Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

terça-feira, março 08, 2011

"Aluna da UTAD criou Roteiro em Braille para um Museu"

«Uma jovem aluna da licenciatura em Turismo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) criou um roteiro museológico em Braille para que os invisuais possam também visitar o Museu da Região Flaviense, em Chaves.
A aluna, Ana Cristina Teixeira Tavares, de 25 anos, realizou o seu estágio curricular no Núcleo de Arqueologia daquele Museu, e logo sentiu motivação bastante para torná-lo acessível também a invisuais, lançando mãos ao trabalho de criar o roteiro em Braille, Relevo e Texto Ampliado. A Câmara Municipal de Chaves, por seu turno, abraçou, de imediato, a mesma causa, mandando imprimir dez exemplares que ficarão ao dispor na recepção do Museu de quem deles necessitar. Em quinze páginas, esta jovem propõe assim um percurso pelo espólio museológico, cujas peças são identificadas e devidamente descritas.
Ana Tavares pretende através deste projecto dar o primeiro passo para que o Museu se torne inclusivo, tendo em vista ainda outros projectos, como seja a realização de áudio-guias e exemplares tácteis que irão complementar o roteiro.
O seu interesse neste tema teve início no projecto de investigação que está a realizar, “A escuridão nos Museus – Acessibilidade para pessoas invisuais”, em que não se quis limitar apenas a uma abordagem teórica da matéria, mas sim deixar algo prático que ajude esta população (163.569 pessoas conforme a actualização do último censo pelo INE em 2007) com necessidades tão especiais e que conta com tão poucos recursos que lhe permita acesso à cultura.
Os trabalhos práticos e de investigação estão a ser desenvolvidos ao longo do 3º e último ano do curso em Turismo, que funciona no Pólo de Chaves da UTAD, e decorrem no âmbito das unidades curriculares Práticas em Empresas e Instituições I e II e pretende responder à seguinte pergunta: Quantos museus em Portugal são acessíveis ?
http://www.utad.pt/salaimprensa/salaimprensa/index.aspx»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, reenviada por
Xerardo Pereiro - mirantropos@hotmail.com)

domingo, março 06, 2011

"Director de universidade cai por ligação ao clã Khadafi"

«Crise na London School of Economics
Director de universidade cai por ligação ao clã Khadafi

Por Rita Siza»
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«A polémica e embaraço causados pela associação da London School of Economics, prestigiada escola de economia da Universidade de Londres, ao clã Khadafi e ao regime líbio forçaram já a demissão do seu director, Howard Davies, que anunciou a sua saída para "proteger a reputação" da instituição a que presidia desde 2003.
Sob a pressão da academia, dos políticos britânicos e da opinião pública, a London School of Economics (LSE) iniciou uma série de investigações, destinadas a clarificar as relações económicas entre aquela instituição e o regime de Muammar Khadafi. Como acusou a associação de estudantes, "revelações recentes sobre o relacionamento dos escalões superiores desta escola com a família Khadafi mostram que ele era bem mais profundo e perverso do que imaginávamos".
O inquérito será conduzido por um painel independente, liderado por Lord Harry Woolf, antigo juiz do Supremo, que também foi instruído para desenhar novos critérios para os donativos internacionais que são dirigidos àquela escola.
Em causa estão, entre outros pagamentos, 2,2 milhões de libras devidas à LSE no âmbito de um contrato firmado com o Governo de Muammar Khadafi para a formação de "profissionais e funcionários públicos" da Líbia e outros 1,5 milhões de libras recebidos a título de donativo da Fundação Khadafi para a Caridade e o Desenvolvimento, para o estabelecimento de um programa dedicado ao Norte de África na LSE.
Howard Davies desculpou-se pelo facto, confessando que na altura lhe pareceu "razoável" aceitar esse dinheiro mas concedeu que a sua decisão acabou por se revelar "um erro tremendo". "Havia certamente riscos associados ao financiamento através de fontes líbias e esses riscos deviam ter sido ponderados", reconheceu.
O director demissionário - que foi vice-governador do Banco de Inglaterra e presidente da entidade reguladora do sector financeiro - também pediu desculpas pelo dinheiro que recebeu, pessoalmente, por ter prestado serviços de consultoria ao Governo da Líbia. "Foi um erro de julgamento pessoal, aceitar o convite do Governo britânico para actuar como enviado económico e o subsequente convite do Governo líbio para aconselhar o fundo soberano do país. Esse foi um trabalho totalmente transparente, mas que em retrospectiva me deixa numa posição mais frágil para defender o bom nome da LSE", explicou Davies.
As investigações em curso não dizem apenas respeito ao departamento financeiro da LSE e abrangem também a "autenticidade académica" da tese de doutoramento de Saif al-Islam, o segundo filho do líder líbio e que obteve o mais alto título académico daquela escola em Setembro de 2008. Excertos da sua dissertação final, O Papel da Sociedade Civil na Democratização das Instituições Globais de Governação, uma obra de mais de 400 páginas, levantaram suspeitas de plágio.
O norte-americano Monitor Group informou que entre os vários serviços prestados ao Governo da Líbia (que pagava uma avença mensal de 250 mil dólares ao grupo fundado pelo guru Michael Porter) constava o "apoio técnico" a Saif al-Islam para a produção da sua tese.
A dissertação do filho de Khadafi surpreendeu por tecer duras críticas ao funcionamento dos Governos não-democráticos, que o estudante caracterizava como "autoritários, abusivos e não-representativos".»
*
(reprodução integral de texto ontem publicado no jornal Público; cortesia de ACO)
Comentário (possível, entre outros): "as fundações também dão para isto..."

