Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

domingo, novembro 18, 2007

Um convidado ComUM, em tempo incomum

Que propósitos podem presidir à edição de um jornal de parede electrónico?
Provavelmente, as respostas serão tantas quantos os blogues que se editam. Porventura serão mais, ainda. No caso particular deste, foram: agitar consciências; dizer publicamente que o “rei” ia(vai) nu; escrever "cartas abertas" aos dirigentes da UMinho e à academia todos os dias; trazer para a vida da academia minhota, e não só, um pouco mais de transparência e de liberdade; dar um modesto contributo para o debate sobre as vias do futuro da UMinho, que devia fazer-se diariamente e nem em períodos eleitorais se faz, para mal dos nossos pecados.
Que têm em comum os blogues Avenida Central, Colina Sagrada, Mesa da Ciência, e Universidade Alternativa?
Verosivelmente, pouca coisa, ou talvez muita! Entre o que têm em comum, estará: serem projectos de cidadania; serem editados no Minho, realidade subjectiva (no sentido de comunidade sedeada num território) existente, por contraponto doutras diariamente proclamadas e, mesmo assim, inexistentes (tome-se como exemplo paradigmático “o norte”); eventualmente, diversas outras coisas que a diferença de objectos temáticos não deixa transparecer:
Que têm em comum os blogues listados no parágrafo anterior?
Pois, desde esta data, têm em comum o ComUM, jornal “online”, isto é, são os quatro “Blogues convidados”, do ComUM.
Foi sensato aceitar o convite?
Não sei. Só o tempo o dirá! Mas que convites é que podem e devem recusar-se?
E o Sr. reitor?
Pois que se dane o Sr. reitor. A UMinho há-de ter futuro, apesar dele.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, novembro 16, 2007

Manifestando-me

O que pode entender-se por autonomia orgânica das escolas? É de rejeitar a possibilidade do director da faculdade ser um professor de fora da universidade?
Eu responderia: com a reclamação da autonomia das Escolas que faço, quero deixar claro que, sem estruturas universitárias de base leves, com definição clara de missões e capacidade de decisão, suportadas por recursos financeiros e humanos próprios adequados, não será possível ter instituições competitivas e ágeis. Isto é o rigoroso contraponto de modelos, chamem-lhe matriciais ou outra coisa qualquer, mastodônticos e hipercentralizados, em que tudo fica dependente da clarividência de burocracias (e eventuais lideranças) centrais.
Por princípio, não recuso que o director da faculdade venha de fora. Não acho é que estejamos em condições de dar esse passo agora. Mesmo o que proponho já levantará muitas resistências dentro das academias. Veja-se o que se passou com a designação dos reitores, no contexto da aprovação da lei 62/2007. Como me dizia um colega há não muito tempo, esta lei vai necessitar de ser revista a curto-prazo, para ultrapassar inconsistências decorrentes da negociação a que, apesar de tudo, esteve sujeita e para se adequar à realidade (universitária e social) que é a nossa.
Repito a(s) pergunta(s) [deixada(s) por colega que teve a simpatia de ma(s) endereçar a título de comentária à minha mensagem precedente]: o que pode entender-se por autonomia orgânica das escolas? É de rejeitar a possibilidade do director da faculdade ser um professor de fora da universidade?
J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, novembro 15, 2007

Um projecto de manifesto alternativo em tempo de reforma estatutária do Ensino Superior

