Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

segunda-feira, março 19, 2007

Regime de eleição do reitor

«Caros colegas e funcionários,
A propósito das eleições dos representantes dos vários corpos da academia para o Senado e Assembleia da Universidade do Minho, agendadas para 21 de Março de 2007, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões. Para quem esteja eventualmente interessado envio em anexo o texto intitulado POR UM REGIME DE ELEIÇÃO DO REITOR BASEADO NUM COLÉGIO DE REPRESENTANTES ELEITOS POR ESCOLAS.
Antes de decidir recorrer a este meio de comunicação, consultei os Forum on-line da Intranet e constatei que não existem por ali sinais de vida. Por isso recorro a este meio, esperando a vossa compreensão quanto ao facto de ter entrado nas vossas caixas de correio.
Cordiais saudações académicas.
Joaquim Sá
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POR UM REGIME DE ELEIÇÃO DO REITOR BASEADO NUM COLÉGIO DE REPRESENTANTES ELEITOS POR ESCOLAS
Caros colegas e funcionários
A propósito das eleições dos representantes dos vários corpos da academia para o Senado e Assembleia da Universidade do Minho, agendadas para 21 de Março de 2007, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões.
Os representantes dos docentes e funcionários a serem eleitos têm um mandato de dois anos. Isso significa que em 2009, a um ano das eleição do Reitor em 2010, haverá novas eleições para os representantes na Assembleia. Assim sendo, se a Assembleia agora constituída não proceder à revisão dos Estatutos da UM em termos de alterar a composição da futura Assembleia e o regime de eleição do Reitor, nada poderá ocorrer de novo no processo eleitoral de 2010. Estas circunstâncias justificam uma séria ponderação.
Reza o artigo 14º, nº 1 dos Estatutos da UM o seguinte: A assembleia da Universidade é o órgão colegial máximo representativo da comunidade universitária. A meu ver, uma questão de fundamental importância que se coloca à nossa universidade nos próximos tempos é a de conferir conteúdo substantivo ao enunciado formal daquele artigo estatutário. A assembleia não é representativa da academia e é necessário que o seja. A assembleia não parece representativa e é necessário que o pareça.
Tornar a Assembleia verdadeiramente representativa da academia impõe, por inerência dessa representatividade, a criação de um quadro completamente renovado do actual regime de eleição do Reitor. É preciso alterar radicalmente um processo de eleição em que a academia não se revê e a que vimos assistindo frustrados e cada vez mais resignados.
A passividade e ausência de pensamento crítico resulta, entre outros factores, da inexistência mecanismos institucionais que façam as pessoas acreditar que a sua voz conta. Precisamos de sentir que a nossa voz conta num acto académico tão importante como a eleição da pessoa a quem incumbe presidir aos destinos da academia, a que pertencemos, por um período de 4 anos.
Para que um novo regime de eleição do Reitor esteja em vigor aquando das próximas eleições é necessário pugnar por isso desde já. Espera-se que o Sr. Reitor concretize agora a promessa eleitoral feita aquando da sua primeira candidatura, convergindo nesse propósito com o manifesto apresentado pela lista de candidatos a representantes dos Professores.
Numa academia com cerca de 17 000 membros, com 10 escolas e um departamento autónomo, um colégio eleitoral com menos de 250 membros não é digno desse nome. Num verdadeiro colégio eleitoral tem que ser muito mitigado o peso específico dos que são eleitores por inerência de funções. Por outro lado, é necessário que tenha uma dimensão mínima que o coloque a salvo de potenciais acções de manipulação por parte de grupos de interesses.
A figura do representante, eleito directamente, é fundamental num tal colégio eleitoral. O representante é alguém que se conhece e reconhece como merecedor da confiança dos representados. É nessa relação substantiva entre os representantes e os representados que ganha forma o sentimento de que o nosso pensamento e a nossa voz contam no acto de eleição do Reitor.
O actual modelo de eleição dos representantes, baseado em candidaturas de listas de elementos dos vários corpos da academia é muito deficiente. Porque cada eleitor não conhece a maioria dos candidatos, e quanto aos que conhece não teve qualquer participação no processo da sua inclusão na lista de candidatos. Assim, não é possível ter-se o sentimento de que os candidatos eleitos representam os docentes e funcionários de todo a academia na Assembleia e no Senado.
Dois aspectos têm evidenciado a grande fragilidade de tal processo de construção de representatividade:
a) a enorme dificuldade em constituir listas, o que torna muito difícil a organização de um processo que permita a real possibilidade de escolhas democráticas;
b) as insignificantes taxas de participação em tais actos eleitorais, o que revela desinteresse ou distracção da generalidade das pessoas sobre a importância do que está realmente em jogo.
Só nos últimos anos se vem tomando uma real consciência de que representantes eleitos por umas escassas dezenas de votos têm eleito sucessivos reitores. Trata-se de uma situação institucionalmente deplorável que é imperioso modificar!
Naturalmente não há neste momento outra alternativa que na seja proceder à eleição dos representantes aplicando os estatutos ainda em vigor. Mas é necessário ter em vista o futuro.
É nas escolas que conhecemos as pessoas e é aí que se pode construir uma relação frutuosa entre os representantes e os representados. É aí que podemos reconhecer os colegas disponíveis para repensar a instituição, cuja conduta académica seja a expressão viva de valores e princípios de participação, de democraticidade, de transparência e com elevado senso de justiça.
São pessoas destas que se deseja como representante. São esses representantes que no exercício da sua nobre função são capazes de contribuir para a necessária transformação da cultura institucional e promover um clima de convivência académica mais humanizado, gerador de maior motivação, maior satisfação profissional das pessoas e consequentemente maior produtividade.
Deixo, pois, para reflexão e à consideração dos colegas que agora venham a ser eleitos a ideia de que numa futura revisão dos Estatutos da UM, seja atribuída a cada escola uma quota de representantes, que no seu todo correspondam a cerca de 3/4 da composição da Assembleia da Universidade do Minho.
Impõe-se uma revisão estatutária nos próximos dois anos. Só desse modo se poderá assegurar que a próxima eleição do Reitor da UM se realizará num quadro diferente do actualmente em vigor.
Joaquim Sá
Professor Associado
Instituto de Estudos da Criança»
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(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico, hoje, com a autroria identificada, reproduzida integramente - texto de encaminhamento e anexo)

sábado, março 17, 2007

A propaganda vai fazendo o seu caminho!

«Governo avança com avaliação obrigatória
O Governo vai submeter à Assembleia da República uma proposta de Lei que visa a introdução de um sistema obrigatório de auto-avaliação e avaliação externa das instituições de ensino superior, “sob pena de cancelamento das acreditações de estabelecimentos ou ciclos de estudo” de quem não se submeter aos processos. A medida foi ontem anunciada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
No documento que vai ser apresentado no Parlamento, é indicado que o sistema de avaliação da qualidade vai incluir a participação de peritos estrangeiros. A internacionalização e a empregabilidade são factores de peso nos resultados das avaliações. A intervenção dos estudantes no novo mecanismo está igualmente contemplada.
[...]»

(extracto de mensagem datada de 07/03/16, intitulada "Governo avança com avaliação obrigatória", disponível em Blog de Campus)
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Comentário: o marketing político (vulgo, propaganda) vai fazendo o seu caminho; a comunicação social tem aí um papel estratégico; os ideólogos partidários e assessores de marketing sabem-no bem.
Ps: falando de "aparelhos ideológicos de estado", como alguém lhes chamou vai para uns anos, vale também a pena ler a mensagem, de hoje, disponível em Nós-sela - "Será que fora da função pública ganha mais quem é menos qualificado?"-.
Coincidência curiosa esta de dois contextos tão distintos terem inspirado leituras que vão desembocar no mesmo elemento organizador. Não fora ter já publicitado o meu texto, por esta circunstância ter-me-ia inibido de produzir o comentário que aqui podem ler.

sexta-feira, março 16, 2007

A coisa, aqui, está preta: comentário e resposta

1. Comentário (de J. Cadima Ribeiro a mensagem disponível em Co-Labor, em 07/03/15, intitulada "A transferência de conhecimento tecnológico num contexto de educação superior activa"):
«Caro Alexandre Sousa,
“A ficção é óptima para nos ajudar a enfrentar a realidade crua do dia a dia.”. Concordo! É por isso que eu não gosto de ir ao cinema ver filmes que falam sobre os nossos quotidianos.
O problema é que, quando consideramos a realidade da gestão actual do nosso Ensino Superior, nomeadamente aquela que é feita pela tutela, já não somos capazes de destrinçar o que é realidade e o que é ficção, sendo certo que tudo se nos sugere crescentemente como ficção.
Considerando os seus textos mais recentes, fico com o sentimento que se depara também com esse dilema. É certo que há ficções que nos transmitem ânimo, pelo menos enquanto o sonho perdura. A dificuldade sobrevém quando a realidade se impõe.»

2. Resposta (de Alexandre Sousa):
«Olá meu caro amigo…
Passados tantos anos, a canção do Chico Buarque mantém-se actual:
- A coisa aqui, está preta!
Como bons profissionais, vamos mantendo o jogo de cintura.
Ás segundas, quartas e sextas: faz-de-conta!
Ás terças, quintas e sábados: faz do mesmo!
Aos domingos: Vamos jogando futebol!
Aquele abraço»
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(retirado de Co-Labor, 07/03/15, "comments")

quinta-feira, março 15, 2007

Sub-urbanidades e agências AAAAAAAAAAA....ES

Na entrada intitulada "O decreto da avaliação (V)", de ontem, JVC (ApontamEntoS) continua a desfilar informação e argumentos sobre o projecto de criação da agência AAAAAAAAA...ES.
Do que escreve na citada entrada, sublinho a passagem onde diz:
"[...] detesto deslumbramentos internacionais, como tudo o que tem transparecido destes exercícios do MCTES, com a ENQA e com a OCDE. Vício pessoal de quem sempre gostou muito mais de passar os seus dias em Oeiras do que em Bruxelas."
A meu ver, este é um dos elementos de análise crítica fundadores da apreciação que importa fazer a este e a outros projectos de intervenção do MCTES, e à acção até agora desenvolvida. Algures neste blogue, referi-me a essa dimensão da actuação do governo como expressão de "provincianismo lisboeta", a mais das vezes interpretado por "expatriados" minhotos ou beirãos.
Pondo-me no lugar de JVC, teria entretanto que substituir o remate da afirmação "... passar os seus dias em Oeiras..." por "... passar os seus dias no Minho ...". É que Oeiras sempre me faz lembrar sub-urbanidade e esta conceito, desde que o ouvi nos bancos da faculdade lisboeta que frequentei, ficou-me associado a desqualificação urbana e social.
Hoje em dia, colar esta imagem a Oeiras é provavelmente injusto, mas há imagens que resistem para além da realidade que as fez nascer. Já falar de sub-urbanidade da política levada a cabo pelo MCTES me parece claramente ajustado, provavelmente mesmo mais do que provincianismo lisboeta, que soa mais elitista. É o que dá viajar muito e assentar pouco os pés na terra.
Também temos disso aqui pelo Minho!

