Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

sábado, agosto 25, 2007

Por falar em revista de imprensa e revista de outras coisas

- Diário Económico

Universidade: que reforma?

"Muitas das linhas da reforma da universidade aprovada vão no bom sentido, erradicando a gestão pseudo-democrática, de carácter corporativo, que vigora desde 1988."
(José Pedro Sucena Paiva)
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/10281
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- Portal do Governo
[http://www.portugal.gov.pt]:
"Decreto-Lei que visa criar um sistema específico de empréstimos a estudantes e bolseiros do ensino superior, [...]"
Comunicado do Conselho de Ministros de 23 de Agosto de 2007
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- Portal do Governo
[http://www.portugal.gov.pt]:

Governo cria Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior

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(cortesia de Nuno Silva)


A revista de blogues possível

Tardia embora, por culpa deste tempo que alguns pretendem ser de férias e que outros fazem de recuperação de trabalho que ficou por fazer, só nesta altura estou a dar conta do que vai pelos "blogues" vizinhos, que dão sinal de animação, diga-se. Nalguns casos, anunciam-se notícias dos jornais sobre leis que são promulgadas e/ou entraram em vigor, como é o caso de Polikê ? ("Só falta uma brisazinha para o arranque [*]") e do Que Universidade ? ("Revista de imprensa"). Noutros [Bloco de Notas ( "Férias?)], alimentam-se debates sobre a implementação, aí ao virar da esquina, do RJIES.
Mais ou menos indigestas, são leituras que importa ir fazendo. Pela minha parte, procurarei cumprir, mesmo que também me apeteça, de vez em quando, desligar do mundo, que vai triste e perigoso, como é bem sabido.
Amanhã, haveremos de ter um dia melhor!

J. Cadima Ribeiro



quinta-feira, agosto 23, 2007

Universidade e desenvolvimento regional

Quer tomemos como ponto de partida a abordagem funcionalista quer a territorialista, instituições como a Universidade podem ser importantes instrumentos de desenvolvimento, se bem que o sejam mais quando a estratégia tenha uma matriz informadora endógena.
No primeiro caso, a Universidade será assimilável a investimento externo, eventualmente público, dotando o território de um equipamento importante pelos seus impactes em termos de criação de rendimento e de emprego, de estimulo à fixação e desenvolvimento de actividades económicas e à modernização da sociedade.
No segundo caso, a sua importância estratégica é maior já que a Instituição tende a ser vista como um agente da parceria para o desenvolvimento. Um parceiro tanto mais estratégico quanto as rupturas tecnológicas e organizacionais vêm sublinhando a componente criação e partilha de conhecimentos inerente a qualquer projecto de desenvolvimento. Isto é, o conhecimento e a acção associada ao domínio do saber tecnológico e organizacional, do saber e do saber-fazer, são os elementos portadores da diferença entre ganhadores e perdedores da batalha do progresso social do presente.
Estamos, entretanto, a invocar um modelo de Universidade que descolou daquela cujos traços caracterizadores são: i) a criação de conhecimentos, que são armazenados nas bibliotecas; ii) a transmissão de conhecimentos às novas gerações que se vão sucedendo; iii) o carácter elitista da oferta de formação que assegura, que a faz funcionar como filtro social.
Na fase de transição, a Universidade continua a formar as novas gerações mas, também, a intervir na formação continua. A oferta de formação tende a alargar-se e a equilibrar-se com a procura social. As expectativas que a sociedade coloca nas Instituições aumentam, se bem que as barreiras impostas pela estrutura produtiva (em especial, quando constituída por PMEs com restrita participação nas actividades de I&D e uma fraca dotação de técnicos qualificados) possam constituir barreiras ao desenvolvimento da relação da Universidade com o meio.
Esta fase intermédia anuncia o advento de um novo modelo cujos traços essenciais se podem já reconhecer (Massicotte, 2002): i) o conhecimento cria-se através da acção e uma nova partilha de tarefas institui-se entre investigação fundamental e aplicada, investigação e desenvolvimento, inovação e transferência; ii) a formação não está mais a montante da investigação, mas insere-se no próprio processo de criação de conhecimento; e iii) a procura social de formação ultrapassa a oferta, daí o deslocamento do acento da selecção para o sucesso.
O crescimento da procura de acesso à formação superior de que se fala é consequência da crescente proporção de actividades que requerem conhecimentos e aptidões de alto nível. Uma e outra coisa têm origem na aceleração dos avanços científicos e tecnológicos e das respectivas aplicações, numa dialéctica que a UNESCO (1998, p.26) sintetiza como segue: “o acelerar do avanço tecnológico, a obsolescência de algum conhecimento e o aparecimento de novas áreas de conhecimento e novas sínteses conduzem a um processo que, por sua vez, requer mudanças na educação superior”.
Perante esta realidade, o sucesso de uma organização ou de um território depende, cada vez mais, do conhecimento de que dispõem ou são capazes de gerar, num quadro de procura de resposta para as necessidades identificadas. Acresce que, à luz deste modelo societário e deste ritmo de transformação, os saberes dos especialistas esgotam-se rapidamente se não puderem integrar-se em equipas e em redes de criação e divulgação do conhecimento.
Para as Universidades e para os territórios, é um desafio de grande exigência este que lhes é colocado. Adicionalmente, pela natureza do projecto de construção social entrevisto, é um desafio que se vence através de uma estreita congregação de esforços com os demais parceiros do projecto colectivo de desenvolvimento.
J. Cadima Ribeiro

Referências:
- Massicotte Guy (2002), "L’enseignement supérieur et le développement des territoires", Le développement des territoires: nouveaux enjeux, Le Mouvement Territoire et Développement (Ed.), Grideq, Université du Québec, Rimouski, pp. 5-12.
- UNESCO (1998), “Higher Education in the Twenty-first Century: Challenges and Tasks Viewed in the Light of the Regional Conferences”, Word Conference on Higher Education, UNESCO, Paris.
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(artigo de opinião publicado nesta data no Jornal de Leiria, recuperando extractos de um texto já com alguns anos)

"Como é, Vital?"

"[...] creio conhecer bem as posições do Vital. No entanto, ele aparece hoje como construtor da lei. Era bom que clarificasse isto, em que é que discorda do modelo de governação."

João Vasconcelos Costa

(extracto de mensagem, datada de hoje e intitulada "Como é, Vital?", disponível em Bloco de Notas)

quarta-feira, agosto 22, 2007

At the end of the day …

"At the end of the day, anybody who thinks there's a reward for nothing, ends up losing."

Kerry Stokes

(citação extraída de SBANC Newsletter, August 21, Issue 484-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

“Free Education: For Whom, Where and When?”

“This article analyzes the effect of free public education on fertility, private educational investments and human capital accumulation at different stages of economic development. The model shows that when fertility is endogenous parental human capital levels are crucial for implications of free education. At early stages of development, if parental human capital is low, free access to basic education may provide the only chance to leave poverty. In contrast, at advanced stages of development, if parental human capital is high, the availability of free education crowds out private educational investments, increases fertility and may be detrimental for growth.”

Leonid Azarnert

Keywords: free public education, private education, fertility, human capital, economic growth
Date: 2006-06
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:deg:conpap:c011_024&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, agosto 21, 2007

Trabalhos de Agosto - II

«Cara […],
O aluno em causa teve a classificação de […] valores. O contacto com o GRI não sou capaz de imaginar para que sirva.
Renovo disponibilidade para preencher uma 2ª via da pauta, desde que ela me chegue entretanto.
Se os serviços de acompanhamento destes estudantes estivessem organizados de forma adequada e geridos convenientemente, o problema não se punha, isto é, facilmente se concluiria o que é que falhou. Desse ponto de vista, acabar com o GRI é um bom passo nesse sentido.
Cordiais cumprimentos,
J. Cadima Ribeiro»
*
«De: […]
Enviada: sex 17-08-2007 19:12
Para: José António Cadima Ribeiro
Assunto: Re: Nota alunos Erasmus
Caro professor:
Sim , uma alternativa (tb comum) é a pauta se ter perdido pelos serviços. Dado que o professor se lembra da ter lançado, não se preocupe que eu vejo por onde pára. O problema só se pôs agora porque o aluno pediu a emissão do certificado e o GRI diz que não pode emitir por falta de muitas notas.
Infelizmente, existem sempre muitos problemas com as pautas dos alunos erasmus, quase sempre por causa dos alunos não se inscreverem correctamente.
Professor, caso eu não consiga verificar onde se encontra a pauta até à próxima semana, ficaria muito grata se enviasse um email para a Dra […] com o nome e a nota do aluno.
Desculpe o incómodo.
Com consideração,
[…]»
*
«Em 17/08/07; jcadima@eeg.uminho.pt escreveu:
Cara […],
Lembro-me bem do aluno que refere, que foi avaliado e cuja nota foi lançada em devido tempo, aliás, juntamente com a de outro estudante de origem […]. Assim sendo, não posso imaginar o que se possa ter passado e porque é que a questão só emerge agora. Note que nenhuma pauta que me chegue fica por preencher dentro dos prazos estabelecidos.
Por favor, ele (ou a colega, se assim o entender) que verifique junto dos SAc. o que se passou. Se necessário, poderei preencher uma 2ª via, desde que a pauta me chegue nos próximos oito dias.
Cordiais cumprimentos,
J. Cadima Ribeiro»
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«De: […]
Enviada: sex. 17-08-2007 16:25
Para: José António Cadima Ribeiro
Assunto: Nota alunos Erasmus
Caro Professor
O aluno […], que o ano passado estudou na universidade ao abrigo do programa Erasmus, pediu-me para o contactar porque a nota de Economia Portuguesa e Europeia não foi ainda lançada. Professor note, por favor, que pode ter acontecido uma das seguintes situações:
1. O aluno inscreveu-se mas nunca apareceu. Sendo as pautas só ainda de "papel" o professor pode nem ter reparado ou não ter preenchido porque nunca ouviu falar do aluno.
2. O aluno apareceu mas não se inscreveu e a pauta não foi emitida.
3. O aluno inscreveu-se tarde, por substituição de outra disciplina, nos serviços académicos e a pauta não foi emitida correctamente.
4. A pauta não foi emitida, por lapso.
Caso tenha informação sobre o aluno, queira por favor enviar-me um email. […].
Grata,
[…]»
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(reprodução parcial de troca de mensagens de correio electrónico a propósito de nota de aluno ERASMUS "extraviada" - situação "ficcionada")
Comentário: a situação a que se alude mostra bem, a meu ver, como não basta ter gente bem intencionada e empenhada numa organização para que as coisas rolem como deviam; há uma dimensão que se chama organização (e outra, prévia, que se chama planeamento), que são imprescindíveis; já não falo de gestão da organização, que é uma coisa que toda a gente acha que sabe fazer.