Os tempos de mudança (económica, tecnológica, institucional) são tempos de desafio, e como tal devem ser percebidos por aqueles que, em cada caso, são mais directamente interpelados. Ser capaz de transformar ameaças em oportunidades é o que faz a diferença entre perdedores e ganhadores. É a esta luz que deve ser equacionada a reforma da Ensino Superior Português, precipitada pela implementação da Declaração de Bolonha e pelo novo enquadramento legal ditado pela Lei nº 62/2007 (Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior).
Tirar partido da Lei nº 62/2007 significa dotar cada instituição de Ensino Superior de um modelo de organização e de governo, com expressão em novo Estatuto, que a torne mais ágil, mais inovadora, mais eficaz na prossecução da sua missão, que importa também reequacionar. Reequacionar a missão, significa instituir novos mecanismos de inter-acção com o território e assumir a gestão estratégica como princípio basilar de acção, na oferta de ensino, no desenvolvimento da investigação, na prestação de serviços à sociedade.
Liderança estratégica, agilidade de decisão, responsabilização de decisores não têm que significar alheamento e desmobilização da comunidade académica, antes pelo contrário. O envolvimento, a mobilização da comunidade académica, por sua vez, reclamam a institucionalização de mecanismos lubrificados de diálogo e de concertação interna.
Sabido que as Universidade e os Institutos Politécnicos são muito mais e mesmo, sobretudo, as suas Escolas, Unidades de Investigação, e Unidades Culturais e de Serviço, a necessidade da redefinição estratégica e organizacional estende-se a estas, tal qual a exigência de culturas de diálogo e de responsabilidade.
Não há que pressupor que todos partilharão os mesmos conceitos e valores, nem isso seria saudável em termos de capacidade das instituições de se recriarem e afirmarem face às Escolas e Unidades de Investigação congéneres. A coesão das instituições tem que fazer-se através da assumpção de princípios comuns e da concertação e coordenação activamente promovidas, dentro de quadros referenciais que serão os das Escolas e Unidades Científicas singulares, dotadas de autonomia orgânica e de meios, humanos, físicos e financeiros adequados ao desenvolvimento das respectivas missões. Tendo-se caminhado muito pouco nesta dimensão nos derradeiros anos, o exercício afigura-se mais exigente e necessário.
A revisão estatutária que agora se avizinha não deve, assim, ser entendida apenas como um exercício de acomodação dos Estatutos à lei mas, antes, como uma oportunidade para realizar o debate sobre o Ensino Superior que queremos ter, com expressão na produção de conhecimento, na formação de técnicos e de cidadãos e na sua afirmação como espaço de liberdade e de invenção social. Dizendo de outro modo, o desafio que temos pela frente reside em trabalhar para que a nossa Universidade e o nosso Politécnico tenham futuro.
Avançando brevemente na explicitação dos princípios defendidos, como contributo para os manifestos que vão emergir ou para a revisão dos que foram produzidos, enumeram-se de seguida algumas linhas programáticas:
i) constituição de um Conselho Geral que se assuma como órgão estratégico da Instituição, em detrimento da sua configuração como pequeno parlamento;
ii) concessão de autonomia orgânica às Escolas;
iii) instituição do princípio da co-optação dos Presidentes das Escolas pelo Reitor/Presidente ou pelo Conselho Geral, de entre um número limitado de professores daquelas proposto pelo seu corpo de doutores;
iv) criação de um Senado Académico, como órgão consultivo, com representação paritária das Escolas;
v) lançamento de uma reflexão sobre a racionalidade da organização científica/departamental das Escolas, avaliando a oportunidade de promover a criação de estruturas orgânicas cientificamente mais consistentes e melhor dimensionadas;
vi) lançamento de uma reflexão sobre a adequação da oferta educativa da Instituição às necessidades sociais e aos recursos disponíveis nas Escolas/Departamentos;
vii) lançamento de uma reflexão sobre os canais/estruturas existentes de interacção com o meio e de prestação de serviços à comunidade, e respectiva eficácia.
São princípios que se me oferecem basilares na construção de um Ensino Superior nacional com futuro. Obviamente, carecem de ser interpretados à luz da realidade de cada instituição.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado em 07/11/15 no Jornal de Leiria)

Mandaria o bom senso e alguma elegância que...