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, março 14, 2007

If you don't do it excellently, don't do it at all

If you don't do it excellently, don't do it at all
"If you don't do it excellently, don't do it at all. Because if it's not excellent, it won't be profitable or fun, and if you're not in business for fun or profit, what the hell are you doing there?"
Robert Townsend

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 13, Issue 461-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )

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The entrepreneur is the creator in each of us
"The entrepreneur is our visionary, the creator in each of us. We're born with that quality and it defines our lives as we respond to what we see, hear, feel, and experience. It is developed, nurtured, and given space to flourish or is squelched, thwarted, without air or stimulation, and dies."

Michael Gerber

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 20, Issue 458-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )

terça-feira, março 13, 2007

A admirável leveza de certas declarações

De quando em quando somos surpreendidos pela admirável leveza das declarações de supostos responsáveis pela gestão do Ensino Superior em Portugal, quando não pela actuação que protagonizam. O ministro, que é Gago mas que ultimamente deu em falar de mais, é disso um bom exemplo. A ilustrar o que enuncio, de último hora, temos as declarações de Sebastião Feyo de Azevedo, apresentado pelo Blog de Campus como "coordenador nacional da implementação do Processo de Bolonha".
O texto que integra essas declarações é datado de 07/02/12 e intitulado "Nove em cada dez cursos estão em bolonha no próximo ano lectivo". Para apimentar a sua leitura, convirá ler igualmente o que a esse respeito escreve Regina Navais, em Polikê?, em mensagem de hoje.
Cruzando leituras, percebe-se que a reforma do Ensino Superior em Portugal prossegue em grande ritmo. Só o disparate e a admirável leveza das declarações de certos agentes colocados em postos de topo do sistema lhe parecem passar a perna.

J. Cadima Ribeiro

domingo, março 11, 2007

Júris e Concursos: breve nota

No blogue JVC-ApontamEntoS pode ler-se uma mensagem, datada de 9 de Março de 2007 e assinada por António Fidalgo, "Sobre concursos, currículos e critérios", onde, entre outras coisas, se diz:
i) "Hoje há a tendência não só para quantificar elementos de currículo – quantas publicações, quantas orientações de tese – como também para criar normas nesse sentido. Trata-se de dar um cariz administrativo à avaliação.[...]. Este tipo de avaliação administrativa é defendido em nome da isenção, da transparência e também, o que é hoje muito importante, da sua blindagem face às impugnações judiciais dos concursos."
ii) "Um professor que integre um júri de qualquer concurso tem a obrigação de acima de qualquer grelha pré-definida de avaliação se orientar pelo ethos (entendido no sentido de um código deontológico) de professor, pelo qual deverá orientar a sua própria acção profissional. Não serão normas indicativas a comandar a avaliação mas o ideal ou o modelo de professor. Esse modelo é o grande critério."
Entendo que as afirmações que se reproduzem merecem reflexão, assim como as ideias presentes no texto, no seu todo.
A mim, o texto serviu-me para reavivar algumas angústias que me têm assistido sempre que sou confrontado com a situação que se invoca, mas não me trouxe respostas, o que me confortaria muito mais. Aliás, concordo com António Fidalgo que um dos elementos que mais vem inquinando os concursos é o pano de fundo da intervenção judicial nesses processos, eufeudada, como bem sabemos, a formalismos e processos, e rigorosamente nada à substância dos concursos. Por isso, corre-se até o risco de cada concurso se arrastar por eternidades ou se multiplicarem as indisponibilidades de professores para integrarem os júris respectivos, o que já vem estando presente.
Sobre a outra dimensão colocada no texto, recuperando argumentos de um parecer que elaborei, pode-se, por outro lado, dizer que se oferece "relevante manter presente os valores vigentes na comunidade académica alargada e, bem assim, os que vêm sendo usados na avaliação das unidades de investigação, com implicações em matéria de financiamento, pelos organismos que tutelam a Ciência e a Tecnologia.". Isto é, entendo eu que o júri não se pode alhear das regras em que o académico vive mergulhado e que informam muito do seu posicionamento competitivo quotidiano, sob pena do professor ter que, ao mesmo tempo, "agradar a múltiplos senhores", para além daquilo que já faz no dia-a-dia.
A "discussão" pode ser levada muito para além do que agora coloco mas, respeitando as regras destes fóruns, o que deixo dito chega, por agora. Que o assunto merece uma boa discussão, disso não me restam quaisquer dúvidas.

J. Cadima Ribeiro

sábado, março 10, 2007

RVCC: o desvirtuamente em curso de uma boa ideia

«As metodologias e os princípios orientadores que sempre estiveram na base do funcionamento do sistema de RVCC parecem hoje definitivamente postos de parte ou secundarizados pela política adoptada.
Com efeito:
1 – O RVCC, inicialmente concebido para uma franja da população adulta com uma significativa experiência de vida e auto-formação, passou agora a ser visto como a grande arma de combate à sub-certificação de toda a população portuguesa, através de um discurso político e de uma prática administrativa que pressionam os Centros de RVCC a realizar uma certificação à pressa e sem critérios, inclusivamente de jovens em situação de abandono ou de insucesso escolar.
2 – A política dos grandes números esteve na base, em 2006, de um crescimento acelerado do número de Centros, assente sobretudo em escolas e centros de formação, o que traduz uma orientação intencional e contraproducente para a estatização deste sistema.
3 – A inexistência de quaisquer procedimentos de acompanhamento, formação contínua e controlo de qualidade dos Centros, que se verifica desde meados de 2002, por parte do órgão de tutela, a Direcção Geral de Formação Vocacional, tem como resultado o convite ao laxismo e, em alguns casos, à emissão de certificados que se arriscam a ter um valor social de “moeda falsa”.
4 – O lançamento nacional, em Janeiro de 2007, do complexo processo de certificação para equivalência ao 12º ano, na base de 58 centros, foi feito de forma apressada, desorganizada, sem transparência nem fundamentação, o que poderá vir a comprometer o seu funcionamento e o alargamento, a curto ou médio prazo, aos restantes Centros de RVCC.
Estes são alguns dos factos que nos levam a afirmar que o Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências está hoje gravemente atingido, correndo o risco de se encontrar, em breve, totalmente desacreditado.»
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(extracto de mensagem electónica recebida em 07/03/09 - com origem em lfaguiar@eeg.uminho.pt -, sob a epígrafe "Em defesa do Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências", destinada a recolher assinaturas para apoio a tomada de posição pública; a leitura da mensagem completa e a subscrição da tomada de posição podem ser feitas em: http://www.petitiononline.com/rvcc/petition.html)
Nota: RVCC = Sistema Nacional de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências

quinta-feira, março 08, 2007

FENPROF e SNESup promovem Encontro de Representantes e Activistas Sindicais

"Assunto: Ensino superior_ FENPROF e SNESup promovem Encontro de Representantes e Activistas Sindicais
Cara(o) Colega,
Perante a grave situação que se vive no Ensino Superior Público, em resultado dos violentos cortes orçamentais para 2007, e em vésperas de um pacote de iniciativas legislativas anunciadas pelo Governo, onde avultam, além de uma nova Lei de Autonomia e de um novo Estatuto do Ensino Superior Particular e Cooperativo (a apresentar até Maio), a aprovação de novos estatutos das carreiras, até ao Verão, bem como de alterações aos mecanismos de financiamento, a FENPROF e o SNESup tomaram a iniciativa conjunta de promover um Encontro de Representantes e Activistas Sindicais que terá lugar no próximo Sábado, dia 10 de Março, às 14h, em Lisboa, no IST, anfiteatro PA1, Pavilhão da Pós-Graduação.
Esta reunião destina-se a analisar a situação no Ensino Superior e a programar acções conjuntas para os próximos meses, que contribuam para a mobilização de todos os docentes e investigadores, no sentido de se criarem as melhores condições para a obtenção de resultados positivos no que concerne à revisão das carreiras e à restante legislação, que afectarão a situação profissional de todos.
Os colegas, sindicalizados ou não, que se disponham a participar, nas suas instituições, em estruturas de representação de docentes e investigadores, no âmbito do processo de esclarecimento e de mobilização, são convidados a participar no Encontro.

Cordiais saudações académicas e sindicais
FENPROF
SNESup"

(mensagem de correio electrónico recebida em 8-3-2007, proveniente das entidades identificadas)

quarta-feira, março 07, 2007

Efervescência na "blogo-esfera"

Se ainda não repararam, o blogue Co-Labor tem estado efervescente. Muito activo, enquadrando o projecto de lei de criação da suposta agência de acreditação, auditoria e mais não sei quantos qualificativos (palavrões), que o MCTES tem em preparação, está também JVC, nos seus ApontamEntoS.
Confrontado com estas demonstrações de energia, sou obrigado a reconhecer que a minha juventude é apenas uma vaga memória. Conforto-me lendo o que escrevem e reconhecendo-lhes a vitalidade.
Como dizia há uns anos um mediático nosso colega universitário, valha-nos a circunstância da Universidade se renovar cada ano, com a chegada de novos alunos. Com esse assomo periódico de juventude, é suposto renovarmo-nos todos, professores incluídos. O risco da actual conjuntura reside em que deixe de ser assim.
Não sendo capazes de acompanhar-lhes o passo, façam como eu: leiam o que entretanto vão escrevendo (e os demais, também), informem-se sobre os caminhos que percorre o ensino superior nacional (mesmo se, nalguns casos, melhor fora que não tivesse saído do lugar em que já esteve) e, se puderem, esbocem um sorriso, que pode ser irónico.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, março 06, 2007

Paradigmas teórico-conceptuais paralelos e leituras diferenciadas dos mesmos objectos analíticos

Há cerca de uma dezena e meia de anos (Outubro de 1992), realizou-se na Universidade do Minho, em Gualtar, o I Encontro Nacional de Economia Industrial, que, entre outros, contou a presença de um professor e investigador português radicado nos EUA. O paradigma em que se filia(va) o dita professor é, assumidamente, o neoclássico, versão revista e actualizada.
O que me impressionou sobremaneira na sua intervenção na citada conferência foi a circunstância de tudo o que discorria em matéria de análise económica e teoria do crescimento – e tratava-se das últimas novidades teórico-conceptuais avançadas pela corrente em que se filiava - me fazer lembrar leituras que eu fizera e autores que conhecia, referenciados ao final dos anos cinquenta do séc. XX, e seus continuadores.
Chegada a hora do debate, protegido pela minha irreverência académica, atrevi-me a questioná-lo sobre se havia lido François Perroux, Albert Hirschman ou Gunnar Myrdal, economistas heterodoxos que foram os fundadores da corrente de pensamento designada do crescimento desequilibrado. Pareceu-me surpreso com a pergunta, admitindo de seguida que não.
Invoco nesta altura esta situação por, nalguma medida, ter sentido similar desconforto quando peguei, há dias, num livro que era suposto comentar. Ao paralelismo de leituras de autores que conheço, somavam-se algumas divergências de notação e conceptuais, de que dei conta.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, março 05, 2007

Ensino universitário privado: uma história pouco edificante

"A polémica em torno da Universidade Independente (UnI), que levou o Governo a avaliar se mantém ou não a autorização de funcionamento da instituição, é o capítulo mais recente de gestões conflituosas que abalaram algumas universidades privadas nos últimos 20 anos. Uma análise aos casos mais expressivos – Universidade Livre (UnL), Universidade Moderna, Universidade Portucalense e Universidade Lusófona – permite vislumbrar que apenas uma das instituições conseguiu recuperar e expandir na fase posterior ao conflito interno – a Lusófona."

