Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

domingo, setembro 16, 2007

De vez em quando, tropeça-se num "novo" blogue

De vez em quando, tropeça-se num "novo" blogue:
pararbolonha.blogspot.com/2006_09_01_archive.html

(cortesia de Nuno Silva)

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Comentário: é sugestivo o nome, não acham?

sábado, setembro 15, 2007

Homenagem a um colega

"Um cientista com pronúncia do Norte"
"O objectivo esteve traçado desde sempre, as letras desenhadas da infância a escreverem a profissão que conheceu no pai: professor universitário. Com seis anos sabia o que era um artigo científico":
(título e cabeçalho de artigo, datado de 2007-09-15, do jornal Correio da Manhã)
[cortesia de Nuno Silva]
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Comentário: é simpático que os jornais dêem notícia do trabalho e do sucesso de um professor universitário e de um cientista, particularmente nos dias que correm e quando o destaque é merecido, como é o caso de que se fala; é pena que o título seja algo infeliz: na verdade, se o colega tem as suas origens no Porto, o essencial do seu trabalho científico presente tem lugar no Minho (em Braga e Guimarães), portanto para além do "norte", que termina um pouco mais abaixo.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Seminário sobre a implementação do RJIES: convite à participação

Seminário sobre a implementação da Lei nº 62/2007 (RJIES)
19 de Setembro pf., 14,30 – 16,30 horas,
auditório 1.01 da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, Campus de Gualtar, Braga


i) Oradores externos:
- José Ferreira Gomes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto [Boas Práticas de Governação nas Instituições de Educação Superior: Constituição e funcionamento do Conselho Geral] ; e
- Alexandre Sousa, professor da Universidade de Aveiro, editor do blogue Co-Labor.
ii) Orador da UMinho:
- António Cândido de Oliveira, professor da Escola de Direito da Universidade do Minho.

iii) Coordenadores da sessão:
- Pedro Oliveira, professor da Escola de Engenharia da Universidade do Minho;
- J. Cadima Ribeiro, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.

Apela-se à participação dos interessados na problemática da aplicação do novo enquadramento legal das Instituições de Ensino Superior. Espera-se e deseja-se, particularmente, a presença daqueles que estão ao serviço da UMinho.

Não deixe de aparecer e participar no debate que se sucederá à intervenção dos oradores convidados!

quinta-feira, setembro 13, 2007

A transparência em primeiro lugar

Denúncias e rescisões de contratos publicadas no Diário da República, 2ª Série, Nº 176, de 12 de Setembro de 2007:
Universidade do Minho
Despacho (extracto) nº 21 147/2007
[...]
...
[...]
Despacho (extracto) nº 21 160/2007
[...]
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Comentário: é do caminho da superação do desastre financeiro dos derradeiros 5 anos que estes despachos dão notícia? Ou é, antes, do trajecto da UMinho em direcção ao abismo, por boas razões, está claro?

quarta-feira, setembro 12, 2007

Missão e comunicação na Universidade

"[...] a comunicação clara é fundamental para que todos os agentes envolvidos estejam a par e sintam a importância real da missão de responsabilidade social da Universidade, na região e no mundo."

João Leitão

(extracto de mensagem, datada de 07/09/12 e intitulada "Responsabilidade social: o intangível da universidade", disponível em Empreender)

O que se vai lendo pelos blogues, agora que a lei 62/2007 foi publicada

OE 2008 não cobre salários em mais de metade das universidades

(título de mensagem, datada de 07/11/09, disponível em Blog de Campus)

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Observação: sobre a mesma matéria, e não só, ler também mensagens igualmente datadas de ontem, intituladas "S" de entropia e Negócios dos Jornais, disponíveis em Polikê ? e Co-Labor, respectivamente)

terça-feira, setembro 11, 2007

segunda-feira, setembro 10, 2007

Seminário sobre a implementação do RJIES: pré-anúncio

Seminário sobre a implementação do RJIES
19 de Setembro pf., pelas 14,30 horas,
auditório 1.01 da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, Campus de Gualtar, Braga
i) Oradores externos:
- Prof. José Ferreira Gomes, Fac. de Ciências da Universidade do Porto; e
- Prof. Alexandre Sousa, Universidade de Aveiro, editor do blogue Co-Labor.
ii) Oradores da UMinho:
- aguarda-se a indicação de disponibilidade dos (2) convidados.