"Mandaria o bom senso e alguma elegância que, nestas circunstâncias, o reitor se mantivesse apenas como o garante da regularidade e eficácia do processo de revisão estatutária. Não é o que se está a ver em algumas universidades, em que as listas para a tal assembleia estatutária aparecem claramente promovidas por reitores."
João Vasconcelos Costa
(extracto de mensagem, datada de 07/11/15 e intitulada "As listas dos reitores", disponível em Bloco de Notas)
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Comentário: sem comentários adicionais (A lista do reitor)!!!

quarta-feira, novembro 14, 2007

If people believe in themselves …

"Outstanding leaders go out of their way to boost the self-esteem of their personnel. If people believe in themselves, it's amazing what they can accomplish."

Sam Walton

(citação extraída de SBANC Newsletter, November 13, Issue 496-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

Pergunta chata de se fazer à 4ª feira de manhã

«Conseguirão os defensores do "status quo" abortar a reforma em curso em nome de concepções discutíveis mas populares de democracia?»
Miguel B. Araujo
(extracto de mensagem, datada de 14 Novembro de 2007 e intitulada " A impossível reforma das universidades Portuguesas?", disponível em Bloco de Notas)
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Comentário: pensando na situação da UMinho, uma formulação alternativa para a questão enunciada será: conseguirão os defensores do "status quo" abortar a reforma em curso em nome da preservação da "tradição" e das supostas boas práticas de governação instituídas na Organização, aproveitando as inconsistências e mal-entendidos de uma lei que deveria, desde logo, apeá-los do poder?
É curioso como aproximações aparentemente muito antagónicas podem resultar no mesmo.

terça-feira, novembro 13, 2007

Poder sem autoridade

"O poder sem autoridade não é poder que convém à universidade. Aproveitemos a ocasião para uma espécie de epigénese, aproveitando os ventos da mudança para abrirmos as portas e as janelas, deixando que as correntes de ar livre acabem com as viroses da endogamia e as bactérias do mandarinato."
José Adelino Maltez
(extracto de mensagem, datada de 07/11/13 e intitulada "Contra as sucessivas brigadas do reumático mandarinal que endogamizam a universidade!", disponível em Sobre o tempo que passa)
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Comentário: é incrível como um professor do ISCSP/UTL fala com tanta propriedade do que vai pela UMinho; mais surpreendente será, apenas, haver na UMinho tanta gente que parece ignorar as tais teias que tecem o poder vigente a que Adelino Maltez se refere.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Saudação a um reaparecido

"A toda a comunidade académica

http://universidadeplural.blogspot.com/ Recomecei neste espaço o debate sobre a vida universitária e a condição académica.
Com as minhas melhores saudaçoes,
Moisés de Lemos Martins"


(reprodução integral de mensagem, distribuída universalmente na rede da UMinho, que me caiu na caixa de correio electrónico no início desta tarde)
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Comentário: em nome do debate sobre as vias de construção do futuro da UMinho e da liberdade de expressão, que defendo, saudo o regresso à vida, depois de longa ausência (travessia do deserto?), do colega Moisés Martins. Esperemos que o entusiasmo lhe assista para além das semanas que se avizinham.

Perguntas chatas para ler à 2ª feira

«Será esta a única universidade e o único reitor com razões de queixa sobre a forma como tem sido governado o sector? Não haverá outros reitores e presidentes de politécnicos com razões de queixa pelo menos idênticas às de Nóvoa? O que é feito deles? Será que se satisfazem com "contrapartidas reduzidas"? Ou, neste momento que têm que ajustar-se a uma nova lei, será que as suas preocupações não passam do claustro?»
Vasco Eiriz
(extracto de mensagem, datada de 07/11/10 e intitulada "Nóvoa bate na nódoa", disponível em Empreender)
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Comentário: caro Vasco Eiriz,
mas que raio de perguntas chatas estas de que se lembrou. Imagine que, por qualquer razão que nos escapa, o reitor da UMinho ou os seus pupilos tropeçam nas ditas questões. Que irão pensar? Eles que, dando expressão de imbatível altruismo, tudo têm feito em nome do progresso da UMinho, incluindo a constituição desta "enorme" lista que se apresenta às eleições para a Asssembleia Estatutária. Não acha que já lhes basta estarem confrontados com a ingratidão configurada pela existência de uma lista de oposição, por mais que o respectivo ideário se aproxime daquele que (não) enunciam? É chato, caro colega!

