bem que, como frisei na altura, possa provocar algumas cócegas.
Outro tanto acontece, aliás, com as declarações produzidas por alguns reitores, retidas por Blog de Campus, sob o título, de ontem, "Reitores pouco favoráveis ao fim do sistema de eleições". Note-se a subtileza do título (...pouco favoráveis ao fim do sistema ...). São mesmo uns malandrões, os editores do blogue, digo!
/...
«[...]
One point likely to raise eyebrows among academic traditionalists is the rationale for the newly mandated study of Empirical Reasoning, which will cover math, logic and statistics. It is being added, the committee report says, because graduates of Harvard "will have to decide, for example, what medical treatments to undergo, when a defendant in court has been proven guilty, whether to support a policy proposal and how to manage their personal finances." Does this mean balancing a checkbook is on a par with balancing equations? What about learning for learning's sake? What about the study of history, which Harvard will no longer require, even though its recently announced new president, Drew Gilpin Faust--the first woman to head the institution--is a renowned historian?
The plan's advocates say the curriculum is flexible enough that students will still be able to take courses in whatever interests them, be it ancient art or cutting-edge science. What's crucial, they say, is that the new approach emphasizes the kind of active learning that gets students thinking and applying knowledge. "Just as one doesn't become a marathon runner by reading about the Boston Marathon," says the committee report, "so, too, one doesn't become a good problem solver by listening to lectures or reading about statistics." Acknowledging how important extracurricular activities have become on campus, the report calls for a stronger link between the endeavors students pursue inside and outside the classroom. Those studying poverty, for example, absorb more if they also volunteer at a homeless shelter, suggests Bok, whose 2005 book, Our Underachieving Colleges, cites a finding that students remember just 20% of the content of class lectures a week later.
There were, however, some contemporary concerns that didn't make the final cut. In October, before finalizing its recommendations, the committee proposed mandating the study of "reason and faith." That drew sharp criticism from faculty members like psychology professor Steven Pinker. "The juxtaposition of the two words makes it sound like 'faith' and 'reason' are parallel and equivalent ways of knowing," he wrote in the Harvard Crimson. "But universities are about reason, pure and simple." Though 71% of incoming students say they attend religious services and many already elect to study religion, the committee gave in, ultimately substituting a "culture and belief" requirement. It turned out to be more practical.
Find this article at:
(extracto de mensagem electrónica proveniente de jcrmendes@ilch.uminho.pt)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - I

Reproduzo de seguida a 1ª parte - porque é algo longa - de uma mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico esta manhã. Parece-me valer a pena a respectiva leitura, se bem que possa provocar algumas cócegas.
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«Notícias da melhor universidade do mundo:
Thursday, Feb. 22, 2007
As Harvard Goes ...
By Jeremy Caplan
The easiest way to start an academic brawl is to ask what an educated person should know. The last time Harvard University tackled that question was in 1978, when it established its Core Curriculum, which focused less on content than on mastering ways of thinking. Like Harvard's so-called Red Book standards of 1945, which helped inspire a generation of distribution requirements, the core had broad resonance at other major universities. Now, after a four-year process initiated under controversial former president Lawrence Summers, the nation's most famous university has come up with a whole new set of guidelines that proponents say will help clarify how liberal-arts subjects like philosophy and art history shed light on the hurly-burly of more quotidian topics. "Students will be more motivated to learn if they see a connection with the kinds of problems, issues and questions they will encounter in later life," says interim president Derek Bok. Harvard isn't the only institution rethinking what and how to teach its students. Yale, Rutgers and the universities of Pennsylvania and Texas have recently made similar changes, and now that Harvard has joined the club, others are likely to follow.
Harvard's new curriculum establishes eight primary subject areas that all students will have to take. The categories include Societies of the World, encompassing subjects like anthropology and international relations; Ethical Reasoning, a practical approach to philosophy; and the United States in the World, which will likely span multiple departments, including sociology and economics. The plan, which is expected to be formally approved by the faculty in May, won't go into effect before September 2009 at the earliest.
But the school is already preemptively dismissing charges that it is embracing purely practical knowledge. "We do not propose that we teach the headlines," said a report published on Feb. 7 by the curriculum committee, comprising professors, students and a dean. "Only that the headlines, along with much else in our students' lives, are among the things that a liberal education can help students make better sense of."
[...]»
(extracto de mensagem electrónica proveniente de jcrmendes@ilch.uminho.pt)

domingo, fevereiro 25, 2007

"University research and the location of business R&D"

