Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

segunda-feira, abril 16, 2007

A voz do dono

«O ponto nevrálgico está, pois, nas lideranças e no espectro do desemprego. E as empresas, a administração pública, as universidades, etc., são sempre o espelho da sociedade. Estamos perante uma lógica em cadeia, imposta de cima, que penetra nos níveis intermédios e atinge os inferiores, isto é, um processo em que as chefias, os directores, os coordenadores, etc., no fundo, aqueles que centralizam o poder em diferentes sectores, sobem e ganham protagonismo não pelas suas qualidades e talento, não porque possuam reconhecido mérito ou grandes competências técnicas, não porque sejam inovadores e tenham mais iniciativa do que os outros, mas, pelo contrário, eles sobem justamente quando já deram repetidas provas de que obedecem à “voz do dono”.»

Elísio Estanque

(extracto de mensagem, datada de 07/04/15 e intitulada "Do espírito de Abril às novas ‘vozes do dono’ ", disponível no blogue do autor - BoaSociedade)

"A liderança é o cimento que aglutina e faz andar"

"Qualquer que seja o caso, público ou privado, o exercício da administração e gestão das escolas associa-se predominantemente ao conceito clássico de chefia, fundamento da hierarquia directiva ainda hoje mais corrente nas organizações públicas portuguesas e em boa parte das privadas, embora sejam já claros os sinais da inevitabilidade de uma reformulação conceptual e da adopção de novas práticas, inspiradas no conceito de liderança.
É inquestionável que o tema é hoje um tópico importante de reflexão e discussão no âmbito da administração e da gestão escolar, de tal forma que alguns assinalam mesmo ter-se tornado um tema de moda. Infelizmente em Portugal o debate é ainda muito restrito, a investigação é escassa, e a afirmação de lideranças é frequentemente encarada como um processo de poder pessoal e não como uma dimensão colectiva ancorada num projecto de inovação e mudança e de afirmação da qualidade da oferta escolar.
As escolas são organizações, têm vida própria, vão-se construindo de acordo com um tempo e um contexto, um e outro mutantes, têm os seus diversos actores, têm a sua própria história; a liderança é o cimento que aglutina e faz avançar."

José Manuel Silva

(extracto de mensagem, datada de 07/04/15 e intitulada "Gestão e liderança nas escolas públicas portuguesas. Da revolução à globalização", disponível no blogue do autor - Campo Lavrado)

domingo, abril 15, 2007

The most successful businessman

"The most successful businessman is the man who holds onto the old just as long as it is good, and grabs the new just as soon as it is better."
Lee Iacocca

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 27, Issue 463-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )

sexta-feira, abril 13, 2007

Representante de Portugal no BFUG?

Proveniente da direcção da minha Escola, recebi ontem na caixa de correio electrónico a mensagem de que reproduzo abaixo o essencial.
Confesso que fiquei sobremaneira intrigado. Já alguém tinha ouvido falar do "BFUG"? Para que serve? Será caso para apresentar cumprimentos ao colega nomeado pela distinção de que foi alvo?
Ficar-vos-ei eternamente grato se me puderem ajudar a superar as dificuldades que enuncio.

"Exmos. Senhores,
A pedido da Presidente da Escola [...], divulga-se por este meio que foi publicado no Diário da República, 2ºsérie, de 3 de Abril de 2007, o Despacho nº6545/2007 do Gabinete do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que informa que a representação institucional de Portugal no BFUG (Bologna Follow-up Group) fica cometida à Direcção-Geral do Ensino Superior e que o representante da DGES no BFUG é Sebastião José Cabral Feyo de Azevedo, Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Os meus cumprimentos,
[...]"

"Bolonha", à portuguesa, continua a ser uma caixa de surpresas!

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, abril 11, 2007

Lei da avaliação das IES e “rankings”: servem? Para que servem?

Em mensagem datada de hoje, e intitulada “Lei da avaliação”, JVC (JVC-ApontamEntoS) dá-nos notícia de que “o governo aprovou uma proposta de Lei da avaliação da qualidade do ensino superior.”. Tomamos nota do facto, para o qual já vínhamos sendo prevenidos há algum tempo. Aliás, JVC e outros autores de blogues temáticos, tiveram oportunidade de produzir vários textos sobre isso.
Se o que fica dito não traz novidade, aparte a data do acto, em si, interessante é a ênfase que a proposta de lei põe na criação de “rankings” de Instituições de Ensino Superior, “um aspecto essencial em que – creio que posso falar pelos meus dois amigos e co-autores – estamos em franco desacordo", diz JVC.
A esse propósito, entre outras coisas, adianta JVC o seguinte:

«Os “rankings” são coisa inútil, perigosa e estúpida.
São coisa inútil porque só servem para muitos homenzinhos pequeninos (as senhoras só critico com uma rosa na mão) terem sonhos masturbatórios, mesmo que venham em 547º lugar mundial, mas à frente do colega de outra universidade portuguesa que vem em 549º.[…].
Nada de mal se isto fosse apenas um jogo de vaidades. No entanto, tem perigos. Os "rankings" são calculados com base em "indicadores" quantitativos, aliás variáveis. O perigo é o de as universidades, em vez de se preocuparem com os aspectos essenciais, qualitativos, da sua política de qualidade, dirigirem os seus esforços para a melhor pontuação nos critérios artificialmente definidores do "ranking".
Finalmente, os "rankings" são estúpidos. Não se trata de um campeonato de futebol, centrado a quase 100% nos golos marcados. A qualidade de uma instituição avalia-se por múltiplos factores, muitos dos quais não facilmente quantificáveis e muitas vezes impossíveis de serem reflectidos numa classificação global. […].».

Devo dizer que, no essencial, subscrevo o que o colega citado adianta nessa matéria. Faço-o, até, com particular àvontade na condição de membro da unidade de investigação (NIPE) que, em parceria com outra sedeada na FEP/UPorto, criou e mantém o único “ranking” de unidades de investigação na área da Economia actualmente existente em Portugal (eventualmente, mesmo o único “ranking” de unidades de investigação existente em Portugal). Acrescento que esse ”ranking” foi mesmo criado na ocasião em que fui director da referida unidade de investigação e, por isso, o assumo nas suas virtualidades e, muitas, limitações. Cumpria, tem cumprido, o papel que lhe reservámos e que aparece expresso na página de apresentação, que, no essencial, redigi na ocasião; cito:

Economics Research in Portugal:
People and Institutions

“The motivation to make available the ranking of economic institutions and researchers is to contribute to greater transparency in our academic field of work. It also envisages to stimulate the quality of the Portuguese researchers' scientific production.

We are well aware that the scientific production published in international journals is only a partial portray of all research done in Economics. Ideally, the quality of research should be evaluated by its contribution to economic development.

The ranking of researchers and institutions we offer follows other similar international work and the results it produces are supported in hypotheses which are detailed in the specific rankings used. The informational potential and limitations of the ranking results are strictly related to those working hypotheses and should be interpreted accordingly. Further details are discussed in the FAQ link.”
(http://www2.eeg.uminho.pt/economia/nipe/index_pt.htm)

Concluindo: i) os “rankings” têm a valia que têm – conforme sublinhado neste caso, não há que confundir a produção científica publicada em revistas internacionais com a relevância científica e técnica da produção realizada pelos centros de investigação, se bem que o que é contabilizado para o referido efeito seja componente essencial; ii) a realidade das unidades de investigação em Economia adquiriu, de facto, uma transparência que nunca teve antes, disso não há a menor dúvida (mas a questão é mesmo essa: faltava-lhe transparência básica); iii) para o NIPE, em particular, esse foi o melhor instrumento de marketing que pudemos mobilizar.
Servirá este exemplo para outras situações, nomeadamente a que aqui é invocada como pano de fundo? Tenho sérias dúvidas. E se servir, servirá para quê?

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, abril 10, 2007

"Novas Independentes nos esperam"

SNESup – Sindicato Nacional do Ensino Superior
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"AS LIÇÕES (FINAIS) DA INDEPENDENTE
Reza uma inaplicada Constituição da República que as Universidades gozam de autonomia em diversos planos, o que, no ensino superior particular e cooperativo, deveria ter expressão no princípio da separação entre a administração pelas entidades proprietárias e a direcção académica.
No ensino público a intervenção (e responsabilização) da entidade proprietária - o Estado - é praticamente inexistente, como o mostra a circunstância de o Instituto Politécnico de Beja ter deixado de pagar os vencimentos por inteiro a parte do seu pessoal docente e de a tutela virar a cara para nada ver, nada ouvir, nada dizer.
No ensino particular, pelo contrário, a intervenção e a intimidade são excessivas, como o mostra a confusão entre sócios, administradores, reitores e vice-reitores que sempre existiu na Universidade Independente, e que leva a que a perda de idoneidade da entidade proprietária acarrete a perda de viabilidade do estabelecimento de ensino.
Primeira lição: é preciso avaliar a idoneidade das entidades proprietárias e acompanhar com regularidade o cumprimento das suas obrigações em relação às instituições de ensino superior particular.
A esforçada Direcção-Geral do Ensino Superior constitui impecáveis "dossiers" para instruir processos de reconhecimento da utilidade pública de novas instituições do ensino superior particular e processos de autorização de funcionamento dos próprios cursos mas só por ingenuidade pode acreditar que tudo vai funcionar como está no papel. E o facto é que a tutela, até agora, só parece mexer-se quando o irreparável já está nas páginas dos jornais.
Segunda lição: é preciso observar, e avaliar, com regularidade o funcionamento das instituições de ensino superior, quer das públicas quer das particulares, por forma a verificar se os pressupostos de qualidade se mantêm.
No ensino público e no ensino particular, as instituições devem ter corpos docentes estáveis e, consequentemente, responsáveis, o que sucede cada vez menos no público e praticamente nunca sucedeu no particular. Governos e Inspecções-Gerais fecham deliberadamente os olhos a contratos de aquisição de serviços e a "contratos de docência" que relevam de verdadeira ficção científica. É por isso que nos dias finais da Independente cada facção anunciou livremente o seu próprio corpo docente como se não existissem normas sobre celebração e cessação de contratos. É por isso que vimos no terreno a Inspectora - Geral e o Director - Geral do Ensino Superior, a confrontar os tais "dossiers" impecavelmente organizados sobre a Uni com os escombros da instituição, mas não o Inspector-Geral do Trabalho a qualificar os contratos do pessoal docente como contratos de trabalho e a apurar quando se deve de salários aos interessados e a quanto terão direito de indemnização por despedimento.
Terceira lição: é preciso avaliar a qualidade das relações laborais, encarada como uma garantia da qualidade global das instituições e de uma efectiva autonomia em relação a interesses ilegítimos.
A proposta de Lei de Avaliação que o MCTES acaba de anunciar mostra que nenhuma destas lições foi apreendida. Designadamente, o cumprimento da legislação laboral fica fora do campo da avaliação e os Sindicatos de Professores não são considerados interlocutores do processo de avaliação.
Novas Independentes nos esperam.
Paulo Peixoto
Presidente da Direcção do Sindicato Nacional do Ensino Superior
(em o Público de 4 de Abril de 2007) "
/...
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida em 07/04/09, proveniente da entidade que se identifica acima)