(parágrafo de abertura de artigo, datado de 5 de Março de 2007, intitulado "Lusófona foi a única privada que cresceu depois dos anos de crise", disponível em Blog de Campus)

domingo, março 04, 2007

“The Changing Nature of the School-to-Work Transition Process in OECD Countries”

“Despite the fact that today’s young cohorts are smaller in number and better educated than their older counterparts, high youth unemployment remains a serious problem in many OECD countries. This reflects a variety of factors, including the relatively high proportion of young people leaving school without a basic education qualification, the fact that skills acquired in initial education are not always well adapted to labour market requirements, as well as general labour market conditions and problems in the functioning of labour markets. The paper highlights the contrasting trends in youth labour market performance over the past decade using a wide range of indicators. It also presents new evidence on i) the length of transitions from school to work; and ii) the degree to which temporary jobs serve as either traps for young people or stepping-stones to good careers. In addition, the paper reviews some recent policy innovations to improve youth employment prospects.”

Glenda Quintini (OECD)
John P. Martin (OECD and IZA)
Sébastien Martin (OECD)
Keywords: youth labour market, school-to-work transition, temporary and permanent contracts, apprenticeship, youth labour market programmes
Date: 2007-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iza:izadps:dp2582&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, março 03, 2007

A semana da morte da UM-NET

Em vésperas da sua morte, via um-net, caiu-me na caixa de correio electrónico a mensagem de que reproduzo de seguida a parte de abertura, a saber:
«“POÉTICA DO MOVIMENTO” - Helena Santos
“Feita poeira suspensa na luz explorava o caos, descansando na textura das emoções, na cor do tempo, no espaço dum sorriso, no volume da ilusão…em volta o movimento dançava, sempre”.
-Helena Santos
A mensagem não me saiu da memória desde então, talvez pelo carácter promonitório que revestia. Assim sendo ou não, a verdade é não deixou de dar una tónica poética à morte da um-net.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 02, 2007

Apetecia-me dar notícia de outras desgraças ...

No dia que sucede ao da triste mas inevitável certificação da morte da um-net, deixo abaixo um trecho ainda não integralmente reproduzido neste jornal de parede de artigo de opinião oportunamente elaborado, intitulado "UMinho: exposição pública pelas piores razões", que é o 4º e último da série.
Apetecia-me dar aqui notícia de outras desgraças que, dia a dia, se sucedem ... Rejeitando, sem hesitação, os poderes que se afirmam sob o primado de que "a Universidade não discuta nem se discuta", temos, não obstante, que poupar-nos a cúmulos emocionais que nos esgotem irreparavelmente.
/...
"[...]
Mas há mais, isto é, às práticas de cariz autoritário e de sonegação da informação e da liberdade de opinião, para que o ramalhete fique completo, soma-se a incompetência de gestão, o que tem ilustração fresquíssima na confiscação acabada de anunciar pela reitoria da UMinho do grosso das verbas disponíveis em contas afectas à prestação de serviços à comunidade, à gestão de cursos de pós-graduação e a projectos da mais variada índole, mantidos pela via da captação externa de recursos. É que, como é comum dizer-se "os erros de gestão pagam-se". Entretanto, ironicamente, na Universidade do Minho os erros de gestão de uns (a nomenclatura) são pagos por outros (aqueles que têm capacidade de gerar recursos e de fazer uma gestão rigorosa dos respectivos orçamentos). Será, porventura, como escreve um meu colega, “a estratégia de matar as (poucas) galinhas de ovos de ouro que ainda existem”, já que a mensagem que passa não pode ser mais clara: “mais vale ficarem parados...”. Não deixa de ser, no entanto, o triunfo do autismo, do arbítrio e da prepotência. A Universidade, com “U” maiúsculo, que lhe é conferido pela nobreza da sua missão e pela elevação de postura dos seus agentes, essa pode esperar (se é que pode).
A este propósito, nunca é demais assinalar que, nas universidades como nas empresas comuns, aparte a qualificação dos recursos humanos e a sofisticação das tecnologias que as servem, a motivação dos seus agentes (trabalhadores) é um aspecto crucial do seu desempenho. [...]"
/...
J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, março 01, 2007

A notícia do dia

«Assunto:
[Informação SCOM] Extinção da lista de distribuíção UM-Net - 2007/Março/01
[...]
A toda a comunidade académica, o Despacho RT-10/2007 (que se junta em anexo) extingue a lista de distribuíção UM-Net a partir do dia 1 de Março de 2007 e em simultâneo reorganiza o suporte de distribuíção de informação baseado em listas e outro canais complementares. Nesse sentido, o SCOM, como responsável pela moderação da lista de distribuíção UM-Net, informa que a lista será extinta a partir das 00H00 de amanhã, e adicionalmente, aproveita para agradecer a todos os utilizadores a companhia prestada a este serviço de distribuíção de informação nos 12 anos da sua existência.
Os melhores cumprimentos,
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Serviço de Comunicações - Campus de Gualtar - Universidade do Minho»
/...
(mensagem com a proveniência que se identifica, recebida na caixa de correio electrónico em 07/02/28, pelas 22:55:37 horas)
Comentário: a um-net está morta! Paz à sua alma!
Ps: e "O Moderador", coitado, será susceptível de reconversão funcional?

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - um comentário

As notícias de Harvard, de que dei aqui conta ontem e anteontem, mereceram 1 (um) comentário, que reproduzo abaixo, depois de me ter caído na caixa de correio electrónico em 07/02/26, à semelhança da mensagem original. O autor do comentário é pbarbosa@ilch.uminho.pt.
O debate na UMinho mostra-se animado!
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«A inspirar-nos nos melhores, teríamos de fazer uma grande reforma do nosso sistema universitário...
O 'core curriculum' é o conjunto das disciplinas que ***todos*** os alunos, independentemente do curso, têm de frequentar. É um conceito que se aplica ao sistema universitário americano em geral e não apenas a Harvard: baseia-se na ideia de que há requisitos comuns, tranversais, que devem incluir um determinado número de créditos de cada uma das principais áreas do conhecimento: das 'liberal arts' (humanidades, língua materna e estrangeira, etc.) às ciências exactas, naturais e sociais.
É essa transversalidade que garante duas coisas:
a) a formação geral de indivíduos minimamente informados acerca das preocupações centrais (e formas de pensar) das principais áreas do conhecimento;
b) a sobrevivência de áreas do conhecimento que, sendo fundamentais, têm um horizonte de empregabilidade reduzido.
Uma forma inteligente de encarar a gestão do curriculum.»

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - II

Reproduzo de seguida a 2ª parte de uma mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, e de que dei notícia da 1ª parte na ocasião, sob o mesmo epígrafe. Parece-me valer a pena a respectiva leitura, se bem que, como frisei na altura, possa provocar algumas cócegas.
Outro tanto acontece, aliás, com as declarações produzidas por alguns reitores, retidas por Blog de Campus, sob o título, de ontem, "Reitores pouco favoráveis ao fim do sistema de eleições". Note-se a subtileza do título (...pouco favoráveis ao fim do sistema ...). São mesmo uns malandrões, os editores do blogue, digo!
/...
«[...]
One point likely to raise eyebrows among academic traditionalists is the rationale for the newly mandated study of Empirical Reasoning, which will cover math, logic and statistics. It is being added, the committee report says, because graduates of Harvard "will have to decide, for example, what medical treatments to undergo, when a defendant in court has been proven guilty, whether to support a policy proposal and how to manage their personal finances." Does this mean balancing a checkbook is on a par with balancing equations? What about learning for learning's sake? What about the study of history, which Harvard will no longer require, even though its recently announced new president, Drew Gilpin Faust--the first woman to head the institution--is a renowned historian?
The plan's advocates say the curriculum is flexible enough that students will still be able to take courses in whatever interests them, be it ancient art or cutting-edge science. What's crucial, they say, is that the new approach emphasizes the kind of active learning that gets students thinking and applying knowledge. "Just as one doesn't become a marathon runner by reading about the Boston Marathon," says the committee report, "so, too, one doesn't become a good problem solver by listening to lectures or reading about statistics." Acknowledging how important extracurricular activities have become on campus, the report calls for a stronger link between the endeavors students pursue inside and outside the classroom. Those studying poverty, for example, absorb more if they also volunteer at a homeless shelter, suggests Bok, whose 2005 book, Our Underachieving Colleges, cites a finding that students remember just 20% of the content of class lectures a week later.
There were, however, some contemporary concerns that didn't make the final cut. In October, before finalizing its recommendations, the committee proposed mandating the study of "reason and faith." That drew sharp criticism from faculty members like psychology professor Steven Pinker. "The juxtaposition of the two words makes it sound like 'faith' and 'reason' are parallel and equivalent ways of knowing," he wrote in the Harvard Crimson. "But universities are about reason, pure and simple." Though 71% of incoming students say they attend religious services and many already elect to study religion, the committee gave in, ultimately substituting a "culture and belief" requirement. It turned out to be more practical.
Find this article at:
(extracto de mensagem electrónica proveniente de jcrmendes@ilch.uminho.pt)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - I

Reproduzo de seguida a 1ª parte - porque é algo longa - de uma mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico esta manhã. Parece-me valer a pena a respectiva leitura, se bem que possa provocar algumas cócegas.
/...
«Notícias da melhor universidade do mundo:
Thursday, Feb. 22, 2007
As Harvard Goes ...
By Jeremy Caplan
The easiest way to start an academic brawl is to ask what an educated person should know. The last time Harvard University tackled that question was in 1978, when it established its Core Curriculum, which focused less on content than on mastering ways of thinking. Like Harvard's so-called Red Book standards of 1945, which helped inspire a generation of distribution requirements, the core had broad resonance at other major universities. Now, after a four-year process initiated under controversial former president Lawrence Summers, the nation's most famous university has come up with a whole new set of guidelines that proponents say will help clarify how liberal-arts subjects like philosophy and art history shed light on the hurly-burly of more quotidian topics. "Students will be more motivated to learn if they see a connection with the kinds of problems, issues and questions they will encounter in later life," says interim president Derek Bok. Harvard isn't the only institution rethinking what and how to teach its students. Yale, Rutgers and the universities of Pennsylvania and Texas have recently made similar changes, and now that Harvard has joined the club, others are likely to follow.
Harvard's new curriculum establishes eight primary subject areas that all students will have to take. The categories include Societies of the World, encompassing subjects like anthropology and international relations; Ethical Reasoning, a practical approach to philosophy; and the United States in the World, which will likely span multiple departments, including sociology and economics. The plan, which is expected to be formally approved by the faculty in May, won't go into effect before September 2009 at the earliest.
But the school is already preemptively dismissing charges that it is embracing purely practical knowledge. "We do not propose that we teach the headlines," said a report published on Feb. 7 by the curriculum committee, comprising professors, students and a dean. "Only that the headlines, along with much else in our students' lives, are among the things that a liberal education can help students make better sense of."
[...]»
(extracto de mensagem electrónica proveniente de jcrmendes@ilch.uminho.pt)

domingo, fevereiro 25, 2007

"University research and the location of business R&D"

