Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

sábado, abril 07, 2007

Chato será se os nossos políticos passarem a valer pelo mérito dos seus desempenhos

Enquadrando a revista de imprensa que teve a simpatia de fazer para nós em 07/04/06, Alexandre Sousa (Co-Labor) propõe-nos a epígrafe “OBVIAMENTE, a UnI NUNCA podia fechar…”. Deduz-se que nos antecipa a decisão de Mariano Gago, a anunciar publicamente na 2ª feira pf.
Sei-o bem informado e não me parece grande exercício de adivinhação aquele a que se abalançou, não lhe negando o mérito da pontaria.
Para mim, entretanto, o que é importante não é a eventualidade da UnI fechar ou não. Importante é sublinhar que a UnI - esta e umas quantas outras ainda abertas ou já exauridas - nunca devia ter sido autorizada. Tendo-o sido, criou-se o lastro para o descrédito que se veio a revelar, arrastando no seu estertor, a título de dano colateral, um pouco da credibilidade do sistema de Ensino Superior nacional, no seu todo. Substanciando o que digo, aparte estórias bem conhecidas, a título de exemplo, retenha-se a qualidade dos respectivos corpos docentes, de que também é boa ilustração o recém-designado (não se sabe bem por quem) reitor da dita UnI.
Neste quadro lamacento, relevar os títulos de Eng. e Dr. é coisa de somenos importância, até porque, se esses títulos sempre foram um faz-de-conta próprio da nossa idiossincrasia lusitana, com a reforma que chamamos de Bolonha nem esse faz-de-conta se conseguirá aguentar.
Chato, chato será se, doravante, os nossos políticos passarem a valer pelo mérito dos seus desempenhos, ao invés de valerem pelos títulos que ostentam, e pela corte de que se fazem rodear. Até lá, porém, ainda temos que esperar pela chegada da revolução cultural, que, embora há muito anunciada (creio que por Mao Tsé Tung), tarda em chegar.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, abril 06, 2007

“Schooling inequality and the rise of research”

“During the last twenty years the share of researchers in the workforce has been rising in OECD countries. The consistency of this pattern suggests that it is not a transitional phenomenon. This paper demonstrates that the rise of research can occur in the steady state when schooling inequality is declining. Comparative static analysis of a semi-endogenous growth model with a continuous distribution of skills shows that a reduction in skill inequality can have a variety of effects, which includes a rising share of researchers. Additionally, the height of the growth rate of mean educational attainment is shown to have a positive effect on the proportion of researchers in the workforce, without causing it to grow.”

Bas Straathof
Keywords: Schooling inequality; Economic growth
Date: 2005-06
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:deg:conpap:c010_012&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, abril 04, 2007

Há "estórias" que é melhor não lembrar

Há indivíduos que se pelam por aparecer na comunicação social. Veja-se, a propósito, o destaque de ontem do Blog de Campus: "Ex-ministro deseja que se faça tudo para salvar a Independente".
Não reconhecerá o colega João de Deus Pinheiro que há "estórias" que é melhor não lembrar? Preocupado que está com o evoluir da Universidade Independente, porque não se voluntaria para ser seu reitor, como fez não vai para muito tempo com a Universidade Moderna, de Lisboa? Será porque ainda não recuperou da "dor de rins" que o acometeu pouco depois de aí iniciar funções, que o levou a uma resignação prematura?

J. Cadima Ribeiro

«L'enseignement supérieur, un élément de la dynamique des territoires.»

«Higher education establishments have a very important role for local development, especially for medium-sized towns. Universities are at the origin of jobs, and income, therefore they play a role for local development. In the last decades, local authorities have found it logical to relocate universities in France. But, for the future, this effort to attract new university programmes will probably oppose overall national policy. Of course, in a national and international context of competition, the most powerful universities have a true comparative advantage.»

Michel Vernières (Centre d'Economie de la Sorbonne)
Keywords: France, higher education, local development, regional planning, relocation.
Date: 2006-12
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:mse:wpsorb:r06075&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, abril 03, 2007

70 milhões de euros!

«O Governo prepara-se para assinar um quarto acordo de “internacionalização do sistema científico e tecnológico português”: dentro de duas semanas – mais precisamente a 18 de Abril –, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) lança as bases de entendimento com a sociedade Fraunhofer, rede germânica de investigação aplicada que reúne 80 unidades de investigação.»
[...]
«Nos três acordos de parcerias assinados anteriormente com as universidades norte-americanas – MIT, Carnegie e Texas (Austin) –, foram envolvidos 141 milhões de euros, dos quais 70 milhões destinados às instituições estrangeiras.»
/...
(extractos de mensagem intitulada "Governo assina com Fraunhofer quarto acordo internacional", datada de 07/04/02, disponível em Blog de Campus)
Comentário: o MCTES lá prossegue, afanosamente, a sua política de financiamento de instituições de ensino e investigação estrangeiras; vá lá que desta vez trata-se de uma instituição europeia, pelo menos.