segunda-feira, abril 09, 2007

Dimensão das caixas de correio electrónico

«Bom dia,
Acredito que o dito pelo Sr. Aguiar e Assis Azevedo seja uma boa ideia. E felicito a UM pela migração dos seus sistemas e a evolução que isso significa. Mas acredito que seja importante dizer que o problema não fica solucionado só por contar com uma caixa de correio de maior capacidade, mas sim, por implementar um sistema de boas práticas no que a gestão das nossas caixas de correio significa. 15 MB é naturalmente insuficiente, mas não acredito que dentro de um par de meses ou semanas não existam utilizadores com o seu GB de armazenamento perto dos 95%...
Apagar ficheiros desnecessários, criar cópias locais, verificar o tipo de attachments nos e-mails, e finalmente, mas não menos importante, perceber minimamente como o sistema funciona (IMAP, Exchange, Outlook, etc.) constitui uma ajuda preciosa para evitar transtornos em servidores, e-mails não entregues, etc. Acredito que o sucesso das ferramentas e dos sistemas é sempre responsabilidade de todas as partes envolvidas.
Votos de uma boa Páscoa,
Pablo Araya Kroff»
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«Bom dia,
Informação em relação ao novo serviço de email da UM:
Está a decorrer desde Setembro de 2006 a migração das contas de correio existentes no sistema gerido pelo SCOM para uma nova infra-estrutura de email gerida pelo SAPIA.
Todos os alunos e serviços da UM transitaram as suas contas de correio para o novo sistema até Dezembro de 2006.
Este ano já iniciamos a fase que culminará com a passagem do serviço de email de todos os departamentos e escolas do actual sistema do SCOM para o novo sistema, passando a ter, as caixas de email de docentes e funcionários, a capacidade de 1GB de espaço.
Porque sabemos que o email é uma ferramenta essencial de trabalho na UM, a migração está a ser feita gradualmente por departamento/escola de forma a causar o menor transtorno possível.
Uma vez que tecnicamente não é possível migrar entre sistemas caixas individuais mas sim todo o domínio de email (ex. ...@sapia.uminho.pt) de um departamento/escola de uma só vez, o SAPIA está a contactar gradualmente as várias unidades da UM para trocar com elas informação que garanta que o processo decorre sem qualquer problema.
Cumprimentos e boa Páscoa.
Filipe Clemente»
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«Parece-me que há já vários anos que as nossas contas não passam dos 15MB. Se este valor era razoável nos anos 90, nesta altura é verdadeiramente absurdo.
Se de facto é assim tão difícil à Universidade proporcionar aos seus docentes contas com uma capacidade minimamente decente (qualquer coisa na casa dos 1500 MB, ou seja cem vezes maior do que a capacidade actual) proponho que a Universidade tente chegar a acordo com a GMAIL, serviço gratuito de e-mail que disponibiliza cerca de 2500 MB.
De certeza que os gestores da GMAIL veriam aqui uma boa oportunidade e não nos desdenhariam. Por outro lado, a Universidade do Minho passaria a dar uma imagem fresca de modernidade com e-mails do tipo lfaguiar@gmail.uminho.pt, em vez de passar a imagem de anacronismo informático, que actualmente passa.
Fica a sugestão. Cumprimentos e Boa Páscoa
Luís Aguiar Conraria»
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«Boa tarde
Com uma frequência cada vez maior são enviados para as listas da universidade, mensagens com ficheiros muito grandes (word, pdf, etc) anunciando conferências e ou seminários.
Nos últimos dias então a situação tem piorado com ficheiros de 2 ou 3 Mb a serem enviados em duplicado e triplicado.
Isto tem levado a muitos problemas de espaço e a muitas contas bloqueadas pois muitos de nós só temos disponíveis 15MB. Ainda por cima todos (penso eu) os ficheiros que vêm em anexo estão disponíveis em paginas www (muitas vezes do próprio departamento ou ...).
Sugiro assim que, sempre que possível, em vez dos ficheiros enviem o endereço da página onde esses ficheiros podem ser encontrados.
Cumprimentos e bom fim de semana
Assis Azevedo»
/….
(reprodução integral de cadeia de mensagens recebida na caixa de correio electrónico entre 6 e 8 de Abril pp., pela ordem com que surgem na última)

Comentário: a nomenclatura está muito menos arrogante; porque será? Não era de supor que a resolução do problema identificado tivesse tido um nível elevado de prioridade? Porque não teve?

sábado, abril 07, 2007

Chato será se os nossos políticos passarem a valer pelo mérito dos seus desempenhos

Enquadrando a revista de imprensa que teve a simpatia de fazer para nós em 07/04/06, Alexandre Sousa (Co-Labor) propõe-nos a epígrafe “OBVIAMENTE, a UnI NUNCA podia fechar…”. Deduz-se que nos antecipa a decisão de Mariano Gago, a anunciar publicamente na 2ª feira pf.
Sei-o bem informado e não me parece grande exercício de adivinhação aquele a que se abalançou, não lhe negando o mérito da pontaria.
Para mim, entretanto, o que é importante não é a eventualidade da UnI fechar ou não. Importante é sublinhar que a UnI - esta e umas quantas outras ainda abertas ou já exauridas - nunca devia ter sido autorizada. Tendo-o sido, criou-se o lastro para o descrédito que se veio a revelar, arrastando no seu estertor, a título de dano colateral, um pouco da credibilidade do sistema de Ensino Superior nacional, no seu todo. Substanciando o que digo, aparte estórias bem conhecidas, a título de exemplo, retenha-se a qualidade dos respectivos corpos docentes, de que também é boa ilustração o recém-designado (não se sabe bem por quem) reitor da dita UnI.
Neste quadro lamacento, relevar os títulos de Eng. e Dr. é coisa de somenos importância, até porque, se esses títulos sempre foram um faz-de-conta próprio da nossa idiossincrasia lusitana, com a reforma que chamamos de Bolonha nem esse faz-de-conta se conseguirá aguentar.
Chato, chato será se, doravante, os nossos políticos passarem a valer pelo mérito dos seus desempenhos, ao invés de valerem pelos títulos que ostentam, e pela corte de que se fazem rodear. Até lá, porém, ainda temos que esperar pela chegada da revolução cultural, que, embora há muito anunciada (creio que por Mao Tsé Tung), tarda em chegar.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, abril 06, 2007

“Schooling inequality and the rise of research”

“During the last twenty years the share of researchers in the workforce has been rising in OECD countries. The consistency of this pattern suggests that it is not a transitional phenomenon. This paper demonstrates that the rise of research can occur in the steady state when schooling inequality is declining. Comparative static analysis of a semi-endogenous growth model with a continuous distribution of skills shows that a reduction in skill inequality can have a variety of effects, which includes a rising share of researchers. Additionally, the height of the growth rate of mean educational attainment is shown to have a positive effect on the proportion of researchers in the workforce, without causing it to grow.”

Bas Straathof
Keywords: Schooling inequality; Economic growth
Date: 2005-06
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:deg:conpap:c010_012&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, abril 04, 2007

Há "estórias" que é melhor não lembrar

Há indivíduos que se pelam por aparecer na comunicação social. Veja-se, a propósito, o destaque de ontem do Blog de Campus: "Ex-ministro deseja que se faça tudo para salvar a Independente".
Não reconhecerá o colega João de Deus Pinheiro que há "estórias" que é melhor não lembrar? Preocupado que está com o evoluir da Universidade Independente, porque não se voluntaria para ser seu reitor, como fez não vai para muito tempo com a Universidade Moderna, de Lisboa? Será porque ainda não recuperou da "dor de rins" que o acometeu pouco depois de aí iniciar funções, que o levou a uma resignação prematura?

J. Cadima Ribeiro

«L'enseignement supérieur, un élément de la dynamique des territoires.»

«Higher education establishments have a very important role for local development, especially for medium-sized towns. Universities are at the origin of jobs, and income, therefore they play a role for local development. In the last decades, local authorities have found it logical to relocate universities in France. But, for the future, this effort to attract new university programmes will probably oppose overall national policy. Of course, in a national and international context of competition, the most powerful universities have a true comparative advantage.»

Michel Vernières (Centre d'Economie de la Sorbonne)
Keywords: France, higher education, local development, regional planning, relocation.
Date: 2006-12
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:mse:wpsorb:r06075&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, abril 03, 2007

70 milhões de euros!

«O Governo prepara-se para assinar um quarto acordo de “internacionalização do sistema científico e tecnológico português”: dentro de duas semanas – mais precisamente a 18 de Abril –, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) lança as bases de entendimento com a sociedade Fraunhofer, rede germânica de investigação aplicada que reúne 80 unidades de investigação.»
[...]
«Nos três acordos de parcerias assinados anteriormente com as universidades norte-americanas – MIT, Carnegie e Texas (Austin) –, foram envolvidos 141 milhões de euros, dos quais 70 milhões destinados às instituições estrangeiras.»
/...
(extractos de mensagem intitulada "Governo assina com Fraunhofer quarto acordo internacional", datada de 07/04/02, disponível em Blog de Campus)
Comentário: o MCTES lá prossegue, afanosamente, a sua política de financiamento de instituições de ensino e investigação estrangeiras; vá lá que desta vez trata-se de uma instituição europeia, pelo menos.