Leituras de 2ª feira

"Aconselho vivamente, agora que temos novas (?!) equipas dirigentes nos rumos da nossa educação superior, a que os novos (?!) estrategas se tirem das suas tamanquinhas e vão até à feira, ver o que há de novo, sem se remeterem àquela parola situação tradicional, de que já viram tudo, em que só sábios, continuam a ser os mesmos dez!"
Alexandre Sousa
(extracto de mensagem, datada de 07/11/12 e intitulada "Podia ter sido uma grande notícia…", disponível em Co-Labor)

domingo, novembro 11, 2007

Que funções para a educação superior?

Funções da Educação Superior 2
(título de mensagem, datada de 07/11/11, disponível em Que Universidade ?)
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Comentário: caro MJMatos,
mas será que, nesta altura, quando "toda a gente" está entretida com o processo eleitoral para as respectivas assembleias estatutárias, alguém se vai preocupar com as funções da educação superior ou, o que vai dar ao mesmo, com a missão das Universidades e Politécnicos?

A frase do dia - IV

«Querem os meus caros e raros leitores apostar comigo em como, seguramente, iremos ler, lá para 2008, excertos devidamente orientados, de mais um relatório, daqueles "estrategicamente" encomendado [...]»
Regina Nabais
(extracto de mensagem, datada de 07/11/09 e intitulada "No prato de ovos e bacon, somos a galinha ou o porco?", disponível em Polikê ?)

sexta-feira, novembro 09, 2007

Portugal foi o único país da Europa que reduziu o investimento no ensino superior

Reitor acusa Governo de financiar mais instituições norte-americanas do que portuguesas
«O reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Sampaio da Nóvoa, acusou hoje o Governo de cortar no financiamento do ensino superior público, transferindo para universidades norte-americanas, a troco de "contrapartidas reduzidas", verbas superiores às atribuídas a algumas instituições nacionais.
No discurso de abertura do ano académico 2007-2008 da UL, António Sampaio da Nóvoa falou na necessidade de mudança, mas apontou o dedo ao Governo enquanto responsável por alguns entraves a essa mudança, como a "falta de modelos claros e transparentes de financiamento".
O reitor referiu que nos últimos dois anos Portugal foi o único país da Europa que reduziu o investimento no ensino superior, "remetendo as instituições para uma lógica de pura sobrevivência", apesar de estas terem cumprido as suas obrigações, nomeadamente no que respeita ao aumento do número de estudantes e à melhoria da qualidade da formação.
"Mas, ao mesmo tempo, o Governo transfere anualmente para universidades norte-americanas, ao abrigo de acordos interessantes, mas com contrapartidas reduzidas, verbas superiores às que transfere para algumas universidades portuguesas", acusou o reitor da UL.
António Nóvoa criticou também a proliferação de escolas por todo o país, considerando que, com o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, o Governo está a contribuir para essa situação.
"Faz-nos falta uma política corajosa de reordenamento da rede do ensino superior, pondo fim à proliferação de escolas que se criaram por todo o país, com a cumplicidade de poderes nacionais, regionais e locais", afirmou o reitor, acrescentando que "sobre isto, até agora, o Governo nada disse, tendo mesmo aprovado uma lei que convida, estranhamente, a uma maior fragmentação das instituições".
Ainda a propósito do regime jurídico, António Nóvoa reconheceu, contudo, que era necessário um novo modelo de governação das universidades e que esta lei contém inúmeros aspectos positivos, mas considerou que, ao mesmo tempo, "corre o risco de se transformar numa mera reforma orgânico-burocrática".
Para o reitor, só as universidades podem resolver os seus próprios problemas, o que não será possível se lhes for retirada "vida própria" e se forem descapitalizadas e incapacitadas de recrutar recursos humanos qualificados.
"Ao não favorecer a iniciativa, ao valer-se de argumentos de autoridade, ao debilitar as instituições, este Governo cria o desânimo entre todos aqueles que, genuinamente, se batem pelo progresso e pela inovação", disse o reitor da UL, sublinhando que "nada é pior do que a ilusão da mudança que deixa tudo na mesma".
Outra das críticas do reitor da UL prende-se com a falta de revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária, que considera "a mais urgente de todas as mudanças".
O responsável lamenta que, até agora, o Governo nada tenha dito sobre o assunto. "Sem um estatuto que permita recrutar e promover os melhores, pondo fim à mediania e à endogamia, estabelecendo uma ligação forte entre ensino e investigação, é impossível reformar a universidade".
A adopção de novas regras de avaliação e acreditação das instituições de ensino superior é outro aspecto que António Nóvoa considera fundamental para as universidades e nessa matéria deixa um elogio aos governantes.
"Faz-nos falta a adopção de normas exigentes de avaliação e de acreditação, acabando com a multiplicação de cursos que, com a conivência de governos e instituições, tem contribuído para degradar a qualidade do ensino superior. Sobre isto, merece aplauso a iniciativa do Governo: mais e melhor avaliação, feita com critérios internacionais", disse ainda o reitor.
Quanto às medidas que a UL pretende desde já adoptar, no âmbito da sua renovação, o reitor destaca a criação de massa crítica na universidade, o início da revisão dos estatutos (já foi eleita a assembleia estatutária), a junção com outras escolas no sentido de congregar esforços e a atribuição de maior peso às estruturas de investigação.»
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(reprodução integral de notícia do jornal Público - Notícia PÚBLICO - Última Hora - datada de 07/11/08, com o título identificado)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]
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Comentário: «António Nóvoa reconheceu [...] que era necessário um novo modelo de governação das universidades e que esta lei contém inúmeros aspectos positivos, mas considerou que, ao mesmo tempo, "corre o risco de se transformar numa mera reforma orgânico-burocrática".». Bruxo!