domingo, abril 01, 2007

A Educação não é um ramo da Economia - II

A sociedade portuguesa viu instalar-se nos derradeiros anos um discurso negativo sobre os seus recursos e capacidades. [...].
Esse discurso descrente e desencantado tem intérpretes em múltiplos sectores da sociedade mas parece ter penetrado mais fundo no sector da educação, incluindo o ensino superior.
[…].
Colocadas num contexto geral de reflexão sobre a evolução e futuro da formação graduada e pós-graduada, estas questões têm merecido a atenção de diversas instâncias nacionais e internacionais. Para reter um desses documentos, menciono aqui o relatório da UNESCO sobre “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences” (Word Conference on Higher Education, Paris, Outubro de 1998).
Recomendando vivamente aos interessados a leitura do citado documento, de forma sumária não queria deixar de dar aqui o meu testemunho sobre as questões mencionadas.
1. […];
2. Há quem pretenda confundir Educação e Economia. Conforme o sublinha o documento da UNESCO já identificado, “a Educação não é um ramo da Economia, nem o processo educativo, os seus propósitos últimos ou os seus resultados ou ‘produção’ são comparáveis aos da Economia” (UNESCO, 1998, p.3). E, contínua, é, antes, “um sector essencial da sociedade e uma condição da existência social”
Naturalmente que a formação universitária deverá também formar técnicos, que sirvam as empresas, que sirvam a sociedade. Mas são, deverão ser, as licenciaturas assimiladas simplesmente a cursos de formação profissional? E porquê então subsistem sistemas de ensino universitário, politécnico, de formação profissional?
Obviamente que a sociedade do presente, a sociedade do conhecimento, e o ritmo das rupturas tecnológicas e organizacionais impõem um outro projecto de Universidade e um outro modelo de parceria entre a universidade e a economia. Isto porque o conhecimento cria-se, crescentemente, através da acção e uma nova partilha de tarefas se institue entre investigação fundamental, investigação aplicada, inovação e transferência, e porque, nesse contexto (que só parcialmente é ainda o do presente), a formação não estará mais a montante da investigação. Mas quem é que em Portugal já encarou seriamente isso? Que políticas activas estão esboçadas para aproximar o presente do futuro?
3. É recorrente o discurso culpabilizando os professores e a gestão universitária pública pela frustação dos estudantes em matéria de saídas profissionais, e, antes disso, pelo insucesso escolar. Isso tem servido de pretexto para atingir fortemente a autonomia das instituições de ensino público consagrada nas leis que a essa matéria se referem, publicadas nos anos 80. Nesta vertente, convergem o discurso dos estudantes, de alguns sectores empresariais e o dos governos (o presente e os anteriores, de iniciativa do PS).
O discurso é de tal modo desqualificado e demagógico que se emaranha nas suas próprias contradições. Para sublinhar algumas dessas contradições, deixemos algumas perguntas de resposta óbvia: i) quem permitiu a inúmeras instituições privadas operar como instituições de ensino superior e quem autorizou o funcionamento dos respectivos cursos? ii) Quem regula as condições de acesso e define os contingentes de alunos que ingressam no sistema público? Quem é que veio reclamar a necessidade de regular a criação de cursos superiores quando o mercado já dispensava essa intervenção reguladora?
As considerações que antes deixo pretendem dar conta da complexidade do que está em causa. Antes disso, porém, visam sublinhar que não é matéria onde o discurso fácil e a demagogia devam ser incentivados. Infelizmente, o que se tem visto em Portugal é o rigoroso contraponto do que aqui enuncio.

J. Cadima Ribeiro

(reprodução da 2ª parte de texto datado de 2003/12/03: a 1ª parte foi divulgada na 5ª feira pp.)
Comentário: às vezes tenho curiosidade de rever peças escritas que tenho no baú; esta é uma delas)

sexta-feira, março 30, 2007

Serviço Público - Reitoria da UMa põe em causa doutoramentos e continuidade de Assistentes e Professores Auxiliares

«SNESup – Sindicato Nacional do Ensino Superior
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90 docentes da UMa em risco de serem dispensados Assistentes têm seis anos, tempo de duração do contrato, para concluírem o doutoramento Pelo menos uma docente de Física já foi dispensada pela Universidade da Madeira (UMa).
DN-Madeira, 30-03-2007

Todos os assistentes da Universidade da Madeira que até ao final do contrato não tiverem realizado o doutoramento serão dispensados. Quem o afirma é o vice-reitor da UMa, António Brehm, em resposta escrita, com base na resolução do Senado Universitário que aprovou o orçamento da instituição. Em causa estão 90 assistentes, tendo em conta que, em declarações à TSF-Madeira, o reitor Pedro Telhado afirmava que existem 220 docentes na UMa a tempo inteiro, dos quais 90 doutorados e 40 com nomeação definitiva. A medida está a causar preocupação junto dos docentes, uma vez que, ao que tudo indica, não será igualmente concedida a prorrogação de dois anos aos contratos dos assistentes (de seis anos), tal como está definido no Estatuto da Carreira Docente Universitária, utilizados pela maioria para a conclusão do doutoramento.
Aos assistentes são também concedidos até três anos de dispensa para que possam preparar a dissertação de doutoramento. Porém, segundo informações recolhidas na auscultação de docentes, que por se encontrarem ainda a contrato preferiam proteger-se com o anonimato, existem situações em que, tendo gozado dois anos de dispensa, alguns assistentes solicitaram o terceiro ano, que já decorreria no período de prorrogação (biénio), tendo esse pedido sido negado pela reitoria, contra os pareceres favoráveis dos departamentos em que estão integrados. Uma recusa que leva a crer que os biénios não serão concedidos, ficando a conclusão dos doutoramentos limitada aos seis anos de contrato.
A situação está a merecer a atenção do Sindicato Nacional do Ensino Superior, conforme foi referido pelos delegados sindicais Teresa Nascimento e Luíz Carlos Lopes, que apenas assumiram funções na passada quarta-feira. Mas apesar de só agora estarem a inteirar-se da situação como representantes sindicais, Teresa Nascimento afirma que a posição do SNESup será de "diálogo" mas também "muito firme relativamente à defesa dos direitos dos docentes, tal como eles estão consignados no Estatuto da Carreira Docente".
Embora sejam os assistentes que estão na primeira linha das dispensas, a medida poderá afectar os professores auxiliares (doutorados mas ainda sem nomeação definitiva). Uma possibilidade que foi admitida por Pedro Telhado à TSF-Madeira, embora, na resposta, escrita, ao DIÁRIO, o vice-reitor António Brehm tenha afirmado desconhecer "qualquer medida nesse sentido". Pelo menos uma assistente do departamento de Física já foi dispensada. Apesar de já ter concluído o doutoramento, a reitoria alega que fê-lo fora de prazo.