domingo, abril 01, 2007

A Educação não é um ramo da Economia - II

A sociedade portuguesa viu instalar-se nos derradeiros anos um discurso negativo sobre os seus recursos e capacidades. [...].
Esse discurso descrente e desencantado tem intérpretes em múltiplos sectores da sociedade mas parece ter penetrado mais fundo no sector da educação, incluindo o ensino superior.
[…].
Colocadas num contexto geral de reflexão sobre a evolução e futuro da formação graduada e pós-graduada, estas questões têm merecido a atenção de diversas instâncias nacionais e internacionais. Para reter um desses documentos, menciono aqui o relatório da UNESCO sobre “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences” (Word Conference on Higher Education, Paris, Outubro de 1998).
Recomendando vivamente aos interessados a leitura do citado documento, de forma sumária não queria deixar de dar aqui o meu testemunho sobre as questões mencionadas.
1. […];
2. Há quem pretenda confundir Educação e Economia. Conforme o sublinha o documento da UNESCO já identificado, “a Educação não é um ramo da Economia, nem o processo educativo, os seus propósitos últimos ou os seus resultados ou ‘produção’ são comparáveis aos da Economia” (UNESCO, 1998, p.3). E, contínua, é, antes, “um sector essencial da sociedade e uma condição da existência social”
Naturalmente que a formação universitária deverá também formar técnicos, que sirvam as empresas, que sirvam a sociedade. Mas são, deverão ser, as licenciaturas assimiladas simplesmente a cursos de formação profissional? E porquê então subsistem sistemas de ensino universitário, politécnico, de formação profissional?
Obviamente que a sociedade do presente, a sociedade do conhecimento, e o ritmo das rupturas tecnológicas e organizacionais impõem um outro projecto de Universidade e um outro modelo de parceria entre a universidade e a economia. Isto porque o conhecimento cria-se, crescentemente, através da acção e uma nova partilha de tarefas se institue entre investigação fundamental, investigação aplicada, inovação e transferência, e porque, nesse contexto (que só parcialmente é ainda o do presente), a formação não estará mais a montante da investigação. Mas quem é que em Portugal já encarou seriamente isso? Que políticas activas estão esboçadas para aproximar o presente do futuro?
3. É recorrente o discurso culpabilizando os professores e a gestão universitária pública pela frustação dos estudantes em matéria de saídas profissionais, e, antes disso, pelo insucesso escolar. Isso tem servido de pretexto para atingir fortemente a autonomia das instituições de ensino público consagrada nas leis que a essa matéria se referem, publicadas nos anos 80. Nesta vertente, convergem o discurso dos estudantes, de alguns sectores empresariais e o dos governos (o presente e os anteriores, de iniciativa do PS).
O discurso é de tal modo desqualificado e demagógico que se emaranha nas suas próprias contradições. Para sublinhar algumas dessas contradições, deixemos algumas perguntas de resposta óbvia: i) quem permitiu a inúmeras instituições privadas operar como instituições de ensino superior e quem autorizou o funcionamento dos respectivos cursos? ii) Quem regula as condições de acesso e define os contingentes de alunos que ingressam no sistema público? Quem é que veio reclamar a necessidade de regular a criação de cursos superiores quando o mercado já dispensava essa intervenção reguladora?
As considerações que antes deixo pretendem dar conta da complexidade do que está em causa. Antes disso, porém, visam sublinhar que não é matéria onde o discurso fácil e a demagogia devam ser incentivados. Infelizmente, o que se tem visto em Portugal é o rigoroso contraponto do que aqui enuncio.

J. Cadima Ribeiro

(reprodução da 2ª parte de texto datado de 2003/12/03: a 1ª parte foi divulgada na 5ª feira pp.)
Comentário: às vezes tenho curiosidade de rever peças escritas que tenho no baú; esta é uma delas)

sexta-feira, março 30, 2007

Serviço Público - Reitoria da UMa põe em causa doutoramentos e continuidade de Assistentes e Professores Auxiliares

«SNESup – Sindicato Nacional do Ensino Superior
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90 docentes da UMa em risco de serem dispensados Assistentes têm seis anos, tempo de duração do contrato, para concluírem o doutoramento Pelo menos uma docente de Física já foi dispensada pela Universidade da Madeira (UMa).
DN-Madeira, 30-03-2007

Todos os assistentes da Universidade da Madeira que até ao final do contrato não tiverem realizado o doutoramento serão dispensados. Quem o afirma é o vice-reitor da UMa, António Brehm, em resposta escrita, com base na resolução do Senado Universitário que aprovou o orçamento da instituição. Em causa estão 90 assistentes, tendo em conta que, em declarações à TSF-Madeira, o reitor Pedro Telhado afirmava que existem 220 docentes na UMa a tempo inteiro, dos quais 90 doutorados e 40 com nomeação definitiva. A medida está a causar preocupação junto dos docentes, uma vez que, ao que tudo indica, não será igualmente concedida a prorrogação de dois anos aos contratos dos assistentes (de seis anos), tal como está definido no Estatuto da Carreira Docente Universitária, utilizados pela maioria para a conclusão do doutoramento.
Aos assistentes são também concedidos até três anos de dispensa para que possam preparar a dissertação de doutoramento. Porém, segundo informações recolhidas na auscultação de docentes, que por se encontrarem ainda a contrato preferiam proteger-se com o anonimato, existem situações em que, tendo gozado dois anos de dispensa, alguns assistentes solicitaram o terceiro ano, que já decorreria no período de prorrogação (biénio), tendo esse pedido sido negado pela reitoria, contra os pareceres favoráveis dos departamentos em que estão integrados. Uma recusa que leva a crer que os biénios não serão concedidos, ficando a conclusão dos doutoramentos limitada aos seis anos de contrato.
A situação está a merecer a atenção do Sindicato Nacional do Ensino Superior, conforme foi referido pelos delegados sindicais Teresa Nascimento e Luíz Carlos Lopes, que apenas assumiram funções na passada quarta-feira. Mas apesar de só agora estarem a inteirar-se da situação como representantes sindicais, Teresa Nascimento afirma que a posição do SNESup será de "diálogo" mas também "muito firme relativamente à defesa dos direitos dos docentes, tal como eles estão consignados no Estatuto da Carreira Docente".
Embora sejam os assistentes que estão na primeira linha das dispensas, a medida poderá afectar os professores auxiliares (doutorados mas ainda sem nomeação definitiva). Uma possibilidade que foi admitida por Pedro Telhado à TSF-Madeira, embora, na resposta, escrita, ao DIÁRIO, o vice-reitor António Brehm tenha afirmado desconhecer "qualquer medida nesse sentido". Pelo menos uma assistente do departamento de Física já foi dispensada. Apesar de já ter concluído o doutoramento, a reitoria alega que fê-lo fora de prazo.

Racionalização
Segundo as declarações do reitor da Universidade da Madeira à TSF, está a ser efectuado um estudo, designado por 'Racionalização de efectivos'. "Estamos a fazer um estudo de racionalização de efectivos sobre as necessidades reais que há em cada especialidade", afirmou Pedro Telhado, que manifestou-se também preocupado pelo facto de os docentes universitários dispensados não terem direito a subsídio de desemprego.
O reitor admitiu ainda que a Universidade poderá encerrar alguns cursos.
Segundo Pedro Telhado, uma redução efectiva de alunos poderá levar a uma medida nesse sentido.
sornelas@dnoticias.pt>Sílvia Ornelas»
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida hoje, com origem na entidade identificada

quinta-feira, março 29, 2007

A Educação não é um ramo da Economia

A sociedade portuguesa viu instalar-se nos derradeiros anos um discurso negativo sobre os seus recursos e capacidades. É, de certo modo, o retorno cíclico ao “Velho do Restelo”.
Esse discurso descrente e desencantado tem intérpretes em múltiplos sectores da sociedade mas parece ter penetrado mais fundo no sector da educação, incluindo o ensino superior. Curiosamente, ou talvez não, os estudantes e os seus representantes associativos encontram-se entre os seus maiores cultores. A rivalizar com eles sugere-se quase só o discurso governamental, falho de convicção e amarrado a grupos de interesses que não vêem no ensino e na formação senão o negócio.
São pedras de toque da mensagem da desgraça, especialmente:
i) a suposta degradação da qualidade do ensino superior oferecido (com ênfase maior no ensino público);
ii) a perda de pertinência da formação ministrada face às solicitações do mercado de trabalho (vulgo empresas);
iii) a culpabilização dos professores e da autonomia das instituições pela proliferação de cursos que não oferecem perspectivas de saída profissional aos seus diplomados.
Colocadas num contexto geral de reflexão sobre a evolução e futuro da formação graduada e pós-graduada, estas questões têm merecido a atenção de diversas instâncias nacionais e internacionais. Para reter um desses documentos, menciono aqui o relatório da UNESCO sobre “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences” (Word Conference on Higher Education, Paris, Outubro de 1998).
Recomendando vivamente aos interessados a leitura do citado documento, de forma sumária não queria deixar de dar aqui o meu testemunho sobre as questões mencionadas.

1. Quem, como eu, acedeu ao ensino superior universitário na fase de transição do ensino elitista do início dos anos 70 para o ensino massificado do pós-25 de Abril e, posteriormente, na condição de docente, viveu a euforia da expansão do sistema universitário nos anos 80 e 90 do século XX, não pode deixar de ficar perplexo com o simplismo do discurso sobre o ensino superior em Portugal.
Se bem que não se possa esperar dos estudantes que frequentam actualmente as instituições uma “memória” dos progressos realizados, pode-se-lhes pedir a honestidade intelectual de evitarem afirmações infundadas ou não suportados pelos factos que assistem à configuração presente do sistema de ensino superior. Para falar daquilo que conheço bem, deixo aqui apenas 2 números: quando ingressei como docente no começo dos anos 80, a minha Escola/Faculdade tinha um corpo de 3 doutores; hoje tem 50, e dentro de um ano e meio deverá contar com 60. No mesmo contexto de testemunho pessoal podia reportar-me às instalações, ao equipamento informático, aos serviços de apoio, etc.
[...]

J. Cadima Ribeiro

(reprodução da 1ª parte de texto datado de 2003/12/03)

Comentário: às vezes tenho curiosidade de rever peças escritas que tenho no baú; esta é uma delas)

quarta-feira, março 28, 2007

The most successful businessman

"The most successful businessman is the man who holds onto the old just as long as it is good, and grabs the new just as soon as it is better."

Lee Iacocca

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 27, Issue 463-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

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"Good business leaders create a vision, articulate the vision, passionately own the vision, and relentlessly drive it to completion."

Jack Welch

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 6, Issue 460-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

segunda-feira, março 26, 2007

MBAs e enigmas

Numa altura em que está na berra a discussão sobre entendimentos e desendimentos de escolas lisboetas em torno da oferta, futura, de um MBA comum, patrocinado pelo MCTES e pelo MIT, cada um a seu modo, e em que se anuncia que Belmiro de Azevedo prossegue diligências para a criação de um projecto similar "a norte", aparece nos jornais - ou, pelo menos, no blogue de um jornal (Jornal de Negócios), hoje - um artigo de promoção do MBA da EGP (cf. Blog de Campus: "Quebrar as regras", por António Portela).
Não é uma coincidência extraordinária? Com um projecto tão extraordinário em plena execução, que justificação fica para gerar um projecto alternativo ou diluí-lo num outro, nebuloso, como são todos os projectos que ainda não sairam da mente dos seus promotores? Terá sido Belmiro de Azevedo a projectar a campanha ou anda alguém a sabotar-lhe o terreno?
Se os meus caros colegas não tiverem mais nada com que se ocuparem, podem sempre dedicar-se a deslindar o enigma que vos trago.
Para vos aguçar o apetite para a leitura do texto promocional em causa, deixo-vos um pequeno extracto de abertura. Então, é assim:

«Por António Portela, aluno do MBA Executivo da Escola de Gestão do Porto: “How much change are you prepared to embrace?”, questionava-nos Steven Sonsino, perante o olhar atento do Professor Daniel Bessa, depois de observar os cerca de 60 alunos da sua turma do MBA Executivo a lançar aviões de papel feitos pelos próprios. Era a nossa segunda tentativa e todos os aviões voaram bem mais longe que da primeira vez. O Professor Sonsino acabava de mostrar a importância de uma boa liderança, sem recorrer a nenhuma teoria explicativa de um manual de liderança.»