"Conheça os cursos com emprego garantido"

Artigo Diário Económico
Conheça os cursos com emprego garantido
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/politica/pt/desarrollo/1055665.html
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(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quarta-feira, novembro 07, 2007

Também me irrito ...

"Também me irrito quando vejo o ensino público comandado por sábios e distante das necessidades do mundo que devia servir."
Pedro Lomba
(extracto de artigo de opinião, intitulado "O Fracasso da Escola Pública?", publicado no Diário de Notícias/DN online, em 07/11/01)
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Comentário: também eu me irrito quando vejo gente profundamente desqualificada em matéria de princípios básicos de gestão e de organização e olimpicamente alheada do que vai fora dos muros dos campi a decidir sobre a vida das Instituções de Ensino Superior, a começar por aquela onde trabalho. Ainda mais me incomodo quando lhes oiço o discurso hipócrita e bolorento. É esta gente que vai operar a grande reforma do Ensino Superior nacional? ... Temos ministro que é Gago!

Ouvir a comunidade académica?

"[...] desafio esses elementos [...] a ouvir os docentes durante a sua campanha e adaptar as suas linhas programáticas aos anseios da generalidade dos docentes. A Democracia só ganha porque afinal os estatutos não são só para servir os 12 docentes que vão ser eleitos mas pelo contrário esses 12 docentes devem [...] servir a Comunidade no seu todo."