Racionalização
Segundo as declarações do reitor da Universidade da Madeira à TSF, está a ser efectuado um estudo, designado por 'Racionalização de efectivos'. "Estamos a fazer um estudo de racionalização de efectivos sobre as necessidades reais que há em cada especialidade", afirmou Pedro Telhado, que manifestou-se também preocupado pelo facto de os docentes universitários dispensados não terem direito a subsídio de desemprego.
O reitor admitiu ainda que a Universidade poderá encerrar alguns cursos.
Segundo Pedro Telhado, uma redução efectiva de alunos poderá levar a uma medida nesse sentido.
sornelas@dnoticias.pt>Sílvia Ornelas»
/...
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida hoje, com origem na entidade identificada

quinta-feira, março 29, 2007

A Educação não é um ramo da Economia

A sociedade portuguesa viu instalar-se nos derradeiros anos um discurso negativo sobre os seus recursos e capacidades. É, de certo modo, o retorno cíclico ao “Velho do Restelo”.
Esse discurso descrente e desencantado tem intérpretes em múltiplos sectores da sociedade mas parece ter penetrado mais fundo no sector da educação, incluindo o ensino superior. Curiosamente, ou talvez não, os estudantes e os seus representantes associativos encontram-se entre os seus maiores cultores. A rivalizar com eles sugere-se quase só o discurso governamental, falho de convicção e amarrado a grupos de interesses que não vêem no ensino e na formação senão o negócio.
São pedras de toque da mensagem da desgraça, especialmente:
i) a suposta degradação da qualidade do ensino superior oferecido (com ênfase maior no ensino público);
ii) a perda de pertinência da formação ministrada face às solicitações do mercado de trabalho (vulgo empresas);
iii) a culpabilização dos professores e da autonomia das instituições pela proliferação de cursos que não oferecem perspectivas de saída profissional aos seus diplomados.
Colocadas num contexto geral de reflexão sobre a evolução e futuro da formação graduada e pós-graduada, estas questões têm merecido a atenção de diversas instâncias nacionais e internacionais. Para reter um desses documentos, menciono aqui o relatório da UNESCO sobre “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences” (Word Conference on Higher Education, Paris, Outubro de 1998).
Recomendando vivamente aos interessados a leitura do citado documento, de forma sumária não queria deixar de dar aqui o meu testemunho sobre as questões mencionadas.

1. Quem, como eu, acedeu ao ensino superior universitário na fase de transição do ensino elitista do início dos anos 70 para o ensino massificado do pós-25 de Abril e, posteriormente, na condição de docente, viveu a euforia da expansão do sistema universitário nos anos 80 e 90 do século XX, não pode deixar de ficar perplexo com o simplismo do discurso sobre o ensino superior em Portugal.
Se bem que não se possa esperar dos estudantes que frequentam actualmente as instituições uma “memória” dos progressos realizados, pode-se-lhes pedir a honestidade intelectual de evitarem afirmações infundadas ou não suportados pelos factos que assistem à configuração presente do sistema de ensino superior. Para falar daquilo que conheço bem, deixo aqui apenas 2 números: quando ingressei como docente no começo dos anos 80, a minha Escola/Faculdade tinha um corpo de 3 doutores; hoje tem 50, e dentro de um ano e meio deverá contar com 60. No mesmo contexto de testemunho pessoal podia reportar-me às instalações, ao equipamento informático, aos serviços de apoio, etc.
[...]

J. Cadima Ribeiro

(reprodução da 1ª parte de texto datado de 2003/12/03)

Comentário: às vezes tenho curiosidade de rever peças escritas que tenho no baú; esta é uma delas)

quarta-feira, março 28, 2007

The most successful businessman

"The most successful businessman is the man who holds onto the old just as long as it is good, and grabs the new just as soon as it is better."

Lee Iacocca

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 27, Issue 463-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

/...

"Good business leaders create a vision, articulate the vision, passionately own the vision, and relentlessly drive it to completion."