Aprendam!

J. Cadima Ribeiro

domingo, março 25, 2007

Escolas de Negócios, MBAs e trapalhadas

Em tempo de parábolas, nos últimos dias os jornais têm trazido abundantes notícias sobre acordos que se estabelecem entre universidades lisboetas para a implementação de MBAs conjuntos, sob a égide ou não do MIT, de deslealdades entre parceiros de supostos projectos comuns, futuros, e de iniciativas tomadas “a norte” para criar um projecto de alcance internacional concorrente.
Vou acompanhando o folhetim com alguma curiosidade sobre os episódios que se seguem, mas sem grande expectativa de ser surpreendido, tanto mais que vou conhecendo razoavelmente o meio e a maioria dos protagonistas. Aliás, por circunstâncias de enquadramentos institucionais passados, estive envolvido pessoalmente em diálogos mantidos “a norte”, vai para cinco anos, que visavam, basicamente, a mesma coisa, sendo os protagonistas em larga medida coincidentes, se tirarmos este vosso humilde servo.
É pois com algum conhecimento de causa que vos digo que não acredito que a agitação presente vá conduzir a muito mais que um rol de acusações recíprocas de falta de vontade das partes de concretizar o projecto e de ânsia de protagonismos, aparte a componente académica, que é aquela que menos importa nas iniciativas que estão em curso.
Para ser mais claro, sublinhe-se que:
i) Belmiro de Azevedo teve já um papel fundamental no desenrolar das coisas há 5 anos, amparando um dos projectos, embora fosse claro como água limpa que a unidade visada era inviável de se fazer em torno desse projecto, que tinha tido uma génese unilateral e consubstanciava a típica visão hegemónica do Porto sobre todo o território “a norte”;
ii) Ludgero Marques também era já outro dos protagonistas, secundado por Joaquim Azevedo, na altura o encarregada de missão da AIPortuense (vulgo, Associação Empresarial de Portugal);
iii) A FEP tinha também os mesmos dirigentes e mantinha-se ou era mantida pela reitoria do Porto olimpicamente fora do processo (embora se mostrasse desconfortável com a existência da EGP, por razões de solidariedade institucional formal estava impossibilitada de participar nos diálogos promovidos pela AIPortuense); e
iv) Na fase decisiva do processo, emergiu como reitor da UMinho o actual titular que, não percebendo nem a génese do processo nem a lógica dos actores no terreno, chamou a si o dossiê e, com isso, deu-lhe machadada decisiva.
Há outras pequenas histórias pelo meio que ditaram o desenlace do processo. Não sendo questão das lembrar nesta hora (ficarão optimamente num livro de memórias), há todavia uma que não resisto a contar, pelo que de caricato e ilustrativo mantém. É o caso de um reitor que, não se identificando com o processo, se manteve indisponível múltiplas semanas (por alegadas dificuldades de agenda) para receber o principal promotor institucional do projecto.
Quais são as grandes diferenças daquele para o presente momento?
A primeira diferença é que passaram mais de 5 anos, isto é, contam-se por mais de 5 anos o tempo perdido. A segunda exprime-se no facto de termos na tutela do sector um homem que é fan de tudo o que é internacional e, particularmente, do MIT (e suponho que também do Técnico) e faz absoluta questão de contribuir para o financiamento daquela universidade americana. A terceira está na circunstância de Joaquim Azevedo estar na Católica do Porto (se bem que me escape se está ou não também na AEP), embora isso possa ser mais ou menos irrelevante. A quarta reside na mudança operada na Universidade de Aveiro, que passou a ter uma reitora. A quinta e maior diferença residirá no facto de estarmos todos mais velhos e, admito, menos crédulos sobre a bondade com que certos actores se movimentam nestes terrenos. Desse ponto de vista, o que se vai passando por Lisboa em matéria de pequenas traições e de mesquinhez de objectivos parece-me elucidativo.
E deu Deus as nozes a quem não tinha dentes…

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 23, 2007

Marketing institucional: diferentes modos de estar no mercado

Há poucos dias (19 de Março), podia ler-se em Co-Labor, o seguinte:
«Por responsabilidade directa do vice-reitor Prof. J. A. Rafael foi disponibilizado via página da Universidade de Aveiro o relatório de auto-avaliação da instituição.
Este relatório faz parte do processo de avaliação institucional que a UA solicitou à Associação das Universidades Europeias (EUA), tendo como objectivo a melhoria contínua da sua qualidade.
Uma vez que este é um tema que tem interessado os escassos leitores dos blogs que dedicam à educação superior parte dos seus tempos «livres» e uma vez que a leitura dos escritos dos outros proporciona ganhos de escala, deixo aqui o link directo para os documentos fazendo votos de que aproveitem bem o trabalho de “partir pedra” feito nesta Universidade."
[...]».
Apeteceu-me comentar na ocasião o escrito e a iniciativa da Universidade de Aveiro mas, por condicionamentos diversos, só agora o posso fazer. Julgo que o comentário não perdeu oportunidade.
O primeiro aspecto que quero sublinhar é o contraste entre tornar pública esta informação e divulgá-la na Organização a agentes seleccionados, com indicação expressa do carácter reservado da informação. Conheço uma situação que ilustra a segunda postura. Admito que outros (outras universidades) tenham seguido idêntico modelo.
Decorrente do facto que antes anoto, o segundo sublinhado vai para as diferenças de estratégia em termos de marketing institucional que as universidades começam (ou continuam) a evidenciar: estratégias de marketing agressivas/afirmativas ou defensivas, envergonhadas. Quero eu dizer: os factos que comento antes não devem ser interpretados como fortuitos, casuísticos, circunstanciais. Serão antes, a meu ver, peças das estratégias promoconais das organizações ou da sua ausência (de estratégia, digo), até porque vêm no desenvolvimento de outros gestos ou de outros passos que os indiciavam.
Neste comentário, estou a manter presente o pralelismo entre o que vem fazendo a Universidade de Aveiro e o da outra universidade a que faço alusão a abrir.
Concluo com as duas notas seguintes:
i) acho inteiramente legitimo que a Universidade de Aveiro faça da visita dos representantes da EUA peça do seu marketing institucional (mesmo porque essas coisas nunca são à borla - o inestimentos devem ter retorno); e
ii) identifico-me com estratégias promocionais abertas, ousadas; fazer diferente é evidenciar insegurança, hesitação de propósitos (mesmo quando se quer parecer muito seguro) e, no mínimo, tomar o investimento como despesa.
Curiosamente, nesta última dimensão, quem opta pela segunda estratégia está a macaquear o que o governo português vem fazendo, em se tratando da educação e não só.

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, março 21, 2007

O acordo com o MIT revisitado

Embora já algo velhinha (de 27 de Janeiro pp.), não resisto a reproduzir parcialmente uma mensagem que encontrei em http://missaoecarreiraescolaengenharia.blogspot.com/, sobre a temática muito discutida do acordo celebrado pelo MCTES com o MIT.
Aparte uma ilustração do que foi o processo, encontra-se aí uma leitura pessoal das suas implicações. É, de certo modo, uma revisitação do debate gerado na altura da assinatura do acordo.
Segue-se o texto e a identificação do respectivo autor:

«MIT
Tive ocasião de na passada sexta-feira ir assistir a uma conferência em Gualtar promovida pelo acordo MIT-Universidade do Minho, em que participaram investigadores que falaram sobre presumivelmente o que de melhor se faz na Escola de Engenharia e também uma professora/investigadora do MIT.
Sobre a apresentação dos nossos investigadores, nada a dizer. De facto desde a apresentação de Estela Bicho à de Miguel Gama, não sendo um especialista nestas áreas, achei pelo menos interessante. Se estão na vanguarda ou não, não o saberei, mas pelo menos os robôs com capacidades cognitivas parecem-me ser algo de futurista. Já Miguel Gama apresentou algo que já vi noutros sítios e que também me entusiasma, ou seja, a libertação controlada de fármacos.
Nós também no nosso cantinho da investigação em química têxtil já fizemos algum trabalho nessa área para têxteis médicos ou funcionais. Não fomos foi convidados a expôr os nossos trabalhos. Não que isso me preocupe, mas demonstra o que já disse noutra ocasião sobre todo este processo do MIT: foi muito pouco democrático e transparente.
O Presidente da Escola, responsável máximo desta colaboração, quem escolheu para esta colaboração? Os polímeros! Os biomateriais vieram por acréscimo ou por serem uma investigação de grande visibilidade na UM? Se eu fosse responsável também os escolheria porque têm de facto trabalho reconhecido já feito, demonstrado pelas publicações em revistas de reconhecido mérito. Mas olhava também em meu redor e não para o umbigo e via se mais alguma investigação poderia ser de interesse para o acordo com o MIT!
Podem responder que a electrónica estava lá representada nessa conferência (Estela Bicho e Higino) embora tenho a sensação que não fazem parte das áreas escolhidas. Mas haverá só mais a electrónica para além dos escolhidos? Talvez por não ter havido uma auscultação a todos os centros e uma dinamização de todos para este desafio do MIT, na conferência estavam muito poucos docentes de Engenharia. Que conhecesse contei meia dúzia.
Estava cheio de alunos, ávidos de informação e esperançados de conseguir uma bolsa. Sim, porque este tão propalado program, resume-se a isso: bolsas para doutoramenteos e não sei se também pos-docs! Claro que os alunos contemplados são dos cursos e dos centros de investigação ligados essencialmente aos departamentos já mencionados. E os outros alunos? Os de engenharia civil, engenharia têxtil, engenharia mecânica, informática, etc?
E os investigadores dos outros centros? Os do Centro de Ciencia e Tecnologia Têxtil por exemplo? Deste centro já surgiram mais patentes do que de qualquer outro, por exemplo. Sim porque na indústria as publicações não contam! Conta a inovação que tenha aplicação.
É certo que há uma área, a do automóvel, que é de extremo interesse para o País. Mas nesta área já não são só os metais que estão a ser substituídos por compósitos, mas os polímeros(plásticos) também. E compósitos de quê? De fibras! Para além dos compósitos os têxtes técnicos estão em toda a parte do automóvel: os não-tecidos como isolamento, os revestimentos dos tabliers e das portas são tecidos revestidos com poliuretano ou PVC, os estofos são têxteis especiais quando não são de cabedal. E então? Onde estão os investigadores têxteis neste programa?
[...]
Penso dum provincianismo atroz escolher uma Universidade para desenvolver o nosso País, por muito boa que essa Universidade seja. E desta forma, enviando alunos para fazer doutoramentos, então é de rir. Os novos doutores, voltarão para Portugal e vão fazer o quê? Vão fazer pós-docs? Só se for. A indústria não tem capacidade para os absorver. Primeiro era necessário desenvolver a indústria, e isso não se faz com PhDs. A investigação tem de ser junto com a indústria! E isso significa em Portugal, não por e-mail e teleconferências.
É a minha opinião e penso que de grande parte da indústria, seja a chamada indústria tradicional ou as novas indústrias. Quem poderá beneficiar são as indústria que já têm núcleos de I&D importantes, e essas estão lá fora (as poucas nacionais com núcleos de I&D não dão neste momento para as encomendas).
As Universidades nacionais também não recrutarão tão cedo. Para onde vão estes doutores? Ficam lá, nos EUA, é o mais certo. Chama-se a isto fuga de cérebros e estamos a gastar dinheiro dos nossos impostos para dar uma ajudazinha à fuga que já existe.
Somos de facto originais!»

