Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

sábado, novembro 19, 2011

Notícias da UMinho e não só: "preocupação sobre a atual situação financeira do AveParque"

«Seguidamente, o Professor Cadima Ribeiro referiu que compreendia a dificuldade sentida pelo Reitor na questão dos numerus clausus, porque enquanto Diretor do Departamento de Economia da EEG se tem apercebido dessa realidade. [...] Por fim, manifestou preocupação com a atual situação financeira do AveParque, devido aos interesses e investimentos que a UMinho tem naquela entidade.»

(excerto de projecto de Ata Nº 06/2011, de reunião do Conselho Geral da Universidade do Minho, realizada aos vinte e seis dias do mês de Setembro de dois mil e onze, pelas nove horas e trinta minutos)

"Uma política furtiva"

Notícia Correio do Minho
Adriano Moreira: “A fronteira da pobreza atravessou o mediterrâneo”:
http://www.correiodominho.pt/noticias.php?id=56612
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quinta-feira, novembro 17, 2011

Notícias da UMinho, isto é, mais notícias de coisas tristes

A Praxe é Isto!


(título de mensagem, datada de Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011, disponível em O melhor para a universidade)

quarta-feira, novembro 16, 2011

"Universidades vivem em ´asfixia burocrática`, diz Reitor"

«António Sampaio da Nóvoa critica a "asfixia democrática" actual e faz um apelo ao Governo: "deixem-nos em paz, deixem-nos trabalhar".

António Sampaio da Nóvoa disse hoje que o contrato de confiança assinado com o anterior Governo não vai ser cumprido. "Na actual situação das universidades, os objectivos do Contrato de Confiança não podem evidentemente ser atingidos", declarou Nóvoa no "Fórum de Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa", na Universidade de Lisboa (UL).

O reitor da UL afirmou também que as universidades sofrem de uma "asfixia burocrática" que pode pôr em risco a transmissão de conhecimento para a sociedade. O Contrato de Confiança acompanhava as metas da Estratégia da União Europeia 2020 e previa o aumento do número de alunos nas instituições de ensino superior, mas também vinculava o Estado a transferir mais fundos para as universidades. Perante um cenário de cortes orçamentais, o Contrato de Confiança parece agora ficar sem efeito.

"Há um emaranhado burocrático que pode ser asfixiante para as universidades", critica também António Sampaio da Nóvoa. "É uma verdadeira insanidade que coloca em causa as zonas mais dinâmicas da universidade", acrescenta. O reitor da UL pede que "definidas as regras sobre a organização dos cursos, sobre a avaliação e a acreditação, deixem-nos em paz, deixem-nos trabalhar".

Sampaio da Nóvoa apelou ainda a uma reorganização da rede das instituições do ensino superior e dos cursos para criar a "massa crítica que permita às instituições ter a ciência e o ensino e que possam competir a nível europeu". O reitor sublinhou que "esta malha de universidades não está ao nível de responder aos desafios do século XXI".

Este apelo foi secundado por Adriano Moreira, professor universitário da Universidade Técnica de Lisboa, que participou também no Fórum e que declarou que ""reorganizar a rede vai exigir sacrifícios". O reitor da Universidade de Coimbra (UC), que falava no mesmo painel de António Sampaio da Nóvoa, frisou que "as universidades já só dependem em 50% das transferências do Estado". Mesmo assim, segundo João Gabriel Silva, "o Estado não tem e não vai ter dinheiro para manter o sistema universitário". Resta às universidades encontrar financiamento alternativo, seja dentro do país, seja recorrendo a fundos comunitários, defende o reitor da UC.»

(reprodução de notícia Diário Económico, de 14/11/2011)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, novembro 14, 2011

Comunicado do SPN: "António Nóvoa sem papas na língua"

«Caros colegas,
Na 3ª Conferência Nacional do Ensino Superior e da Investigação da FENPROF, António Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, produziu uma intervenção muito importante, no contexto da grave situação que o país e o Ensino Superior vivem.
Fez uma caracterização de 3 fracturas ocorridas no passado recente, tendo criticado “o desinteresse dos governos pelas Universidades” e denunciado que “não há estratégias de mudança mas sim de controlo”.
Criticou ainda “a forma resignada como as comunidades universitárias viveram esta ofensiva”, lamentando ainda as fragilidades da “nossa cultura de liberdade” e o silêncio da discussão das matérias que afectam o ensino superior no nosso país.
Afirmou ainda que uma universidade deve ser sobretudo “uma escola de liberdade”.
A sua intervenção completa encontra-se, em texto e em vídeo, em www.fenprof.pt/superior.
Cordiais Saudações Académicas e Sindicais
O Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF
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24 de Novembro – GREVE GERAL

Serviço de Apoio ao Departamento de Ensino Superior do SPN
Tel.: 22 60 70 554 / 00
Fax: 22 60 70 595 / 6»

(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

domingo, novembro 13, 2011

"Professores aderem à greve geral de 24 de Novembro"

"O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) vai aderir à greve geral de 24 de Novembro, disse à Lusa o presidente da estrutura sindical, que tem previstas outras ações de protesto até ao final do ano.
Contactado pela Lusa, o presidente do SNESup adiantou que o conselho nacional do sindicato decidiu avançar com um pré-aviso de greve específico para o ensino superior coincidente com o dia da greve geral, ou seja, a 24 de Novembro.