Jack Welch

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 6, Issue 460-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

segunda-feira, março 26, 2007

MBAs e enigmas

Numa altura em que está na berra a discussão sobre entendimentos e desendimentos de escolas lisboetas em torno da oferta, futura, de um MBA comum, patrocinado pelo MCTES e pelo MIT, cada um a seu modo, e em que se anuncia que Belmiro de Azevedo prossegue diligências para a criação de um projecto similar "a norte", aparece nos jornais - ou, pelo menos, no blogue de um jornal (Jornal de Negócios), hoje - um artigo de promoção do MBA da EGP (cf. Blog de Campus: "Quebrar as regras", por António Portela).
Não é uma coincidência extraordinária? Com um projecto tão extraordinário em plena execução, que justificação fica para gerar um projecto alternativo ou diluí-lo num outro, nebuloso, como são todos os projectos que ainda não sairam da mente dos seus promotores? Terá sido Belmiro de Azevedo a projectar a campanha ou anda alguém a sabotar-lhe o terreno?
Se os meus caros colegas não tiverem mais nada com que se ocuparem, podem sempre dedicar-se a deslindar o enigma que vos trago.
Para vos aguçar o apetite para a leitura do texto promocional em causa, deixo-vos um pequeno extracto de abertura. Então, é assim:

«Por António Portela, aluno do MBA Executivo da Escola de Gestão do Porto: “How much change are you prepared to embrace?”, questionava-nos Steven Sonsino, perante o olhar atento do Professor Daniel Bessa, depois de observar os cerca de 60 alunos da sua turma do MBA Executivo a lançar aviões de papel feitos pelos próprios. Era a nossa segunda tentativa e todos os aviões voaram bem mais longe que da primeira vez. O Professor Sonsino acabava de mostrar a importância de uma boa liderança, sem recorrer a nenhuma teoria explicativa de um manual de liderança.»

Aprendam!

J. Cadima Ribeiro

domingo, março 25, 2007

Escolas de Negócios, MBAs e trapalhadas

Em tempo de parábolas, nos últimos dias os jornais têm trazido abundantes notícias sobre acordos que se estabelecem entre universidades lisboetas para a implementação de MBAs conjuntos, sob a égide ou não do MIT, de deslealdades entre parceiros de supostos projectos comuns, futuros, e de iniciativas tomadas “a norte” para criar um projecto de alcance internacional concorrente.
Vou acompanhando o folhetim com alguma curiosidade sobre os episódios que se seguem, mas sem grande expectativa de ser surpreendido, tanto mais que vou conhecendo razoavelmente o meio e a maioria dos protagonistas. Aliás, por circunstâncias de enquadramentos institucionais passados, estive envolvido pessoalmente em diálogos mantidos “a norte”, vai para cinco anos, que visavam, basicamente, a mesma coisa, sendo os protagonistas em larga medida coincidentes, se tirarmos este vosso humilde servo.
É pois com algum conhecimento de causa que vos digo que não acredito que a agitação presente vá conduzir a muito mais que um rol de acusações recíprocas de falta de vontade das partes de concretizar o projecto e de ânsia de protagonismos, aparte a componente académica, que é aquela que menos importa nas iniciativas que estão em curso.
Para ser mais claro, sublinhe-se que:
i) Belmiro de Azevedo teve já um papel fundamental no desenrolar das coisas há 5 anos, amparando um dos projectos, embora fosse claro como água limpa que a unidade visada era inviável de se fazer em torno desse projecto, que tinha tido uma génese unilateral e consubstanciava a típica visão hegemónica do Porto sobre todo o território “a norte”;
ii) Ludgero Marques também era já outro dos protagonistas, secundado por Joaquim Azevedo, na altura o encarregada de missão da AIPortuense (vulgo, Associação Empresarial de Portugal);
iii) A FEP tinha também os mesmos dirigentes e mantinha-se ou era mantida pela reitoria do Porto olimpicamente fora do processo (embora se mostrasse desconfortável com a existência da EGP, por razões de solidariedade institucional formal estava impossibilitada de participar nos diálogos promovidos pela AIPortuense); e
iv) Na fase decisiva do processo, emergiu como reitor da UMinho o actual titular que, não percebendo nem a génese do processo nem a lógica dos actores no terreno, chamou a si o dossiê e, com isso, deu-lhe machadada decisiva.
Há outras pequenas histórias pelo meio que ditaram o desenlace do processo. Não sendo questão das lembrar nesta hora (ficarão optimamente num livro de memórias), há todavia uma que não resisto a contar, pelo que de caricato e ilustrativo mantém. É o caso de um reitor que, não se identificando com o processo, se manteve indisponível múltiplas semanas (por alegadas dificuldades de agenda) para receber o principal promotor institucional do projecto.
Quais são as grandes diferenças daquele para o presente momento?
A primeira diferença é que passaram mais de 5 anos, isto é, contam-se por mais de 5 anos o tempo perdido. A segunda exprime-se no facto de termos na tutela do sector um homem que é fan de tudo o que é internacional e, particularmente, do MIT (e suponho que também do Técnico) e faz absoluta questão de contribuir para o financiamento daquela universidade americana. A terceira está na circunstância de Joaquim Azevedo estar na Católica do Porto (se bem que me escape se está ou não também na AEP), embora isso possa ser mais ou menos irrelevante. A quarta reside na mudança operada na Universidade de Aveiro, que passou a ter uma reitora. A quinta e maior diferença residirá no facto de estarmos todos mais velhos e, admito, menos crédulos sobre a bondade com que certos actores se movimentam nestes terrenos. Desse ponto de vista, o que se vai passando por Lisboa em matéria de pequenas traições e de mesquinhez de objectivos parece-me elucidativo.
E deu Deus as nozes a quem não tinha dentes…