Jaime Rocha Gomes

terça-feira, março 20, 2007

Regime de eleição do reitor - II

«Caros colegas
Tal como o colega Joaquim Sá, também já percebi há muito que os Forum on-line da intranet não funcionam. Por isso deixo aqui a sugestão que se faça o diálogo por via dos blogs. Penso que o colega Cadima foi pioneiro nesta modalidade aqui na UM. Espero que outros lhe sigam o exemplo. Em relação à sugestão do colega, concordo com a representação por escolas na Assembleia. Aliás o meu blog vai nesse sentido:
http://missaoecarreiraescolaengenharia.blogspot.com/
Saudações Académicas
Jaime Rocha Gomes
DET
Escola de Engenharia»
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(reprodução integral de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico em 07/03/20, com a autoria que aparece identificada)

Serviço público - novo regime das provas de agregação

«NOVO REGIME DAS PROVAS DE AGREGAÇÃO
Colegas:
O MCTES divulgou em 15 de Março um comunicado onde, a certo passo, se pode ler:
"Entre os decretos-leis aprovados hoje encontra-se o que procede à aprovação do novo regime jurídico do título académico de agregado. O titulo académico de agregado visa atestar, num determinado ramo do conhecimento ou sua especialidade, a excelência do currículo académico, profissional, científico e pedagógico, uma elevada capacidade de investigação, um alto nível cultural numa determinada área e a aptidão para dirigir e realizar trabalho científico independente.
Para além da introdução de uma definição moderna e clara do que o título atesta e das provas que conduzem à sua atribuição, institui-se a obrigatoriedade de, quando o candidato seja docente ou investigador da universidade onde requer a realização das provas, a maioria dos membros do júri ser externa a esta universidade, de modo a contribuir para a desejável abertura institucional, bem como a obrigatoriedade de a votação do júri ser nominal e fundamentada, terminando com o inaceitável secretismo actual.
Refira-se, também, que este diploma permite, nomeadamente: a equiparação entre os aprovados em provas de habilitação cientifica e os aprovados em provas de agregação; a utilização de línguas estrangeiras nos documentos a serem utilizados nas provas, desde que autorizado pela Universidade; e a divulgação de composição dos júris, dos resultados de apreciação liminar e das provas públicas via Internet
."
Chamando a atenção para a adopção da introdução da votação nominal justificada, desde sempre exigida pelo SNESup, e para a introdução da regra da maioria externa, esclarecemos que, ao contrário do que seria desejável, não houve qualquer consulta aos Sindicatos nesta matéria.
Saudações académicas e sindicais
A Direcção do SNESup
Em 19-3-2007»
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(mensagem de correio electrónico recebida em 07/03/19, com a autoria que se identifica)
Comentário: e não é que se perdeu mais uma das grandes referências medievais até agora preservadas na Universidade portuguesa; a saber: o voto secreto na apreciação do mérito dos candidatos. Que lindas histórias vão deixar de se poder contar em razão deste modernismo.

segunda-feira, março 19, 2007

Regime de eleição do reitor

«Caros colegas e funcionários,
A propósito das eleições dos representantes dos vários corpos da academia para o Senado e Assembleia da Universidade do Minho, agendadas para 21 de Março de 2007, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões. Para quem esteja eventualmente interessado envio em anexo o texto intitulado POR UM REGIME DE ELEIÇÃO DO REITOR BASEADO NUM COLÉGIO DE REPRESENTANTES ELEITOS POR ESCOLAS.
Antes de decidir recorrer a este meio de comunicação, consultei os Forum on-line da Intranet e constatei que não existem por ali sinais de vida. Por isso recorro a este meio, esperando a vossa compreensão quanto ao facto de ter entrado nas vossas caixas de correio.
Cordiais saudações académicas.
Joaquim Sá
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POR UM REGIME DE ELEIÇÃO DO REITOR BASEADO NUM COLÉGIO DE REPRESENTANTES ELEITOS POR ESCOLAS
Caros colegas e funcionários
A propósito das eleições dos representantes dos vários corpos da academia para o Senado e Assembleia da Universidade do Minho, agendadas para 21 de Março de 2007, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões.
Os representantes dos docentes e funcionários a serem eleitos têm um mandato de dois anos. Isso significa que em 2009, a um ano das eleição do Reitor em 2010, haverá novas eleições para os representantes na Assembleia. Assim sendo, se a Assembleia agora constituída não proceder à revisão dos Estatutos da UM em termos de alterar a composição da futura Assembleia e o regime de eleição do Reitor, nada poderá ocorrer de novo no processo eleitoral de 2010. Estas circunstâncias justificam uma séria ponderação.
Reza o artigo 14º, nº 1 dos Estatutos da UM o seguinte: A assembleia da Universidade é o órgão colegial máximo representativo da comunidade universitária. A meu ver, uma questão de fundamental importância que se coloca à nossa universidade nos próximos tempos é a de conferir conteúdo substantivo ao enunciado formal daquele artigo estatutário. A assembleia não é representativa da academia e é necessário que o seja. A assembleia não parece representativa e é necessário que o pareça.
Tornar a Assembleia verdadeiramente representativa da academia impõe, por inerência dessa representatividade, a criação de um quadro completamente renovado do actual regime de eleição do Reitor. É preciso alterar radicalmente um processo de eleição em que a academia não se revê e a que vimos assistindo frustrados e cada vez mais resignados.
A passividade e ausência de pensamento crítico resulta, entre outros factores, da inexistência mecanismos institucionais que façam as pessoas acreditar que a sua voz conta. Precisamos de sentir que a nossa voz conta num acto académico tão importante como a eleição da pessoa a quem incumbe presidir aos destinos da academia, a que pertencemos, por um período de 4 anos.
Para que um novo regime de eleição do Reitor esteja em vigor aquando das próximas eleições é necessário pugnar por isso desde já. Espera-se que o Sr. Reitor concretize agora a promessa eleitoral feita aquando da sua primeira candidatura, convergindo nesse propósito com o manifesto apresentado pela lista de candidatos a representantes dos Professores.
Numa academia com cerca de 17 000 membros, com 10 escolas e um departamento autónomo, um colégio eleitoral com menos de 250 membros não é digno desse nome. Num verdadeiro colégio eleitoral tem que ser muito mitigado o peso específico dos que são eleitores por inerência de funções. Por outro lado, é necessário que tenha uma dimensão mínima que o coloque a salvo de potenciais acções de manipulação por parte de grupos de interesses.
A figura do representante, eleito directamente, é fundamental num tal colégio eleitoral. O representante é alguém que se conhece e reconhece como merecedor da confiança dos representados. É nessa relação substantiva entre os representantes e os representados que ganha forma o sentimento de que o nosso pensamento e a nossa voz contam no acto de eleição do Reitor.
O actual modelo de eleição dos representantes, baseado em candidaturas de listas de elementos dos vários corpos da academia é muito deficiente. Porque cada eleitor não conhece a maioria dos candidatos, e quanto aos que conhece não teve qualquer participação no processo da sua inclusão na lista de candidatos. Assim, não é possível ter-se o sentimento de que os candidatos eleitos representam os docentes e funcionários de todo a academia na Assembleia e no Senado.
Dois aspectos têm evidenciado a grande fragilidade de tal processo de construção de representatividade:
a) a enorme dificuldade em constituir listas, o que torna muito difícil a organização de um processo que permita a real possibilidade de escolhas democráticas;
b) as insignificantes taxas de participação em tais actos eleitorais, o que revela desinteresse ou distracção da generalidade das pessoas sobre a importância do que está realmente em jogo.
Só nos últimos anos se vem tomando uma real consciência de que representantes eleitos por umas escassas dezenas de votos têm eleito sucessivos reitores. Trata-se de uma situação institucionalmente deplorável que é imperioso modificar!
Naturalmente não há neste momento outra alternativa que na seja proceder à eleição dos representantes aplicando os estatutos ainda em vigor. Mas é necessário ter em vista o futuro.
É nas escolas que conhecemos as pessoas e é aí que se pode construir uma relação frutuosa entre os representantes e os representados. É aí que podemos reconhecer os colegas disponíveis para repensar a instituição, cuja conduta académica seja a expressão viva de valores e princípios de participação, de democraticidade, de transparência e com elevado senso de justiça.
São pessoas destas que se deseja como representante. São esses representantes que no exercício da sua nobre função são capazes de contribuir para a necessária transformação da cultura institucional e promover um clima de convivência académica mais humanizado, gerador de maior motivação, maior satisfação profissional das pessoas e consequentemente maior produtividade.
Deixo, pois, para reflexão e à consideração dos colegas que agora venham a ser eleitos a ideia de que numa futura revisão dos Estatutos da UM, seja atribuída a cada escola uma quota de representantes, que no seu todo correspondam a cerca de 3/4 da composição da Assembleia da Universidade do Minho.
Impõe-se uma revisão estatutária nos próximos dois anos. Só desse modo se poderá assegurar que a próxima eleição do Reitor da UM se realizará num quadro diferente do actualmente em vigor.
Joaquim Sá
Professor Associado
Instituto de Estudos da Criança»
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(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico, hoje, com a autroria identificada, reproduzida integramente - texto de encaminhamento e anexo)

sábado, março 17, 2007

A propaganda vai fazendo o seu caminho!