"We investigate the relationship between the location of private sector R&D labs and university research departments in Great Britain. We combine establishment-level data on R&D activity with information on levels and changes in research quality from the Research Assessment Exercise. The strongest evidence for co-location is for pharmaceuticals R&D, which is disproportionately located near to relevant university research, particularly 5 or 5* rated chemistry departments. This relationship is stronger for foreign-owned labs, consistent with multinationals sourcing technology internationally. We also find some evidence for co-location with lower rated research departments in industries such as machinery and communications equipment."
Laura Abramovsky (Institute for Fiscal Studies)
Rupert Harrison (Institute for Fiscal Studies and University College London)
Helen Simpson (Institute for Fiscal Studies)
Date: 2007-01
(resumo de "paper" disponível no sítio referenciado)

sábado, fevereiro 24, 2007

O choque tecnológico

"Por cá, o choque converteu-se na dedicação total das IES a um único projecto: como fazer omoletes sem ovos. Fico sem saber porque se avançou com Bolonha nesta altura. Por que, nestas condições, só se for para fazer mais do mesmo. Com a desvantagem de alienar, provavelmente de vez, muitos dos indecisos relativamente ao processo.
Adicionalmente, o célebre dinheiro da ciência, anunciado num também célebre Prós&Contras, levou sumiço até ao momento. Ouço falar de dívidas com três anos.[...]"
MJMatos
(extracto de comentário a mensagem intitulada "O choque tecnológico", datada de 07/02/23, disponível em JVC-ApontamEntoS - Reformar a Educação Superior)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Estas coisas são contagiosas!

No seu blogue (Co-Labor), Alexandre Sousa noticia, em 07/02/22, que "A Reitoria da U.A. e o respectivo Conselho Científico promoveram (ontem) uma sessão para discutir a gestão do E.S.
Duas personalidades deram a cara por este debate: Rosa Pires (U.A.) e Neves Adelino (UNL).
3 tópicos, dos quais 2 com base em documentos – Relatório OCDE e discurso MCTES 14.02.07 – e um de carácter divagatório em torno dos critérios de competência para avaliar um Reitor.[...]".
Não acham isto uma provocação? Ou, até, uma grande pouca vergonha?
Onde é que já se viu uma reitoria patrocinar e/ou estimular um debate sobre a gestão do Ensino Superior e as competências do próprio reitor? Será porque o reitor da UAveiro não é um reitor, mas uma reitora?
Outro tanto vale para o "conselho científico" da referida Instituição. Não teme o dito que o poder caia na Academia, o que equivale a dizer "na rua"? Instalado este clima de abertura ao debate e à liberdade de opinião, há o risco de passar a haver "Universidade" ou, se se quiser, "Univercidade". Depois, estou para ver como as autoridades universitárias vão repor o "romance" em que temos vivido.
Note-se que não estou especialmente preocupado com a Universidade de Aveiro mas com muitas outras. É sabido serem estas coisas contagiosas!

J. Cadima Ribeiro

“Boosting Innovation Performance in Brazil”

“Brazil's main challenge in innovation policy is to encourage the business sector to engage in productivity-enhancing innovative activities. At 1% of GDP, R&D spending (both public and private) is comparatively low by OECD standards and is carried out predominantly by the government. Most scientists work in public universities and research institutions, rather than in the business sector. Output indicators, such as the number of patents held abroad, suggest that there is much scope for improvement. Academic patenting effort is being stepped up and should be facilitated by the easing of restrictions on the transfer and sharing of proceeds of intellectual property rights between businesses and public universities and research institutions. Innovation policy is beginning to focus on the potential synergies among science and technology promotion, R&D support and trade competitiveness. To be successful in boosting business innovation, these policies will need to be complemented by measures aimed at tackling the shortage of skills in the labour force; this shortage is among the most important deterrents to innovation in Brazil, particularly against the backdrop of a widening gap in tertiary educational attainment with respect to the OECD area.”

Carlos H. de Brito Cruz
Luiz de Mello
Keywords: human capital, productivity, innovation
Date: 2006-12-06
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:oec:ecoaaa:532-en&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Recomendação de leitura

Com um imenso sublinhado, aqui estou a fazer a recomendação de leitura do texto «O “horror lusitanorum” da FCT», de António Fidalgo, disponível no blogue de JVC (Reformar a Educação Superior), em entrada de hoje, intitulada "Novo Artigo".
O que aí se diz retrata a realidade da gestão actual do MCTES, mas poderia reportar-se a muitas outras situações da governação pública nacional, presentes e passadas. Escuso-me, nesta altura, a comentar o provincianismo dos lisboetas que cultivam a política científica (e a "boa" gestão de recursos) a que António Figalgo se refere.

J. Cadima Ribeiro

Entrepreneurship as survival

"Nobody talks of entrepreneurship as survival, but that's exactly what it is and what nurtures creative thinking."

Anita Roddick

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 13, Issue 457-2007, http://www.sbaer.uca.edu )

terça-feira, fevereiro 20, 2007

“Which Factors Determine the Grades of Undergraduate Students in Economics? Some Evidence from Spain”

"This paper analyses the determinants of grades achieved in three core subjects by first-year Economics undergraduate students at Universidad Carlos III de Madrid, over the period 2001-2005. Gender, nationality, type of school, specialization track at high school and the grades at the university entry exam are the key factors we examine. Our main findings are that those students who did a technical track at high school tend to do better in mathematics than those who followed a social sciences degree and, that the latter do not perform significantly better than the former in subjects with less degree of formalism and more economic content. Moreover, students from public schools are predominant in the lower (with social sciences or humanities tracks) and upper (with a technical track) parts of the grade distribution, and females tend to perform better than males."

Juan J. Dolado (Universidad Carlos III de Madrid, CEPR and IZA Bonn)
Eduardo Morales (Harvard University)
Keywords: grade achievement, school type, gender, multinomial logit, quantile regressions
Date: 2006-12
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iza:izadps:dp2491&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

O balanço foi pobre

"Mariano Gago discursou há dias no Conselho Nacional de Educação. [...].
O balanço foi pobre, nem podia ser outro: a alteração cosmética da lei de bases, o decreto dos CET, o do acesso de adultos, o de Bolonha. Claro que não podia faltar o exercício de estudo estrangeiro, da OCDE e da ENQA, como se fossem actividades do MCTES, durante todo este tempo. [...].
Sobre Bolonha, era melhor nem falar. Processo atabalhoado, com prazos curtíssimos, apreciação formalista, ausência de quadros de referência de qualificações, o delírio dos mestrados integrados, o atraso na apreciação dos novos mestrados politécnicos, muito mais."

João Vasconcelos Costa

(extractos de mensagem datada de hoje, intitulada "Discurso de um ministro a meio do caminho", disponível no blogue do autor - Reformar a Educação Superior)

"As desigualdades sociais e a desvalorização dos diplomas"

"Durante muito tempo o acesso a um diploma universitário permitiu, no nosso país, aceder com relativa facilidade a um emprego qualificado, com o correspondente estatuto social, e, além disso, o próprio diploma universitário constituía em si mesmo um importante símbolo de status. Isto, porém, ocorreu sobretudo enquanto o acesso à universidade era exclusivo das elites. Nas últimas décadas tal cenário alterou-se substancialmente. O que quer dizer que o processo de mobilidade ascendente pode tornar-se uma mera ilusão, visto que, enquanto subimos a escada ela própria desliza para baixo. Ilusão que, actualmente se desfaz quando, com o diploma na mão, o recém licenciado esbarra na porta do desemprego ou apenas consegue um «semi-emprego». Hoje, os jovens que saem da universidade entram no mercado de trabalho, na sua maioria, através de empregos precários e desqualificados, empregam-se nas lojas dos Soppings, nos MacJobs, nos Call Centers, etc., e os que têm sorte ou «boas relações» conseguem, a custo, abrir mais tarde uma porta para uma profissão mais promissora."

Elísio Estanque

(extracto de mensagem, datada de 07/02/08, intitulada "As desigualdades sociais e a desvalorização dos diplomas", disponível no blogue do autor - BoaSociedade)

domingo, fevereiro 18, 2007

Que autoridade moral tem para criticar o Ministério?

«O senhor reitor Guimarães Rodrigues parece criticar as "políticas de nivelamento por baixo" do Ministério, ao tratar de igual forma as instituições que apresentam padrões de qualidade elevada e as outras, e não reflectindo em termos orçamentais essas diferenças. Tem toda a razão. Mas pergunta-se: não é exactamente o que a Universidade do Minho faz internamente? Os orçamentos das escolas e departamentos valorizam a qualidade? Os cursos a quem o mercado reconhece mérito são valorizados pela instituição? Os académicos cujo mérito é reconhecido pelas suas publicações internacionais são mais bem acolhidos pela instituição do que aqueles cujo mérito se resume a "apoias as pessoas certas no mento certo"? Então, qual a autoridade moral para criticar o Ministério...?»
(comentário de autor anónimo à mensagem intitulada "É dificil explicar à academia", datada de 07/02/16)

sábado, fevereiro 17, 2007

A frase do dia

Há uma frase que invoco de quando em quando para explicitar um dos princípios que me têm orientado na vida, e que é:

"quando tenho razão, não preciso de sentir-me acompanhado!"

O contraponto desta filosofia é algo que me rodeia quotidianamente e que me provoca o maior desconforto, embora procure não o exprimir na relação pessoal. Esse contraponto é:

"quanto mais mediocre alguém se reconhece, mais necessidade tem de fazer vingar a sua afirmação pesssoal (e profissional) numa rede alargada de cumplicidades".