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 23, 2007

Marketing institucional: diferentes modos de estar no mercado

Há poucos dias (19 de Março), podia ler-se em Co-Labor, o seguinte:
«Por responsabilidade directa do vice-reitor Prof. J. A. Rafael foi disponibilizado via página da Universidade de Aveiro o relatório de auto-avaliação da instituição.
Este relatório faz parte do processo de avaliação institucional que a UA solicitou à Associação das Universidades Europeias (EUA), tendo como objectivo a melhoria contínua da sua qualidade.
Uma vez que este é um tema que tem interessado os escassos leitores dos blogs que dedicam à educação superior parte dos seus tempos «livres» e uma vez que a leitura dos escritos dos outros proporciona ganhos de escala, deixo aqui o link directo para os documentos fazendo votos de que aproveitem bem o trabalho de “partir pedra” feito nesta Universidade."
[...]».
Apeteceu-me comentar na ocasião o escrito e a iniciativa da Universidade de Aveiro mas, por condicionamentos diversos, só agora o posso fazer. Julgo que o comentário não perdeu oportunidade.
O primeiro aspecto que quero sublinhar é o contraste entre tornar pública esta informação e divulgá-la na Organização a agentes seleccionados, com indicação expressa do carácter reservado da informação. Conheço uma situação que ilustra a segunda postura. Admito que outros (outras universidades) tenham seguido idêntico modelo.
Decorrente do facto que antes anoto, o segundo sublinhado vai para as diferenças de estratégia em termos de marketing institucional que as universidades começam (ou continuam) a evidenciar: estratégias de marketing agressivas/afirmativas ou defensivas, envergonhadas. Quero eu dizer: os factos que comento antes não devem ser interpretados como fortuitos, casuísticos, circunstanciais. Serão antes, a meu ver, peças das estratégias promoconais das organizações ou da sua ausência (de estratégia, digo), até porque vêm no desenvolvimento de outros gestos ou de outros passos que os indiciavam.
Neste comentário, estou a manter presente o pralelismo entre o que vem fazendo a Universidade de Aveiro e o da outra universidade a que faço alusão a abrir.
Concluo com as duas notas seguintes:
i) acho inteiramente legitimo que a Universidade de Aveiro faça da visita dos representantes da EUA peça do seu marketing institucional (mesmo porque essas coisas nunca são à borla - o inestimentos devem ter retorno); e
ii) identifico-me com estratégias promocionais abertas, ousadas; fazer diferente é evidenciar insegurança, hesitação de propósitos (mesmo quando se quer parecer muito seguro) e, no mínimo, tomar o investimento como despesa.
Curiosamente, nesta última dimensão, quem opta pela segunda estratégia está a macaquear o que o governo português vem fazendo, em se tratando da educação e não só.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, março 21, 2007

O acordo com o MIT revisitado

Embora já algo velhinha (de 27 de Janeiro pp.), não resisto a reproduzir parcialmente uma mensagem que encontrei em http://missaoecarreiraescolaengenharia.blogspot.com/, sobre a temática muito discutida do acordo celebrado pelo MCTES com o MIT.
Aparte uma ilustração do que foi o processo, encontra-se aí uma leitura pessoal das suas implicações. É, de certo modo, uma revisitação do debate gerado na altura da assinatura do acordo.
Segue-se o texto e a identificação do respectivo autor:

«MIT
Tive ocasião de na passada sexta-feira ir assistir a uma conferência em Gualtar promovida pelo acordo MIT-Universidade do Minho, em que participaram investigadores que falaram sobre presumivelmente o que de melhor se faz na Escola de Engenharia e também uma professora/investigadora do MIT.
Sobre a apresentação dos nossos investigadores, nada a dizer. De facto desde a apresentação de Estela Bicho à de Miguel Gama, não sendo um especialista nestas áreas, achei pelo menos interessante. Se estão na vanguarda ou não, não o saberei, mas pelo menos os robôs com capacidades cognitivas parecem-me ser algo de futurista. Já Miguel Gama apresentou algo que já vi noutros sítios e que também me entusiasma, ou seja, a libertação controlada de fármacos.
Nós também no nosso cantinho da investigação em química têxtil já fizemos algum trabalho nessa área para têxteis médicos ou funcionais. Não fomos foi convidados a expôr os nossos trabalhos. Não que isso me preocupe, mas demonstra o que já disse noutra ocasião sobre todo este processo do MIT: foi muito pouco democrático e transparente.
O Presidente da Escola, responsável máximo desta colaboração, quem escolheu para esta colaboração? Os polímeros! Os biomateriais vieram por acréscimo ou por serem uma investigação de grande visibilidade na UM? Se eu fosse responsável também os escolheria porque têm de facto trabalho reconhecido já feito, demonstrado pelas publicações em revistas de reconhecido mérito. Mas olhava também em meu redor e não para o umbigo e via se mais alguma investigação poderia ser de interesse para o acordo com o MIT!
Podem responder que a electrónica estava lá representada nessa conferência (Estela Bicho e Higino) embora tenho a sensação que não fazem parte das áreas escolhidas. Mas haverá só mais a electrónica para além dos escolhidos? Talvez por não ter havido uma auscultação a todos os centros e uma dinamização de todos para este desafio do MIT, na conferência estavam muito poucos docentes de Engenharia. Que conhecesse contei meia dúzia.
Estava cheio de alunos, ávidos de informação e esperançados de conseguir uma bolsa. Sim, porque este tão propalado program, resume-se a isso: bolsas para doutoramenteos e não sei se também pos-docs! Claro que os alunos contemplados são dos cursos e dos centros de investigação ligados essencialmente aos departamentos já mencionados. E os outros alunos? Os de engenharia civil, engenharia têxtil, engenharia mecânica, informática, etc?
E os investigadores dos outros centros? Os do Centro de Ciencia e Tecnologia Têxtil por exemplo? Deste centro já surgiram mais patentes do que de qualquer outro, por exemplo. Sim porque na indústria as publicações não contam! Conta a inovação que tenha aplicação.
É certo que há uma área, a do automóvel, que é de extremo interesse para o País. Mas nesta área já não são só os metais que estão a ser substituídos por compósitos, mas os polímeros(plásticos) também. E compósitos de quê? De fibras! Para além dos compósitos os têxtes técnicos estão em toda a parte do automóvel: os não-tecidos como isolamento, os revestimentos dos tabliers e das portas são tecidos revestidos com poliuretano ou PVC, os estofos são têxteis especiais quando não são de cabedal. E então? Onde estão os investigadores têxteis neste programa?
[...]
Penso dum provincianismo atroz escolher uma Universidade para desenvolver o nosso País, por muito boa que essa Universidade seja. E desta forma, enviando alunos para fazer doutoramentos, então é de rir. Os novos doutores, voltarão para Portugal e vão fazer o quê? Vão fazer pós-docs? Só se for. A indústria não tem capacidade para os absorver. Primeiro era necessário desenvolver a indústria, e isso não se faz com PhDs. A investigação tem de ser junto com a indústria! E isso significa em Portugal, não por e-mail e teleconferências.
É a minha opinião e penso que de grande parte da indústria, seja a chamada indústria tradicional ou as novas indústrias. Quem poderá beneficiar são as indústria que já têm núcleos de I&D importantes, e essas estão lá fora (as poucas nacionais com núcleos de I&D não dão neste momento para as encomendas).
As Universidades nacionais também não recrutarão tão cedo. Para onde vão estes doutores? Ficam lá, nos EUA, é o mais certo. Chama-se a isto fuga de cérebros e estamos a gastar dinheiro dos nossos impostos para dar uma ajudazinha à fuga que já existe.
Somos de facto originais!»