Jaime Rocha Gomes

(extracto de mensagem, datada de 07/11/05 e intitulada "A Responsabilidade duma lista", disponível em Prálem D`Azurém)
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Comentário: ouvir a comunidade académica? Mas isso significaria que as listas apresentadas seriam porta-vozes da comunidade académica e não de certos "donos", e os projectos que enunciavam (se os anunciassem) seriam expressão das aspirações dessa mesma comunidade. Ainda haverá espaço para utopias no tempo (académico) presente?

terça-feira, novembro 06, 2007

Manifestando-me

Há quem entenda que uma lista promovida pelo reitor, como acontece na UMinho, é uma lista ganhadora (ou de elevada probabilidade de vitória). Concorda com este ponto de vista? Mais: também subscreve o ponto de vista que a maior parte da comunidade universitária é avessa ao risco, pelo que é de esperar que as pessoas votem numa lista que lhes assegure que o status quo irá manter-se?
Eu responderia: são questões complexas as que são colocadas, com leituras que podem ser desencontradas. Brevemente, direi o seguinte:
i) [sobre a lista do reitor ser ganhadora] – Uma lista ser ganhadora ou não depende da alternativa que se lhe contrapõe, da postura dos eleitores e da composição da própria lista. Estas dimensões são elas próprias a chave da resposta para a segunda questão enunciada.
Adiantando algo mais em relação à primeira temática, sublinharia que a natureza desta eleição é completamente diferente da das precedentes, que levaram à eleição do reitor em funções, desde logo porque quem pode votar é o universo dos membros da Academia (no caso que nos interessa, o universo dos professores) e não um colégio eleitoral restrito, facilmente aliciável. Por esta razão, o argumento está truncado, mesmo que quem esteja no poder possa usá-lo para influenciar o resultado.
Este dado de partida pode, entretanto, ter uma leitura oposta, materializável na ideia que a má gestão e as malfeitorias praticadas durante o exercício de funções, que indirectamente estão em escrutínio, podem levar os eleitores a terem uma atitude de rejeição da lista que configura a continuidade. Há boas e fortes razões para que os professores da UMinho sigam este princípio. A inconsistência da lista, aparte o vazio de ideias que emergiu para a comunidade académica, compreensível em função da manta de retalhos que a composição configura, deveria ir no mesmo sentido de rejeição antes sublinhado.
Falando das personalidades da lista, não quero sequer pôr em destaque as deslealdades pessoais que a integração de alguns elementos representa, mesmo face a membros (e lutas passadas de elementos) da lista oponente, dando argumentos adicionais à ideia de que não estamos perante uma lista baseada em princípios.
Ora, é nestas duas dimensões, o ideário e a consistência do projecto da lista oponente, que o problema se põe, igualmente. No seu conservadorismo, na luta por protagonismos pessoais, na falta de dimensão técnica e estratégica das propostas em confronto, há pouco por onde escolher. Nestas dimensões, quem desafia o poder instalado deveria fazer a diferença, ser mais ousado.
ii) [sobre a comunidade universitária ser avessa ao risco] – Com tristeza, sou levado a admitir que os sinais que tenho vão nesse sentido, embora haja que juntar aversão ao risco com o sentido individualista e defensivo que se foi instalando. Doutra forma, as coisas não se deveriam ter passado nos derradeiros anos como se passaram. Doutra forma, deveríamos estar perante não duas listas concorrentes à Assembleia Estatutária mas três ou mais e, sobretudo, com projecto e estratégia, fazendo nisso a grande diferença. Talvez a dita comunidade precise de mais esta prova para despertar. Talvez!
Fico com esperança que daqui a alguns meses, quando esteja em causa a eleição do Conselho Geral, o ânimo já seja outro.
O meu desconforto resulta de a Universidade, sobretudo a Universidade do presente, estar confrontada com a necessidade de antecipar o futuro, enquanto vai dando resposta às exigências do presente, e de ser o grande alfobre de capital humano que a sociedade portuguesa dispõe. Para ser Universidade tem pois que ser criativa, de acolher e cultivar o espírito empreendedor, de acreditar que é capaz de construir o futuro, e fazê-lo.
Repito a pergunta: acha que a lista promovida pelo reitor da UMinho é uma lista ganhadora? Subscreve o ponto de vista que a maior parte da comunidade universitária é avessa ao risco, pelo que é de esperar que as pessoas votem numa lista que lhes assegure que o status quo irá manter-se?