sábado, março 05, 2011

Passatempo (VII)

Em sucessivas “entradas” sob o título genérico “Do repúdio e do asco”, fui dando conta de um episódio triste (mais um) ocorrido (em cena, melhor dizendo) na UMinho, protagonizado por pessoas que se percebe serem muito tristes mas que, no dia-a-dia, vão vendendo a imagem de serem gente séria.
O episódio mais recente da série foi exibido na semana que agora se conclui, tendo tido por momentos altos os seguintes:
i) um primeiro em que P., Director do Departamento que acha que o ECDU é uma balela (não havendo, nomeadamente, que atender às disposições que contém em matéria de cargas horárias no que a serviço docente se refere), aparte à respectiva insensibilidade para considerações de âmbito humanitária (decorrente de episódio grave de saúde), para atestar a improcedência do que era formalmente reclamado pela vítima fez saber à assembleia reunida que esta (a professora/investigadora em causa) era a que mais altos níveis de produtividade científica tinha apresentado no passado recente;
ii) um segundo momento em que M. fez solenemente saber que o caso em apreciação tinha já chegado às "redes sociais", crime grave, imputável a quem reclame justiça;
iii) um terceiro, ainda, em que, cúmplice, a assembleia, faz de conta que atestados médicos emitidos por quem de direito atestam coisa alguma ou, o que dá no mesmo, são de valia duvidosa para o efeito em presença já que a requerente não se apresentou perante a assembleia coxa ou de venda no olho.
Pelo que digo, tendo o infeliz episódio (que há-de ter novos capítulos) deixado a esfera das coisas que se tratam com sobriedade (preferia usar o termo seriedade), aparente, pelo menos, porque o que retrato cai já no domínio da caricatura e porque a ocasião é propícia (anotem os mais distraídos que estamos em pleno carnaval), decidi-me tirar partido do caso sob a forma de um passatempo.
Em concreto, fica aqui o repto para os entusiastas das palavras cruzadas e dos enigmas bíblicos de:
i) identificarem quem é o zeloso director do Departamento da UMinho que acima se invoca;
ii) quem, na assembleia referida, fez o alerta para o crime hediondo de se denunciar nas "redes sociais" desrespeitos da lei (que se sabe ser, em Portugal, uma balela) e de direitos humanos;
iii) quem presidia à dita assembleia e é desconsiderado por este texto, ao não merecer acima qualquer invocação, nem sequer em razão da forma brilhante como dirigiu a assembleia e, de um modo, geral, todo este caso, nos desenvolvimentos até agora havidos.
Porque o grau de dificuldade do exercício já é grande, limito por aqui os desafios a que os(as) leitores(as) devem dar resposta para se habilitarem ao doce que habitualmente se oferece no quadro destes passatempos. Por ser carnaval, os felizes contemplados levarão também um disfarce à Maquiavel.
Tendo acordado generoso, para facilitar a vida aos candidatos a estes prémios, deixo uma (única) pista: o director do Departamento em causa mantém há anos uma colaboração numa universidade mais a Sul, para onde tenta, desesperadamente, transferir-se de há alguns meses a esta parte (mesmo assim sendo, não foi capaz ainda de ter o gesto formalmente bonito de se demitir das funções de gestão que desempenha).