«Governo avança com avaliação obrigatória
O Governo vai submeter à Assembleia da República uma proposta de Lei que visa a introdução de um sistema obrigatório de auto-avaliação e avaliação externa das instituições de ensino superior, “sob pena de cancelamento das acreditações de estabelecimentos ou ciclos de estudo” de quem não se submeter aos processos. A medida foi ontem anunciada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
No documento que vai ser apresentado no Parlamento, é indicado que o sistema de avaliação da qualidade vai incluir a participação de peritos estrangeiros. A internacionalização e a empregabilidade são factores de peso nos resultados das avaliações. A intervenção dos estudantes no novo mecanismo está igualmente contemplada.
[...]»

(extracto de mensagem datada de 07/03/16, intitulada "Governo avança com avaliação obrigatória", disponível em Blog de Campus)
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Comentário: o marketing político (vulgo, propaganda) vai fazendo o seu caminho; a comunicação social tem aí um papel estratégico; os ideólogos partidários e assessores de marketing sabem-no bem.
Ps: falando de "aparelhos ideológicos de estado", como alguém lhes chamou vai para uns anos, vale também a pena ler a mensagem, de hoje, disponível em Nós-sela - "Será que fora da função pública ganha mais quem é menos qualificado?"-.
Coincidência curiosa esta de dois contextos tão distintos terem inspirado leituras que vão desembocar no mesmo elemento organizador. Não fora ter já publicitado o meu texto, por esta circunstância ter-me-ia inibido de produzir o comentário que aqui podem ler.

sexta-feira, março 16, 2007

A coisa, aqui, está preta: comentário e resposta

1. Comentário (de J. Cadima Ribeiro a mensagem disponível em Co-Labor, em 07/03/15, intitulada "A transferência de conhecimento tecnológico num contexto de educação superior activa"):
«Caro Alexandre Sousa,
“A ficção é óptima para nos ajudar a enfrentar a realidade crua do dia a dia.”. Concordo! É por isso que eu não gosto de ir ao cinema ver filmes que falam sobre os nossos quotidianos.
O problema é que, quando consideramos a realidade da gestão actual do nosso Ensino Superior, nomeadamente aquela que é feita pela tutela, já não somos capazes de destrinçar o que é realidade e o que é ficção, sendo certo que tudo se nos sugere crescentemente como ficção.
Considerando os seus textos mais recentes, fico com o sentimento que se depara também com esse dilema. É certo que há ficções que nos transmitem ânimo, pelo menos enquanto o sonho perdura. A dificuldade sobrevém quando a realidade se impõe.»

2. Resposta (de Alexandre Sousa):
«Olá meu caro amigo…
Passados tantos anos, a canção do Chico Buarque mantém-se actual:
- A coisa aqui, está preta!
Como bons profissionais, vamos mantendo o jogo de cintura.
Ás segundas, quartas e sextas: faz-de-conta!
Ás terças, quintas e sábados: faz do mesmo!
Aos domingos: Vamos jogando futebol!
Aquele abraço»
/...
(retirado de Co-Labor, 07/03/15, "comments")

quinta-feira, março 15, 2007

Sub-urbanidades e agências AAAAAAAAAAA....ES

Na entrada intitulada "O decreto da avaliação (V)", de ontem, JVC (ApontamEntoS) continua a desfilar informação e argumentos sobre o projecto de criação da agência AAAAAAAAA...ES.
Do que escreve na citada entrada, sublinho a passagem onde diz:
"[...] detesto deslumbramentos internacionais, como tudo o que tem transparecido destes exercícios do MCTES, com a ENQA e com a OCDE. Vício pessoal de quem sempre gostou muito mais de passar os seus dias em Oeiras do que em Bruxelas."
A meu ver, este é um dos elementos de análise crítica fundadores da apreciação que importa fazer a este e a outros projectos de intervenção do MCTES, e à acção até agora desenvolvida. Algures neste blogue, referi-me a essa dimensão da actuação do governo como expressão de "provincianismo lisboeta", a mais das vezes interpretado por "expatriados" minhotos ou beirãos.
Pondo-me no lugar de JVC, teria entretanto que substituir o remate da afirmação "... passar os seus dias em Oeiras..." por "... passar os seus dias no Minho ...". É que Oeiras sempre me faz lembrar sub-urbanidade e esta conceito, desde que o ouvi nos bancos da faculdade lisboeta que frequentei, ficou-me associado a desqualificação urbana e social.
Hoje em dia, colar esta imagem a Oeiras é provavelmente injusto, mas há imagens que resistem para além da realidade que as fez nascer. Já falar de sub-urbanidade da política levada a cabo pelo MCTES me parece claramente ajustado, provavelmente mesmo mais do que provincianismo lisboeta, que soa mais elitista. É o que dá viajar muito e assentar pouco os pés na terra.
Também temos disso aqui pelo Minho!

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, março 14, 2007

If you don't do it excellently, don't do it at all

If you don't do it excellently, don't do it at all
"If you don't do it excellently, don't do it at all. Because if it's not excellent, it won't be profitable or fun, and if you're not in business for fun or profit, what the hell are you doing there?"
Robert Townsend

(citação extraída de SBANC Newsletter, March 13, Issue 461-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )

/...
The entrepreneur is the creator in each of us
"The entrepreneur is our visionary, the creator in each of us. We're born with that quality and it defines our lives as we respond to what we see, hear, feel, and experience. It is developed, nurtured, and given space to flourish or is squelched, thwarted, without air or stimulation, and dies."

Michael Gerber

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 20, Issue 458-2007, http://www.sbaer.uca.edu/ )

terça-feira, março 13, 2007

A admirável leveza de certas declarações

De quando em quando somos surpreendidos pela admirável leveza das declarações de supostos responsáveis pela gestão do Ensino Superior em Portugal, quando não pela actuação que protagonizam. O ministro, que é Gago mas que ultimamente deu em falar de mais, é disso um bom exemplo. A ilustrar o que enuncio, de último hora, temos as declarações de Sebastião Feyo de Azevedo, apresentado pelo Blog de Campus como "coordenador nacional da implementação do Processo de Bolonha".
O texto que integra essas declarações é datado de 07/02/12 e intitulado "Nove em cada dez cursos estão em bolonha no próximo ano lectivo". Para apimentar a sua leitura, convirá ler igualmente o que a esse respeito escreve Regina Navais, em Polikê?, em mensagem de hoje.
Cruzando leituras, percebe-se que a reforma do Ensino Superior em Portugal prossegue em grande ritmo. Só o disparate e a admirável leveza das declarações de certos agentes colocados em postos de topo do sistema lhe parecem passar a perna.

J. Cadima Ribeiro

domingo, março 11, 2007

Júris e Concursos: breve nota

No blogue JVC-ApontamEntoS pode ler-se uma mensagem, datada de 9 de Março de 2007 e assinada por António Fidalgo, "Sobre concursos, currículos e critérios", onde, entre outras coisas, se diz:
i) "Hoje há a tendência não só para quantificar elementos de currículo – quantas publicações, quantas orientações de tese – como também para criar normas nesse sentido. Trata-se de dar um cariz administrativo à avaliação.[...]. Este tipo de avaliação administrativa é defendido em nome da isenção, da transparência e também, o que é hoje muito importante, da sua blindagem face às impugnações judiciais dos concursos."
ii) "Um professor que integre um júri de qualquer concurso tem a obrigação de acima de qualquer grelha pré-definida de avaliação se orientar pelo ethos (entendido no sentido de um código deontológico) de professor, pelo qual deverá orientar a sua própria acção profissional. Não serão normas indicativas a comandar a avaliação mas o ideal ou o modelo de professor. Esse modelo é o grande critério."
Entendo que as afirmações que se reproduzem merecem reflexão, assim como as ideias presentes no texto, no seu todo.
A mim, o texto serviu-me para reavivar algumas angústias que me têm assistido sempre que sou confrontado com a situação que se invoca, mas não me trouxe respostas, o que me confortaria muito mais. Aliás, concordo com António Fidalgo que um dos elementos que mais vem inquinando os concursos é o pano de fundo da intervenção judicial nesses processos, eufeudada, como bem sabemos, a formalismos e processos, e rigorosamente nada à substância dos concursos. Por isso, corre-se até o risco de cada concurso se arrastar por eternidades ou se multiplicarem as indisponibilidades de professores para integrarem os júris respectivos, o que já vem estando presente.
Sobre a outra dimensão colocada no texto, recuperando argumentos de um parecer que elaborei, pode-se, por outro lado, dizer que se oferece "relevante manter presente os valores vigentes na comunidade académica alargada e, bem assim, os que vêm sendo usados na avaliação das unidades de investigação, com implicações em matéria de financiamento, pelos organismos que tutelam a Ciência e a Tecnologia.". Isto é, entendo eu que o júri não se pode alhear das regras em que o académico vive mergulhado e que informam muito do seu posicionamento competitivo quotidiano, sob pena do professor ter que, ao mesmo tempo, "agradar a múltiplos senhores", para além daquilo que já faz no dia-a-dia.
A "discussão" pode ser levada muito para além do que agora coloco mas, respeitando as regras destes fóruns, o que deixo dito chega, por agora. Que o assunto merece uma boa discussão, disso não me restam quaisquer dúvidas.