Dessa forma, os medíocres protegem-se e promovem-se uns aos outros. A frase que cito abaixo e o contexto que é invocado - "The Higher Education I know is in a mess" - são bem disso ilustração.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

É dificil explicar à academia

«UM: Padrões de elevada qualidade não contam nos financiamentos


As universidades portuguesas avaliadas por entidades nacionais e estrangeiras como tendo padrões de elevada qualidade andam a financiar as outras com menor qualidade.
Esta revelação foi feita pelo reitor da Universidade do Minho, no dia em que apresentou o relatório de actividades do ano transacto. Para Guimarães Rodrigues esta é a principal justificação para que as transferências de verbas para a academia minhota se tenham ficado pelos 2,5% em vez dos 9% reais. "O princípio de coesão determina que as universidades com parâmetros de elevada qualidade não possam ter financiamentos superiores a 3% e as outras não possam ter financiamentos inferiores a 3%, penalizando assim as universidades com melhores desempenhos".
O reitor reconhece que é difícil "explicar à academia que apesar de terem sucesso reconhecido têm menos dinheiro ao seu dispor", sendo da opinião de que "a coesão não deveria ser um ónus suportado pelas universidades e sendo uma questão política deveria ser tomada a montante".
A Universidade do Minho recebeu do Orçamento do Estado em 2006 cerca de 60 milhões de euros, menos um milhão do que no ano anterior, e gerou em termos de receitas próprias 110 milhões de euros, vindos, sobretudo, das propinas e de projectos desenvolvidos pelos investigadores da academia minhota. "Tivemos menos financiamento do que no ano anterior, mas mesmo assim conseguimos manter o plano estratégico que foi sufragado precisamente no ano passado".
Para Guimarães Rodrigues, "houve um salto quantitativo e qualitativo apesar dos constrangimentos financeiros", dando como exemplo a construção da Escola de Direito e outras obras em curso e a mudança do Instituto de Ciências Sociais para instalações definitivas "Criámos melhores condições em situações que seriam, à partida, inimagináveis e de difícil resolução". Universidade que perdeu 2,6% dos alunos inscritos (cerca de 300), abandono que "o aumento do valor das propinas pode justificar". Ainda assim, ocupou 92% das vagas oferecidas, o que a coloca em terceiro lugar a nível nacional. "Em Engenharia, ocupamos mesmo o 2.º lugar". O processo de Bolonha foi o principal desafio do ano transacto: "Com todas as indefinições, conseguimos adaptar 60% dos nossos cursos.»
Pedro Antunes Pereira

(notícia publicada no Jornal de Notícias, em 2007-02-16)


Comentário: sendo eu, escreveria a notícia do JN nos termos seguintes - "pese o que dizem as más linguas, somos (reitoria e conexos) mesmo muito bons, embora seja dificil explicar à academia quão bons nós somos"; "em todo o caso, o ´plano estratégico` que informa a nossa acção foi sufragado por mais de 60 membros da UMinho, o que nos confere legitimidade mesmo para tomar medidas que nem bom-senso deixam transparecer, quanto mais competência".
Obviamente, cada um tem o seu estílo de escrita e de comunicação, por isso se aceita o que foi preservado na notícia.
A mensagem da reitor da UMinho merece-me, todavia, um reparo, e só um: esqueceu-se de mencionar que, na mesma ocasião em que o Instituto de Ciências Sociais ganhou um edifício novo, outro tanto sucedeu com a Escola de Engenharia. Percebendo-se que não queira sublinhar as melhorias em matéria de instalações de que beneficiou a sua própria Escola, imperativos de justiça ditam-me que não deixe passar esta omissão. A obra em primeiro lugar, sobretudo em dia de balanço!

"The Higher Education I know is in a mess"

"The Higher Education I know is in a mess. There's no room for imagination, creativity, innovation, or intellectual thought. The more mediocre and bureaucratically inclined you can be, the more you are likely to survive. Oh - and did I mention the size of your elbows and family connections?"
Beverly Trayner
[extracto de mensagem(citação), datada de 07/02/16, intulada "Bye, Bev!", disponível em Reformar a Educação Superior]

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

"É para estar à frente do seu tempo que a Universidade existe"

"Porque é que as minhas propostas têm que adormecer na gaveta, vinte anos ou mais, por se considerar que não são oportunas, que estão à frente do seu tempo? É para estar à frente do seu tempo que a Universidade existe. É por essa razão que estou na Universidade."

Virgílio A. P. Machado

(extracto de mensagem, datada de "07/02/26", intitulada "Universidade do Futuro: as propostas", disponível no blogue Por Educar)
/...
Comentário: tenho a convicção que a cúpula dirigente da universidade onde trabalho subscreverá o título que resolvi reter para o extracto de mensagem que reproduzo, embora por razões diferentes das enunciadas por Virgílio Machado - a ideia parece-me ser a de colocar a instituição tão à frente do tempo presente que, por altura que cessem o respectivo mandato, já só se vislumbrem cácos daquilo que ela foi.
Ps: de imprescindível leitura é também "O Japão que me desculpe, mas esta patente é NOSSA!", de Regina Nabais (Polikê?), sem esquecer o seu sublinhado "aqui"; com este ministro e estes reitores, o futuro da universidade portuguesa é já ali, ao virar da esquina.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

The most important CEO task

"I think the most important CEO task is defining the course that the business will take over the next five or so years. You have to have the ability to see what the business environment might be like a long way out, not just over the coming months. You need to be able to both set a broad direction, and also to take particular decisions along the way that make that broad direction unfold correctly."
Chris Corrigan

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 6, Issue 456-2007, http://www.sbaer.uca.edu )

Uma ameaça de desqualificação das instituições

"Os docentes do ensino superior e investigadores vão enfrentar em breve uma ameaça de desqualificação das instituições em que trabalham e da sua própria actividade profissional muito mais grave do que aquela que há dezoito anos deu origem à criação do SNESup."
Direcção do SNESup
(extracto de mensagem do SNEPSup, sob a epígrafe "Ensino_Superior: Existimos porque somos necessários", recebida via correio electrónico, em 07/02/13)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

UMinho: exposição pública pelas piores razões - III

«[...]
Com a informação que adianto acima, vou, também, ao encontro de José Reis quando, há algumas semanas, escreveu "que as universidades vivem uma crise institucional fortíssima” por, no seu dizer, o seu modelo de governo estar “aprisionado por lógicas conservadoras” e por “as burocracias dirigentes” não assegurarem futuro, ou de José Adelino Maltez, quando, há algum tempo mais (em 06/10/12), falava das “oligarquias de interesses estabelecidas pelo não mérito” subjacentes à eleição dos reitores. Não secundando José Reis em muito do que defende e defendeu – nomeadamente aquando da sua passagem pela Secretaria de Estado do Ensino Superior - em relação ao governo das universidades e ao tipo de relação destas com a tutela política, é a minha vivência quotidiana que me obriga a concordar com ele, e sobretudo com José Adelino Maltez, neste diagnóstico. Digo-o com pesar e revolta já que a Universidade com que me identifico é uma em que não há espaço para os “climas de pânico” vividos entre os docentes da UMinho, a que se reportava a FENPROF em comunicado publicitado pelo Diário de Notícias, em 13/01/2007, ou em que alguém se sinta “completamente destroçado” (“Estão a destruir tudo …”), como alguém me confessava, via correio electrónico, ainda mais recentemente. Fico a desejar, no entanto, que o quadro negro que aqui sai traçado não seja extensivo ao universo das instituições de ensino superior público existentes em Portugal. Nunca me alegrou o infortúnio dos outros!
Dizendo o que fica dito, quero eu deixar claro que o momento que se vive na UMinho é triste, muito triste (noutra sede, chamei-lhe “uma apagada e vil tristeza”), e é-o tanto mais quanto é incontornável que todos – docentes, pessoal administrativo e alunos, menos estes que os demais – somos responsáveis pela situação que a Instituição atravessa. Na verdade, o que se passa a nível da estrutura de cúpula só é interpretável à luz da cultura que instalou na universidade, dominada por individualismos tacanhos, capelinhas, acomodação generalizada e um profundo alheamento de valores outrora tão caros e sensíveis na sociedade portuguesa e na Universidade, particularmente, como a transparência, a democracia e as liberdade de opinião e de expressão do pensamento. Não fora isso e não haveria lugar para “burocracias dirigentes”, como lhes chama José Reis, para “oligarquias de interesses, como as designa Adelino Maltez, ou para nomenclaturas, como eu prefiro chamar-lhes, atentando na realidade cujo retrato esboço.
Infelizmente, como assinalava Elísio Estanque, em artigo datado de 06/11/22, “há mentalidades anacrónicas e comportamentos anti-democráticos por todo o lado”, se bem que aqueles que nos atingem mais directamente nos custem mais. Perdoar-me-ão, por isso, que aqui reclame dos “défices de democracia e cidadania” e do “recrudescer de práticas de cariz autoritário, controleirista ou caciquista” a que assisto na instituição onde trabalho.»
J. Cadima Ribeiro
(extracto de artigo sobre a situação recente vivida na Universidade do Minho)

domingo, fevereiro 11, 2007

“The Role of the University in Attracting High Tech Entrepreneurship: A Silicon Valley Tale”

“Among the many sorting functions provided by institutions of higher education, there is a geographic dimension. During the years spent as students and residents of local communities, students develop specific networks and contacts, and perhaps their tastes change as well. After graduation, these students may be more likely to reside in the locality or region in which they have been educated.
This paper presents evidence which suggests that the university is important in attracting human capital to the local area and in stimulating entrepreneurial talent in the region. We also measure the strength of the impact of the university on geographical location in one specific instance. For post-graduate professional business and engineering students at Berkeley, we compare the spatial distribution of residences before attending the university and again after graduation.
The results are suggestive of the importance of academic institutions in the geographic pattern of agglomerations of footloose scientific firms, such as those in the Silicon Valley just south of San Francisco. The results also reinforce the self-interested reasons for government investment in high-quality educational institutions, as measured by the return on the augmented human capital stock in the region.”

David Huffman (University of California, Berkeley)
John Quigley (University of California, Berkeley)
Date: 2006-06-27
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:cdl:bphupl:1044&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, fevereiro 10, 2007

Avaliação de desempenho do governo

"Foi divulgado hoje, pela Assembleia da República (AR), o resultado da avaliação do grau de execução das leis pelo actual governo. Note-se que o relatório abrange exclusivamente a actividade legislativa deste executivo (de 10 de Março de 2005 a 31 de Dezembro de 2006).
O resultado é vergonhoso: apenas 11 das 30 leis que carecem de regulamentação foram efectivamente regulamentadas.
[...]
[...] espero ver as pessoas responsáveis, mediante os resultados desta avaliação, ser penalizadas na sua avaliação de desempenho, com consequências adequadas na sua remuneração e progressão na carreira, para não falar na eventual necessidade de os... despedir."
(extracto de mensagem, datada de 07/02/09, intitulada "Avaliar o governo", disponível em J. P. Cravino`s Blog)

O nosso magnífico reitor é um iluminado!

«O nosso magnifico Reitor é mesmo um iluminado, mas não a carburante derivado do petróleo ou do carvão. Ele está na vanguarda do uso da energia nuclear por fusão. Vai irradiando tanta energia à sua volta que acabará por fundir a própria UM, não tarda nada.
Acreditem, ele tem um pacto com o demoníaco engº Sócrates e o seu choque tecnológico pós-moderno que há-de colocar Portugal na Idade da Pedra lascada.
Esta aliança com a Vodafone do Carrapatoso do grupo "Comprometer Portugal" para enviar SMS (sem valor económico) em troca de informação privilegiada (de alto valor económico) é um gesto de puro "canibalismo", coisa em que o Magnífico Reitor se está a tornar expert.»
(comentário produzido por autor anónimo à mensagem datada de 07/01/08, intitulada "Querem pasmar?")