De acordo com António Vicente, ficou também definido que até ao final do ano iriam ser levadas a cabo outras acções de luta, nomeadamente a paralisação de actividades nas instituições ou «a ocorrência de momentos simbólicos que chamem a atenção para as condições que docentes e investigadores têm para desenvolver o seu trabalho».

A reunião do conselho nacional do SNESup decorreu sábado à tarde frente ao Ministério da Educação, no final de uma concentração simbólica que juntou cerca de 30 docentes e investigadores do ensino superior."

(reprodução de notícia Lusa/SOL online, de 11 de Novembro de 2011)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

sexta-feira, novembro 11, 2011

Notícias dos alunos da UMinho: "Greve Geral na UM"

«O Orçamento de Estado 2011 exige uma resposta por parte de quem sofre os ataques cruéis das medidas de austeridade. Em nome dos direitos laborais e da justiça, foi convocada uma greve geral para dia 24 de Novembro.

Em nome dos direitos de quem trabalha, de quem não tem emprego, de quem tem emprego precário, de quem vê a sua pensão a ser cortada, de quem perde a bolsa estudo, queria deixar um apelo para que todas/os nos juntássemos na próxima segunda-feira, dia 14, às 18h, no Prometeu (Campus de Gualtar), para discutirmos a greve geral e decidirmos o que vamos fazer na UM nesse dia.

Espero ver-te lá!»

(reprodução de mensagem, de distribuição universal na rede da UMinho, que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, emitida por Rui Manuel Leite Antunes - a55786@alunos.uminho.pt)

Ensino básico e secundário: "materiais de apoio devem ter mais qualidade”

Notícia Correio do Minho
Fundação Francisco Manuel dos Santos: Visão limitada sobre ciência:
http://www.correiodominho.pt/noticias.php?id=56241
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quinta-feira, novembro 10, 2011

"Universidade de Coimbra fecha se houver mais cortes"

"O Reitor da Universidade de Coimbra afirmou hoje que a instituição encerrará em 2013 se o Governo continuar os cortes orçamentais e acrescentou que condicionar autonomia universitária significa ainda maior agravemnto do défice do Estado.
«Este corte para 2012 deixa-nos no absoluto limiar de funcionamento com um mínimo de dignidade, mas sem margem nenhuma. Em 2013 um corte equivalente ao de 2012 fecha a Universidade de Coimbra», afirmou, à margem da cerimónia de tomada de posse do diretor da Faculdade de Economia, José Reis.
João Gabriel Silva disse não ser compreensível que o Governo introduza idênticos cortes orçamentais em sectores que geram défice e em sectores que não geram défice, que é o caso do ensino superior em Portugal.
«As universidades actualmente, como a Universidade de Coimbra, só pagam metade dos seus custos com as transferências do Orçamento de Estado, e não podemos ser tratados da mesma forma que outros sectores que apenas geram buracos orçamentais», sublinhou.
Para João Gabriel Silva, esta situação assume contornos mais graves com uma proposta incluída no Orçamento do Estado para 2012 que é «o quase fim da autonomia universitária», e que irá condicionar a capacidade de angariar receitas externas.
«Se nos retiram autonomia e nós não conseguimos angariar receita isso vai agravar o défice. Nós temos de ir à luta todos os anos», para reunir os montantes financeiros, «que são já superiores às transferências do OE», para poder funcionar, acentuou.
Para João Gabriel Silva, «se não dão o peixe, mas também não deixam utilizar a cana de pesca» para que cada instituição possa «arranjar o seu próprio peixe», o ensino superior vai gerar um buraco orçamental que não gera há décadas.
«O Estado vai ter um problema onde não o tinha por nos manietar. Esperamos que haja a clarividência e sensatez para retirar essas limitações» à autonomia universitária, sustentou.
Na sua perspetiva, pode-se colocar a questão «se a boa gestão é bem vinda em Portugal», «se o Governo tem capacidade e interesse em distinguir as situações, ou se trata tudo por igual», a boa e a má gestão.
«Temos de saber, e o Governo tem de saber, se é tudo por igual. Se não fizer distinções não vejo esperança para o país», concluiu.
O reitor da Universidade de Coimbra referiu que a sua instituição sofre no próximo ano um corte de 20 milhões de euros num montante de transferências que se situava nos 80 milhões de euros. Oito milhões de euros são cortes diretos de funcionamento, e 12 milhões pela retirada dos subsídios aos funcionários."