J. Cadima Ribeiro

sábado, março 10, 2007

RVCC: o desvirtuamente em curso de uma boa ideia

«As metodologias e os princípios orientadores que sempre estiveram na base do funcionamento do sistema de RVCC parecem hoje definitivamente postos de parte ou secundarizados pela política adoptada.
Com efeito:
1 – O RVCC, inicialmente concebido para uma franja da população adulta com uma significativa experiência de vida e auto-formação, passou agora a ser visto como a grande arma de combate à sub-certificação de toda a população portuguesa, através de um discurso político e de uma prática administrativa que pressionam os Centros de RVCC a realizar uma certificação à pressa e sem critérios, inclusivamente de jovens em situação de abandono ou de insucesso escolar.
2 – A política dos grandes números esteve na base, em 2006, de um crescimento acelerado do número de Centros, assente sobretudo em escolas e centros de formação, o que traduz uma orientação intencional e contraproducente para a estatização deste sistema.
3 – A inexistência de quaisquer procedimentos de acompanhamento, formação contínua e controlo de qualidade dos Centros, que se verifica desde meados de 2002, por parte do órgão de tutela, a Direcção Geral de Formação Vocacional, tem como resultado o convite ao laxismo e, em alguns casos, à emissão de certificados que se arriscam a ter um valor social de “moeda falsa”.
4 – O lançamento nacional, em Janeiro de 2007, do complexo processo de certificação para equivalência ao 12º ano, na base de 58 centros, foi feito de forma apressada, desorganizada, sem transparência nem fundamentação, o que poderá vir a comprometer o seu funcionamento e o alargamento, a curto ou médio prazo, aos restantes Centros de RVCC.
Estes são alguns dos factos que nos levam a afirmar que o Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências está hoje gravemente atingido, correndo o risco de se encontrar, em breve, totalmente desacreditado.»
/...
(extracto de mensagem electónica recebida em 07/03/09 - com origem em lfaguiar@eeg.uminho.pt -, sob a epígrafe "Em defesa do Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências", destinada a recolher assinaturas para apoio a tomada de posição pública; a leitura da mensagem completa e a subscrição da tomada de posição podem ser feitas em: http://www.petitiononline.com/rvcc/petition.html)
Nota: RVCC = Sistema Nacional de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências

quinta-feira, março 08, 2007

FENPROF e SNESup promovem Encontro de Representantes e Activistas Sindicais

"Assunto: Ensino superior_ FENPROF e SNESup promovem Encontro de Representantes e Activistas Sindicais
Cara(o) Colega,
Perante a grave situação que se vive no Ensino Superior Público, em resultado dos violentos cortes orçamentais para 2007, e em vésperas de um pacote de iniciativas legislativas anunciadas pelo Governo, onde avultam, além de uma nova Lei de Autonomia e de um novo Estatuto do Ensino Superior Particular e Cooperativo (a apresentar até Maio), a aprovação de novos estatutos das carreiras, até ao Verão, bem como de alterações aos mecanismos de financiamento, a FENPROF e o SNESup tomaram a iniciativa conjunta de promover um Encontro de Representantes e Activistas Sindicais que terá lugar no próximo Sábado, dia 10 de Março, às 14h, em Lisboa, no IST, anfiteatro PA1, Pavilhão da Pós-Graduação.
Esta reunião destina-se a analisar a situação no Ensino Superior e a programar acções conjuntas para os próximos meses, que contribuam para a mobilização de todos os docentes e investigadores, no sentido de se criarem as melhores condições para a obtenção de resultados positivos no que concerne à revisão das carreiras e à restante legislação, que afectarão a situação profissional de todos.
Os colegas, sindicalizados ou não, que se disponham a participar, nas suas instituições, em estruturas de representação de docentes e investigadores, no âmbito do processo de esclarecimento e de mobilização, são convidados a participar no Encontro.

Cordiais saudações académicas e sindicais
FENPROF
SNESup"

(mensagem de correio electrónico recebida em 8-3-2007, proveniente das entidades identificadas)

quarta-feira, março 07, 2007

Efervescência na "blogo-esfera"

Se ainda não repararam, o blogue Co-Labor tem estado efervescente. Muito activo, enquadrando o projecto de lei de criação da suposta agência de acreditação, auditoria e mais não sei quantos qualificativos (palavrões), que o MCTES tem em preparação, está também JVC, nos seus ApontamEntoS.
Confrontado com estas demonstrações de energia, sou obrigado a reconhecer que a minha juventude é apenas uma vaga memória. Conforto-me lendo o que escrevem e reconhecendo-lhes a vitalidade.
Como dizia há uns anos um mediático nosso colega universitário, valha-nos a circunstância da Universidade se renovar cada ano, com a chegada de novos alunos. Com esse assomo periódico de juventude, é suposto renovarmo-nos todos, professores incluídos. O risco da actual conjuntura reside em que deixe de ser assim.
Não sendo capazes de acompanhar-lhes o passo, façam como eu: leiam o que entretanto vão escrevendo (e os demais, também), informem-se sobre os caminhos que percorre o ensino superior nacional (mesmo se, nalguns casos, melhor fora que não tivesse saído do lugar em que já esteve) e, se puderem, esbocem um sorriso, que pode ser irónico.

J. Cadima Ribeiro

terça-feira, março 06, 2007

Paradigmas teórico-conceptuais paralelos e leituras diferenciadas dos mesmos objectos analíticos

Há cerca de uma dezena e meia de anos (Outubro de 1992), realizou-se na Universidade do Minho, em Gualtar, o I Encontro Nacional de Economia Industrial, que, entre outros, contou a presença de um professor e investigador português radicado nos EUA. O paradigma em que se filia(va) o dita professor é, assumidamente, o neoclássico, versão revista e actualizada.
O que me impressionou sobremaneira na sua intervenção na citada conferência foi a circunstância de tudo o que discorria em matéria de análise económica e teoria do crescimento – e tratava-se das últimas novidades teórico-conceptuais avançadas pela corrente em que se filiava - me fazer lembrar leituras que eu fizera e autores que conhecia, referenciados ao final dos anos cinquenta do séc. XX, e seus continuadores.
Chegada a hora do debate, protegido pela minha irreverência académica, atrevi-me a questioná-lo sobre se havia lido François Perroux, Albert Hirschman ou Gunnar Myrdal, economistas heterodoxos que foram os fundadores da corrente de pensamento designada do crescimento desequilibrado. Pareceu-me surpreso com a pergunta, admitindo de seguida que não.
Invoco nesta altura esta situação por, nalguma medida, ter sentido similar desconforto quando peguei, há dias, num livro que era suposto comentar. Ao paralelismo de leituras de autores que conheço, somavam-se algumas divergências de notação e conceptuais, de que dei conta.

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, março 05, 2007

Ensino universitário privado: uma história pouco edificante

"A polémica em torno da Universidade Independente (UnI), que levou o Governo a avaliar se mantém ou não a autorização de funcionamento da instituição, é o capítulo mais recente de gestões conflituosas que abalaram algumas universidades privadas nos últimos 20 anos. Uma análise aos casos mais expressivos – Universidade Livre (UnL), Universidade Moderna, Universidade Portucalense e Universidade Lusófona – permite vislumbrar que apenas uma das instituições conseguiu recuperar e expandir na fase posterior ao conflito interno – a Lusófona."

(parágrafo de abertura de artigo, datado de 5 de Março de 2007, intitulado "Lusófona foi a única privada que cresceu depois dos anos de crise", disponível em Blog de Campus)

domingo, março 04, 2007

“The Changing Nature of the School-to-Work Transition Process in OECD Countries”

“Despite the fact that today’s young cohorts are smaller in number and better educated than their older counterparts, high youth unemployment remains a serious problem in many OECD countries. This reflects a variety of factors, including the relatively high proportion of young people leaving school without a basic education qualification, the fact that skills acquired in initial education are not always well adapted to labour market requirements, as well as general labour market conditions and problems in the functioning of labour markets. The paper highlights the contrasting trends in youth labour market performance over the past decade using a wide range of indicators. It also presents new evidence on i) the length of transitions from school to work; and ii) the degree to which temporary jobs serve as either traps for young people or stepping-stones to good careers. In addition, the paper reviews some recent policy innovations to improve youth employment prospects.”

Glenda Quintini (OECD)
John P. Martin (OECD and IZA)
Sébastien Martin (OECD)
Keywords: youth labour market, school-to-work transition, temporary and permanent contracts, apprenticeship, youth labour market programmes
Date: 2007-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iza:izadps:dp2582&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, março 03, 2007

A semana da morte da UM-NET

Em vésperas da sua morte, via um-net, caiu-me na caixa de correio electrónico a mensagem de que reproduzo de seguida a parte de abertura, a saber:
«“POÉTICA DO MOVIMENTO” - Helena Santos
“Feita poeira suspensa na luz explorava o caos, descansando na textura das emoções, na cor do tempo, no espaço dum sorriso, no volume da ilusão…em volta o movimento dançava, sempre”.
-Helena Santos
A mensagem não me saiu da memória desde então, talvez pelo carácter promonitório que revestia. Assim sendo ou não, a verdade é não deixou de dar una tónica poética à morte da um-net.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 02, 2007

Apetecia-me dar notícia de outras desgraças ...

No dia que sucede ao da triste mas inevitável certificação da morte da um-net, deixo abaixo um trecho ainda não integralmente reproduzido neste jornal de parede de artigo de opinião oportunamente elaborado, intitulado "UMinho: exposição pública pelas piores razões", que é o 4º e último da série.
Apetecia-me dar aqui notícia de outras desgraças que, dia a dia, se sucedem ... Rejeitando, sem hesitação, os poderes que se afirmam sob o primado de que "a Universidade não discuta nem se discuta", temos, não obstante, que poupar-nos a cúmulos emocionais que nos esgotem irreparavelmente.
/...
"[...]
Mas há mais, isto é, às práticas de cariz autoritário e de sonegação da informação e da liberdade de opinião, para que o ramalhete fique completo, soma-se a incompetência de gestão, o que tem ilustração fresquíssima na confiscação acabada de anunciar pela reitoria da UMinho do grosso das verbas disponíveis em contas afectas à prestação de serviços à comunidade, à gestão de cursos de pós-graduação e a projectos da mais variada índole, mantidos pela via da captação externa de recursos. É que, como é comum dizer-se "os erros de gestão pagam-se". Entretanto, ironicamente, na Universidade do Minho os erros de gestão de uns (a nomenclatura) são pagos por outros (aqueles que têm capacidade de gerar recursos e de fazer uma gestão rigorosa dos respectivos orçamentos). Será, porventura, como escreve um meu colega, “a estratégia de matar as (poucas) galinhas de ovos de ouro que ainda existem”, já que a mensagem que passa não pode ser mais clara: “mais vale ficarem parados...”. Não deixa de ser, no entanto, o triunfo do autismo, do arbítrio e da prepotência. A Universidade, com “U” maiúsculo, que lhe é conferido pela nobreza da sua missão e pela elevação de postura dos seus agentes, essa pode esperar (se é que pode).
A este propósito, nunca é demais assinalar que, nas universidades como nas empresas comuns, aparte a qualificação dos recursos humanos e a sofisticação das tecnologias que as servem, a motivação dos seus agentes (trabalhadores) é um aspecto crucial do seu desempenho. [...]"
/...
J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, março 01, 2007

A notícia do dia

«Assunto:
[Informação SCOM] Extinção da lista de distribuíção UM-Net - 2007/Março/01
[...]
A toda a comunidade académica, o Despacho RT-10/2007 (que se junta em anexo) extingue a lista de distribuíção UM-Net a partir do dia 1 de Março de 2007 e em simultâneo reorganiza o suporte de distribuíção de informação baseado em listas e outro canais complementares. Nesse sentido, o SCOM, como responsável pela moderação da lista de distribuíção UM-Net, informa que a lista será extinta a partir das 00H00 de amanhã, e adicionalmente, aproveita para agradecer a todos os utilizadores a companhia prestada a este serviço de distribuíção de informação nos 12 anos da sua existência.
Os melhores cumprimentos,
----------------------------------------------------------------------------
Serviço de Comunicações - Campus de Gualtar - Universidade do Minho»
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(mensagem com a proveniência que se identifica, recebida na caixa de correio electrónico em 07/02/28, pelas 22:55:37 horas)
Comentário: a um-net está morta! Paz à sua alma!
Ps: e "O Moderador", coitado, será susceptível de reconversão funcional?