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

UMinho: exposição pública pelas piores razões - II

«Nos últimos meses, a Universidade do Minho (UMinho) tem tido um nível de exposição pública pouco comum, infelizmente pelas piores razões. Na origem da situação estiveram: primeiro, o anúncio pelo reitor, em assembleia da universidade, a 11 de Dezembro de 2006, de que estava a equacionar a redução, no futuro próximo, do pessoal docente e não docente da instituição em 20 %, por via da constituição de excedentes e da não-renovação de contratos; e, em segundo lugar, os diversos incidentes que se sucederam à convocação pelos sindicatos (SNESup e FENPROF/SPN) de uma reunião de docentes e investigadores da universidade para discutir o assunto e esclarecer os termos em que poderia haver lugar à transferência de pessoal para outras instituições públicas.
Os incidentes a que aludo prenderam-se não só com as dificuldades colocadas na difusão nos circuitos de informação internos da UMinho da convocatória como com a divulgação da tomada de posição resultante da reunião realizada, que se saldou por um inusitado sucesso de adesão - participaram no evento cerca de 160 docentes, número nunca visto na “casa” em evento semelhante, salvaguardada uma situação passada, ocorrida vai para mais de 10 anos -, tudo culminando no plano destacado que a partir de certo momento tomou “O Moderador” da um-net, a saber, o sistema de comunicação electrónica, de abrangência geral, existente na Universidade do Minho.
A peça produzida pelo citado “Moderador”, justificando a recusa da difusão do comunicado dos sindicatos, na sua significação profunda, é, a meu ver, digna do destaque que o SNESup lhe tem dado nas derradeiras semanas na página de abertura do seu sítio electrónico e justifica que a reproduza aqui:

“Exmo. Senhor
A sua mensagem não seguiu para a UM-Net visto não se enquadrar nas respectivas regras, nomeadamente no facto de a UM-Net ter como objectivos difundir informação sobre:
- a actividade da Universidade do Minho nas suas várias vertentes: académica, social, cultural e recreativa;
- eventos promovidos e/ou organizados pela Universidade do Minho;
- o ensino em geral.
Sugere-se que a divulgação da informação em causa seja efectuada directamente junto dos elementos da UMinho associados ao SNESup e do SPN.
Cumprimentos,
O Moderador”

Vale a pena acrescentar que a justificação dada pelo “Moderador” aos sindicatos foi, substantivamente, a mesma que recebeu um colega de uma das Escolas da Universidade quando, na mesma sede, em 07/01/05, procurou difundir um texto de Mário Bettencourt Resendes, saído num jornal nacional, em que se anunciavam «boas notícias, vindas do outro lado do Atlântico, para quem consagrou os seus anos universitários ao estudo e aprofundamento de disciplinas hoje consideradas como de "difícil saída profissional"». O texto em questão reportava-se, depois, ao caso de algumas empresas norte-americanas, que decidiram recrutar, para os seus conselhos de administração, quadros com formação superior em Filosofia, e admitiam alargar o processo a historiadores e a sociólogos. A grande diferença entre as respostas provindas da figura “eminente” e parda de “O Moderador” esteve no sublinhado que feito por aquele de que

´A UM-NET é uma lista de difusão de informação, não se podendo constituir nem como um "Forum de Opinião" nem como um "Forum de Discussão".`.

Como tive oportunidade de escrever na ocasião em blogue pessoal, este esclarecimento afigura-se-me assaz interessante dado que ´resultava daqui absolutamente claro porque é que merecem difusão na um-net a realização de sessões de formação sobre "massagens relaxantes" e outras iniciativas de elevado interesse didáctico, informativo e recreativo e não “lixo” do tipo daquele que o colega em referência (e outros, antes dele) queria(m) fazer passar.`
Aparte situar no seu contexto o papel de “O Moderador”, a invocação que agora faço serve para deixar claro que o “instituto” da censura não foi inventado nesta altura ou usado singularmente no quadro de uma luta sindical, se assim se lhe pode chamar, entretanto declarada na UMinho. Pelo contrário, é instrumento de um certo exercício do poder e um indicador não-ambiguo da visão que esse poder mantém do que seja o debate de ideias e a transparência na organização e da visão de universidade que o informa.»
J. Cadima Ribeiro

(extracto de artigo sobre a situação recente vivida na Universidade do Minho)

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Querem pasmar?

Querem pasmar? Então leiam o extracto da "Notícia" de hoje do Diário do Minho que reproduzo adiante. Se conseguirem lê-la sem se rirem, habilitam-se a ganhar um doce.

"Mensagens via SMS informam alunos e docentes da UM
A Universidade do Minho (UM) e a Fundação Vodafone Portugal assinaram ontem um protocolo de cooperação que prevê a implementação de um sistema de comunicação via SMS (mensagens escritas) entre a universidade, os seus alunos, professores e colaboradores.
A plataforma SMS estará ao serviço dos docentes que vão poder difundir de forma rápida informações diversas aos alunos que, por sua vez, terão a possibilidade de enviar SMS’s e saber, por exemplo, a classificação obtida a uma determinada disciplina.
No âmbito do acordo ontem estabelecido, a Fundação Vodafone Portugal doou um milhão de mensagens escritas à UM. A par das mensagens via telemóvel, o protocolo prevê ainda a troca de informações entre as duas instituições relativamente a investigações na área das novas tecnologias da informação.
Para o reitor da UM, o serviço de informação através de SMS «representa um avanço inovador no sistema de informação». Na cerimónia em que participou também o presidente da Fundação Vodafone Portugal, Guimarães Rodrigues sublinhou que o sistema vai «traduzir-se numa melhor qualidade de serviço e na simplificação de procedimentos, com rapidez e fiabilidade de comunicação».
Referindo que a UM quer afirmar-se como «uma universidade do seu tempo e do futuro», o reitor disse que este projecto vai também contribuir para a consolidação da instituição como ´A Universidade Sem Muros`." (Marta Encarnação, Diário do Minho, 2007-02-08)

Gente pouco inteligente versus espertalhões

«Os lugares de Ministro encarregado das relações com o Parlamento e de Presidente do Grupo Parlamentar que apoia o Governo deveriam, tais os malabarismos a que obrigam, ser unicamente ocupados por gente pouco inteligente e dotada de genuína insensibilidade social.
Não é manifestamente o vosso caso, e lamentamos vê-los no papel que se têm imposto a propósito do subsídio de desemprego para os trabalhadores da Administração Pública.
[...]
Deste modo, ao justificarem a rejeição do Projecto de Lei nº 159 / X (PCP) com a vossa preferência por "soluções gerais" em vez de "soluções parciais", estão não só a tentar iludir os mal informados e a adiar qualquer solução, mas também a saltar da frigideira para o lume: é que as "soluções gerais" que vos temos apresentado também têm sido rejeitadas, mas se insistem tanto em "soluções gerais", ignorando que neste momento o problema afecta sobretudo os docentes do ensino superior, voltaremos a confrontar-vos com elas.»

Paulo Peixoto
Presidente da Direcção do SNESup

(extractos de "Carta aberta a Augusto Santos Silva e a Alberto Martins" produzida pelo SNESup - conforme assinatura reproduzida acima - e recebida por correio electrónico em 07/02/07)
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Comentário: é a nossa classe política, no seu melhor!
Adenda ao comentário: aquando da sua pasagem pelo ministério da "educação" (?), o nosso colega Augusto Santos Silva participou, em certa ocasião, numa cerimónia do "dia da universidade", na UMinho; tenho que vos confessar a forte impressão que o ministro me deixou - nunca tinha visto alguém discursar cerca de uma hora, senão mais, discorrendo brilhantemente sobre as mais diversas temáticas, dizendo rigorosamente nada.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

“University Decentralization as Regional Policy: The Swedish Experiment”

“During the past fifteen years, Swedish higher education policy has emphasized the spatial decentralization of post-secondary education. We analyze this policy as a natural experiment, and we investigate the economic effects of this decentralization on productivity and output. We rely upon a twelve-year panel of output, employment and investment for Sweden's 285 municipalities, together with data on the location of university researchers and students, to estimate the effects of exogenous changes in educational policy upon regional development. We find important and significant effects of this policy upon output and productivity, suggesting that the economic effects of the decentralization on regional development are economically important.”

Roland Andersson (Royal Institute of Technology, Stockholm)
John Quigley (University of California at Berkeley)
Mats Wilhelmsson (Royal Institute of Technology, Stockholm)
Date: 2006-06-27
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:cdl:bphupl:1022&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

Que negociações terá havido?

"[...] só antecipo duas leis, a agora apresentada da avaliação, relativamente pacífica e a da autonomia, longe de ser pacífica mas em que o governo não pode recuar, porque já há muito deu entrada um projecto de lei do PSD. Curiosamente, não se tem ouvido falar dele. Que negociações terá havido para o PSD o manter em lume brando, apesar de ser sempre, para o governo, uma espada de Damocles?"
(extracto de mensagem datada de 07/02/07, intitulada "O calendário do MCTES", disponível em Reformar a Educação Superior)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

UMinho: exposição pública pelas piores razões - I

«Nunca é de mais assinalar que, nas universidades como as empresas comuns, aparte a qualificação dos recursos humanos e a sofisticação das tecnologias que as servem, a motivação dos seus agentes (trabalhadores) é um aspecto crucial do seu desempenho. Isto sabe-o qualquer estudante recém-ingressado num curso de economia ou de gestão. Não o parece saber o reitor da Universidade do Minho e os que o assessoram, e deduzo-o não apenas pela situação chocante a que aludo no parágrafo precedente. Do que percebo do seu modelo de “gestão”, o reitor da UMinho convenceu-se que gerir a organização era informatizar serviços (o que, manifestamente, já tardava), criar e incrementar rotinas burocráticas, e criar e controlar um sistema de informação que, pelo que se deixou ilustrado nos primeiros parágrafos deste texto, se sugere mais um "SIS" que um sistema de apoio à gestão. Enganou-se. Gerir uma Universidade é muito mais que isso.
Quem me leia e esteja alheado do quotidiano da UMinho, questionar-se-á, porventura, se a situação que retrato é novidade; se estamos perante titulares em início de primeiro mandato. Tenho que esclarecer que não é o caso e, por isso, é mais penosa a situação e sai melhor ilustrado o quadro de afirmação de um cenário de “oligarquia de interesses estabelecida pelo não mérito” – como se pode dizer, adaptando as palavras escritas de José Adelino Maltez - subjacente à eleição do reitor da Universidade do Minho e à sua manutenção no poder após 4 anos de gestão danosa da imagem da Instituição e do interesse social que esta é suposto prosseguir. Obviamente, em sede de 2º mandato, o dislate ganha outro espaço de afirmação e os erros de gestão deixam de poder ser encobertos sob o “manto diáfono” da herança da gestão precedente. Pregando no deserto, a isso me referia em texto que produzi pouco após a recondução eleitoral da equipa reitoral em funções.»
J. Cadima Ribeiro
(extracto de artigo sobre a situação recente vivida na Universidade do Minho)

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Sem haver pessoas, não há universidade

"Discutir em abstracto uma organização, seja ela uma Escola, Hospital ou Serviço de Televisão, sem olhar para as pessoas que fazem parte desse todo, é o quê? Sem haver pessoas, não há universidade, politécnico, escola básica, que valha. Esta questão é aquilo que em tecniquês, chamamos: um requisito prévio absoluto."