"We investigate the relationship between the location of private sector R&D labs and university research departments in Great Britain. We combine establishment-level data on R&D activity with information on levels and changes in research quality from the Research Assessment Exercise. The strongest evidence for co-location is for pharmaceuticals R&D, which is disproportionately located near to relevant university research, particularly 5 or 5* rated chemistry departments. This relationship is stronger for foreign-owned labs, consistent with multinationals sourcing technology internationally. We also find some evidence for co-location with lower rated research departments in industries such as machinery and communications equipment."
Laura Abramovsky (Institute for Fiscal Studies)
Rupert Harrison (Institute for Fiscal Studies and University College London)
Helen Simpson (Institute for Fiscal Studies)
Date: 2007-01
(resumo de "paper" disponível no sítio referenciado)

sábado, fevereiro 24, 2007

O choque tecnológico

"Por cá, o choque converteu-se na dedicação total das IES a um único projecto: como fazer omoletes sem ovos. Fico sem saber porque se avançou com Bolonha nesta altura. Por que, nestas condições, só se for para fazer mais do mesmo. Com a desvantagem de alienar, provavelmente de vez, muitos dos indecisos relativamente ao processo.
Adicionalmente, o célebre dinheiro da ciência, anunciado num também célebre Prós&Contras, levou sumiço até ao momento. Ouço falar de dívidas com três anos.[...]"
MJMatos
(extracto de comentário a mensagem intitulada "O choque tecnológico", datada de 07/02/23, disponível em JVC-ApontamEntoS - Reformar a Educação Superior)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Estas coisas são contagiosas!

No seu blogue (Co-Labor), Alexandre Sousa noticia, em 07/02/22, que "A Reitoria da U.A. e o respectivo Conselho Científico promoveram (ontem) uma sessão para discutir a gestão do E.S.
Duas personalidades deram a cara por este debate: Rosa Pires (U.A.) e Neves Adelino (UNL).
3 tópicos, dos quais 2 com base em documentos – Relatório OCDE e discurso MCTES 14.02.07 – e um de carácter divagatório em torno dos critérios de competência para avaliar um Reitor.[...]".
Não acham isto uma provocação? Ou, até, uma grande pouca vergonha?
Onde é que já se viu uma reitoria patrocinar e/ou estimular um debate sobre a gestão do Ensino Superior e as competências do próprio reitor? Será porque o reitor da UAveiro não é um reitor, mas uma reitora?
Outro tanto vale para o "conselho científico" da referida Instituição. Não teme o dito que o poder caia na Academia, o que equivale a dizer "na rua"? Instalado este clima de abertura ao debate e à liberdade de opinião, há o risco de passar a haver "Universidade" ou, se se quiser, "Univercidade". Depois, estou para ver como as autoridades universitárias vão repor o "romance" em que temos vivido.
Note-se que não estou especialmente preocupado com a Universidade de Aveiro mas com muitas outras. É sabido serem estas coisas contagiosas!

J. Cadima Ribeiro

“Boosting Innovation Performance in Brazil”

“Brazil's main challenge in innovation policy is to encourage the business sector to engage in productivity-enhancing innovative activities. At 1% of GDP, R&D spending (both public and private) is comparatively low by OECD standards and is carried out predominantly by the government. Most scientists work in public universities and research institutions, rather than in the business sector. Output indicators, such as the number of patents held abroad, suggest that there is much scope for improvement. Academic patenting effort is being stepped up and should be facilitated by the easing of restrictions on the transfer and sharing of proceeds of intellectual property rights between businesses and public universities and research institutions. Innovation policy is beginning to focus on the potential synergies among science and technology promotion, R&D support and trade competitiveness. To be successful in boosting business innovation, these policies will need to be complemented by measures aimed at tackling the shortage of skills in the labour force; this shortage is among the most important deterrents to innovation in Brazil, particularly against the backdrop of a widening gap in tertiary educational attainment with respect to the OECD area.”

Carlos H. de Brito Cruz
Luiz de Mello
Keywords: human capital, productivity, innovation
Date: 2006-12-06
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:oec:ecoaaa:532-en&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Recomendação de leitura

Com um imenso sublinhado, aqui estou a fazer a recomendação de leitura do texto «O “horror lusitanorum” da FCT», de António Fidalgo, disponível no blogue de JVC (Reformar a Educação Superior), em entrada de hoje, intitulada "Novo Artigo".
O que aí se diz retrata a realidade da gestão actual do MCTES, mas poderia reportar-se a muitas outras situações da governação pública nacional, presentes e passadas. Escuso-me, nesta altura, a comentar o provincianismo dos lisboetas que cultivam a política científica (e a "boa" gestão de recursos) a que António Figalgo se refere.