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - um comentário

As notícias de Harvard, de que dei aqui conta ontem e anteontem, mereceram 1 (um) comentário, que reproduzo abaixo, depois de me ter caído na caixa de correio electrónico em 07/02/26, à semelhança da mensagem original. O autor do comentário é pbarbosa@ilch.uminho.pt.
O debate na UMinho mostra-se animado!
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«A inspirar-nos nos melhores, teríamos de fazer uma grande reforma do nosso sistema universitário...
O 'core curriculum' é o conjunto das disciplinas que ***todos*** os alunos, independentemente do curso, têm de frequentar. É um conceito que se aplica ao sistema universitário americano em geral e não apenas a Harvard: baseia-se na ideia de que há requisitos comuns, tranversais, que devem incluir um determinado número de créditos de cada uma das principais áreas do conhecimento: das 'liberal arts' (humanidades, língua materna e estrangeira, etc.) às ciências exactas, naturais e sociais.
É essa transversalidade que garante duas coisas:
a) a formação geral de indivíduos minimamente informados acerca das preocupações centrais (e formas de pensar) das principais áreas do conhecimento;
b) a sobrevivência de áreas do conhecimento que, sendo fundamentais, têm um horizonte de empregabilidade reduzido.
Uma forma inteligente de encarar a gestão do curriculum.»

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - II

Reproduzo de seguida a 2ª parte de uma mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, e de que dei notícia da 1ª parte na ocasião, sob o mesmo epígrafe. Parece-me valer a pena a respectiva leitura, se bem que, como frisei na altura, possa provocar algumas cócegas.
Outro tanto acontece, aliás, com as declarações produzidas por alguns reitores, retidas por Blog de Campus, sob o título, de ontem, "Reitores pouco favoráveis ao fim do sistema de eleições". Note-se a subtileza do título (...pouco favoráveis ao fim do sistema ...). São mesmo uns malandrões, os editores do blogue, digo!
/...
«[...]
One point likely to raise eyebrows among academic traditionalists is the rationale for the newly mandated study of Empirical Reasoning, which will cover math, logic and statistics. It is being added, the committee report says, because graduates of Harvard "will have to decide, for example, what medical treatments to undergo, when a defendant in court has been proven guilty, whether to support a policy proposal and how to manage their personal finances." Does this mean balancing a checkbook is on a par with balancing equations? What about learning for learning's sake? What about the study of history, which Harvard will no longer require, even though its recently announced new president, Drew Gilpin Faust--the first woman to head the institution--is a renowned historian?
The plan's advocates say the curriculum is flexible enough that students will still be able to take courses in whatever interests them, be it ancient art or cutting-edge science. What's crucial, they say, is that the new approach emphasizes the kind of active learning that gets students thinking and applying knowledge. "Just as one doesn't become a marathon runner by reading about the Boston Marathon," says the committee report, "so, too, one doesn't become a good problem solver by listening to lectures or reading about statistics." Acknowledging how important extracurricular activities have become on campus, the report calls for a stronger link between the endeavors students pursue inside and outside the classroom. Those studying poverty, for example, absorb more if they also volunteer at a homeless shelter, suggests Bok, whose 2005 book, Our Underachieving Colleges, cites a finding that students remember just 20% of the content of class lectures a week later.
There were, however, some contemporary concerns that didn't make the final cut. In October, before finalizing its recommendations, the committee proposed mandating the study of "reason and faith." That drew sharp criticism from faculty members like psychology professor Steven Pinker. "The juxtaposition of the two words makes it sound like 'faith' and 'reason' are parallel and equivalent ways of knowing," he wrote in the Harvard Crimson. "But universities are about reason, pure and simple." Though 71% of incoming students say they attend religious services and many already elect to study religion, the committee gave in, ultimately substituting a "culture and belief" requirement. It turned out to be more practical.
Find this article at:
(extracto de mensagem electrónica proveniente de jcrmendes@ilch.uminho.pt)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Notícias de Harvard, a começar a semana - I

Reproduzo de seguida a 1ª parte - porque é algo longa - de uma mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico esta manhã. Parece-me valer a pena a respectiva leitura, se bem que possa provocar algumas cócegas.
/...
«Notícias da melhor universidade do mundo:
Thursday, Feb. 22, 2007
As Harvard Goes ...
By Jeremy Caplan
The easiest way to start an academic brawl is to ask what an educated person should know. The last time Harvard University tackled that question was in 1978, when it established its Core Curriculum, which focused less on content than on mastering ways of thinking. Like Harvard's so-called Red Book standards of 1945, which helped inspire a generation of distribution requirements, the core had broad resonance at other major universities. Now, after a four-year process initiated under controversial former president Lawrence Summers, the nation's most famous university has come up with a whole new set of guidelines that proponents say will help clarify how liberal-arts subjects like philosophy and art history shed light on the hurly-burly of more quotidian topics. "Students will be more motivated to learn if they see a connection with the kinds of problems, issues and questions they will encounter in later life," says interim president Derek Bok. Harvard isn't the only institution rethinking what and how to teach its students. Yale, Rutgers and the universities of Pennsylvania and Texas have recently made similar changes, and now that Harvard has joined the club, others are likely to follow.
Harvard's new curriculum establishes eight primary subject areas that all students will have to take. The categories include Societies of the World, encompassing subjects like anthropology and international relations; Ethical Reasoning, a practical approach to philosophy; and the United States in the World, which will likely span multiple departments, including sociology and economics. The plan, which is expected to be formally approved by the faculty in May, won't go into effect before September 2009 at the earliest.
But the school is already preemptively dismissing charges that it is embracing purely practical knowledge. "We do not propose that we teach the headlines," said a report published on Feb. 7 by the curriculum committee, comprising professors, students and a dean. "Only that the headlines, along with much else in our students' lives, are among the things that a liberal education can help students make better sense of."
[...]»
(extracto de mensagem electrónica proveniente de jcrmendes@ilch.uminho.pt)

domingo, fevereiro 25, 2007

"University research and the location of business R&D"

"We investigate the relationship between the location of private sector R&D labs and university research departments in Great Britain. We combine establishment-level data on R&D activity with information on levels and changes in research quality from the Research Assessment Exercise. The strongest evidence for co-location is for pharmaceuticals R&D, which is disproportionately located near to relevant university research, particularly 5 or 5* rated chemistry departments. This relationship is stronger for foreign-owned labs, consistent with multinationals sourcing technology internationally. We also find some evidence for co-location with lower rated research departments in industries such as machinery and communications equipment."
Laura Abramovsky (Institute for Fiscal Studies)
Rupert Harrison (Institute for Fiscal Studies and University College London)
Helen Simpson (Institute for Fiscal Studies)
Date: 2007-01
(resumo de "paper" disponível no sítio referenciado)

sábado, fevereiro 24, 2007

O choque tecnológico

"Por cá, o choque converteu-se na dedicação total das IES a um único projecto: como fazer omoletes sem ovos. Fico sem saber porque se avançou com Bolonha nesta altura. Por que, nestas condições, só se for para fazer mais do mesmo. Com a desvantagem de alienar, provavelmente de vez, muitos dos indecisos relativamente ao processo.
Adicionalmente, o célebre dinheiro da ciência, anunciado num também célebre Prós&Contras, levou sumiço até ao momento. Ouço falar de dívidas com três anos.[...]"
MJMatos
(extracto de comentário a mensagem intitulada "O choque tecnológico", datada de 07/02/23, disponível em JVC-ApontamEntoS - Reformar a Educação Superior)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Estas coisas são contagiosas!

No seu blogue (Co-Labor), Alexandre Sousa noticia, em 07/02/22, que "A Reitoria da U.A. e o respectivo Conselho Científico promoveram (ontem) uma sessão para discutir a gestão do E.S.
Duas personalidades deram a cara por este debate: Rosa Pires (U.A.) e Neves Adelino (UNL).
3 tópicos, dos quais 2 com base em documentos – Relatório OCDE e discurso MCTES 14.02.07 – e um de carácter divagatório em torno dos critérios de competência para avaliar um Reitor.[...]".
Não acham isto uma provocação? Ou, até, uma grande pouca vergonha?
Onde é que já se viu uma reitoria patrocinar e/ou estimular um debate sobre a gestão do Ensino Superior e as competências do próprio reitor? Será porque o reitor da UAveiro não é um reitor, mas uma reitora?
Outro tanto vale para o "conselho científico" da referida Instituição. Não teme o dito que o poder caia na Academia, o que equivale a dizer "na rua"? Instalado este clima de abertura ao debate e à liberdade de opinião, há o risco de passar a haver "Universidade" ou, se se quiser, "Univercidade". Depois, estou para ver como as autoridades universitárias vão repor o "romance" em que temos vivido.
Note-se que não estou especialmente preocupado com a Universidade de Aveiro mas com muitas outras. É sabido serem estas coisas contagiosas!

J. Cadima Ribeiro

“Boosting Innovation Performance in Brazil”

“Brazil's main challenge in innovation policy is to encourage the business sector to engage in productivity-enhancing innovative activities. At 1% of GDP, R&D spending (both public and private) is comparatively low by OECD standards and is carried out predominantly by the government. Most scientists work in public universities and research institutions, rather than in the business sector. Output indicators, such as the number of patents held abroad, suggest that there is much scope for improvement. Academic patenting effort is being stepped up and should be facilitated by the easing of restrictions on the transfer and sharing of proceeds of intellectual property rights between businesses and public universities and research institutions. Innovation policy is beginning to focus on the potential synergies among science and technology promotion, R&D support and trade competitiveness. To be successful in boosting business innovation, these policies will need to be complemented by measures aimed at tackling the shortage of skills in the labour force; this shortage is among the most important deterrents to innovation in Brazil, particularly against the backdrop of a widening gap in tertiary educational attainment with respect to the OECD area.”

Carlos H. de Brito Cruz
Luiz de Mello
Keywords: human capital, productivity, innovation
Date: 2006-12-06
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:oec:ecoaaa:532-en&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Recomendação de leitura

Com um imenso sublinhado, aqui estou a fazer a recomendação de leitura do texto «O “horror lusitanorum” da FCT», de António Fidalgo, disponível no blogue de JVC (Reformar a Educação Superior), em entrada de hoje, intitulada "Novo Artigo".
O que aí se diz retrata a realidade da gestão actual do MCTES, mas poderia reportar-se a muitas outras situações da governação pública nacional, presentes e passadas. Escuso-me, nesta altura, a comentar o provincianismo dos lisboetas que cultivam a política científica (e a "boa" gestão de recursos) a que António Figalgo se refere.

J. Cadima Ribeiro