Jaime Rocha Gomes

terça-feira, março 20, 2007

Regime de eleição do reitor - II

«Caros colegas
Tal como o colega Joaquim Sá, também já percebi há muito que os Forum on-line da intranet não funcionam. Por isso deixo aqui a sugestão que se faça o diálogo por via dos blogs. Penso que o colega Cadima foi pioneiro nesta modalidade aqui na UM. Espero que outros lhe sigam o exemplo. Em relação à sugestão do colega, concordo com a representação por escolas na Assembleia. Aliás o meu blog vai nesse sentido:
http://missaoecarreiraescolaengenharia.blogspot.com/
Saudações Académicas
Jaime Rocha Gomes
DET
Escola de Engenharia»
/...
(reprodução integral de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico em 07/03/20, com a autoria que aparece identificada)

Serviço público - novo regime das provas de agregação

«NOVO REGIME DAS PROVAS DE AGREGAÇÃO
Colegas:
O MCTES divulgou em 15 de Março um comunicado onde, a certo passo, se pode ler:
"Entre os decretos-leis aprovados hoje encontra-se o que procede à aprovação do novo regime jurídico do título académico de agregado. O titulo académico de agregado visa atestar, num determinado ramo do conhecimento ou sua especialidade, a excelência do currículo académico, profissional, científico e pedagógico, uma elevada capacidade de investigação, um alto nível cultural numa determinada área e a aptidão para dirigir e realizar trabalho científico independente.
Para além da introdução de uma definição moderna e clara do que o título atesta e das provas que conduzem à sua atribuição, institui-se a obrigatoriedade de, quando o candidato seja docente ou investigador da universidade onde requer a realização das provas, a maioria dos membros do júri ser externa a esta universidade, de modo a contribuir para a desejável abertura institucional, bem como a obrigatoriedade de a votação do júri ser nominal e fundamentada, terminando com o inaceitável secretismo actual.
Refira-se, também, que este diploma permite, nomeadamente: a equiparação entre os aprovados em provas de habilitação cientifica e os aprovados em provas de agregação; a utilização de línguas estrangeiras nos documentos a serem utilizados nas provas, desde que autorizado pela Universidade; e a divulgação de composição dos júris, dos resultados de apreciação liminar e das provas públicas via Internet
."
Chamando a atenção para a adopção da introdução da votação nominal justificada, desde sempre exigida pelo SNESup, e para a introdução da regra da maioria externa, esclarecemos que, ao contrário do que seria desejável, não houve qualquer consulta aos Sindicatos nesta matéria.
Saudações académicas e sindicais
A Direcção do SNESup
Em 19-3-2007»
/...
(mensagem de correio electrónico recebida em 07/03/19, com a autoria que se identifica)
Comentário: e não é que se perdeu mais uma das grandes referências medievais até agora preservadas na Universidade portuguesa; a saber: o voto secreto na apreciação do mérito dos candidatos. Que lindas histórias vão deixar de se poder contar em razão deste modernismo.