J. Cadima Ribeiro

Entrepreneurship as survival

"Nobody talks of entrepreneurship as survival, but that's exactly what it is and what nurtures creative thinking."

Anita Roddick

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 13, Issue 457-2007, http://www.sbaer.uca.edu )

terça-feira, fevereiro 20, 2007

“Which Factors Determine the Grades of Undergraduate Students in Economics? Some Evidence from Spain”

"This paper analyses the determinants of grades achieved in three core subjects by first-year Economics undergraduate students at Universidad Carlos III de Madrid, over the period 2001-2005. Gender, nationality, type of school, specialization track at high school and the grades at the university entry exam are the key factors we examine. Our main findings are that those students who did a technical track at high school tend to do better in mathematics than those who followed a social sciences degree and, that the latter do not perform significantly better than the former in subjects with less degree of formalism and more economic content. Moreover, students from public schools are predominant in the lower (with social sciences or humanities tracks) and upper (with a technical track) parts of the grade distribution, and females tend to perform better than males."

Juan J. Dolado (Universidad Carlos III de Madrid, CEPR and IZA Bonn)
Eduardo Morales (Harvard University)
Keywords: grade achievement, school type, gender, multinomial logit, quantile regressions
Date: 2006-12
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iza:izadps:dp2491&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O balanço foi pobre

"Mariano Gago discursou há dias no Conselho Nacional de Educação. [...].
O balanço foi pobre, nem podia ser outro: a alteração cosmética da lei de bases, o decreto dos CET, o do acesso de adultos, o de Bolonha. Claro que não podia faltar o exercício de estudo estrangeiro, da OCDE e da ENQA, como se fossem actividades do MCTES, durante todo este tempo. [...].
Sobre Bolonha, era melhor nem falar. Processo atabalhoado, com prazos curtíssimos, apreciação formalista, ausência de quadros de referência de qualificações, o delírio dos mestrados integrados, o atraso na apreciação dos novos mestrados politécnicos, muito mais."

João Vasconcelos Costa

(extractos de mensagem datada de hoje, intitulada "Discurso de um ministro a meio do caminho", disponível no blogue do autor - Reformar a Educação Superior)

"As desigualdades sociais e a desvalorização dos diplomas"

"Durante muito tempo o acesso a um diploma universitário permitiu, no nosso país, aceder com relativa facilidade a um emprego qualificado, com o correspondente estatuto social, e, além disso, o próprio diploma universitário constituía em si mesmo um importante símbolo de status. Isto, porém, ocorreu sobretudo enquanto o acesso à universidade era exclusivo das elites. Nas últimas décadas tal cenário alterou-se substancialmente. O que quer dizer que o processo de mobilidade ascendente pode tornar-se uma mera ilusão, visto que, enquanto subimos a escada ela própria desliza para baixo. Ilusão que, actualmente se desfaz quando, com o diploma na mão, o recém licenciado esbarra na porta do desemprego ou apenas consegue um «semi-emprego». Hoje, os jovens que saem da universidade entram no mercado de trabalho, na sua maioria, através de empregos precários e desqualificados, empregam-se nas lojas dos Soppings, nos MacJobs, nos Call Centers, etc., e os que têm sorte ou «boas relações» conseguem, a custo, abrir mais tarde uma porta para uma profissão mais promissora."

Elísio Estanque

(extracto de mensagem, datada de 07/02/08, intitulada "As desigualdades sociais e a desvalorização dos diplomas", disponível no blogue do autor - BoaSociedade)

domingo, fevereiro 18, 2007

Que autoridade moral tem para criticar o Ministério?

«O senhor reitor Guimarães Rodrigues parece criticar as "políticas de nivelamento por baixo" do Ministério, ao tratar de igual forma as instituições que apresentam padrões de qualidade elevada e as outras, e não reflectindo em termos orçamentais essas diferenças. Tem toda a razão. Mas pergunta-se: não é exactamente o que a Universidade do Minho faz internamente? Os orçamentos das escolas e departamentos valorizam a qualidade? Os cursos a quem o mercado reconhece mérito são valorizados pela instituição? Os académicos cujo mérito é reconhecido pelas suas publicações internacionais são mais bem acolhidos pela instituição do que aqueles cujo mérito se resume a "apoias as pessoas certas no mento certo"? Então, qual a autoridade moral para criticar o Ministério...?»
(comentário de autor anónimo à mensagem intitulada "É dificil explicar à academia", datada de 07/02/16)

sábado, fevereiro 17, 2007

A frase do dia

Há uma frase que invoco de quando em quando para explicitar um dos princípios que me têm orientado na vida, e que é:

"quando tenho razão, não preciso de sentir-me acompanhado!"