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, março 04, 2011

O seu cv...

"O seu curriculum vitae é suficientemente bom para poder ser escrito em menos páginas [que as 83 que tem]".
Jorge Santos
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(afirmação produzida no âmbito da arguição de provas públicas de agregação em Economia realizadas na Universidade de Évora, a 2 e 3 da Março de 2011)

quarta-feira, março 02, 2011

Notícias da UCoimbra: tomada de posse do novo reitor

Notícia Diário de Coimbra
Novo reitor promete “optimismo” apesar das dificuldades:
http://www.diariocoimbra.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=11592&Itemid=135

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

Do repúdio e do asco (IV)

"[...]
Estando presente na reunião de 15 de Fevereiro, o Presidente do Conselho Científico [...] em circunstância alguma manifestou vontade de resolver o problema para o qual havia sido mandatado, ainda que tenha mencionado em reunião de Conselho Científico do dia 9 de Fevereiro que o pedido [...] já poderia ter sido resolvido se tivesse sido dado a conhecer antes e enviado em primeira instância para a direcção do departamento.
[...], depois de ter consultado a secretaria [...], após a reunião de 9 de Fevereiro do Conselho Científico, foi-lhe confirmado que, já muito antes da data de 9 de Fevereiro, quer a Direcção do Departamento quer a Presidência do [...] se haviam pronunciado sobre o assunto, não coincidindo este dado com o que foi alegado na reunião do dia 9 de Fevereiro pelo Senhor Presidente do Conselho Científico [...]."
*
Comentário: notícia actualizada (em discurso directo) de um episódio muito triste que há muito tempo deveria ter sido ultrapassado, com dignidade e bom-senso (valores/atributos que parecem escassear cada vez mais nalgumas instâncias da UMinho)

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

"Ainda (é) cedo para saber se é adequado às instituições optar pela via fundacional"

Artigo Diário As Beiras
É preciso distinguir se fundação é conjuntura ministerial, refere Seabra Santos:
http://www.asbeiras.pt/2011/02/e-preciso-distinguir-se-fundacao-e-conjuntura-ministerial-refere-seabra-santos/

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

domingo, fevereiro 27, 2011

Notícias da UTLisboa, e não só

Fusão de universidades em Lisboa "é inevitável"

(título de mensagem, datada de 26 de Fevereiro de 2011, disponível em UM para todos)

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Serviço público: "V Encontro de CTDI ´Informação. Economia. Poder`"

«Exm.os Senhores
No dia 14 de Abril, a Licenciatura em Ciências e Tecnologias da Documentação e Informação (CTDI), da Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG) do Instituto Politécnico do Porto (IPP), irá organizar o seu V Encontro de CTDI intitulado “Informação.Economia.Poder”. De acordo com a tradição deste evento, é objectivo da organização dinamizar um fórum de análise e discussão de temas relacionados com a Ciência da Informação.
No actual contexto socioeconómico, a Informação enquanto recurso estratégico tem assumido uma importância fulcral, possibilitando o desenvolvimento de diversos campos de actuação e de reflexão.
O V Encontro de CTDI conta com a presença de oradores, nacionais e estrangeiros, com experiência e conhecimento na análise da informação enquanto recurso estratégico, na relação da informação com o comportamento organizacional e com a informação empresarial.
O Encontro terá lugar no Auditório da ESEIG, em Vila do Conde.
Atendendo à actualidade e pertinência da temática, gostaríamos de contar com a presença de V/ Exs. bem como com a V/ colaboração para a divulgação do evento.
Para informação mais detalhada acerca do V Encontro de CTDI, incluindo o Programa e modalidades de inscrição, pode consultar o sítio do evento em
http://www.eseig.ipp.pt/ctdi2011/ .
Para esclarecer qualquer dúvida, pode enviar um e-mail para ctdi2011@eseig.ipp.pt.
Gratos pela atenção.
Com os mais cordiais cumprimentos,
Pel´Organização do V Encontro de CTDI
Susana Martins»
*
(reprodução do corpo de principal de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência identificada)

Do repúdio e do asco (III)

Chamada para a 1ª página de comentário entretanto recebido:

«Joaquim Sá deixou um novo comentário na sua mensagem "Do repúdio e do asco":
Mas por que não se há-de saber qual a universidade, qual a escola, qual o departamento? Porque a vítima sabe (todos sabemos) que teria que pagar um preço acrescido à sua já difícil situação pela denúncia pública. E por seu turno, os prevaricadores têm como certa essa punição acrescida da vítima, logo, contam com o seu silêncio. Dito de outro modo, o risco de um reforçada punição da vítima engendra o sentimento e a efectiva impunidade do agressor. É perverso! E é por isso mesmo que funciona.»
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quarta-feira, fevereiro 23, 2011

"Mais um instrumento de controlo burocrático dos docentes"

«Os esquemas propostos de avaliação vão ser, em última análise, mais um instrumento de controlo burocrático dos docentes e, pelo esforço que exigem, resultarão numa menor disponibilidade para o exercício das funções dos docentes. Mais ainda, não se vislumbra disponibilidade financeira para progressões no futuro próximo, pelo que todo este exercício resultará em cansaço, competição e degradação do ambiente académico, falhando nos seus propósitos de orientação e progressão.»

Departamento de Ensino Superior do SPN

(excerto de mensagem, proveniente do "Serviço de Apoio ao Departamento de Ensino Superior do SPN" - www.spn.pt/superior - que me caiu em 21 de Fevereiro de 2011 na caixa de correio electrónico)

terça-feira, fevereiro 22, 2011

A UMinho fundação? "Apenas 62 (4.94%) emitem opinião favorável"

Concluída a 1ª Fase do Inquérito

(título de mensagem, datada de 22 de Fevereiro de 2011, disponível em UM para todos)

"Redução no financiamento público"

Artigo Diário IOL
Universidades europeias - mais alunos, menos dinheiro:
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=1234730&div_id=4071

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

“The leadership of schools in three regions in Portugal based on the findings of external evaluation”

“School leadership has significant effects on the learning, development and academic success of the pupils and on the quality of educational organisations, so, to a large extent, the effectiveness of the school depends upon the way in which leadership is carried out. It is on this basis that we undertook our study which led in this article. In it we sought to characterise the leadership of schools and school clusters in the regions of the Algarve, Alentejo and Lisbon and Tagus Valley, globally and specifically, based on the analysis of the content of external evaluation reports produced by teams from the General Inspectorate of Education during the 2006/2007, 2007/2008 and 2008/2009 academic years. This analysis was carried out as part of the research project FSE/CED/83489/2008 under the responsibility of the Centre for Sociology Research and Studies from the Lisbon University Institute, the University of the Algarve and the Barafunda Association, and we were part of the respective research team. By analysing the data we have been able to establish a joint and per region “profile” of the leaderships in the schools and school clusters that were evaluated, although we consider that their results cannot be extrapolated, given he imits in the wording of the valuation reports and the fact at these reports were produced by different teams from egion to region and even within the regions themselves.”

Quintas, Helena (University of Algarve)
Gonçalves, José Alberto (University of Algarve)

Date: 2010-12-30
Keywords: external evaluation of schools; external evaluation reports of schools; leadership of schools; exercising of leadership in schools
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:ris:cieodp:2010_011&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

domingo, fevereiro 20, 2011

Do repúdio e do asco (II)

«[...]
Obrigada pelas tuas palavras. Já terás reparado que sou uma mulher de luta. Por isso, e atendendo a que ontem me senti mesmo muito mal, decidi hoje que vou recuperar e que não vou abdicar dos meus direitos. Levarei o caso até ao fim. O que me estão a fazer é desumano e nem sequer discutiram a hipótese de me reduzir a carga horária. Levavam tudo preparado. O [...] ainda disse que havia desigualdade em termos de carga.
[...]
Obrigada por existires. Na quarta disse ao [...] que te admirava, pois eras um homem de valores. Ele riu-se e disse que era verdade. A [...] também foi muito importante para mim esta semana. Por favor, transmite-lhe isso.
[...]»