segunda-feira, março 19, 2007

Regime de eleição do reitor

«Caros colegas e funcionários,
A propósito das eleições dos representantes dos vários corpos da academia para o Senado e Assembleia da Universidade do Minho, agendadas para 21 de Março de 2007, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões. Para quem esteja eventualmente interessado envio em anexo o texto intitulado POR UM REGIME DE ELEIÇÃO DO REITOR BASEADO NUM COLÉGIO DE REPRESENTANTES ELEITOS POR ESCOLAS.
Antes de decidir recorrer a este meio de comunicação, consultei os Forum on-line da Intranet e constatei que não existem por ali sinais de vida. Por isso recorro a este meio, esperando a vossa compreensão quanto ao facto de ter entrado nas vossas caixas de correio.
Cordiais saudações académicas.
Joaquim Sá
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POR UM REGIME DE ELEIÇÃO DO REITOR BASEADO NUM COLÉGIO DE REPRESENTANTES ELEITOS POR ESCOLAS
Caros colegas e funcionários
A propósito das eleições dos representantes dos vários corpos da academia para o Senado e Assembleia da Universidade do Minho, agendadas para 21 de Março de 2007, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões.
Os representantes dos docentes e funcionários a serem eleitos têm um mandato de dois anos. Isso significa que em 2009, a um ano das eleição do Reitor em 2010, haverá novas eleições para os representantes na Assembleia. Assim sendo, se a Assembleia agora constituída não proceder à revisão dos Estatutos da UM em termos de alterar a composição da futura Assembleia e o regime de eleição do Reitor, nada poderá ocorrer de novo no processo eleitoral de 2010. Estas circunstâncias justificam uma séria ponderação.
Reza o artigo 14º, nº 1 dos Estatutos da UM o seguinte: A assembleia da Universidade é o órgão colegial máximo representativo da comunidade universitária. A meu ver, uma questão de fundamental importância que se coloca à nossa universidade nos próximos tempos é a de conferir conteúdo substantivo ao enunciado formal daquele artigo estatutário. A assembleia não é representativa da academia e é necessário que o seja. A assembleia não parece representativa e é necessário que o pareça.
Tornar a Assembleia verdadeiramente representativa da academia impõe, por inerência dessa representatividade, a criação de um quadro completamente renovado do actual regime de eleição do Reitor. É preciso alterar radicalmente um processo de eleição em que a academia não se revê e a que vimos assistindo frustrados e cada vez mais resignados.
A passividade e ausência de pensamento crítico resulta, entre outros factores, da inexistência mecanismos institucionais que façam as pessoas acreditar que a sua voz conta. Precisamos de sentir que a nossa voz conta num acto académico tão importante como a eleição da pessoa a quem incumbe presidir aos destinos da academia, a que pertencemos, por um período de 4 anos.
Para que um novo regime de eleição do Reitor esteja em vigor aquando das próximas eleições é necessário pugnar por isso desde já. Espera-se que o Sr. Reitor concretize agora a promessa eleitoral feita aquando da sua primeira candidatura, convergindo nesse propósito com o manifesto apresentado pela lista de candidatos a representantes dos Professores.
Numa academia com cerca de 17 000 membros, com 10 escolas e um departamento autónomo, um colégio eleitoral com menos de 250 membros não é digno desse nome. Num verdadeiro colégio eleitoral tem que ser muito mitigado o peso específico dos que são eleitores por inerência de funções. Por outro lado, é necessário que tenha uma dimensão mínima que o coloque a salvo de potenciais acções de manipulação por parte de grupos de interesses.
A figura do representante, eleito directamente, é fundamental num tal colégio eleitoral. O representante é alguém que se conhece e reconhece como merecedor da confiança dos representados. É nessa relação substantiva entre os representantes e os representados que ganha forma o sentimento de que o nosso pensamento e a nossa voz contam no acto de eleição do Reitor.
O actual modelo de eleição dos representantes, baseado em candidaturas de listas de elementos dos vários corpos da academia é muito deficiente. Porque cada eleitor não conhece a maioria dos candidatos, e quanto aos que conhece não teve qualquer participação no processo da sua inclusão na lista de candidatos. Assim, não é possível ter-se o sentimento de que os candidatos eleitos representam os docentes e funcionários de todo a academia na Assembleia e no Senado.
Dois aspectos têm evidenciado a grande fragilidade de tal processo de construção de representatividade:
a) a enorme dificuldade em constituir listas, o que torna muito difícil a organização de um processo que permita a real possibilidade de escolhas democráticas;
b) as insignificantes taxas de participação em tais actos eleitorais, o que revela desinteresse ou distracção da generalidade das pessoas sobre a importância do que está realmente em jogo.
Só nos últimos anos se vem tomando uma real consciência de que representantes eleitos por umas escassas dezenas de votos têm eleito sucessivos reitores. Trata-se de uma situação institucionalmente deplorável que é imperioso modificar!
Naturalmente não há neste momento outra alternativa que na seja proceder à eleição dos representantes aplicando os estatutos ainda em vigor. Mas é necessário ter em vista o futuro.
É nas escolas que conhecemos as pessoas e é aí que se pode construir uma relação frutuosa entre os representantes e os representados. É aí que podemos reconhecer os colegas disponíveis para repensar a instituição, cuja conduta académica seja a expressão viva de valores e princípios de participação, de democraticidade, de transparência e com elevado senso de justiça.
São pessoas destas que se deseja como representante. São esses representantes que no exercício da sua nobre função são capazes de contribuir para a necessária transformação da cultura institucional e promover um clima de convivência académica mais humanizado, gerador de maior motivação, maior satisfação profissional das pessoas e consequentemente maior produtividade.
Deixo, pois, para reflexão e à consideração dos colegas que agora venham a ser eleitos a ideia de que numa futura revisão dos Estatutos da UM, seja atribuída a cada escola uma quota de representantes, que no seu todo correspondam a cerca de 3/4 da composição da Assembleia da Universidade do Minho.
Impõe-se uma revisão estatutária nos próximos dois anos. Só desse modo se poderá assegurar que a próxima eleição do Reitor da UM se realizará num quadro diferente do actualmente em vigor.
Joaquim Sá
Professor Associado
Instituto de Estudos da Criança»
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(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico, hoje, com a autroria identificada, reproduzida integramente - texto de encaminhamento e anexo)

sábado, março 17, 2007

A propaganda vai fazendo o seu caminho!