O contraponto desta filosofia é algo que me rodeia quotidianamente e que me provoca o maior desconforto, embora procure não o exprimir na relação pessoal. Esse contraponto é:

"quanto mais mediocre alguém se reconhece, mais necessidade tem de fazer vingar a sua afirmação pesssoal (e profissional) numa rede alargada de cumplicidades".

Dessa forma, os medíocres protegem-se e promovem-se uns aos outros. A frase que cito abaixo e o contexto que é invocado - "The Higher Education I know is in a mess" - são bem disso ilustração.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

É dificil explicar à academia

«UM: Padrões de elevada qualidade não contam nos financiamentos


As universidades portuguesas avaliadas por entidades nacionais e estrangeiras como tendo padrões de elevada qualidade andam a financiar as outras com menor qualidade.
Esta revelação foi feita pelo reitor da Universidade do Minho, no dia em que apresentou o relatório de actividades do ano transacto. Para Guimarães Rodrigues esta é a principal justificação para que as transferências de verbas para a academia minhota se tenham ficado pelos 2,5% em vez dos 9% reais. "O princípio de coesão determina que as universidades com parâmetros de elevada qualidade não possam ter financiamentos superiores a 3% e as outras não possam ter financiamentos inferiores a 3%, penalizando assim as universidades com melhores desempenhos".
O reitor reconhece que é difícil "explicar à academia que apesar de terem sucesso reconhecido têm menos dinheiro ao seu dispor", sendo da opinião de que "a coesão não deveria ser um ónus suportado pelas universidades e sendo uma questão política deveria ser tomada a montante".
A Universidade do Minho recebeu do Orçamento do Estado em 2006 cerca de 60 milhões de euros, menos um milhão do que no ano anterior, e gerou em termos de receitas próprias 110 milhões de euros, vindos, sobretudo, das propinas e de projectos desenvolvidos pelos investigadores da academia minhota. "Tivemos menos financiamento do que no ano anterior, mas mesmo assim conseguimos manter o plano estratégico que foi sufragado precisamente no ano passado".
Para Guimarães Rodrigues, "houve um salto quantitativo e qualitativo apesar dos constrangimentos financeiros", dando como exemplo a construção da Escola de Direito e outras obras em curso e a mudança do Instituto de Ciências Sociais para instalações definitivas "Criámos melhores condições em situações que seriam, à partida, inimagináveis e de difícil resolução". Universidade que perdeu 2,6% dos alunos inscritos (cerca de 300), abandono que "o aumento do valor das propinas pode justificar". Ainda assim, ocupou 92% das vagas oferecidas, o que a coloca em terceiro lugar a nível nacional. "Em Engenharia, ocupamos mesmo o 2.º lugar". O processo de Bolonha foi o principal desafio do ano transacto: "Com todas as indefinições, conseguimos adaptar 60% dos nossos cursos.»
Pedro Antunes Pereira

(notícia publicada no Jornal de Notícias, em 2007-02-16)


Comentário: sendo eu, escreveria a notícia do JN nos termos seguintes - "pese o que dizem as más linguas, somos (reitoria e conexos) mesmo muito bons, embora seja dificil explicar à academia quão bons nós somos"; "em todo o caso, o ´plano estratégico` que informa a nossa acção foi sufragado por mais de 60 membros da UMinho, o que nos confere legitimidade mesmo para tomar medidas que nem bom-senso deixam transparecer, quanto mais competência".
Obviamente, cada um tem o seu estílo de escrita e de comunicação, por isso se aceita o que foi preservado na notícia.
A mensagem da reitor da UMinho merece-me, todavia, um reparo, e só um: esqueceu-se de mencionar que, na mesma ocasião em que o Instituto de Ciências Sociais ganhou um edifício novo, outro tanto sucedeu com a Escola de Engenharia. Percebendo-se que não queira sublinhar as melhorias em matéria de instalações de que beneficiou a sua própria Escola, imperativos de justiça ditam-me que não deixe passar esta omissão. A obra em primeiro lugar, sobretudo em dia de balanço!