domingo, setembro 09, 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

O economista e a sua formação: algumas considerações

«[...]
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e do gestor e a complexidade daí decorrente, as derradeiras reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se refere, de forma preocupada e crítica, Carlos Pimenta (2007, p.9), nomeadamente, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma bem mais terra à terra, João F. Proença (2007, p.11), reporta-se aos reptos lançados em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras.” (Proença, 2007, p.11). Ideias que são reforçadas por estas outras: “Contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida. Hoje, um aluno finalista de economia sabe (ou deve ter consciência) que o conjunto de actividades onde pode desenvolver, com utilidade, a sua actividade é bem mais vasto e, que por isso, a sua formação não está completa no dia em que receber o seu diploma.” (Belbute, 2007, p.12). Além disso, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho” (Belbute, 2007, p.12).
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos e com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em termos de macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho.»


J. Cadima Ribeiro

(extracto de comunicação, intitulada "Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha", a ser presente no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, que decorrerá a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

quinta-feira, setembro 06, 2007

Taxas de sobrevivência no Ensino Superior

Ainda a propósito de leituras (outras leituras, digo) e números, deixo aqui mais uma sugestão:
(título de mensagem, datada de quinta-feira, 6 de Setembro, disponível em Co-Labor)
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Comentário: todos os dias se descobrem coisas interessantes nestes jornais de parede; ficam daí mais patentes os exercícios de ilusionismo a que se dedicam quotidianamente certos agentes políticos e reitores, à falta de imaginação sobre formas alternativas de ocuparem o seu tempo.

Da Ordem dos Engenheiros

1/2 oito cubana

(título de mensagem, datada de quinta-feira, Setembro 06, disponível em Polikê ?)

quarta-feira, setembro 05, 2007

" A Universidade do Minho está a morrer"

«Parques da UM
Bom dia,
Como todos sabem temos de renovar a licença para o acesso aos parques da U.M., ora o que alguns podem não saber é que em vez dos anteriores 5€ para o Acesso Geral aos Parques da Universidade mais 5€ do Cartão de Abertura de Cancela Automática (renovação/emissão) agora são 50€ no total ou seja são 5 vezes mais!!!
Como se não chegasse os funcionários públicos cada vez mais estarem a perder poder de compra, terem as carreiras congeladas e terem aumentos anuais que são uma vergonha ainda sobem assim o acesso ao parque?
Se a universidade está a morrer por falta de dinheiro então que reduzam as despesas em coisas que não fazem falta como algumas obras etc., que não seja sempre o Zé-povinho a pagar pela falta de dinheiro do Estado por causa da sua má gestão...
Será que todos concordam com este aumento?
URL: http://jn.sapo.pt/2007/09/04/norte/universidade_minho_esta_a_morrer.html

P.S. por razões óbvias não me vou identificar para não haver retaliações.

Cumprimentos
UM»
*
(reprodução integral de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico nesta data)
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Comentário ou, antes, algumas singelas perguntas dirigidas ao reitor da UMinho a propósito das suas últimas declarações públicas:
i) a situação financeira desastrosa a que a se chegou é só culpa da tutela ou o reitor que geriu a Insituição nos derradeiros 5 anos é, também, responsável?
ii) É de hoje ou deste ano o problema ou ele já se percebia antes?
iii) Se sim, porque não foi prevenida atempadamente a deterioração da situação financeira da Instituição? Por incompetência? Porque o reitor esteve distraído com projectos de "grande alcance estratégico" como o "Pacto Regional" e a criação da feira de vaidades a que chamou conselho estratégico?
iv) Que visa o reitor da UMinho com estas declarações alarmistas, neste preciso momento de suposta renovação do quadro de funcionamento da Instituição, por força de determinantes externos? Assustar quem se proponha contribuir para repor o equilíbrio financeiro da gestão e um projecto de Universidade ao serviço da Ciência, da Cultura e do Desenvolvimento da comunidade humana onde se insere?

terça-feira, setembro 04, 2007

Notícias da UMinho, a começar o mês de Setembro

(p. 11, ligação temporária)
(inclui notas sobre a avaliação da UMinho pela EUA)»
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(mensagem datada de hoje disponível em Que Universidade ?)
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(o meu) Comentário:
Caro MJMatos,
Obrigado pela chamada de atenção para a notícia.
Podia comentar diversas coisas mas, dado que o meu colega Jaime Gomes (Prálem D`Azurém) já o fez em mensagem datada de ontem, pelo menos em parte, limito-me a deixar aqui a chamada de atenção para esse seu comentário.
São interessantes estas avaliações "externas".
Um abraço,

“The Name Game. Notes on the Choice of Methods in Ranking Institutes”

“Two recent studies published in "Perspektiven der Wirtschaftspolitik" are used to discuss methods to develop bibliometric analyses and rankings of economic research institutions. According to them, standardization methods using the number of staff or university graduates may have a crucial impact on results, especially when the weighting methods used are not sufficiently selective. Different methods to prepare the database also have considerable influence on the data quality and results. Rankings based on a variety of methods for weighting the quality are frequently highly correlated with each other, but they supply quite different placements for institutes.”

Peter Huber (WIFO)
Angelina Keil (WIFO)
Date: 2007-01-16
Keywords: Rankings Publication
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:wfo:wpaper:y:2007:i:287&r=edu
(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

Notícias do secundário: concurso de colocação de professores

«Notícia PÚBLICO - Última Hora
Concurso de colocação de professores

Fenprof acusa Governo de promover um dos maiores despedimentos colectivos no país
2007-09-03 19:09:00 Lusa

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusou hoje o Governo de promover o equivalente a um dos maiores despedimentos colectivos no país. Cerca de 45 mil candidatos ficaram de fora na primeira fase do concurso de colocação de professores.
Dezenas de professores concentraram-se na Loja do Cidadão dos Restauradores, em Lisboa, numa acção simbólica para dar voz aos docentes desempregados em todo o país, três dias depois de serem conhecidos os resultados da primeira fase do concurso de colocação de professores.
Segundo as contas da Fenprof, dos cerca de 45 mil professores que estão sem colocação, perto de 30 mil são professores com tempo de serviço e os restantes são professores profissionalizados.
Mário Nogueira, dirigente da Fenprof, salientou que dos 6407 colocados, 3155 "são professores que já são dos quadros", pelo que considerou que este ano foram, efectivamente, colocados 3252 docentes.
[...]»

(extracto de notícia de ontem, do jornal Público, com o título que se identifica acima)
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[cortesia de Nuno Silva]

domingo, setembro 02, 2007

A frase do dia - IV

"O programa Inov Contacto, antigo programa do ICEP de estágios em empresas estrangeiras para licenciados jovens e reconfigurado pelo presente governo em 2005/2006, que já foi uma das pérolas da propaganda da politica de requalificação do capital humano nacional e do crescimento de longo prazo, anunciou a abertura do processo de candidaturas e selecção recentemente. Digo que já foi uma das pérolas pois o recente anúncio indica um corte de cerca de 60% nos estágios concedidos em relação ao ano anterior [...]"
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(extracto de mensagem, datada de 31 de Agosto e intitulada "Promessas e Politica....", disponível em Economia)
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Comentário: ... é o governo português, fortemente apostado no relançamento da economia, na qualificação do emprego, na promoção do uso das novas tecnologias e em não sei quantas coisas mais terminadas em ia e em ão, como demagogia e presunção, por exemplo.

sexta-feira, agosto 31, 2007

“Urbanization, Productivity and Innovation: Evidence from Investment in Higher Education”

“During the past fifteen years, Swedish government policy has decentralized post-secondary education throughout the country. We investigate the economic effects of this decentralization policy on the level of productivity and innovation and their spatial distribution in the Swedish economy. We analyze productivity, measured as output per worker at the level of the locality, for 284 Swedish communities during a 14 year period, and innovation, measured by commercial patents awarded in 100 Swedish labor market areas during an 8 year period. These economic outcomes, together with data documenting the decentralization of university- based researchers, permit us to estimate the effects of exogenous changes in educational policy upon increases in productivity and the locus of innovative activity. We find important and significant effects of this policy upon economic output and the locus of knowledge production, suggesting that the decentralization has affected regional development through local innovation and increased creativity. Moreover, our evidence suggests that aggregate productivity was increased by the deliberate policy of decentralization.”

Roland Andersson (Royal Institute of Technology, Sweden)
John Quigley (University of California, Berkeley)
Mats Wilhelmsson (Royal Institute of Technology, Sweden)
Date: 2006-07-13
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:cdl:bphupl:1068&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

quarta-feira, agosto 29, 2007

Uma peça de arquitectura mercantil

"Vital Moreira defende hoje na sua coluna no Público que o novo regime de crédito para estudantes do ensino superior é parte do processo de democratização do acesso à universidade. Não vejo como. Na ausência de novas iniciativas na área da depauperada acção social escolar e num contexto de desinvestimento público no ensino superior, vejo-a mais como uma peça da arquitectura mercantil que o governo vai construindo."
João Rodrigues
(extracto de mensagem, datada de 28 de Agosto de 2007 e intitulada "Democratizar o quê?", disponivel em Ladrões de Bicicletas)

segunda-feira, agosto 27, 2007

Acta para memória futura

"[...]
O Sr. Agostinho Branquinho (PSD): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. Agostinho Branquinho (PSD): — É para uma interpelação à Mesa, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Então, qual é o ponto da condução dos trabalhos a que V. Ex.ª quer referir-se?
O Sr. Agostinho Branquinho (PSD): — Sr. Presidente, como teve ocasião de verificar, no pedido de esclarecimento que formulei, coloquei ao Sr. Ministro apenas uma singela questão, uma única.
O Luiz Fagundes Duarte (PS): — Era tão singela, tão singela que não obteve resposta!
O Orador: — Portanto, gostava perguntar a V. Ex.ª, Sr. Presidente, o que é que o PSD tem de fazer para que o Sr. Ministro possa responder a uma questão tão simples como é a do calendário. É só isto.
Queremos saber, através de V. Ex.ª, o que é que podemos fazer para que o Sr. Ministro responda à simples questão de se aceita ou não o calendário que propusemos.
O Sr. Luís Marques Guedes (PSD): — Muito bem!
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, agradeço-lhe, mas a sua questão não foi um ponto sobre a condução dos trabalhos, foi um ponto sobre a condução da resposta do Sr. Ministro.
Risos.
Assim, tenho de dar a palavra, para explicações.
O Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares: — Sr. Presidente, é para lembrar ao Sr. Deputado Agostinho Branquinho — reinvesti-lo, se me permite, de todos os poderes que lhe assistem como Deputado — que quem definirá o calendário de aprovação desta proposta de lei será a Assembleia da República.
Aplausos do PS.
A Srª Manuela de Melo (PS): — Claro!
O Sr. Presidente: — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Fernando Rosas.
O Sr. Fernando Rosas (BE): — Sr. Presidente, Sr. Ministro, a proposta de lei que hoje traz à nossa consideração é, nalgumas das suas disposições nucleares, um gesto desgraçado e prepotente que, sob um linguajar modernaço, constitui um dos mais graves ataques à integridade das universidades portuguesas como projecto cultural e científico, contra a sua autonomia, contra a democracia interna da sua gestão, que o Governo, ainda por cima, procura impor a este Parlamento e ao País pela força da sua maioria absoluta.
Sr. Ministro, contra este projecto tem a Universidade de Coimbra; contra este projecto tem a Universidade de Lisboa; contra este projecto tem a Universidade Técnica de Lisboa; contra este projecto tem a Universidade Nova de Lisboa, a Universidade de Aveiro, a Universidade do Porto e praticamente a totalidade das associações de estudantes. Contra este projecto tem todos os sindicatos do ensino superior, tem os trabalhadores não docentes da universidade. O Sr. Ministro tem o conjunto das forças vivas da universidade contra os aspectos mais gravosos deste projecto.
Assim, pergunto, Sr. Ministro, se V. Ex.ª se tornou politicamente surdo. É que toda a universidade está à espera que lhe seja dito se o senhor tenciona abordar esta questão pela via da negociação ou pela força e o senhor vem aqui comunicar-nos que é pela força!
A Sr.ª Manuela de Melo (PS): — Ai foi?!
O Orador: — O senhor vem aqui comunicar-nos que não há negociação a não ser no calendário que a maioria se prepara para impor, através de audições atrabiliárias, sem ouvir verdadeiramente os interessados e de uma forma contra a qual já se levantaram milhares de cidadãos em petições assinadas e entregues nesta Assembleia da República.
Pergunto-lhe, Sr. Ministro, se é assim que V. Exª tenciona reformar as universidades, pela força bruta de uma maioria que se impõe, não pela razão mas pela desrazoabilidade da coacção que a maioria dos votos implica neste caso concreto, que, ainda por cima, não corresponde a nenhuma espécie de compromisso eleitoral do Governo.
[...]"
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(extracto do Diário da Assembleia da Républica de 29 de Junho de 2007, I Série, Nº 100: reunião plenária de 28 de Junho de 2007 - ordem do dia)
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[cortesia da Nuno Silva]