domingo, agosto 19, 2007

RJIES: as críticas de JSP

"O RJIES tem falhas, até porque parece ter sido feito à pressa e não foi suficientemente discutido com os universitários. Mas as críticas que JSP faz não são as mesmas que os reitores fazem. Os reitores centram-se nos poderes perdidos, como o facto de não dirigirem o orgão de que define a estratégia da Universidade, o Conselho Geral, uma vez que este orgão é presidido por alguém de fora da Universidade. Procuraram introduzir um orgão que lhe fizesse frente, o Senado, mas que não foi aceite pelo ministro."
Jaime Gomes
(extracto de mensagem, datada de hoje e intitulada "RJIES-comentário ao artº de José Sucena Paiva no Público", disponível em Prálem D`Azurém)

Ecos de uma audição parlamentar: notícia de mais uma tomada de posição oriunda da UMinho

«[...], apesar de estar mais ou menos consciente de para nada servir o que aqui escrevo, não posso deixar de dar o meu contributo de cidadão, mais não seja para chamar a atenção para o desastre eminente que este RJIES pode vir a configurar, sobretudo no que respeita ao ensino público.

Desde logo é incompreensível que se queiram criar novas figuras organizativas, concretamente um novo tipo de fundações que estabelecem a confusão entre o que é público e o que se quer privado. Qual a vantagem dessa figura juridicamente inovadora? Negativa a meu ver, na medida em que é sobranceiramente elitista e desagregadora do ensino superior público, mesmo que se argumente que se procura mais eficácia organizativa e mais transparência. De certo modo, o objectivo estratégico de criar fundações com gestão de tipo privado (?) a quem se vai entregar as universidades públicas ou a melhor parte das mesmas é claro: visa transferir para fora do orçamento de Estado parte dos custos com o ES (sempre o malfadado combate ao défice a envenenar a reforma das nossas instituições) ao mesmo tempo que, paradoxalmente, grande parte da reforma organizativa pretendida se faz com um inacreditável reforço da governamentalização do Ensino Superior. Quase me atreveria, a dizer partidarização mas não quero chegar a tanto, por agora.
Portanto, é apenas aparente o tão badalado reforço da autonomia das instituições de ensino superior, tantas são as referências à intervenção governativa nas mais variadas matérias. Além do mais, permite-se toda a sorte de arranjos intra e inter-institucionais, como se de tal "anarquia" pudesse alguma vez resultar mais qualidade. Corre com discentes e pessoal não docente dos órgãos de governo e cria condições para que os lobbies partidários, das "construtoras", da "banca" e outros, substituindo-se às famosas associações "endogâmicas", ocupem os últimos lugares onde ainda, apesar de tudo, se pode ser criativo sem medo de expressar ideias diferentes das politica e socialmente correctas.

A ideia de designar o reitor por um conselho de notáveis é perversa. Fazer a escolha do reitor como a de um chefe de repartição é um atentado à democracia e à participação dos membros das instituições académicas.
Aliás, com este RJIES, até os professores, na sua maioria, passam à clandestinidade organizacional, saneados dos conselhos científicos, dos senados (colados à pressa nesta versão da proposta, mas sem capacidade real de intervenção), dando crédito à velha imagem do "cientista louco" que vive embrenhado exclusivamente no seu trabalho sem querer saber do que se passa à sua volta.
[...]»

Carlos Veloso da Veiga
(Braga, 9 de Julho de 2007)
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[extracto de tomada de posição de professor da UMinho, no quadro da audição pública promovida pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, da AR, em vésperas de votação da proposta de lei (RJIES)]

sábado, agosto 18, 2007

CNE: para que te quero?

Notícia do Correio da Manhã:
Superior muda regras
O novo sistema de avaliação do Ensino Superior entra(ou) hoje(ontem) em vigor, após a publicação do diploma em Diário da República. Apesar das críticas levantadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), cujo último parecer foi conhecido esta semana, a nova lei prosseguiu o seu caminho, com o objectivo de melhorar a qualidade do desempenho das universidades e politécnicos.
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Comentário: não será melhor acabar também com o Conselho Nacional de Educação? Afinal para que existe?
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[cortesia de Nuno Silva]

sexta-feira, agosto 17, 2007

Trabalhos de Agosto

«Título da comunicação:
Ser economista hoje, em Portugal. O que mudou com a implementação da Declaração de Bolonha


Resumo:
Se é sabido que a Economia, como ciência, se preocupa com a realização de escolhas de utilização de recursos escassos no quadro da satisfação de necessidades individuais ou sociais, afigura-se bem mais problemático dizer o que é ser economista hoje, em Portugal. A dificuldade que se anota levou-me, não há muito tempo, a exprimir embaraço quando essa questão me foi colocada, à semelhança de outros conhecidos colegas de “profissão”. Embora talvez não devesse ser assim, a dificuldade da questão alargou-se nos últimos tempos, não apenas em razão da complexificação das economias mas, igualmente, da transformação porque passam os curricula do ensino superior. É que, embora uma melhor adequação das formações oferecidas às necessidades das empresas e da sociedade fosse o grande argumento invocado pelo decisor político para precipitar a mudança, o acolhimento das “novas” formações pelo mercado de trabalho ficou fora da equação. É destes problemas difíceis e deste paradoxo que esta comunicação fala.»

J. Cadima Ribeiro

(título e resumo de comunicação, com redação em curso, a ser apresentada no 2º Congresso Nacional dos Economistas, Ordem dos Economistas, a ter lugar a 11 e 12 de Outubro de 2007, no Centro de Congressos de Lisboa)

quinta-feira, agosto 16, 2007

Regime jurídico da avaliação do ensino superior

Lei n.º 38/2007, de 16 de Agosto,
Aprova o regime jurídico da avaliação do ensino superior
(entrada intitulada "Avaliação do ensino superior", disponível desde hoje em Reformar a Educação Superior)

Reconhecimento de graus superiores estrangeiros

Novo regime jurídico do reconhecimento de graus superiores estrangeiros:
O Governo aprovou a 9 de Agosto, na especialidade, o decreto-lei que aprova o novo regime jurídico do reconhecimento de graus académicos superiores estrangeiros.
MCTES - Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
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[cortesia de Nuno Silva]

quarta-feira, agosto 15, 2007

A frase do dia - III

"Um pouco contranatura, qualquer investigador de Economia sabe que para se manter actualizado não se pode limitar a ler as revistas de Economia. Tem, isso sim, de estar a par dos working-papers — documentos de trabalho ainda não publicados."
Luis Aguiar-Conraria
(extracto de mensagem, datada de 07/08/14, intitulada "Arbitragem económica", disponível em A destreza das dúvidas)
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Comentário: !!!

domingo, agosto 12, 2007

Ecos de uma audição parlamentar: a posição da Ordem dos Economistas (II)

«[...]
GESTÃO DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
6. Esperar-se-ia também que um dos aspectos da definição dos princípios de organização e gestão das instituições de ensino superior fosse o da clara separação entre os três planos da definição estratégica, do governo e da administração e gestão, os quais convém entregar, respectivamente, a representantes da entidade instituidora das organizações, a membros da própria organização com vínculo estável a ela e a profissionais especialistas (isto é, economistas especializados na administração e gestão de organizações).
Por outras palavras, seria razoável que:
a) No caso das instituições de ensino superior públicas, o Estado assumisse a responsabilidade da definição estratégica (a não ser que a regulação a nível macro do sector seja feita na base de um sistema exclusivamente de mercado, o que corresponde a uma privatização integral implícita do ensino superior), concedendo ao mesmo tempo, por razões de eficácia, larga autonomia às instituições na execução das linhas estratégicas previamente definidas.
b) No que respeita às organizações de ensino superior privado, o Estado apenas tutelasse essas instituições para suprir falhas do mercado (em termos de informação assimétrica, por exemplo) e não para as integrar estrategicamente num sistema público alargado.
Ora, particularmente no caso das instituições de ensino superior públicas e de acordo com a proposta de lei:
a) A definição estratégica é cometida a um Conselho Geral directa ou indirectamente escolhido pela própria instituição. Além disso, o Conselho Geral estende as suas competências muito para além da definição estratégica (artigo 82º).
b) O governo é cometido a um Reitor ou Presidente, órgão unipessoal, que pode não ter qualquer ligação prévia ou estável à instituição, criando uma inconveniente separação entre o poder formal e a autoridade informal. Também este órgão vê as suas competências largamente estendidas para além do governo da instituição (artigo 91º). É certo que se prevê a existência de conselhos científicos ou técnico-científicos e pedagógicos, mas todas as competências destes órgãos, cuja composição está porventura tipificada de modo excessivamente rígido, são de mera proposta para decisão última do único verdadeiro órgão de governo.
c) A administração e a gestão são cometidas a um Conselho de Gestão designado pelo Reitor ou Presidente sem quaisquer limitações (artigo 94º). É certo que se prevêem esquemas de prestação de contas e fiscalização (capítulo IV do título V), mas seria conveniente acautelar os processos numa fase anterior, garantindo a competência profissional dos responsáveis pela administração e gestão das instituições.

7. A situação não se altera no caso de, como previsto no capítulo VI do título V da proposta de lei, se constituírem instituições de ensino superior públicas de natureza fundacional. Neste caso, é acrescentado um órgão, o Conselho de Curadores, de designação governamental, que assume parte das competências do Conselho Geral, mas cujas relações com os restantes órgãos de gestão (artigo 133º) dificilmente podem estabelecer uma clara independência e separação de poderes.»
*
Aprovado na reunião de 10 de Julho de 2007 da Direcção da Ordem dos Economistas

[extracto de tomada de posição da Ordem dos Economistas, no quadro da audição pública promovida pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, da AR, em vésperas de votação da proposta de lei (RJIES)]

sexta-feira, agosto 10, 2007

Notícias da UMinho, em Agosto

"Como qualquer veraneante sabe, fazer férias em Agosto não é matéria fácil. Mas, pela minha experiência, trabalhar é ainda mais difícil."

Vasco Eiriz

(extracto de mensagem, datada de hoje e intitulada "Distribuição de Dividendos - o sistema e o ´bunker`", disponível em Empreender)

Ecos de uma audição parlamentar: a posição da Ordem dos Economistas

«[...]
ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA DO SISTEMA DO ENSINO SUPERIOR
4. Esperar-se-ia que um dos elementos da definição dos princípios de organização do sistema de ensino superior e da regulação e ordenamento da rede pública de instituições do ensino superior (aspectos explicitamente referidos na exposição de motivos da proposta de lei) fosse o do modelo de organização e funcionamento em termos económicos do sector do ensino superior. Porém, esse elemento não é explicitado, nem na proposta de lei, nem no projecto de lei, não ficando claro se se pretende que a regulação da oferta e o financiamento do sistema se façam pelo mecanismo de mercado (devendo os consumidores que desejem adquirir serviços de ensino superior pagar o respecivo custo, como já acontece correntemente nas instituições privadas e ao nível dos 2º e 3º ciclos de formação nas instituições públicas), ou por um mecanismo de determinação centralizada das vagas de acesso e dos preços a cobrar, com a necessária contrapartida de um financiamento público (como ainda acontece correntemente ao nível do 1º ciclo de formação nas instituições públicas). Pormenores dos articulados (por exemplo, o nº 5 do artigo 9º do projecto de lei, particularmente as alíneas a), f) e h), ou a alínea b) do nº 2 do artigo 25º do projecto de lei) revelam que se pretende deixar explicitamente de fora tais considerações, ou que não se atendeu à sua necessária relação com outros elementos constantes dos diplomas, o que não pode ser considerado conveniente.
[...]»
Aprovado na reunião de 10 de Julho de 2007 da Direcção da Ordem dos Economistas
[extracto de tomada de posição da Ordem dos Economistas, no quadro da audição pública promovida pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, da AR, em vésperas de votação da proposta de lei (RJIES)]

quinta-feira, agosto 09, 2007

Ecos de uma audição parlamentar: um comentário à tomada de posição da Ordem dos Engenheiros

«Este é um daqueles temas que anda para a frente e para trás, como se fosse um conflito geracional. Uma questão é: Quem manda na educação! A outra questão é: Quem manda na profissão!
Temos ainda a terceira questão, a que acho imensa graça, sobre o «deixem falar o mercado», umas vezes dá mais jeito e outras vezes nem por isso.
Não tenho problema nenhum em deixar expressa a minha opinião:
- A educação deve ser responsável pelos cursos que coloca no mercado educativo. Se os modifica, ajusta, altera, em função da procura ou da estratégia da entidade, de si mesma, ou de quem manda nela, é um problema local, que ela terá de solucionar.
As «ordens» com as quais tenho um conflito insanável, são entidades reguladoras mas que exercem a sua acção de modo castrador, conservador, anti-evolução.
A escola anuncia que X é um especialista se X possui um currículo relevante, realizou um exame, prestou provas especiais, executou uma ‘obra-prima’. Para isso, a escola teria que ser especializada, no que tenho muitas dúvidas, porque as escolas quando muito – aí estou de acordo com Zé Mariano – poderão ser respeitadas pela investigação executada (?!) que salta aos olhos do mercado.
Quando a escola outorga títulos – ver aquela história que Virgílio Machado trouxe à superfície há um mês atrás – que não são graduações/diplomas, mete-se numa guerra de sapatos que em rigor pertence aos sapateiros.»
Alexandre Sousa
(comentário produzido na sequência da divulgação de extracto de tomada de posição da Ordem dos Engenheiros sobre a proposta de RJIES, publicado abaixo)

quarta-feira, agosto 08, 2007

Ecos de uma audição parlamentar: a posição da Ordem dos Engenheiros

«[...]
1. Proposta de alteração dos artigos relativos a atribuição do título de Especialista (Artigos 48º e 49º)

Exposição de motivos

Discordamos da visão legislativa vertida no artigo 48º de concessão do título de Especialista pelos Institutos Politécnicos.
Apesar de a Proposta de Lei em discussão deferir em decreto-lei a promulgar (artigo 48º, nº 3), as condições de atribuição, parece-nos que, de raíz, o princípio não está correcto e que da sua aplicação irá provavelmente resultar a manutenção de um sistema que a todos interessa alterar.
Recuando um pouco na legislação já promulgada, pensamos que, tal como a lei 74/2006, muito bem prevê, as instituições politécnicas devem preencher parte dos seus quadros com especialistas que tenham um inequívoco perfil profissional. Só assim poderão essas instituições desenvolver em pleno a importante missão que por lei lhes é atribuída.
Ora, o reconhecimento da qualidade de Especialista profissional em qualquer actividade, deve estar cometido à respectiva associação pública profissional.
Arriscamos dizer que, com o modelo adoptado no RJIES em discussão, de cometer às instituições académicas a decisão de atribuir um título que deve resultar do reconhecimento da actividade profissional, não se alterará a cultura endogâmica prevalecente nas instituições do ensino superior.
Tal será muito grave para o desenvolvimento nacional.
E, é grave ainda, passarmos a ter instituições académicas e nestas, apenas no ensino politécnico, pois para o universitário não há norma equivalente, que atribuem títulos profissionais (artº 48º, nº.2: “o título de especialista comprova a qualidade e especial relevância do currículo profissional numa determinada área” – sublinhado nosso).
Tal poderá ser gerador de confusões, há muito resolvidas no nosso País, pois no ensino superior são atribuídos graus académicos, sendo os títulos e a certificação profissionais atribuídos pelas respectivas associações públicas profissionais.
Teríamos de recuar mais de 30 anos para encontrar instituições académicas a atribuir títulos profissionais.

Proposta de alteração
Com esta reflexão, propomos à Assembleia da República a alteração dos artigos 48º e 49º, nos seguintes termos:
O artigo 49º actual passa a 48º com alteração introduzida;
O artigo 48º actual é reformulado e passa a 49º.
[...]»

Fernando Ferreira Santo
Bastonário da Ordem dos Engenheiros
(10 de Julho de 2007)
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[extracto de tomada de posição da Ordem dos Engenheiros, no quadro da audição pública promovida pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, da AR, em vésperas de votação da proposta de lei (RJIES)]

terça-feira, agosto 07, 2007

A frase do dia - II

"[...] sabendo-se que, politicamente, será muito difícil vetar duas leis num prazo muito curto. Portanto, a do RJIES vai passar, garantidamente."
João Vasconcelos Costa
(extracto de mensagem, datada de 07/08/07 e intitulada Veto presidencial, disponível em Bloco de Notas)
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Comentário: as razões que JVC invoca no seu texto, somadas à oportunidade de surpreender, são boas razões para que Anibal Cavaco Silva vete a lei; gostava que Cavaco Silva ainda fosse capaz de surpreender-nos; depois de, por puro acaso, ter assistido ontem na RTP2 a um programa sobre a evolução da investigação científica em Portugal em que me confrontei com o ar enfastiado do ministro Gago, fiquei a desejar ainda mais que tal aconteça ou que, pelo menos, um destes dias, tropece e parta um braço.
Ps: já que invoco o ministro Gago no meu singelo comentário, porque lhe avalia o perfil em toda a dimensão, parece-me inteiramente justificado deixar aqui chamada de atenção para a "nota biográfica" do dito entretanto (07/08/06) publicada por José Adelino Maltez no seu blogue (Sobre o tempo que passa), sob o título "Lá vamos gaguejando e cientificando, levados, levados, não") .
Não cantando o homem mas a obra, é igualmente de inteira justiça recomendar a leitura do poema A Posição - 10. A Lei Rosa Enjeitada, de Virgílio Machado, disponível desde a tarde de ontem em Por Educar)

domingo, agosto 05, 2007

Outras guerras

"P: No conjunto dos sete vectores estratégicos de desenvolvimento de uma região, assinala a “liderança”. Esse é outro dos problemas quando se fala de Leiria. Como se constrói essa liderança para afirmação dos territórios?

R: É disso que falo nas considerações precedentes, quando associo estratégia e intérpretes. Liderança significa, neste contexto, intérpretes com um projecto mobilizador e agregador de vontades da comunidade cujos interesses interpretam. Obviamente, nem todos os actores de desenvolvimento precisam assumir-se como lideres nem isso asseguraria liderança para o desenvolvimento, nem, sublinhe-se, a liderança de um território precisa confundir-se com uma liderança pessoal. Muitos líderes, resultaria em lideranças e disputas “tribais”, cuja caricatura se pode reconhecer no multiplicar de dirigentes das associações empresariais, ditas de cúpula, de que o país dispõe. Uma liderança pessoal arrisca-se a cair em caciquismo, sempre condenável, que me escuso de ilustrar aqui.
Acrescentando uma nota de esperança, gostaria de dizer que as lideranças também se estimulam e se constroem. Não se fazem é com gente com ânsia desmesurada de protagonismo pessoal e falha de sentido de responsabilidade social."
J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista a incluir no dossiê sobre “Competitividade Territorial”, da edição nº 29 da revista Desafios, NERLEI, a sair em meados de Agosto pf.)

sábado, agosto 04, 2007

Do Conselho Geral

"Os membros da Conselho Geral, são escolhidos ou eleitos a título pessoal com o objectivo de contribuírem o melhor que souberem e puderem para o sucesso da instituição, dentro das competências deste Conselho."
José Ferreira Gomes

Era uma vez uma universidade ...

Decisão final sobre o encerramento da Universidade Independente
3 de Agosto de 2007
(http://www.mctes.pt/?id_categoria=66&id_item=3319&action=2)

MCTES - Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

(cortesia de Nuno Silva)

sexta-feira, agosto 03, 2007

15 384 doutorados desde 1970

Na sua edição de ontem, o Jornal de Notícias adianta que Portugal produziu 15 384 doutorados desde 1970 até ao final de 2006.
Segundo o jornal, se todos eles fossem professores nas universidades portuguesas, estaria integralmente cumprido o rácio de um doutor por cada 30 alunos, formalidade que começará a ser exigida no ano lectivo 2008/09.

(cortesia de Nuno Silva)

Arquitectos preocupados

Arquitectos preocupados com não reconhecimento dos cursos http://www.diariodigital.pt/news.asp?section_id=61&id_news=288859
"A Ordem dos Arquitectos (OA) está preocupada com o facto de a maioria dos cursos da área oferecidos em Portugal ainda não estarem inscritos na directiva 2005/36, da Comissão Europeia, um processo indispensável para o reconhecimento destas formações nos países da União Europeia. De um total de 25 licenciaturas em Arquitectura existentes no País, apenas dez (40%) cumprem a norma, pode ler-se no Diário de Notícias."
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(cortesia de Nuno Silva)

quinta-feira, agosto 02, 2007

A carta aberta e a (minha) resposta

A resposta à carta aberta:
Caro Jaime Rocha Gomes,
Obrigado pela atenção que lhe mereceu a mensagem que publiquei sobre o assunto; mais divulgação de informação do que mensagem propriamente dita.
A sua mensagem, por sua vez, soa mais a carta aberta que a outra coisa, que eu entendo que será mais endereçada à academia do que propriamente a mim.
Sobre a análise de situação que faz, eu diria, apenas: pois!!!
Não perca a vontade de agitar vontades e consciências que aqui denuncia.
Um abraço,
J. Cadima Ribeiro
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A carta aberta:
«Terça-feira, Julho 31, 2007
Sobre o regime transitório do RJIES
Comentário sobre artigo 172 do RJIES publicado no blog "Universidade Alternativa" de J. Cadima
Caro Cadima
É caso para pensar se este regulamento já não vem inquinado. Senão vejamos: O reitor actual preside à Assembleia que vai escrever os novos estatutos. Embora os 12 magníficos (representantes dos docentes) têm a maioria, poderão portar-se tal como os apóstolos, ouvindo as sugestões do seu chefe natural e escrevendo os estatutos de acordo com as suas sugestões. Aqui é que eu aproveitava o seu comentário e perguntaria se "há coragem na Academia". Não esquecer que o Reitor poderá candidatar-se outra vez, para cumprir o mandato até ao fim, o que intimidará os membros desta Assembleia, uma vez que tem a máquina já montada e poderá ser de facto re-eleito. Note-se, não estou a referir-me a qualquer reitor em particular mas a todos que ainda têm uns anos de mandatos pela frente.
Penso que muito vai depender dos representantes dos que forem eleitos para esta Assembleia: se forem professores afectos à equipa actual, é evidente que tudo ficará como dantes, nomeadamente no que se refere às nomeações para os vários pelouros (vice-reitores, Administrador, etc). Por isso penso que para haver garantia de uma verdadeira mudança, professores não-afectos à equipa actual, devem desde já avançar com uma lista para concorrerem a esta eleição intercalar para esta Assembleia.
Fica aqui a minha sugestão para esta e para outras universidades.
Jaime R. Gomes»
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(resposta a mensagem disponível em Prálem D`Azurém, que se reproduz integralmente, incluindo os respectivos elementos de referenciação)
Comentário: fico com curiosidade sobre a resposta que darão à carta aberta de Jaime Rocha Gomes os demais seiscentos e tal professores da UMinho directamente interpelados, para já não falar dos restantes membros da academia minhota; da minha resposta original à carta aberta omiti aqui dois ou três detalhes, que os leitores poderão recriar, fazendo uso da respectiva perspicácia; fico a aguardar as propostas.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Umas quantas verdades no meio de demagogia a rodos

"As famílias devem saber o que vale um curso para a empregabilidade"

(título de entrada, datada de hoje, do Blog de Campus)
Comentário: umas quantas verdades no meio de demagogia a rodos; é Mariano Gago, no seu melhor!

Uma referência interessante, a 1 de Agosto

Os Donos do Saber ("www.esquerda.net")
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3704&Itemid=99999999

[cortesia de Nuno Silva]

terça-feira, julho 31, 2007

À ordem das ordens

"Estou convencido de que, em Portugal, as ordens estão a ser um importante factor de perversão de Bolonha. As ordens estão a precisar de serem postas na ordem."

JVC

(extracto de mensagem, datada de hoje, intitulada "Bolonha à Portuguesa", disponível em Bloco de Notas)

Ecos de uma audição parlamentar: a posição da Associação Académica da UMinho

«Depois da Audição pública sobre a reforma do ensino superior a AAUM envia nova versão do parecer sobre o RJIES.

O R.J.I.E.S. é um documento de central importância no que diz respeito à reforma do Ensino Superior Português. Desta forma, traz consigo uma mudança deveras significativa, uma vez que, o actual panorama regulador do Ensino Superior Português vive abafado e confuso por um sem número de diplomas legais que foram surgindo muitas vezes como resposta particular e avulsa a problemas novos que a lei não contemplava. [...]
Assim sendo, A A.A.U.M. não pode deixar de manifestar a sua insatisfação face à anulação de alguns pontos que propôs aduzir ao novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior. Pontos esses que continuamos a defender de uma forma intransigente e que consideramos fulcrais para o desenvolvimento do Ensino Superior em Portugal, destacando, entre outros, os seguintes:
[...]
1- Caso se crie um quarto órgão de governo com poderes vinculativos (Conselho Académico/Senado).
[...]
A A.A.U.M. propõe uma reformulação do art. 77 para:
1. O governo das universidades e dos institutos universitários é exercido pelos seguintes órgãos:
a) Conselho Geral
b) Reitor
c) Conselho Académico / Senado
d) Conselho Gestão
2. (retirado o ponto 2. original e substituído pelo ponto 3.) Além dos órgãos previstos no número anterior, os estatutos podem prever a existência de outros órgãos de natureza consultiva.
[...].
Eleição
1. O reitor ou o presidente é eleito pelos corpos universitários nos termos definidos pelos estatutos de cada Instituição e segundo o procedimento previsto no regulamento competente.
[...].
2.Podem ser designados reitores de uma universidade:
a) Professores e Investigadores da categoria de topo de carreira da própria instituição.
[...]
2 – Caso não seja previsto um senado Vinculativo.
Entendemos que a representação dos elementos externos às Universidades no Conselho Geral não deve ultrapassar os 15% dos elementos que o constituem, correspondendo a representação dos estudantes no mesmo órgão a um mínimo de 30%.
A eleição do Reitor deve ser efectuada através de um colégio eleitoral o mais abrangente possível, de modo a representar toda a comunidade académica. Deste modo, é proposto a eleição de uma assembleia para o efeito, onde deverá constar a representação de todos os elementos da academia a fim de possibilitar uma discussão aberta e abrangente sobre o futuro da Instituição.
[...]
3 - Contudo, entendemos e defendemos que para qualquer um dos cenários descritos anteriormente.
O Conselho de Gestão deve ser constituído por 5 elementos, sendo quatro deles obrigatórios, o Reitor, um Vice-Reitor, o Administrador e um Estudante. Pode ainda estar complementado por um elemento eleito do Conselho Geral. O direito ao voto deve ser exercido por todos os elementos possibilitando, desta forma, uma verdadeira representatividade de toda a Instituição.
As posições do Senado Académico devem ser vinculativas e deliberativas.
O Conselho Geral deve ser um órgão de gestão com competências preferencialmente estratégicas e o Senado Académico com responsabilidades exclusivamente académicas.
O Regime transitório para este novo RJIES, deverá ser no mínimo de 1 ano e os Estatutos têm de ser aprovados por uma assembleia eleita pelos corpos representantes da comunidade académica.
[...]
Cumprindo o mandato de defendermos, sempre e da melhor forma, os interesses dos alunos que representamos, a A.A.U.M. propõe que as seguintes medidas e orientações sejam aduzidas ao novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior pois entendemos que se tornará mais justo e mais fiel (ou mais adaptável) à realidade e às necessidades actuais do Ensino Superior em Portugal.
[...]
Pedro Couto Soares
Presidente da Direcção da AAUM»
[extractos de tomada de posição da AAUMinho, no quadro da audição pública promovida pela Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, da AR, em vésperas de votação da proposta de lei (RJIES)]
(cortesia de Nuno Silva)
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Comentário: radicais, estas propostas do presidente da AAUMinho, não eram? Por contraponto, não era excessivamente modesta a reivindicação de que a representação dos estudantes no Conselho Geral pudesse ficar-se por 30% dos membros do orgão?

domingo, julho 29, 2007

Para meditar, preparando o regresso em Setembro pf.: uma sugestão de tema (II)

"Artigo 173.º
Unidades orgânicas

1 - No processo de elaboração e aprovação dos estatutos, as instituições de ensino superior públicas devem proceder à racionalização das suas unidades orgânicas, procedendo, designadamente, às fusões e extinções que se revelem adequadas.
2 - No processo de racionalização a que se refere o presente artigo, as instituições devem respeitar as orientações gerais de racionalização da rede aprovadas pelo Governo."
(extracto do RJIES, agora quase lei, para o bem e para o mal)

Comentário: ainda haverá gente corajosa pelas academias deste país? Ainda haverá gente ousada numa academia aqui mesmo à beirinha?

sábado, julho 28, 2007

Do Arquivo Distrital de Braga

"NOTÍCIA
O 90º ANIVERSÁRIO DA CRIAÇÃO DO ARQUIVO DISTRITAL DE BRAGA

O Arquivo Distrital de Braga vai comemorar 90 anos de existência, dado que foi criado em 11 de Agosto de 1907, através do decreto-lei nº 3286, que o anexou à Biblioteca Pública de Braga, na sequência da Lei da Separação de 1911, a qual ordenara a transferência para a posse do Estado dos Cartórios Eclesiásticos. O Arquivo Distrital recolheu ainda outros fundos documentais de grande importância para a história local e do próprio país, como os documentos de extintos mosteiros, da antiga provedoria e da antiga prefeitura do Minho, cartórios de hospitais, confrarias e misericórdias, cartórios paroquiais e notariais do distrito, processos crimes, cíveis e orfanológicos, arquivos privados, etc.
Em Dezembro de 1975 foi formalmente integrado na Universidade do Minho, sendo uma das suas Unidades Culturais.
O Arquivo Distrital de Braga é um dos principais arquivos do país, detentor do mais rico e importante de todos os cartórios eclesiásticos portugueses: o cartório do Cabido Bracarense.
Para assinalar a efeméride, pelo menos para já o Arquivo apresenta um site renovado (http://www.adb.uminho.pt/), que a partir de Outubro será enriquecido com novos conteúdos, tornando acessível aos investigadores, por ex., parte apreciável da base de dados relativa ao Arquivo do Conde da Barca, de grande importância para o estudo das Invasões Francesas e de permanência da Corte Portuguesa no Brasil.
Outras iniciativas serão em devido tempo anunciadas."

Henrique Barreto Nunes
(Director do Arquivo Distrital de Braga / Universidade do Minho)

[reprodução integral de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico em 07/07/27, com a proveniência e o título identificados acima]

sexta-feira, julho 27, 2007

Para meditar, preparando o regresso em Setembro pf.: uma sugestão de tema

"Artigo 172.º
Novos estatutos

1 - No prazo de oito meses a contar da entrada em vigor da presente lei, as instituições de ensino superior devem proceder à revisão dos seus estatutos, de modo a conformá-los com o novo regime legal.
2 - No caso das instituições de ensino superior públicas, os novos estatutos são aprovados por uma assembleia constituída para o efeito, com a seguinte composição:
a) O reitor ou presidente, que preside;
b) Doze representantes dos professores e investigadores de carreira e outros docentes e investigadores com o grau de doutor em regime de tempo integral;
c) Três representantes dos estudantes;
d) Cinco personalidades externas de reconhecido mérito não pertencentes à instituição com conhecimentos e experiência relevante para a instituição.
3 - A eleição e cooptação dos membros são efectuadas nos termos do disposto nos n.os 3 a 6 do artigo 81.º de acordo com regulamento aprovado pelo senado ou conselho geral em funções segundo o regime legal vigente à data da entrada em vigor da presente lei.
4 - A assembleia pode nomear uma comissão encarregada de elaborar um projecto de estatutos, a ser submetido à discussão e aprovação da assembleia.
5 - No processo de elaboração dos estatutos, a assembleia ouve os órgãos actuais da instituição e suas unidades orgânicas.
6 - As normas dos estatutos devem ser aprovadas por maioria absoluta dos membros da assembleia, o mesmo devendo ocorrer com a sua aprovação final global.
7 - No caso das instituições de ensino superior privadas, os novos estatutos são aprovados pelo órgão competente da entidade instituidora, ouvidos os órgãos do estabelecimento de ensino.
8 - Os novos estatutos devem ser homologados e publicados nos termos previstos na presente lei.
9 - Compete ao reitor ou presidente promover a concretização do novo modelo de organização e gestão decorrentes da presente lei.
10 - No caso de não aprovação injustificada dos estatutos no prazo fixado, considera‑se, para todos os efeitos legais, que a instituição se encontra em situação de degradação institucional nos termos do artigo 153.º"

(extracto do RJIES, agora quase lei, para o bem e para o mal)

Comentário: retomando referências de tempos passados, quando o período de férias servia para fazer o balanço do ano volvido e para preparar o retorno à actividade, aqui deixo uma sugestão de tema de meditação, para quem ainda se atreva a tal exercício e aceite desafios difíceis, como vão ser os da implementação da lei; ainda haverá gente corajosa pelas academias deste país?

quinta-feira, julho 26, 2007

Se a universidade não é...então o que é que queremos que seja?

"Se a universidade não é o lugar adequado para se estabelecerem falsos tribunais ou palanques para a vindicta, deve ser um claustro da ciência e um dos redutos da liberdade académica contra a ameaça do pensamento único e, se for necessário, da própria resistência libertadora.
Uma universidade ou um partido só poderão reclamar do Estado autonomia se se assumirem como instituições. Porque, em primeiro lugar, são uma ideia de obra, uma criatura que se liberta dos criadores, até porque os cemitérios estão cheios de insubstituíveis."
José Adelino Maltez
(extracto de mensagem, datada de hoje, intitulada "Não, não vou por aí! ", disponível em Sobre o tempo que passa)

quarta-feira, julho 25, 2007

Notícia do Portugal profundo que por aí anda - II

"Notícia PÚBLICO - Última Hora
A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude
Contra o medo, liberdade
2007-07-24 23:15:00
Manuel Alegre

Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á.
Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história, desde os esbirros do Santo Ofício até aos bufos da PIDE. Casos pontuais em si mesmos inquietantes. E em que é tão condenável a denúncia como a conivência perante ela.
[…]
Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores (nacionais ou locais) para assim conquistar ou não perder posições (ou empregos). Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado […].
[…]
Não vou demorar-me sobre a progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde, com, entre outras coisas, as taxas moderadoras sobre cirurgias e internamentos. Nem sobre o encerramento de serviços que agrava a desertificação do interior e a qualidade de vida das pessoas. Nem sobre a proposta de lei relativa ao regime do vínculo da Administração Pública, que reduz as funções do Estado à segurança, à autoridade e às relações internacionais, incluindo missões militares, secundarizando a dimensão administrativa dos direitos sociais. Nem sobre controversas alterações ao estatuto dos jornalistas em que têm sido especialmente contestadas a crescente desprotecção das fontes, com o que tal representa de risco para a liberdade de imprensa, assim como a intromissão indevida de personalidades e entidades na respectiva esfera deontológica. Nem sobre o cruzamento de dados relativos aos funcionários públicos, precedente grave que pode estender-se a outros sectores da sociedade. Nem ainda sobre a tendência privatizadora que, ao contrário do Tratado de Roma, onde se prevê a coexistência entre o público, o privado e o social, está a atingir todos os sectores estratégicos, incluindo a Rede Eléctrica Nacional, as Águas de Portugal e o próprio ensino superior, cujo novo regime jurídico, apesar das alterações introduzidas no Parlamento, suscita muitas dúvidas, nomeadamente no que respeita ao princípio da autonomia universitária.
Todas estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo […].
[…]
Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade […].
[...]"
(reprodução de extractos de artigo de opinião, com o título identificado no cabeçalho do texto, publicado por Manuel Alegre no Público, na data que também é indicada)
[cortesia de Nuno Silva]

Notícia do Portugal profundo que por aí anda

Portal do Governo [http://www.portugal.gov.pt/]:

Decisão sobre processo disciplinar a professor da DREN

(cortesia de Nuno Silva)

terça-feira, julho 24, 2007

Uma mão-cheia de nada

Há ocasiões em que me aterram na caixa de correio mensagens que me suscitam sentimentos de desconforto. Foi o caso da mensagem que, em grande parte, reproduzo abaixo. Neste caso, fiquei em situação de não saber se rir se chorar, tamanha a mão-cheia de nada de que se dá notícia.
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«Notícia
Reunião do Senado da Universidade do Minho

O Senado Universitário da Universidade do Minho reuniu no dia 23 de Julho de 2007.
Depois da investidura dos novos membros, que antecedeu a reunião, foram tratados os seguintes assuntos, integrantes da agenda:
Aprovação da acta da reunião anterior;
Informações, prestadas pelo Senhor Reitor, em torno dos seguintes assuntos: avaliação institucional pela EUA; reunião do Conselho de Escolas, ocorrida em 29 de Junho de 2007; reunião do Conselho Geral da Fundação Carlos Lloyd Braga, ocorrida em 18 de Julho de 2007; reunião do Conselho Estratégico da Universidade do Minho, realizada no dia 21 de Julho de 2007; Orçamento para o ano de 2008; ponto da situação dos trabalhos de que foi incumbida a Comissão nomeada pelo Despacho RT- 25/2007, de 26 de Março; reunião da Comissão Permanente do Conselho Cultural, ocorrida em 11 de Julho de 2007;
Fixação do valor das propinas para o ano lectivo de 2007/2008: no montante de 948 euros, para os Ciclos de Estudos Conducentes ao Grau de Licenciado, para os Ciclos de Estudos Integrados Conducentes ao Grau de Mestre e para os Ciclos de Estudos Conducentes ao Grau de Mestre que vierem a ser objecto de financiamento pela tutela; no montante de 1375 euros, para os Ciclos de Estudos Conducentes ao Grau de Mestre não abrangidos pelo financiamento acima mencionado [...]; no montante de 1375 euros, para os Cursos de Mestrado e para os Cursos de Especialização ainda não organizados de acordo com o regime jurídico fixado pelo Decreto-Lei nº 74/2006 [...].
Aprovação da proposta de Regulamento Eleitoral para a Eleição dos Representantes dos Estudantes nos órgãos de Governo da Universidade do Minho.
Aprovação das propostas relativas aos seguintes Cursos: Curso de Doutoramento em [...].
Criação do núcleo de investigação “Núcleo de Investigação em Marketing e Estratégia (iMARKE)”, da Escola de Economia e Gestão.
Foram também analisados e discutidos alguns dos aspectos mais relevantes relacionados com o Regime Jurídico da Avaliação do Ensino Superior e com o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior.
A próxima reunião ordinária do Senado Universitário realizar-se-á [...].»
(extractos de acta de reunião do senado da UMinho realizada em 07/07/23, recebida por correio electrónico na mesma data)

segunda-feira, julho 23, 2007

RJIES: a versão final do texto e outras trapalhadas

«SNESup Sindicato Nacional do Ensino Superior
Colegas
É já conhecida a versão final do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior. Não se parece com o quadro actual, muito menos com qualquer genuíno sistema de participação democrática. Também não se parece com a proposta que o Ministro insistia ser essencial para "salvar" o ensino superior.
Às ordens do Ministro, a Assembleia insistiu em não ouvir os Sindicatos. A Comissão Parlamentar reuniu com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e com a associação patronal das privadas.
Como se previa, dada a insistência em afastar os Sindicatos, as cedências aos lobbies foram muitas. Por exemplo:
- deixa de estar garantido aos docentes das privadas a aplicação do Código do Trabalho e o direito à contratação colectiva;
- os assistentes e outro pessoal contratado não têm direito de voto para a eleição dos Conselhos Gerais, ficando assim com um estatuto menorizado face aos próprios alunos, embora , incongruentemente, em certos casos possam votar para os Conselhos Científicos;
- os doutorados podem ser afastados dos Conselhos Científicos através da manipulação da duração dos contratos ou do regime de dedicação, bastando para tal que sejam contratados por períodos inferiores a um ano sucessivamente renováveis, ou em regime de tempo parcial apesar de não terem outra actividade, tal como, para vergonha de todo o ensino superior, vem sucedendo em algumas instituições;
- os professores do Politécnico aprovados em concursos de provas públicas voltam a ser considerados especialistas, enquanto que os aprovados em provas públicas de mestrado não são reconhecidos como tal.
Porque nem todos os colegas estarão a par do alcance desta última medida, é de referir que a disposição legislativa que permite fazer aceder licenciados e até bacharéis a lugares de quadro de professor adjunto do Politécnico, remunerados a nível de professor auxiliar, e daí a professores coordenadores, remunerados a nível de professor associado, e que abrange em teoria apenas docentes de áreas"predominantemente técnicas", onde as competências não são certificáveis por mestrado ou doutoramento, tem sido desvirtuada e transformada em via paralela ou até normal, designadamente desde que o Senhor Presidente do CCISP, ele próprio chegado a professor adjunto por via de provas públicas, convenceu o Ministro a considerar especialista, para efeitos do Processo de Bolonha, todos os aprovados nessas provas, em pé de igualdade com os doutorados.
Para que percebesse até que ponto o sistema está a enviar sinais errados em termos de exigências de qualificação, contámos a Mariano Gago, na reunião que com ele mantivemos em 5 de Junho, sobre a revisão dos Estatutos de Carreira, o caso de um lugar de professor adjunto da área de Direito, considerada "predominantemente técnica" pela sua instituição, a que concorreram três candidatos que haviam estado inscritos no mesmo mestrado, tendo-o concluído dois deles e desistido o terceiro. "Evidentemente" foi este que ganhou o concurso e apanhou o lugar de quadro, o vencimento equivalente, o direito a, no Conselho Científico, dispor do destino profissional dos colegas, e o reconhecimento como especialista para efeitos de Bolonha.
Estávamos então na fase do RJIES - documento de trabalho 05, que novamente dava a este felizardo, agora com título formal, o reconhecimento como especialista. Tomámos a devida nota e pensámos "temos Ministro" quando o RJIES - proposta de lei para a Assembleia omitiu tal disposição. Mas o lobby actuou e aqui temos outra vez no RJIES - final, o licenciado em questão, bem como outros licenciados, das áreas "exclusivamente técnicas" de Direito, Economia, Gestão, Engenharia, e muitas outras, contando para os rácios de especialistas, sem que tal decorra de uma senioridade em actividade profissional extra-ensino, reconhecida por organismo idóneo.
Este é uma ilustração, entre outras possíveis, do que é o RJIES :
- uma iniciativa legislativa infeliz, que não partiu de um diagnóstico participado dos problemas do ensino superior, não identificou sequer as disfunções mais significativas, e acabou por se traduzir em orientações susceptíveis de os agravar;
- um texto de que, para tentar aparentar um largo consenso, se entregou, na fase final do processo, a chave das alterações aos representantes dos interesses instalados. Se o RJIES é mau, a sua aplicação poderá ser pior.
É bom que estejamos atentos.
Saudações académicas e sindicais
A Direcção do SNESup
23-7-2007»
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[reprodução integral de comunicado do SNESup entretanto recebido, por via electrónica; a versão final do RJIES que se disponibiliza é, também, a que vinha anexa ao referido comunicado, e está disponível no sítio do sindicato - SNESup]

domingo, julho 22, 2007

Um texto de opinião que subscrevo

«Revista de imprensa
(Do Público de hoje; texto integral)
A "afundação" da universidade portuguesa
22.07.2007, José Dias Urbano»

[reprodução do cabeçalho de revista de imprensa de hoje, feita por MJMatos - Que Universidade ?]

sexta-feira, julho 20, 2007

Dos jornais de hoje: notícias dispersas sobre coisas que nos soam familiares

O Primeiro de Janeiro
"Bolseiros da comunidade de investigação protestaram frente à tutela"
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?op=artigo&sec=eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3&subsec=&id=699d73a38c929377d8fde174bb8cb863

Público
"Ministro diz que Portugal tem o maior crescimento de recursos humanos em investigação"
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1299996&idCanal=13

SOL
"Engenheiros:
Ordem disposta a aceitar todos os licenciados em engenharia no âmbito do Processo de Bolonha"
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=46030

(cortesia de Nuno Silva)

quinta-feira, julho 19, 2007

Uma manta de retalhos

«“Isto é tudo menos uma reforma do ensino superior. Parece uma manta de retalhos”, criticou Pedro Duarte, do PSD.»

(extracto de mensagem, datada de 07/07/18, intitulada PSD acusa PS de aprovar reforma "contra tudo e contra todos", disponível em Blog de Campus)
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Em dia de aprovação pelo PS de "uma manta de retalhos" na Assembleia da Républica e de publicação no Jornal de Leiria de uma versão curta de uma minha tomada de posição sobre o RJIES, divulgada em primeira mão nesta sede, há uns dias, faço aqui a invocação da dita tomada de posição: À conversa com Mariano Gago
Anote-se a circunstância de, até esta data, me ter chegado notícia de apenas 3 tomadas de posição públicas sobre o RJIES na UMinho. Impressionante, não é?
J. Cadima Ribeiro

terça-feira, julho 17, 2007

Ainda o RJIES - o que dizem os jornais de hoje

Nos jornais de hoje há notícias (mais ou menos) interessantes sobre o RJIES. Para os mais distraídos ou para os que não tiveram ainda oportunidade de passar a vista pelos jornais, aqui deixo 3 referências:

Diário de Notícias
"Gago cede e deixa reitores acabarem os mandatos"
http://dn.sapo.pt/2007/07/17/sociedade/gago_cede_e_deixa_reitores_acabarem_.html


Jornal de Notícias
"PS quer reitores eleitos por voto secreto em órgão mais alargado"
http://jn.sapo.pt/2007/07/17/nacional/ps_quer_reitores_eleitos_voto_secret.html


Jornal de Negócios (Blog de Campus)
PS contraria Gago e prende faculdades às universidades



(cortesia de Nuno Silva)

segunda-feira, julho 16, 2007

O lado humano da vida académica

A propósito do lado humano da vida académica em Portugal e de outras coisas:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=22679&op=all


(cortesia de M. Rocha Armada)

domingo, julho 15, 2007

“Understanding the Regional Contribution of Higher Education Institutions: A Literature Review”

”The contribution of higher education institutions to regional development is a theme that has attracted growing attention in recent years. Knowledge institutions are increasingly expected not only to conduct education and research, but also to play an active role in the economic, social and cultural development of their regions. The extent to which higher education institutions are able to play this role depends on a number of circumstances: the characteristics of the institutions, the regions in which they are located and the policy frameworks are all significant. At the same time, there are signs of more fundamental conceptual and strategic confusion. The discussions in this domain are frequently characterised by slogans and popular metaphors. This literature review was prepared to support the OECD project entitled 'Supporting the Contribution of Higher Education Institutions to Regional Development', which was conducted by the OECD Programme on Institutional Management in Higher Education ( IMHE) in collaboration with the Directorate of Public Governance and Territorial Development. Drawing mainly from a selection of European and North American publications, the report takes an overall view on the development of higher education institutions in the regional context. It focuses on the evolution and discourses of higher education and research, the regional aspects of higher education policies, the various functions and roles that the institutions play, measures taken to link the universities with their regional partners, and the conditions which favour or hamper stronger regional engagement.”

Peter Arbo
Paul Benneworth

Date: 2007-07-09

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sexta-feira, julho 13, 2007

RJIES - o parecer do CNE

«O Conselho Nacional de Educação (CNE) considera que o novo regime jurídico do ensino superior "consagra um excessivo dirigismo do Estado" e levará "à desconstrução e fragmentação" das universidades, ao contrário da tendência europeia de coesão para uma maior competitividade".»
(extracto de mensagem, datada de hoje e intitulada CNE diz que novo regime jurídico "consagra excessivo dirigismo do Estado", disponível em Blog de Campus)

Ao que parece, os patinhos amarelos estão a dar à costa

"Os patinhos amarelos estão agora a dar à costa. Não tarda que Marques Mendes faça uma conferência de imprensa para exigir a Sócrates o prometido despacho sobre o eventual encerramento da Universidade Independente, para que Isaltino de Morais responda com uma auditoria à sua Universidade da Fábrica da Pólvora, onde um dos principais accionistas era precisamente Joe Berardo, nesse ensaio que Barcarena fez dos modelos de conselhos gerais das universidades."

José Adelino Maltez

(exctracto de mensagem, datada de ontem, intitulada "Os patinhos amarelos que estão a dar à costa...", disponível em Sobre o tempo que passa)
Comentário: alguma vez os patinhos amarelos haviam de dar à costa, já que flutuam; surpreendente é que tenham levado mais de dois anos a fazê-lo, tamanha a apetência para a arrogância e o delírio; em todo o caso, se não fossem os amarelos seriam os laranja.

quinta-feira, julho 12, 2007

Notícias de bom-senso de um governo que tem revelado pouco, ultimamente

O Conselho de Ministros, reunido hoje na Presidência do Conselho de Ministros, aprovou o seguinte diploma:
"Decreto-Lei que altera a composição das juntas médicas e o procedimento de verificação de incapacidade, previstos nos Decretos-Leis nºs 498/72, de 9 de Dezembro, 360/97, de 17 de Dezembro e Decreto Regulamentar n.º 41/90, de 29 de Novembro"
[cortesia de Nuno Silva]

Debate sobre o RJIES na UMinho - última hora

Caros(as) colegas,
Serve esta mensagem para renovar o convite que vos endereçámos 3ª feira pp. para que participem na conferência/debate sobre o RJIES, animada pelo Prof. Alberto Amaral, que decidimos organizar na UMinho, e para corrigir a indicação de sala que foi dada, que será, definitivamewnte, o B1 (Complexo Pedagógico 2, do Campus de Gualtar).
Ao que parece, tardia embora, a nossa iniciativa estará a suscitar algum interesse. Hoje, 5ª feira, pelas 15,00 horas, no Auditório B1 do CP2, confirmar-se-á isso ou não.
Haverá uma surpresa, pelo menos.

Audição parlamentar de 2ª feira pp. - acta já disponível

Quem, como eu, ansiava ler a acta da audição parlamentar de 2ª feira pp., é bom que saiba que esta já se encontra disponível em Polikê ?, com data de Quarta-feira, Julho 11, 2007, e a epígrafe que retenho de seguida:
"Chumbinhos da minha espingarda de pressão de ar, e não só..." (Polikê ?).
Uma acta, menos conseguida, embora, está disponível também em Co-Labor, sob a epígrafe "Notícias da cidade grande".
Em poucas palavras, sintetizando o que nelas se diz, há que concluir que foi uma festa, a audição parlamentar foi uma festa, digo.
J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, julho 11, 2007

RJIES - uma tomada de posição curiosa

«Audição Parlamentar, 09.JUL.07

Senhor Presidente, Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Esta é a opinião de um Professor Catedrático, com 23 anos de carreira docente, desde há 3 anos responsável pela gestão de uma Escola de Engenharia e com grande experiência na interface académica com o tecido económico. Certamente que é uma opinião pessoal e sem carácter
institucional.

1. Da necessidade de reformar o sistema

A reforma do sistema é absolutamente necessária, sendo fundamentalmente determinada por:
a) uma significativa mudança da envolvente (interna e externa);
b) fragilidades, desajustes e perversidades do sistema actual;
c) a necessidade de aprofundar o desenvolvimento do sistema científico e de o tornar uma alavanca efectiva do desenvolvimento económico.

A proposta de lei (RJIES), recentemente aprovada na generalidade, é uma peça fundamental da reforma em curso.

2. Analise generalista do RJIES

A proposta é globalmente positiva, fazendo um novo enquadramento das instituições do ensino superior e estabelecendo princípios de funcionamento adequados aos desafios deste sistema. Neste contexto, merecem especial menção os aspectos seguintes:

a) A definição da missão das instituições de ensino superior e o aprofundamento da sua natureza binária,
b) … com base num quadro de referência internacional.
c) A promoção da abertura, efectiva, à sociedade.
d) A criação de mecanismos de consolidação de estruturas cientificas robustas e competitivas.
e) A definição de novos mecanismos de decisão interna e de novas práticas de gestão consentâneos com os desafios e a tipologia da actividade actual da instituição universitária.

3. Alguns aspectos específicos

Certamente que não me vou pronunciar sobre aspectos relativos à estrutura e organização da proposta de diploma e sobre o seu eventual excessivo carácter regulamentar. Gostaria de explicitar alguns aspectos positivos:

f) O RJIES é um documento lúcido quando limita a dimensão dos órgãos de decisão a 25 elementos.
g) O RJIES é um documento inovador quando abre outras dimensões para o estatuto jurídico das universidades. Independentemente do baixo nível de especificação do conceito, a possibilidade de coexistirem dois modelos: Instituto Publico ou Fundação Publica de Directo Privado, é positiva.
h) O RJIES é um documento clarificador quando obriga as instituições do ensino superior a publicitarem uma série de indicadores de desempenho da sua actividade e dos seus projectos de ensino.

No entanto,

i) o RJIES é redutor quando continua a revelar um grande alinhamento com um modelo de universidade baseada em grandes Escolas autónomas, com uma reitoria de coordenação. Universidades como a minha, com um elevado grau de integração entre unidades orgânicas, sentem algum desconforto ao vestir este fato.
Esta questão é complexa, transversal a todo o documento (desde a eleição do Reitor à tipologia dos órgãos definidos), tendo tido uma evolução muito positiva entre a versão 5 e o documento actual. Neste ponto, o Projecto 271 é mais aberto e flexível. Apenas a titulo de exemplo: a possibilidade do Senado ter responsabilidades deliberativas, poderia ser deixado para a especificidade do estatuto de cada universidade.
k) É entrópico quando ao promover uma saudável prática de explicitar a excelência em detrimento da normalização institucional, o modelo previsto para a eventual autonomização de unidades orgânicas pode ser negativo, sobretudo, nas universidades com grande grau de integração.

4. Implementação

Um documento este tipo, certamente que vai ter uma implementação complexa e exigente:

l) Talvez o seu maior desafio resulte de uma das suas maiores ambições (a abertura à sociedade). De facto, as instituições vão ter uma tarefa muito difícil em encontrar elementos das sociedades capazes de terem um papel proactivo nos diferentes Conselhos Gerais (com a consequente análise dos dossiers envolvidos). Vai ser preciso engenho para impedir que este processo se torne numa feira de vaidades, ao nível nacional ou regional.

Para concluir, apenas referir que,

m) os prazos previstos para a implementação do novo quadro são manifestamente curto, no que respeita ao tempo previsto para elaboração dos novos estatutos das universidades e os regulamentos das suas unidades orgânicas.
.
António M. Cunha
Presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho
amcunha@eng.uminho.pt»
(reprodução integral de documento produzido pelo autor que se identifica e divulgado na sede que é igualmente explicitada no corpo do texto; os sublinhados são, também, os do autor)
Comentário: é, sem dúvida, uma tomada de posição curiosa esta, do presidente da Escola de Engenharia da UMinho; fica aqui mais uma justificação para uma participação alargada dos colegas na iniciativa que se anúncia na mensagem precedente; o convite é extensivo ao signatário da mensagem que se reproduz acima, como é óbvio.

terça-feira, julho 10, 2007

Debate sobre o RJIES na UMinho

Caros(as) Colegas,
Vimos convidar toda a comunidade académica a participar numa conferência sobre o novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, proferida pelo Prof. Alberto Amaral (CIPES), seguida de debate.
A conferência terá lugar na quinta-feira, 12 de Julho, pelas 15 horas, no auditório 1.01 da Escola de Economia e Gestão.
Saudações cordiais,
J. Cadima Ribeiro
Pedro Oliveira

Ecos de uma audição parlamentar ou para lamentar?

«IST quer ficar na UTL
10.07.2007, Bárbara Wong

Jorge Miranda contesta "figura estranha" da fundação prevista no novo regime jurídico. António José Seguro garante que "a pressa não vai prevalecer" na votação
Jorge Miranda insiste que há pontos inconstitucio-nais no novo Regime Jurídico do Ensino Superior

A proposta de lei do Regime Jurídico para as Instituições de Ensino Superior (RJIES) é contestada por muitos professores, alunos e funcionários de universidades e politécnicos. Ontem, na Assembleia da República, a Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura ouviu algumas dessas críticas, durante uma audição parlamentar.
O professor e constitucionalista Jorge Miranda considera que há artigos que são inconstitucionais e faz algumas "propostas de emenda"; o secretário-geral da UGT diz que o RJIES ignora os direitos dos trabalhadores; os estudantes e funcionários querem ter mais representação nos órgãos de gestão; e os professores temem o desmembramento das instituições com a possibilidade de haver escolas que optem por ser fundações de direito privado. As associações de estudantes e os sindicatos (Fenprof e FNE) pediram para adiar a discussão.
Mais uma vez, o presidente da comissão, António José Seguro, voltou a sublinhar que "a pressa não vai prevalecer" e que os prazos que o Parlamento quer cumprir - em princípio, a lei será votada na próxima terça-feira - podem ser "observados a cada momento". "Há muitas críticas e com diferentes intensidades", refere.
Mil pareceres na AR
Já chegaram à comissão cerca de mil pareceres e falta ainda o do Conselho Nacional de Educação. "A comissão ouvirá e estará atenta para que esta seja uma boa lei", sublinha Seguro.
Para Jorge Miranda, o provedor do estudante, uma figura prevista para articular com os órgãos e serviços da instituição, deve desaparecer. "É uma desconsideração para com os alunos", que não precisam de representantes, considera.
O professor de Direito da Universidade de Lisboa defende ainda que os assuntos académicos devem ser geridos pelas instituições e não por personalidades externas à universidade. Jorge Miranda insiste que há pontos inconstitucionais, como o facto de o reitor, presidente do politécnico ou responsável da unidade orgânica deixarem de ser eleitos; a perda de autonomia das instituições; ou a impossibilidade dos actuais dirigentes poderem voltar a candidatar--se aos cargos.
O professor contesta ainda a "figura estranha" da fundação, que é "uma originalidade nacional". O problema desta figura jurídica é provocar o desmembramento das instituições, diz.
Mas Jorge Miranda está também preocupado com a possibilidade de o conselho de curadores vir a administrar as fundações. A constituição deste conselho deve ser aprovado pelo Governo, diz o regime jurídico proposto. Por isso, "corre-se o risco de haver clientelismo partidário" nas escolas, avalia.
João Proença, secretário-geral da UGT, classificou o citado regime jurídico como "confuso" e alertou para a omissão sobre o futuro dos contratos de trabalho. "O que acontecerá com os trabalhadores que transitam para as fundações? A lei tem de salvaguardá-los", defende.
Hoje é a vez dos grupos parlamentares ouvirem o ministro da Ciência e do Ensino Superior, Mariano Gago, e os representantes do privado.»
(reprodução de notícia/reportagem do Público, de 07/07/10)

segunda-feira, julho 09, 2007

Life is short, be a dreamer!

"Follow your own particular dreams. We are handed a life by peers, parents and society, you can do that or follow your own dreams. Life is short, be a dreamer but be a practical person."

Hugh Hefner

(citação extraída de SBANC Newsletter, July 3,Issue 477-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

“Entrepreneurship, State Economic Development Policy, and the Entrepreneurial University”

“In this paper, we discuss the nature of the university-industry relationship and recommend specific policies to help achieve the goal of greater economic growth. We argue that state-supported research universities can be used to integrate entrepreneurship into state economic development and incubate entrepreneurial companies. Regional entrepreneurship policy is a new strategy that regards economic development as a process that goes from supporting research and development to creating and growing new businesses. Specifically, we believe that an entrepreneurial higher education system is a key to state-level economic policies. There is an opportunity at research universities to combine the human capital talent available on faculties with the needs and expertise of private industry to accelerate entrepreneurship and economic growth.”
Audretsch, David B.
Phillips, Ronnie
Keywords: economic development; entrepreneurship; universities
Date: 2007-04
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:cpr:ceprdp:6242&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, julho 07, 2007

Acesso ao ensino superior 2007/2008

Deixo aqui chamada de atenção para o serviço público de MJMatos (Que Universidade ?), substanciado em mensagem datada de 07/07/06, com o conteúdo que se retém de seguida:

"Informação importante
Atendendo ao nível de pesquisas sobre diversos aspectos do acesso ao ensino superior que tem atingido o blogue ultimamente, deixo aqui dois endereços muito importantes para todos os interessados:
Gabinete de Acesso ao Ensino Superior
Guia do estudante - Expresso)
(este último parece conter informação mais actualizada que o primeiro, o que não deixa de ser curioso (terei sido jocoso? 8-) ))"

quinta-feira, julho 05, 2007

quarta-feira, julho 04, 2007

Mobilização geral !

ATENÇÃO POR FAVOR!!!!! MOBILIZAÇÃO GERAL!
- Disse ela (Regina Nabais).

(título de mensagem, datada de 07/07/03, disponível em Polikê ?)

segunda-feira, julho 02, 2007

Por falar no Técnico ...

Por falar no Técnico (IST/UTL), há duas mensagens no Blog de Campus, datadas de hoje, segunda-feira, cuja leitura recomendo. Aliás, os títulos são, desde logo, sugestivos. São eles:

“Uma lei não pode ser feita para uma escola ou para uma universidade”

“Nenhum país pode prescindir de ter instituições de elite”

A discussão começa a ficar interessante, finalmente!

(cortesia de Nuno Silva)

À conversa com Mariano Gago

Também a mim me dá vontade, amiúde, de responder a Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Essa vontade vem-me, sobretudo, quando lhe leio grandiloquentes discursos, feitos para impressionar a opinião pública, quando lhe comparo a determinação do discurso com a inconsistência e falta de planeamento da acção, quando lhe noto a escassez de transparência e, de modo particular, naquelas alturas em que mais se lhe evidencia a ignorância da vivência corrente das instituições de ensino superior em Portugal. O que lhe falta em humildade e conhecimento do terreno, sobra-lhe em deslumbramento pelos modelos alheios, que não sei se conhece mas sobre os quais não me restam dúvidas a respeito da inviabilidade da respectiva transposição, à letra, para o nosso país. Não me restam dúvidas porque, sendo organizações universitárias ou outras, são, antes de mais, organizações sociais e estas estruturam-se e gerem-se com a comunidade humana que as integra e em resposta a desafios e enquadramentos culturais, económicos e institucionais que são sempre singulares.
É por isso que não passa de ingenuidade copiar os modelos de crescimento económico adoptados, em período recente, pela Irlanda ou pela Finlândia. Foi também por isso que as Descobertas de 1500 não foram empreendimentos da Alemanha ou da Suiça que, curiosamente, (esta última, precise-se) disputa por esta altura a “Taça América”, em vela, depois da ter conquistado pela primeira vez na passada edição da competição.
Sublinhando a minha convicção de que o ministro não conhece o suficiente a realidade do sistema de ensino superior nacional para alardear tanto convencimento e segurança de discurso, não estou a dizer que não conheça bem o Técnico ou o INETI. O que digo é que essas são realidades particulares que, só por acaso, serão um fiel espelho do universo das instituições dos sectores em que se inscrevem. Aliás, o sentimento que fica (partilhado por muitos outros analistas e agentes do ensino superior nacional) é o de que muita da acção do ministro é inspirada ou reage aos anseios e dificuldades das instituições que melhor conhece, o que, neste caso, não abona a favor da sua acção como ministro da tutela.
O que venho dizendo, isto é, a resposta que me apetece dar ao ministro Gago, veio-me no contexto da discussão pública do RJIES (Regulamento Jurídico das Instituições de Ensino Superior), proposta de lei palavrosa que o governo fez aprovar na generalidade, em 28 de Junho pp., pela maioria de que dispõe na Assembleia da República. Preferia que a proposta de lei tivesse sido aprovada pelos méritos intrínsecos que a qualificassem.
Não estou a querer dizer que a dita proposta de lei não contém algumas virtualidades. Contempla, por exemplo, a substituição da eleição dos reitores e presidentes de institutos politécnicos, feita até agora por colégios eleitorais manipuláveis e pouco representativos das academias, pela respectiva nomeação por Conselhos Gerais, órgão este (Conselho Geral) que também rompe com a tradição existente. Desde há muitos anos que defendo essa solução por, por experiência própria, ter concluído que as instituições universitárias (falo dessas porque gosto de falar do que melhor conheço) precisam, também elas, de lideranças eficazes e de se libertar de concertações de votos geradas por conveniências associadas à preservação de situações adquiridas e de culturas da mediocridade que, não raras vezes, grassam.
De que é isso que defendo e de que é aquilo que existe dei dolorosa conta em artigo de opinião que fiz publicar no número da revista do SNESup (Sindicato Nacional do Ensino Superior) saído no 1º trimestre do ano. Daí extraio a seguinte passagem:
Com a informação que adianto acima, vou, também, ao encontro de José Reis quando, há algumas semanas, escreveu "que as universidades vivem uma crise institucional fortíssima” por, no seu dizer, o seu modelo de governo estar “aprisionado por lógicas conservadoras” e por “as burocracias dirigentes” não assegurarem futuro, ou de José Adelino Maltez, quando, há algum tempo mais (em 06/10/12), falava das “oligarquias de interesses estabelecidas pelo não mérito” subjacentes à eleição dos reitores. Não secundando José Reis em muito do que defende e defendeu […], é a minha vivência quotidiana que me obriga a concordar com ele, e sobretudo com José Adelino Maltez, neste diagnóstico.”.
Concordando que os reitores e os presidentes de institutos politécnicos passem a ser nomeados, e concordando com a criação de Conselhos Gerais, preocupa-me, no entanto, a forma como estes venham a ser constituídos e o modo como, por sua mediação, seja assegurada a relação necessária entre as academias e a sociedade, quer dizer, os seus interesses económicos e outros. Preocupa-me pelo que conheço da dificuldade de comunicação que subsiste entre o mundo empresarial e o mundo académico, pela ausência generalizada de um projecto de responsabilidade social que persiste no meio empresarial e pelo risco de governamentalização/partidarização das ditas estruturas, mesmo quando não estejamos perante as universidades ou institutos politécnicos regidos pela figura estatutária exótica de fundações de direito privado que prosseguem fins públicos, também introduzida na proposta de lei agora apresentada pelo MCTES (Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).
Entre concordâncias e discordâncias - para abreviar argumentos, já que o texto vai longo -, desejaria que prevalecesse a humildade dos que aceitam que se aprende durante toda a vida, se percebesse que o debate de ideias e a comunicação não podem vingar quando, pela atitude e pela propaganda (na comunicação social), se rotula de trouxas os que mantém um ponto de vista diferente do nosso (leia-se: de Mariano Gago), e se entendesse que as reformas só perduram se forem compreendidas por aqueles que serão os seus directos intérpretes, aparte os consensos partidários que se devem assegurar na Assembleia da República.
J. Cadima Ribeiro

domingo, julho 01, 2007

Reforma do Ensino Superior: ora bolas!

Jornal de Negócios
OPINIÃO - Luísa Bessa
Publicado em 29 Junho 2007


"Bolas pretas nas universidades"

http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=298452

(artigo de opinião de Luisa Bessa, disponível no endereço electrónico identificado)