(extracto de mensagem disponível em Co-Labor, datada de 07/02/02, e intitulada "Ensino Superior ´organizações & pessoas`")

sábado, fevereiro 03, 2007

A Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior

O projecto de decreto-lei relativo à criação da Agência de Avaliação e Acreditação para a Garantia da Qualidade do Ensino Superior já está disponível. Os interessados podem aceder ao documento em Polikê?, que o anúncia sob o título, de hoje, "Projecto de decreto-lei para consulta pública".
A esse propósito, podem também ler uma entrevista de Mariano Gago ao Diário de Notícias, edição de hoje, reproduzida em Higher Education - Univercity.
Os comentários deixo-os para outra ocasião: primeiro a informação; depois a discussão. É bem verdade que há "sedes" em que não temos direito nem a uma coisa nem a outra, mas isso é outra história.

“Starting Well or Losing their Way?: The Position of Youth in the Labour Market in OECD Countries”

”Despite the fact that today’s young cohorts are smaller in number and better educated than their older counterparts, high youth unemployment remains a serious problem in many OECD countries. This reflects a variety of factors, including the relatively high proportion of young people leaving school without a basic educational qualification, the fact that skills acquired in initial education are not always well adapted to labour market requirements, as well as general labour market conditions and problems in the functioning of labour markets. The paper highlights the trends in youth labour market performance over the past decade using a wide range of indicators. It also presents new evidence on i) the length of transitions from school to work; ii) the wages, working conditions and stability of jobs performed by youth; and iii) the degree of so-called “over-education”, i.e. the gap between the skills of young people and the jobs they get.”

Glenda Quintini
Sébastien Martin

Date: 2006-12-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:oec:elsaab:39-en&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

Qualquer dia somos o IST do Minho

"E também foram votados os critérios que levarão à abertura dos mestrados, quanto ao número mínimo de alunos?
A ser verdade o que circula, só os mestrados integrados continuam a funcionar. Perfeito. Qualquer dia somos o IST do Minho.
Muitos ainda estão convencidos que 1º + 2º ciclo = licencitura pré-Bolonha. Como se Bolonha fosse apenas uma questão de duração dos ciclos! Por isso julgam que 1º ciclo deve ter o seu 2º ciclo único."

(texto de autor anónimo recebido em 07/02/02, a título de comentário aos comentários anexos à mensagem divulgada em 07/01/31, intitulada "A verdade incomoda muito!").

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Fundação para a Qualidade?

Comunicado do Conselho de Ministros, de 1 de Fevereiro de 2007, anuncia a produção de Decreto-Lei que institui a Agência para a Qualidade do Ensino Superior, com a natureza de fundação, aprovando os respectivos estatutos.
Os interessados podem ler algo mais sobre este assunto em Polikê?, em mensagem com data de hoje, intitulada "Fundação para a Qualidade".
Sobre a temática da certificação da qualidade, vale também a pena ler uma série de "artigos" sobre "Certificação do Sistema de Garantia da Qualidade do Governo", publicados por Virgílio A. P. Machado no seu blogue - Por Educar.

The entrepreneur in us

"The entrepreneur in us sees opportunities everywhere we look, but many people see only problems everywhere they look. The entrepreneur in us is more concerned with discriminating between opportunities than he or she is with failing to see the opportunities.”

Michael Gerber

(citação extraída de SBANC Newsletter, January 23, 2007, Issue 454-2007, http://www.sbaer.uca.edu )

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

É o grau zero da gestão e da previsão

"Pois é, a grande questão é saber o que nos reserva o futuro. Com este tipo de gestão, na reitoria e no ministério, certamente não será grande coisa."
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"É o grau zero da gestão e da previsão. E esta é a visão mais lisongeira para a capacidade de gestão dele."
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"Podemos sempre falar sobre o assunto mas, se [...] não sabe avaliar as consequências da decisão do reitor de confiscar todo o dinheiro disponível para cobrir as asneiras que andou a fazer, eu muito menos lhe sei dizer alguma coisa. Aliás, só tomei conhecimento do assunto através [...] das mensagens que têm chegado ao meu blogue. [...] A situação pode piorar? Por incrível que pareça, tenho que admitir que sim.[...]
Como digo: podemos voltar ao assunto quando percebermos a dimensão do desastre da gestão em curso na UMinho."


(extractos de mensagens electrónicas trocadas a propósito do desastre do momento da gestão da reitoria da UMinho e das respectivas consequências em matéria de funcionamento corrente de unidades básicas da Instituição)

quarta-feira, janeiro 31, 2007

A verdade incomoda muito!

A verdade incomoda muito quando o "instituto" da censura é a regra. Se, apesar de tudo, a informação circula, há que fazer mão de todas as estratégias para evitar que isso continue a suceder ou para limitar os estragos, a bem da asneira, a bem da incompetência, a bem do arbítrio, a bem da prepotência.
Viva a nomenclatura! O precipício é já ali.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, janeiro 30, 2007

Será que a Academia se vai calar ?

"Será que a Academia vai calar perante esta acção de apropriação cega por parte da Reitoria do esforço que tem sido feito para tornar esta uma instituição reputada?
As medidas anunciadas na passada sexta-feira vão, no mínimo, interferir drásticamente com o funcionamento de iniciativas já assumidas pelas diversas Escolas e Departamentos desta Universidade. Aquilo a que assistimos é, por um lado, à destruição do sistema de incentivos dentro desta comunidade - quem mais vai querer investir em projectos que apenas servirão para financiar uma caixa negra gerida pela Reitoria? -, e, por outro, a incapacidade de identificar e anunciar os objectivos que deverão nortear a nossa Universidade nos próximos anos.
A nossa vizinha Universidade do Porto diz querer fazer parte das 100 melhores da Europa até 2011. Onde é que a nossa Universidade quer estar daqui a 5 anos? Que parte das receitas próprias alvo da acção da Reitoria será canalizada para acções de promoção do valor acrescentado da nossa instituição? Quais os critérios subjacentes à recolha das verbas e à sua subjavcente aplicação? Será que o objectivo é apenas fazer face a um problema de de tesouraria de curto prazo? Se sim, não restam dúvidas que, face à inevitável quebra das receitas próprias nos próximos exerxícios, o próximo passo é despedir uma grande parte de nós. Ou seja, a ameaça velada que justifica a aceitação tácita destas medidas já está cumprida à partida."

(texto de autor anónimo recebido em 07/01/30, a título de comentário à mensagem divulgada em 07/01/28, intitulada "Eles pensam que nunca serão responsabilizados pelos erros de gestão que cometem").

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Uma boa notícia, para variar.

"Finalmente, se venceu uma longa batalha e se deu um passo positivo com a aprovação da possibilidade das teses de doutoramento serem redigidas em inglês...E apesar de todas as manobras e golpadas que se fizeram neste processo (incluindo a ocultação de pareceres da Acessoria Jurídica), na hora da votação a questão foi mais consensual e simples do que se poderia pensar...O que só vem provar, aliás, que as decisões que a Coordenadora tomou a esse respeito foram apenas de natureza política, com o objectivo de atingir pessoalmente determinadas pessoas da escola...(o que conseguiram, na verdade...)."
(extracto de comentário(desabafo), recebido há dias, por via electrónica).

domingo, janeiro 28, 2007

Eles pensam que nunca serão responsabilizados pelos erros de gestão que cometem

"Esta nomenclatura continua a produzir disparates em série. Eles sabem ou pensam que nunca serão responsabilizados pelos erros de gestão que cometem. Aliás, confundem-nos com obras primas e produtos de uma sacrossanta missão divina. São os iluminados intocáveis, bem instalados no poleiro, cada dia que passa com o peito mais inchado perante a plebe desarmada e confusa. Na 6ª feira rapinaram os frutos do esforço abegnado de muitos. A próxima etapa será a de fazerem a lista dos infelizes descartáveis. No final reinarão ainda mais felizes e contentes. Terão chegado à Glória!"
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(texto de autor anónimo recebido em 07/01/27, a título de comentário à mensagem divulgada na mesma data, intitulada "Os erros de gestão de uns e os encargos de outros").

sábado, janeiro 27, 2007

Os erros de gestão de uns e os encargos de outros

Há uma frase commumente usada para comentar o desempenho das organizações que diz que "os erros de gestão pagam-se". Na Universidade do Minho desenvolveu-se nos últimos anos uma variante que se traduz no seguinte: os erros de gestão de uns (a nomenclatura) pagam-os outros (aqueles que têm capacidade de gerar recursos e de fazer uma gestão rigorosa dos respectivos orçamentos).

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, janeiro 26, 2007

"Os milhões da Investigação Científica"

"Os milhões da Investigação Científica
O desfasamento entre a retórica do investimento estatal na investigação científica e a situação real que enfrentam neste momento as unidades de investigação e os investigadores que nelas trabalham assume contornos crescentemente preocupantes.
Conhecido o aumento das verbas do Orçamento de Estado de 2007 para o Ministério da Ciência e Tecnologia, agitados os milhões dos protocolos assinados com as Universidades americanas, as Unidades de investigação científica atravessam um momento de todo inusitado. Entre a quimera de um futuro risonho de data incerta, prometido pelos milhões que o QREN consagra à ciência, e o quotidiano da investigação e das obrigações inerentes à gestão corrente, o momento é de ruptura financeira e de angústia a muito curto prazo.
Na transição entre Quadros Comunitários de Financiamento, é evidente a inoperância governamental em termos do cumprimento necessário das obrigações assumidas com as unidades de investigação científica. Os atrasos no pagamento de transferências contratualizadas, muito para além do aceitável, o congelamento de programas de bolsas e de avaliação de projectos de investigação, o adiamento injustificado de iniciativas há muito previstas, colocam as unidades de investigação numa situação insustentável.
O SNESup tem vindo a receber relatos variados da angústia progressiva que toma conta das unidades de investigação, de quem as gere e de quem nelas trabalha. Mesmo em unidades de investigação com estruturas sólidas e habituadas ao incumprimento recorrente das obrigações de financiamento assumidas pelos organismos estatais, a situação começa a ganhar contornos dramáticos.
Para além dos prejuízos líquidos causados às actividades de investigação e dos efeitos em termos de incumprimento das obrigações salariais em relação aos investigadores, em larga maioria precários, é de todo inaceitável a postura de mau pagador em que o Estado se coloca.
A preocupação obsessiva com as questões orçamentais das actividades de investigação científica, as caricatas exigências e pedidos de explicações de cariz financeiro, mais do que responder às exigências burocratizantes da utilização de fundos europeus, está a tornar-se um perfeito álibi para quem sistemática e impunemente incumpre nas suas obrigações.
Diríamos que aqui, como em França, é cada vez mais necessário salvar a Investigação científica."