«Governo avança com avaliação obrigatória
O Governo vai submeter à Assembleia da República uma proposta de Lei que visa a introdução de um sistema obrigatório de auto-avaliação e avaliação externa das instituições de ensino superior, “sob pena de cancelamento das acreditações de estabelecimentos ou ciclos de estudo” de quem não se submeter aos processos. A medida foi ontem anunciada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
No documento que vai ser apresentado no Parlamento, é indicado que o sistema de avaliação da qualidade vai incluir a participação de peritos estrangeiros. A internacionalização e a empregabilidade são factores de peso nos resultados das avaliações. A intervenção dos estudantes no novo mecanismo está igualmente contemplada.
[...]»

(extracto de mensagem datada de 07/03/16, intitulada "Governo avança com avaliação obrigatória", disponível em Blog de Campus)
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Comentário: o marketing político (vulgo, propaganda) vai fazendo o seu caminho; a comunicação social tem aí um papel estratégico; os ideólogos partidários e assessores de marketing sabem-no bem.
Ps: falando de "aparelhos ideológicos de estado", como alguém lhes chamou vai para uns anos, vale também a pena ler a mensagem, de hoje, disponível em Nós-sela - "Será que fora da função pública ganha mais quem é menos qualificado?"-.
Coincidência curiosa esta de dois contextos tão distintos terem inspirado leituras que vão desembocar no mesmo elemento organizador. Não fora ter já publicitado o meu texto, por esta circunstância ter-me-ia inibido de produzir o comentário que aqui podem ler.

sexta-feira, março 16, 2007

A coisa, aqui, está preta: comentário e resposta

1. Comentário (de J. Cadima Ribeiro a mensagem disponível em Co-Labor, em 07/03/15, intitulada "A transferência de conhecimento tecnológico num contexto de educação superior activa"):
«Caro Alexandre Sousa,
“A ficção é óptima para nos ajudar a enfrentar a realidade crua do dia a dia.”. Concordo! É por isso que eu não gosto de ir ao cinema ver filmes que falam sobre os nossos quotidianos.
O problema é que, quando consideramos a realidade da gestão actual do nosso Ensino Superior, nomeadamente aquela que é feita pela tutela, já não somos capazes de destrinçar o que é realidade e o que é ficção, sendo certo que tudo se nos sugere crescentemente como ficção.
Considerando os seus textos mais recentes, fico com o sentimento que se depara também com esse dilema. É certo que há ficções que nos transmitem ânimo, pelo menos enquanto o sonho perdura. A dificuldade sobrevém quando a realidade se impõe.»

2. Resposta (de Alexandre Sousa):
«Olá meu caro amigo…
Passados tantos anos, a canção do Chico Buarque mantém-se actual:
- A coisa aqui, está preta!
Como bons profissionais, vamos mantendo o jogo de cintura.
Ás segundas, quartas e sextas: faz-de-conta!
Ás terças, quintas e sábados: faz do mesmo!
Aos domingos: Vamos jogando futebol!
Aquele abraço»
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(retirado de Co-Labor, 07/03/15, "comments")

quinta-feira, março 15, 2007

Sub-urbanidades e agências AAAAAAAAAAA....ES

Na entrada intitulada "O decreto da avaliação (V)", de ontem, JVC (ApontamEntoS) continua a desfilar informação e argumentos sobre o projecto de criação da agência AAAAAAAAA...ES.
Do que escreve na citada entrada, sublinho a passagem onde diz:
"[...] detesto deslumbramentos internacionais, como tudo o que tem transparecido destes exercícios do MCTES, com a ENQA e com a OCDE. Vício pessoal de quem sempre gostou muito mais de passar os seus dias em Oeiras do que em Bruxelas."
A meu ver, este é um dos elementos de análise crítica fundadores da apreciação que importa fazer a este e a outros projectos de intervenção do MCTES, e à acção até agora desenvolvida. Algures neste blogue, referi-me a essa dimensão da actuação do governo como expressão de "provincianismo lisboeta", a mais das vezes interpretado por "expatriados" minhotos ou beirãos.
Pondo-me no lugar de JVC, teria entretanto que substituir o remate da afirmação "... passar os seus dias em Oeiras..." por "... passar os seus dias no Minho ...". É que Oeiras sempre me faz lembrar sub-urbanidade e esta conceito, desde que o ouvi nos bancos da faculdade lisboeta que frequentei, ficou-me associado a desqualificação urbana e social.
Hoje em dia, colar esta imagem a Oeiras é provavelmente injusto, mas há imagens que resistem para além da realidade que as fez nascer. Já falar de sub-urbanidade da política levada a cabo pelo MCTES me parece claramente ajustado, provavelmente mesmo mais do que provincianismo lisboeta, que soa mais elitista. É o que dá viajar muito e assentar pouco os pés na terra.
Também temos disso aqui pelo Minho!

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, março 14, 2007

If you don't do it excellently, don't do it at all

If you don't do it excellently, don't do it at all
"If you don't do it excellently, don't do it at all. Because if it's not excellent, it won't be profitable or fun, and if you're not in business for fun or profit, what the hell are you doing there?"
Robert Townsend

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 13, Issue 461-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )

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The entrepreneur is the creator in each of us
"The entrepreneur is our visionary, the creator in each of us. We're born with that quality and it defines our lives as we respond to what we see, hear, feel, and experience. It is developed, nurtured, and given space to flourish or is squelched, thwarted, without air or stimulation, and dies."

Michael Gerber

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 20, Issue 458-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )