Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

sábado, outubro 13, 2007

O economista e a sua formação

A propósito do que é ser economista na actualidade, em Portugal, João F. Proença escrevia há poucos meses, em boletim informativo da Ordem dos Economistas (OE), o seguinte: “Hoje, os economistas portugueses trabalham em ambientes multiculturais, em contexto internacional e europeu em particular, em ambientes de grande pressão que muitas vezes exigem capacidade de liderança, capacidade de aprender ou de se adaptar a situações novas e a ambientes ou meios culturais diversos”. Daí retirava a perspectiva de que, hoje, o economista “tem que evidenciar que sabe, que sabe fazer e que sabe ser, o que para além de conhecimentos específicos exige competências comportamentais”.
Trazendo para primeiro plano o contexto em que se vem desenvolvendo a actividade do economista e a complexidade daí decorrente, as reflexões que recupero servem também para pôr em evidência a urgência de respostas adequadas a nível de formação académica e profissional deste corpo técnico. A isso se referia, de forma preocupada e crítica, no mesmo boletim da OE, Carlos Pimenta, na passagem seguinte: “O maior reconhecimento da importância da economia e a ideologia economicista como ´religião` da globalização aumentam o valor social do economista e atribui a alguns a função de apaziguadores das consciências. Mas a massificação da formação de economistas ao longo de décadas e as características actuais do mercado de trabalho reforçam a precariedade do emprego de muitos e promovem a despromoção funcional”.
De uma forma mais terra à terra, João F. Proença, prolongando a sua reflexão, reportava-se aos reptos subsistentes em matéria de formação do seguinte modo: “Hoje, é muito difícil exercer a profissão de economista sem o domínio de competências específicas de áreas disciplinares próximas como a gestão (onde, naturalmente, insiro as contabilidades, o marketing ou a fiscalidade, conhecimentos sobre negociação, gestão de pessoas, etc.) e sem acesso a teorias, métodos e técnicas de outras áreas do conhecimento, particularmente da psicologia e da sociologia, do direito e da ciência política, da matemática e da informática, entre outras”. Ideias que eram reforçadas, ainda no dito boletim da OE, por estas outras de José Manuel Belbute: “a formação inicial (de 1º ciclo) não pode/deve ser encarada como definitiva e para o resto da vida”. Assim é já que, sublinha, “Os conhecimentos adquiridos […] arriscam-se a ficar rapidamente desactualizados. Por isso e contrariamente ao que sucedia há alguns anos atrás, a formação inicial deve ter um carácter mais flexível e generalista, que alie uma sólida formação económica de base (em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos) à aquisição de competência, de capacidade e de atitudes (capacidade de trabalho em equipa, de tomada de decisões, de relacionamento e de iniciativa) que valorizem os estudantes e lhes facilitem a sua inserção no mercado de trabalho”.
A dificuldade, que José Manuel Belbute não endereça mas que seguramente terá presente, está em conjugar uma formação sólida em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos com todas as exigências em termos de domínio de técnicas, teorias e comportamentos, que antes são enunciadas como sendo imprescindíveis para o sucesso profissional dos nossos tempos, com a redução das escolaridades totais e parciais a nível de formação do 1º ciclo dos cursos do ensino superior. É que, faça-se claro, o reforço da formação em macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos, em simultâneo com a redução das ditas escolaridades, acaba por reduzir os cursos do 1º ciclo a projectos de ensino que pouco mais oferecem em matéria de programas escolares que macroeconomia, microeconomia e métodos quantitativos. Obviamente, que esses programas podem ser transmitidos recorrendo a novos modelos de ensino-aprendizagem que impliquem e suscitem novos comportamentos nos formandos mas, nessa vertente, dão-se agora os primeiros passos em Portugal, e o processo tem sérias dificuldades, mesmo porque o ensino superior não existe isolado de toda a realidade do ensino e formação do país.
Que o 1º ciclo não responderá aos reptos da complexidade da gestão das economias modernas, disso não restarão dúvidas a ninguém, suponho. Saberão as instituições de ensino superior (e os interessados) encontrar uma resposta eficaz para a dificuldade enunciada? A seu tempo o veremos.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado no Jornal de Leiria em 07/10/11)

sexta-feira, outubro 12, 2007

Notícias da aplicação do RJIES

Notícia Jornal da Madeira
Novos estatutos em 8 meses:
http://www.jornaldamadeira.pt/not2008.php?Seccao=17&id=79398&data=2007-10-11
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Notícia JN
Fundações universitárias perdem pontos
http://jn.sapo.pt/2007/10/12/nacional/fundacoes_universitarias_perdem_pont.html


(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quinta-feira, outubro 11, 2007

"Técnico recusa tornar-se fundação"

Notícia JN
Técnico recusa tornar-se fundação: http://jn.sapo.pt/2007/10/11/ultima/tecnico_recusa_tornarse_fundacao.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

Sem mais palavras porque já tudo foi dito

Sem mais palavras porque já tudo foi dito:
http://www.comumonline.com/index.php?option=com_content&task=view&id=64&Itemid=50

Manifestando-me

Concorda que o momento que a Universidade do Minho atravessa - à semelhança das demais - é, ao mesmo tempo, exigente e desafiador?
Eu responderia: sim, sem dúvida! O desafio que temos pela frente reside em trabalhar para que a nossa Universidade tenha futuro. A construção desse futuro faz-se dando resposta aos desafios que o presente nos coloca.
Repito a pergunta: concorda que o momento que a Universidade do Minho atravessa é exigente e desafiador? (Sente-se preparado(a) para ser parte na resposta a esse desafio? E quer ser?)

J. Cadima Ribeiro
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Nota: porque tem tudo a ver com o debate que tenho procurado alimentar neste jornal de parede nos últimos dias, deixo aqui uma chamada de atenção para o texto de JVC (Le roi est mort, vive le roi) , hoje disponibilizado em Bloco de Notas

quarta-feira, outubro 10, 2007

Revista de imprensa de 10 de Out.

Notícia JN
Os universitários conseguirão fazer forte uma fraca lei: http://jn.sapo.pt/2007/10/10/nacional/os_universitarios_conseguirao_fazer_.html

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Notícia JN
Lei entra em vigor com buraco que tira autonomia ao Superior http://jn.sapo.pt/2007/10/10/nacional/lei_entra_vigor_buraco_tira_autonomi.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

Já agora… e porque não pensar «estratégia»?

Vai ser extremamente difícil construir um Conselho Geral com etiqueta de efectivo, eficiente, eficaz, tudo menos «faz-de-conta», se a universidade e os seus candidatos a reitor, actuais e futuros, não tiverem preocupações sérias com planeamento estratégico. E não pode ser planeamento estratégico de «muda aos seis e acaba aos doze». Não, meus senhores, esse peditório já deu. São resmas de pessoas, que até têm salários interessantes comparativamente com o povo que está inscrito nos centros de emprego, são pessoas cheias de títulos e honrarias que passam os dias a assobiar para o tecto a ver se caem estrelas do céu, são pessoas que obrigatoriamente têm que participar na construção do futuro dos que vão chegar um dia destes à porta da escola.
Essas pessoas não podem chegar à sala da reunião sem papel nem lápis.
Essas pessoas têm que ser convidadas para estar na sala de trabalho (sem telemóvel) segunda-feira às 8:30 horas e deixá-las ir para casa na próxima sexta-feira às 12:30 horas.
Também é preciso divulgar a lista dos convites e publicar as prendas que cada um trouxe para a boda.
O primeiro passo para dar a volta ao sistema seja ele do interior (UM, UTAD, UBI, UE) ou sejam elementos da faixa costeira é impor um envolvimento de cima a baixo na compreensão a mais exacta possível daquilo que está a ser construído. O projecto só pode ser bem sucedido se existirem contribuições significativas para a nova visão/missão da universidade e isso só acontece se cada um dos envolvidos realmente souber o que essas coisas são.
Na minha qualidade de candidato a reitor da Universidade-ali-ao-Lado decidi enviar aos meus eventuais seguidores e/ou detractores meia dúzia de apontamentos para que eles apareçam na sala do senado com o bloco-notas e algumas ideias sobre os seguintes componentes:

Articulação
O estudo estratégico deverá ser articulado com aquilo que a universidade é - isto é:
● Motivação: Porque existe a universidade? Qual é a sua identidade e o seu propósito? Qual é a sua visão, missão, prioridades e constrangimentos? Onde queremos chegar? Que obstáculos teremos que ultrapassar?
● Dados: Quais os indicadores de desempenho que vamos usar para comparar o andamento da missão? À volta de que categorias de coisas é que a universidade precisa de dados?
● Actividades: O que é que a universidade faz? O que é que devemos continuar a fazer? Que gostaríamos de fazer e não fazemos?
● Locais: Onde estamos nós a operar? Quais são as ‘grandes funções’ exercidas em cada local? Porque estamos ali e não noutros locais?
● Pessoas e Unidades Orgânicas: Qual é a filosofia organizacional da universidade? Hierárquica? Matricial? Que valores dinamizam as actividades dos nossos recursos humanos?
● Tempo (ciclo de planeamento): A universidade sente-se motivada, dinamizada pelo tradicional ciclo do orçamento anual? Quais os eventos/acções é que este ciclo põe em movimento?

Elementar, meu caro Watson, elementar. Pensar eu que ainda não percebi para que andei a estudar?!
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Alexandre Sousa
(editor do blogue Co-Labor)

terça-feira, outubro 09, 2007

Cá vamos cantando e rindo, levados, levados sim...

Notícia aeiou - quiosque
Polícias à paisana entram em sindicato e apreendem documentos:
http://q3.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/6995

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

segunda-feira, outubro 08, 2007

Manifestando-me

Considera a criação, ditada pela Lei nº 62/2007, de Conselhos Gerais, constituídos em um terço por personalidades externas às instituições, um empobrecimento da capacidade de decisão e afirmação das Universidades?
Eu responderia: não, necessariamente! Pelo contrário, se essa for uma forma de institucionalizar uma inter-acção mais fluida e profícua com o território e de abrir espaço para uma gestão de índole mais estratégica, isso será antes uma mais-valia. O aprofundamento da relação das Universidades com o meio envolvente, mais próximo ou mais distante, não tem que ser percebido como fazendo-se em detrimento da participação das comunidades universitárias na vida das instituições e da respectiva mobilização em torno dos grandes objectivos prosseguidos pelas Universidades. Claro está que os protagonistas fazem toda a diferença. Fizeram-na no passado, e fá-la-ão no futuro.
Repito a pergunta: considera a criação do Conselho Geral, constituído em um terço por personalidades externas à instituição, um empobrecimento da capacidade de decisão e afirmação da sua Universidade?

J. Cadima Ribeiro

Produção científica portuguesa

Acabada de me cair na caixa de correio a referência, para os que têm curiosidade sobre estas coisas, aqui deixo alguns resultados interessantes sobre a produção científica portuguesa:
http://www.keele.ac.uk/depts/ec/wpapers/kerp0710.pdf


(cortesia de João Cerejeira)

MCTES quebra mais uma promessa

Federação Nacional dos Professores
Financiamento do Ensino Superior: Ministro Mariano Gago quebra promessa
"[...]
As universidades e os politécnicos estão envolvidos no esforço de modernização do sistema de ensino superior, face aos desafios de Bolonha e do Espaço Europeu de Ensino Superior, mas não poderão desempenhar a sua parte no processo se o Governo, esquecendo as suas próprias promessas, lhes negar os meios necessários.
[...]":
http://www.fenprof.pt/?aba=1

(título e extracto de comunicado da FENPROF/FNP, de 4 de Outubro de 2007, disponível em FENPROF)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

domingo, outubro 07, 2007

Uma academia de qualidade caracteriza-se por: ...

«Uma academia de qualidade caracteriza-se, entre outras coisas, pela ausência de barreiras hierárquicas entre os seus membros, por um respeito mútuo universal e por um sentimento de pertença à comunidade universitária. A praxe é a negação de tudo isto: um exercício de poder marcado pelo desrespeito pelo outro, pela possibilidade de o ostracizar de modo arbitrário e onde tudo se resume a uma questão de hierarquias. Comparado com o ‘bullying’ na escola, a praxe tem as agravantes de ser uma prática institucionalizada, levada a cabo por e sobre adultos e em instituições onde o acesso não é imediato mas dependente do mérito.»
Tiago Mendes
(extracto de mensagem, datada de 07/10/03 e intitulada ´“Abu Ghraib” dos pequeninos`, disponível em aponTaMentos - http://www.apontamentos7.blogspot.com/)

Do relatório da EUA à exigência de uma reflexão estratégica - IV

Quase um mês depois de terem sido divulgados os resultados da avaliação institucional da UMinho feita pela EUA e a cerca de 15 dias de ser desencadeado o processo conducente à implementação da lei 62/2007, entendo que faz sentido recuperar aqui as respostas que dei a um inquérito preparatório do relatório interno da dita avaliação que na altura, por Outubro de 2006, me foi endereçado.
[...].
Segue-se o quarto e último extracto do texto:

----
«P: Em sua opinião, quais têm sido, nos últimos cinco anos, os aspectos positivos e os aspectos negativos da acção do Conselho Académico: c. Na formulação das linhas gerais de política da Universidade em matéria de prestação de serviços especializados à comunidade?

R: Nesta dimensão, o papel do CAc foi nulo ou quase, e ainda bem. Pontualmente, interveio procurando estabelecer espartilhos que nunca serviram a ninguém e que, tacitamente, foram sendo ignorados por todos, incluindo a própria reitoria.
A agilidade necessária de que esta missão da Universidade carece, para ser cumprida, não se compadece de burocracias pesadas e de “fatos” que têm que servir a todos. A negociação e a eficácia das respostas são essenciais aqui, embora o devessem ser em todas as áreas de intervenção da Universidade.»
-
J. Cadima Ribeiro
(Outubro de 2006)

“Human Capital Quality and Economic Growth”

“The estimation of the relationship between education and economic growth is marked by contradictions. These contradictions underline the lack of precision characterizing indicators of human capital. This paper constructs new indicators based on a pool of international surveys concerning pupil assessment. Thus, our new database, which includes 105 countries, makes it possible to confirm or not the positive relationship between education and growth. Taking into account the endogeneity of education, we measure a positive effect of qualitative indicators of human capital and the growth of countries between 1960 and 2000. The contribution of education to growth therefore appears significant, both from a quantitative and a qualitative point of view."

Nadir Altinok (IREDU - Institut de recherche sur l'éducation : Sociologie et Economie de l'Education - [CNRS : UMR5225] - [Université de Bourgogne])
Date: 2007-09-17
Keywords: Education quality ; Human capital ; Growth ; Development
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:hal:papers:halshs-00132531_v2&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sábado, outubro 06, 2007

Revista de imprensa do dia 5 de Outubro

Notícia JN
Luta por 50 mil funcionários públicos: http://jn.sapo.pt/2007/10/05/nacional/luta_50_funcionarios_publicos.html
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O PRIMEIRO DE JANEITO
Novo regime das instituições do ensino superior entrou em nova fase
Trinta dias é “manifestamente” pouco tempo


«Depois do período de discussão do novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, as preocupações voltam-se para a aplicação do mesmo. Pelo menos da parte do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos, que se queixa do curto tempo para a lei vigorar.

O Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos considerou curtos 30 dias para a entrada em vigor do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior após publicação em «Diário da República», manifestando preocupação com a interpretação e aplicação da lei. “A fase de discutir se é, ou não, uma boa lei já passou. O que nos interessa fazer é uma boa aplicação da lei”, declarou o presidente daquele órgão, no termo de uma reunião que ontem decorreu em Santarém. Para Luciano Almeida, o que está em causa é uma boa interpretação das normas para uma boa aplicação e perceber quais são aquelas que entram imediatamente em vigor e quais as que aguardam a publicação de legislação complementar. “É um regime novo, de ruptura com o anterior. É fundamental perceber quais as consequências e fazer essa reflexão numa perspectiva alargada”, sublinhou. Aquele responsável acrescentou igualmente que da reunião de ontem resultou a marcação de um outro encontro do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos para a manhã do dia 9 e, para a tarde do mesmo dia, um plenário das escolas, com as duas iniciativas a serem apoiadas por juristas.
O novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES) vai entrar em vigor no próximo dia 11, 30 dias após a publicação (a 10 de Setembro) no «Diário da República», um período de «vacatio legis», na opinião daquele responsável, “manifestamente curto” tendo em conta tratar-se de um regime novo e de ter muitas implicações ao nível dos sistemas de atribuições e competências.

Preocupação
Esta preocupação com a nova lei está também relacionada com “dificuldades adicionais” surgidas quanto à interpretação de alguns artigos, nomeadamente a partir das últimas alterações introduzidas pela Assembleia da República aquando da discussão do documento na especialidade na Comissão Parlamentar de Educação, que visaram a resolução de certos problemas, mas terão criado outros, acrescentou.
Segundo Luciano Almeida, “há alterações que não tiveram em atenção outros artigos da lei” e, em algumas delas, “a epígrafe mantém-se, mas o corpo do artigo não tem nada a ver”. Para o período posterior à entrada em vigor da lei, no próximo dia 11, estão a ser programadas outras reuniões pelo Conselho Coordenado dos Institutos Politécnicos, para ir resolvendo os problemas emergentes com a interpretação e aplicação do novo regime jurídico.»
(reprodução integral de artigo ontem publicado no jornal que se referencia)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

sexta-feira, outubro 05, 2007

Do relatório da EUA à exigência de uma reflexão estratégica - III

Quase um mês depois de terem sido divulgados os resultados da avaliação institucional da UMinho feita pela EUA e a cerca de 15 dias de ser desencadeado o processo conducente à implementação da lei 62/2007, entendo que faz sentido recuperar aqui as respostas que dei a um inquérito preparatório do relatório interno da dita avaliação que na altura, por Outubro de 2006, me foi endereçado.
[...].
Segue-se o terceiro extracto do texto:
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«P: Em sua opinião, quais têm sido, nos últimos cinco anos, os aspectos positivos e os aspectos negativos da acção do Conselho Académico: b. Na formulação das linhas gerais de política da Universidade em matéria de ensino, designadamente no que se refere à organização do calendário escolar, à avaliação e à melhoria do rendimento escolar?

R: Se se considerar a evolução ao longo dos anos das peças produzidas pelo CAc em matéria de calendário escolar, regulamento de avaliação de conhecimentos e acompanhamento feito a nível de rendimento escolar, e subjacente filosofia, rapidamente se detecta o carácter errante da orientação seguida, com sacrifício manifesto da estabilidade dos modelos de trabalho e da aposta na aproximação a quadros mais evoluídos de ensino/aprendizagem, que hoje assimilamos ao designado modelo de ensino regulado pela declaração de Bolonha. Isso foi fruto de leituras e procura de equilíbrios de curto-prazo e das limitações que decorrem da composição e natureza do órgão.
A opção por soluções unanimistas e “fatos” que sirvam todos, independentemente da natureza científica das matérias e do quadro mais ou menos aplicado do ensino visado, é também responsável por muitos erros cometidos.»
J. Cadima Ribeiro
(Outubro de 2006)

quinta-feira, outubro 04, 2007

Manifestando-me

Caro(a) colega,
Aceita que a/o sua/seu Escola/Faculdade/Instituto seja transformada/o em algo parecido com uma direcção-geral de um qualquer ministério?
Eu responderia: não! Não, porque as organizações fortemente hierárquicas e verticalizadas são coisa do passado; as dos nossos dias são estruturas pequenas, dotadas de altos níveis de autonomia de decisão, ágeis; a coordenação faz-se recorrendo a mecanismos que operam segundo o modelo das redes.
Repito a pergunta: aceita que a sua Escola seja transformada em algo parecido com uma direcção-geral de um ministério?

quarta-feira, outubro 03, 2007

Nothing is impossible

"If we are together nothing is impossible. If we are divided all will fail."

Winston Churchill

(citação extraída de SBANC Newsletter, October 2, Issue 490-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

terça-feira, outubro 02, 2007

Manifestando-me

Caro(a) colega,
Se lhe perguntassem o que mais desejaria para a sua universidade, que responderia?
Eu responderia: que tivesse futuro! Isto é, que fosse uma universidade com futuro.
Repito a pergunta: o que mais deseja para a sua universidade?
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Adenda datada de 07/09/05 e distribuída em primeira mão no circuito de correio electrónico da UMinho:
«Caros(as) colegas,
Já que parece ser o momento de uma tomada de posição, lamento informar que não subscrevo o manifesto divulgado sob o título em epígrafe (isto é, MANIFESTO POR UMA UNIVERSIDADE CIDADÃ), na sua actual redacção, pelo menos. As razões explicitei-as em plataforma alternativa, que não reproduzo aqui para não maçar os que nisso não estejam interessados.
Para ajudar à reflexão que importa fazer, deixo aqui, apenas, uma citação de Winston Churchill:
"If we are together nothing is impossible. If we are divided all will fail."
Cordiais cumprimentos,
J. Cadima Ribeiro»
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Ps: a quem me leu na rede da UMinho, apresento pedido de desculpas pelos dois erros que, infelizmente, a mensagem continha, e que só detectei quando eu próprio recebi e li a mensagem.

Do relatório da EUA à exigência de uma reflexão estratégica - II

Quase um mês depois de terem sido divulgados os resultados da avaliação institucional da UMinho feita pela EUA e a cerca de 15 dias de ser desencadeado o processo conducente à implementação da lei 62/2007, entendo que faz sentido recuperar aqui as respostas que dei a um inquérito preparatório do relatório interno da dita avaliação que na altura, por Outubro de 2006, me foi endereçado.
[...].
Segue-se o segundo extracto do texto:
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«P: Em sua opinião, quais têm sido, nos últimos cinco anos, os aspectos positivos e os aspectos negativos da acção do Conselho Académico: a. Na formulação das linhas gerais de política da Universidade em matéria de desenvolvimento e planeamento da investigação científica?

R: A UMinho tem um modelo de gestão hipercentralizado na figura do seu reitor. Nem no passado, nem agora (diria: muito menos agora, que a reitoria é particularmente insegura e, por isso, fechada) o reitor delegou capacidade de decisão estratégica no CAc. Aliás, retenha-se que o reitor é, estatutariamente e de facto, o presidente do órgão. Haverá, também, que manter presente que, existindo o Senado e a Assembleia da Universidade, percebe-se mal como é que aqueles órgãos superiores da Instituição poderiam conviver com um outro órgão que lhes disputasse o seu espaço natural de intervenção, se o pudessem e pretendessem exercer.
As grandes iniciativas em matéria de planeamento da investigação cientifica na minha Escola (EEG), quando exerci as funções de presidente e, mesmo depois, ou foram tomadas a nível da Direcção da Escola ou pelas próprias unidades de investigação. Da minha vivência passada, recordo que aquele que foi o passo mais decisivo que foi dado em matéria de organização da investigação dentro da Escola confrontou-se com esperadas dificuldades no CAc, só ultrapassadas pela conjugação da determinação da Direcção da Escola e da boa vontade demonstrada pela reitoria de então.»

J. Cadima Ribeiro
(Outubro de 2006)