SNESup

(mensagem recebida por via electrónica, em 26-1-2007 , com a autoria assinalada)

Bolonha! E agora? - IX

«Não me parece que a redução de duração de licenciatura venha enfraquecer a mesma. Todos sabemos que existiam cadeiras no plano antigo que poucas mais-valias nos traziam em termos de conhecimento. No plano novo o leque de cadeiras opcionais permite uma especialização superior nas áreas de maior interesse de cada um, garantido apesar disso um grau de conhecimento económico no seu sentido mais abrangente bastante significativo. Se existem prejudicados na mudança para o Plano de Bolonha, serão os alunos incluídos nos planos de transição (i.e. 2º e 3º ano), que acabarão a licenciatura com um curriculum híbrido capaz de assustar ou deixar de pé atrás alguns empregadores. Para não falar dos conteúdos dos mesmo planos que são bastante questionáveis.
No entanto está na hora de dar um pontapé para a frente e abandonar esta passividade insatisfeita tão portuguesa. Cabe a nós mostrar aos empregadores que não somos afinal inferiores a qualquer outro licenciado. Não vai ser fácil. Mas também que piada teria se fosse? Boa sorte para todos os que, como eu, vão tentar entrar no mercado de trabalho para o ano!
PS: "It is not titles that honor men, but men that honor titles." - Niccolo Machiavelli»


Carlos Nogueira

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«É sem dúvida um tema actual e de interesse comum a todos nós. Na minha opinião “Bolonha” pode ser visto por duas perspectivas, por uma vertente positiva e outra negativa. Por um lado, sem dúvida que este novo método de ensino é benéfico, pois se alguns países tais como Itália e Inglaterra formam pessoas em apenas três anos e é de lá que têm saído as melhores pessoas da ciência, porquê sermos diferentes? Por outra perspectiva, discordo deste processo. Como é possível que os alunos que acabam este ano o curso, uns com o curso de 3 anos e outros com o curso de 4 anos saem da universidade com os mesmos conhecimentos? Acho que Bolonha devia ser aplicado apenas aos alunos que tivessem a iniciar o curso, e não a alunos que já tivessem iniciado o curso pelo plano antigo.»

Marta Vilela

(extractos de mensagens disponíveis na entrada "fóruns" da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia, da EEG/UMinho; Janeiro de 2007)

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Viva a festa!

«Antes de mais deixa-me dizer-te que se calhar faço parte destas pessoas "borgueiras", como tu lhe chamas! (um pouco de festa nunca fez mal a ninguém).
Não deixas de ter razão quando dizes que os universitários são vistos como individuos de cerveja na mão ou cigarro na boca a jogar bilhar, aliás quando acabei o 12º ano tinha essa ideia da universidade - festa todos os dias (o que não é verdade, meu caro amigo). No entanto penso que a "borguice" e o consequente "chumbo" (penso que seja este aspecto a que te referes) além de depender da consciência de cada um em tentar acabar o curso mais rapidamente possível, uma vez que são os nossos pais que estão a financiar os nossos estudos, depende também da forma como os alunos conseguem fazer a gestão do seu tempo e conseguem conciliar os estudos com o seu tempo livre. Não penso que esta imposição de limites terá algum efeito, aliás tocando no ponto em que a minha colega Patrícia Palha referiu, acho que esta imposição em nada irá aumentar as vagas de ingressão no ensino superior.
Agora tocando no último ponto deste artigo, tenho muitos colegas que recebem bolsa e não tendo tanto sucesso nos estudos, prolongam a sua estadia na universidade. Penso que em parte, uma vez que é o Estado que financia os seus estudos e não os pais, isso leva a que eles não levem tão a sério o seu estudo.
Saudações Académicas e muitas "Borgas" para todos.»
André Wang Zhou
(extracto de mensagem disponível na entrada "fóruns" da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia, da EEG/UMinho; Janeiro de 2007)

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Por uma verdadeira aposta na Ciência e na Tecnologia

"O recorrente atraso dos prazos estipulados nos concursos geridos pela FCT – somam-se também os atrasos nos concursos a projectos de investigação - não dignifica a Ciência e Tecnologia (C+T) em Portugal e coloca sérios problemas logísticos e financeiros, particularmente aos jovens investigadores. A falta de recursos humanos na FCT não serve de consolação. Uma verdadeira aposta na C+T passa pela dignificação e valorização dos recursos humanos que nela trabalham, incluindo os que efectuam a importante tarefa de gestão financeira, i.e., os próprios trabalhadores da FCT.
A redução, em 74.4%, do orçamento para o funcionamento interno da FCT prevista no orçamento de estado para 2007, não augura melhorias neste campo."
(extracto de comunicado da Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) divulgado ontem, via correio electrónico, pela Direcção do SNESup)
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Comentário: mais palavras para quê? É um artista português, mesmo sendo Gago!
Ps: mal tinha acabado de redigir esta nota e eis que me chega, pelo correio postal, uma carta da FCT anunciando prazos para apresentação de relatório e contas de 2006 da minha unidade de investigação e, destaque-se, a realização de uma auditoria ao exercício financeiro de 2006, a partir de 15 de Março pf.. Nada haveria a dizer, não fora o seguinte:
i) tratar-se da 4ª auditoria realizada pela FCT no horizonte de um ano, a exercícios anuais consecutivos;
ii) o zelo revelado nesta vertente não ter qualquer paralelo na libertação dos meios financeiros que se comprometeu a disponibilizar, permanecendo de 2006 uma "dívida" seguramente irrisória à luz do orçamento da FCT mas largamente penalizadora do desempenho de uma pequena unidade de investigação como a que dirijo;
iii) parecer ser legítimo assumir que a situação da minha unidade de investigação não é singular em nenhuma das dimensões sinalizadas.
Considerando a origem do comunicado que se reproduz parcialmente acima e as declarações que a esse respeito entretanto produziu publicamente o Presidente da FCT (conferir Público on line, de 23/01/2007), poder-se-ia pensar que a situação relatada no comunicado era circunscrita. Infelizmente, essa ilacção não é verdadeira.

terça-feira, janeiro 23, 2007

"Blogues" e liberdade de expressão

"- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?

Acredito. É livre em dois sentidos. Em primeiro lugar cada um escreve o que quer sobre o que quer. Em segundo lugar é um meio que promove a rápida reacção dos seus pares. Seja em comentários, seja em outros blogues. Isso cria um escrutínio que é o melhor garante contra abusos e falsidades. É como se houvesse um processo de refereeing permanente. [...]"
(extracto de entrevista de Luis Aguiar-Conraria ao blogue de Luís Carmelo, datada de hoje; também disponível no seu blogue - A destreza das dúvidas -, sob o título "Mini-entrevistas/Série II - 106")

Ave Park: para que te quero?

«Ave Park vai criar 4000 postos de trabalho até 2020

O AvePark (Parque de Ciência e Tecnologia instalado em Guimarães) vai criar 4000 postos de trabalho até 2022. Os números foram avançados pelo administrador-delegado daquela estrutura. Remísio de Castro revelou, ainda, que vai ser criada uma comissão encarregue de preparar a inauguração. Que não tem data marcada.
O responsável do AvePark foi parco em revelações. As "cerca de dez empresas" que estão confirmadas para o AvePark não podem ser reveladas. Sabe-se, apenas, da decisão do Governo de ali instalar o Instituto de Nanotecnologias (I3N). "Decorridos 15 anos do início da sua actividade, o AvePark tem como objectivo a criação de 4000 postos de trabalho", adiantou.
O administrador do AvePark não concorda que o sucesso deste centro esteja comprometido com a ida do Instituto Ibérico de Investigação de Desenvolvimento para Braga. "São duas realidades completamente distintas. Foi uma má opção do ponto de vista do aproveitamento dos recursos, no entanto, Braga, Guimarães, Barcelos ou Famalicão seriam sempre bons locais para uma infra-estrutura que se quer de carácter regional", afirmou. Por isso, concluiu, não constitui o "assassinato" do AvePark, como defende o PSD local. "O AvePark tem como objectivo a localização de empresas de base tecnológica que produzam riqueza com base no conhecimento. O Instituto Ibérico dedica-se à actividade científica e não à localização e formação de empresas".
Um dos problemas do AvePark prende-se com as acessibilidades. Remisio de Castro lembra que está projectada uma ligação ao nó de Silvares da auto-estrada, através da via do Ave que interliga Guimarães, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho", mas esta via continua encalhada.
Fases do projecto
O projecto reparte-se em duas fases a construção do núcleo central, incubadora de base tecnológica, o Instituto Europeu da Engenharia dos Tecidos e Medicina Regenerativa e a urbanização do terreno.
Inauguração
A inauguração deverá ser até Junho. "O dia 24 de Junho (dia de Guimarães) seria uma óptima data", disse Castro.»
Joaquim Fonte
(notícia do Jornal de Notícias, de 2007-01-22)
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Comentário: com a dinâmica que o projecto vem mostrando - formalmente, foi só criado há 15 anos - não tarda muito vai ser necessário facilitar a imigração de leste e do Brasil para atender às necessidades de recursos humanos geradas pelos projectos sedeados no empreendimento.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Coisas que nos chegam pelo corrreio electrónico

"Nem sequer quero imaginar que TODA a informação relativa ao próximo Plenário do Cientifico NÃO SEJA distribuída CLARA, CORRECTA E ATEMPADAMENTE a TODOS os respectivos membros. Estou certo que isso NÃO IRÁ ACONTECER!"
M. Rocha Armada

(extracto de mensagem electrónica, de difusão genérica, entretanto recebida)
Comentário: como se não fosse bastante "estarem a destruir tudo" (cf. mensagem a este respeito recebida no sábado pp.), parece que na EEG/UMinho agora é problema a própria disponibilização atempada da informação de apoio à agenda do conselho científico; é a democracia e a transparência no seu melhor!

Investir em capital humano e na motivação do trabalhador

"Penso que devemos ter em conta que uma força de trabalho bem formada desempenha um papel fundamental no crescimento da economia e da produtividade. Sendo assim, é importante investir no capital humano e na sua formação na medida em que o mercado de trabalho exige cada vez mais especialização e mais conhecimentos ligados com as novas tecnologias. A formação de pessoas capazes de gerirem eficazmente as nossas empresas parece ser também condição indispensável. Devemos ainda considerar a importância que a intensidade de I&D tem na produtividade. Em Portugal investe-se pouco na investigação e este facto está usualmente associado à baixa produtividade.
Portanto, se Portugal quer alcançar elevados níveis de produtividade terá de investir no campo da inovação seja ela, tecnológica, organização de trabalho, canais de distribuição, qualidade, etc.
Por último, considero importante não esquecer, também, que o aumento da produtividade depende do desempenho do trabalhador o que depende, por sua vez, não só das suas capacidades mas também da sua motivação."


Celina Leal dos Santos

(extracto de mensagem disponível na entrada "fóruns" da plataforma electrónica de apoio à unidade curricular Economia Portuguesa e Europeia, da EEG/UMinho; Dezembro de 2006)