(reprodução parcial de mensagem reenviada, dando notícia do encaminhamento do assunto invocado no título)

sábado, fevereiro 19, 2011

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

"Soluções tecnológicas inovadoras e de baixo custo"

Notícia CiênciaPT.net
Coimbra lidera investigação de desenvolvimento de tecnologias para a saúde:
http://www.cienciapt.net/pt/index.php?option=com_content&task=view&id=102910&Itemid=337

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Do repúdio e do asco

Por mais que nos custe, as organizações têm muitas vezes dimensões do seu funcionamento que são profundamente mesquinhas, rançosas, desumanas, inconfessáveis. Infelizmente, por mais que nos custe admiti-lo, mesmo em expressão da nobreza da sua missão e da formação (que devia ser académica, cívica e ética) dos seus agentes ou, pelo menos, da maioria deles, isso também acontece nas universidades.
A mensagem que reproduzo abaixo, no que diz e no que não diz, é expressão de desespero, de revolta contra injustiças várias e contra a desumanidade que vai grassando nalgumas instâncias de “poder” dentro da organização “interpelada” e é um apelo directo a alguém externo para que ajude a que se faça justiça e se respeitem direitos que a organização devia cuidar sem precisar que lhe chamassem a atenção para eles ou a chamassem à razão, por diferentes vias. Reproduz-se parcialmente a dita mensagem, para não ser mais chocante:
Exmos. Senhores
Instituto Nacional de […]
Sou professora na […] e tive uma doença grave há dois anos atrás de que não me libertei ainda definitivamente. Cumpri integralmente a minha carga horária até ao momento, tendo optado por não dar a informação no local de trabalho sobre a minha doença, apesar dos tratamentos diários que fiz na altura.
No entanto, no ano passado sobrecarregaram-me ainda mais em termos lectivos (a lei prevê que seja de 6 a 9 horas lectivas o serviço semanal, devido às restantes tarefas que temos, nomeadamente, a investigação). No ano passado tive 12,15 horas de aulas semanais (sendo a mais sobrecarregada em termos lectivos do meu departamento) e este ano continuo a ser uma das mais sobrecarregadas.
Há dois meses atrás e visto que a entidade patronal não me respondia de forma satisfatória ao pedido que fiz no ano passado (por volta de Abril) de redução de carga horária (acomodando-a ao estabelecido na lei), optei por dar conhecimento da minha situação de saúde, pedindo que me fosse reduzida a carga horária por questões de saúde, ainda que tenha esse direito sem estar doente. Neste momento, e visto que não me resolvem o problema, apesar de ter juntado parecer clínico do […] do Porto e carta da minha Médica de Família, que menciona que "Atendendo à evolução clínica da doença […] de que sofre não deverá exceder a carga horária laboral prevista na lei, podendo inclusivamente necessitar de maior redução sempre que clinicamente se justificar", gostaria de saber o que posso fazer para que me reduzam a carga horária.
Junto envio a carta que enviei ao senhor reitor e a resposta dada pelo mesmo e o que decidiram […] em reunião do meu departamento. Neste último caso, nem sequer equacionaram a possibilidade de me reduzirem a carga horária.
O segundo semestre lectivo começa na próxima segunda-feira e não sei o que fazer.
Aguardando uma resposta o mais breve possível, subscrevo-me com os melhores cumprimentos. […]
.”
Mesmo não se conhecendo a pessoa em causa (e numa organização como uma universidade de dimensão média (à escala portuguesa) não haverá ninguém que conheça, trespassa na mensagem a angústia, a desesperança, a impotência de quem a escreveu. Se ao texto adicionarmos os relatórios médicos, ficam claros os princípios e a postura que regem quem “conduziu” e fez arrastar no tempo a adequada consideração deste assunto.
Neste caso, é um departamento e uma escola/instituto que são interpelados em primeiro lugar mas, bem vistas as coisas, quem acaba por ser interpelado é a universidade em causa no seu todo, que permite e que contemporiza com estas injustiças e estes actos que, como sublinhei, são publicamente inconfessáveis. É assim tanto mais que se percebe que interpelado o reitor da dita universidade, este se limitou a assobiar para o lado.
Não vos falo das palavras mansas que se escutam quotidianamente das bocas dos intérpretes destas acções. Não vos falo dos valores que dizem defender e que não se coíbem de ir para a praça pública enunciar. Deixo-vos apenas o meu protesto “público” e a veemência do meu repúdio.
Não é caso único (na sua natureza). Não é só da escola/instituto da universidade que aqui invoco que vêm esta mesquinhez e esta desconsideração pela saúde e pelas pessoas. A minha revolta e o meu repúdio não são menores, por isso. Pelo contrário, são ainda muito maiores.

J. Cadima Ribeiro

An idea whose time has come

"An invasion of armies can be resisted, but not an idea whose time has come."
Victor Hugo

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 15, Issue 655 - 2011, http://www.sbaer.uca.edu/)