J. Cadima Ribeiro

segunda-feira, novembro 05, 2007

Olha a wikiiiiiiiiiiiii !

Nem todas as surpresas com que somos confrontados às 2ªs feiras pela manhã são necessariamente más. Algumas há que nos deixam sem saber como reagir. Foi o que me aconteceu hoje quando, ao abrir o correio electrónico, tive a notícia que um colega universitário e amigo destas andanças da edição de jornais de parede electrónicos (editor do blogue Por Educar, entre outros) tinha resolvido "fazer uma lista de ligações para a «Universidadealternativa»", no quadro de uma sua nova iniciativa que ganhou expressão substantiva em: http://scratchpad.wikia.com/wiki/Estatutos_da_Universidade_do_Minho
Adicionalmente, convidava-me para que participasse como melhor entendesse; convite que me atrevo a endereçar aos meus "caros e raros leitores".
Mais acrestava que
«O começo está aqui:
Por ter gostado muito, aproveitei, também, um texto que transcreveu e que ficou assim:
Abrçs,V. M.»

Sem jeito, limitei-me a exprimir-lhe a minha surpresa, tanto mais que pensava que ele não apreciasse particularmente "o meu estílo muito directo de intervenção", e a agradecer-lhe a atenção. Imagino entretanto o desconforto que esta iniciativa benévola do colega VM possa provocar na nomenclatura da UMinho, na reinante e na que está em curso de se instalar, por herança directa.
Coisas das 2ªs feiras!

J. Cadima Ribeiro

Há muitas curvas no caminho...

"Esta co-criação de homens livres raramente segue os manuais planeamentistas do pensamento único e dos livros únicos do politicamente correcto. [...]. Há muitas curvas no caminho, para quem prefere as peregrinações dos carreiros do pé descalço que desde sempre trilhamos."
José Adelino Maltez
(extracto de mensagem, datada de 07/11/05 e intitulada "Reflexões heréticas em noites de olhar as estrelas com os pés nas pedras do caminho", disponível em Sobre o tempo que passa)
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Comentário: garanto-vos que esta citação não me foi sugerida pela conjuntura vivida na UMinho, embora talvez o pudesse ter sido; exprime antes uma comunhão de filosofia de pensamento, que dificilmente poderia ser enunciada de forma mais feliz.

domingo, novembro 04, 2007

Leitura para desenfastiar

Vão passar anos até que eu me perdoe
“Pois é verdade: há dias levantei-me às quatro e meia da noite! Vá lá, censurem-me o mau gosto, que bem mereço.
Seria bastante mais razoável que me tivesse deitado a essa hora, salvaguardado que isso se ficasse a dever a uma noite bem passada. A vida, todavia, tem destas coisas, e não é por acaso que o prémio Nobel da Economia foi atribuído a autores de contribuições teóricas que enfatizam a racionalidade limitada dos agentes económicos; o que é paradoxal, por seu turno. Consistente seria mesmo que o ponto de partida fosse a irracionalidade com que os homens conduzem as suas vidas, incluindo a vertente económica destas. Mas não; entendeu-se partir do princípio oposto e foram precisos cerca de dois séculos desde que a Economia adquiriu estatuto científico para ver o óbvio.
É bem apropriado neste caso o dito que afirma que «o que está à vista é o mais difícil de ver». Nesta situação, nem a circunstância do gato ter o rabo de fora ajudou. Não nos desviemos entretanto do que importa.
Na ocasião, o que verdadeiramente é relevante é que me levantei a meio da noite, isto é, a horas que só deveriam ser usadas para o sono ou para outros prazeres da vida. Daí que seja bem feito que me censurem, como eu me censuro. Pensando bem no assunto, julgo que vão passar alguns anos até que eu me perdoe”

J.C.

(reprodução parcial de crónica do autor identificado publicada no jornal Notícias do Minho de 96/11/01, em coluna regular genericamente intitulada “Crónicas de Maldizer”)