(reprodução de notícia Lusa/SOL online, de 9 de Novembro de 2011)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, novembro 09, 2011

"Embaratecer ´universidade é pisar o risco vermelho`"

"O professor universitário José Reis afirmou hoje que o Governo «está a pisar um risco vermelho» ao querer embaratecer a universidade, ao mesmo tempo que reforça as verbas para o ensino secundário privado.
«Nós temos todas a medidas contraccionistas no Orçamento de Estado e o Governo assinou um protocolo com as instituições particulares do ensino não superior reforçando-lhe as verbas», salientou o docente da Universidade de Coimbra, que hoje tomou posse para mais um mandato de director da Faculdade de Economia.
Questionou o Governo sobre se ao fazer elevados cortes nas transferências para o ensino superior [o Executivo estará] «a pensar que a Universidade pode ser no futuro algo actrativo para outros», alegando que «há muita gente interessada» nestas instituições.
«Isto é uma medida profundamente ideológica», sustentou, reportando-se ao reforço das verbas para instituições particulares de ensino.
«Não admira, por o ministro da Educação ser um ideólogo do cheque-ensino», sublinhou.
Na sua perspectiva, trata-se da «forma rápida de destruir o serviço público de educação».
José Reis diz que o actual Governo tem tomado medidas que, «para além de iníquas, são também desestruturadoras».
Diz que se percebe «o que se está a desfazer, mas ainda ninguém disse com clareza o que se está a pretender construir».
O docente da Faculdade de Economia de Coimbra, e antigo secretário de Estado, realça que se se pretendesse reconstruir a sociedade, e se os cidadãos o soubessem, mais facilmente se atingiriam os necessários consensos.
Recorda que isso aconteceu no passado, em que foram pedidos sacrifícios aos portugueses, mas que a sociedade percebia o que se pretendia com eles, o que agora não acontece.
No discurso da tomada de posse como director da Faculdade de Economia de Coimbra, para um novo mandato, exortou os presentes a não «cair na tentação» de partilhar a ideia de que a actual crise possa ser uma oportunidade.
Salientou que «tornar a Universidade barata é o caminho rápido para a desconstruir» e que, por isso, é preciso agir para que daqui a 30 anos não se tenha de reconhecer que não foi feito tudo para defender a Universidade criada com a democracia."

(reprodução de notícia Lusa/SOL online, de 9 de Novembro de 2011)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, novembro 08, 2011

VII Congresso IberoAmericano de Docência Universitária - "Call for papers"

«VII Congresso IberoAmericano de Docência Universitária (CIDU)
Ensino Superior – Inovação e qualidade na docência
24 a 27 Junho 2012
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto

O VII Congresso IberoAmericano de Docência Universitária, subordinado ao tema geral Ensino Superior – Inovação e qualidade na docência, vai realizar-se na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, de 24 a 27 de Junho de 2012. Trata-se de uma organização conjunta da FPCEUP e da Associação IberoAmericana de Didáctica Universitária (AIDU), que tem levado a efeito estes eventos de dois em dois anos, no universo iberoamericano.
A disseminação do Ensino Superior como condição de sucesso das políticas de desenvolvimento é uma realidade em construção em todos os países da Ibero-América. Se em alguns países a questão fundamental é ainda o acesso, tal facto não pode esconder a necessidade de garantir o sucesso dos alunos no Ensino Superior, independentemente das suas condições económicas de base, a todos os que lá acedem, não apenas porque isso é uma condição de justiça social, mas também porque essa é uma condição de eficácia, qualidade e até de sobrevivência das instituições de ensino superior. Pensamos que a inovação da docência se joga nesse contexto.
O VII Congresso IberoAmericano de Docência Universitária, que se organiza em Portugal pela primeira vez, tem como seu primeiro objectivo pensar esse desafio da inovação pedagógica como factor de da qualidade e credibilidade das Instituições Universitárias, a partir das condições objectivas que o tornam possível, dez anos depois de Bolonha.

São objectivos do Congresso:
· Permitir a reflexão e o debate acerca da promoção da inovação docente como condição da excelência universitária e face aos desafios que se colocam às universidades no século XXI.
· Favorecer a troca de experiencias de ensino e aprendizagem entre os profissionais de diversas especialidades, comprometidos com a melhoria da inovação e da qualidade da docência.
· Fomentar o desenvolvimento de redes e comunidades de aprendizagem capazes de criar sinergias entre as estruturas e os agentes educativos em países latinoamericanos e europeus.
. Analisar o impacto do processo de Bolonha na Inovação e na qualidade da Docência.
· Fazer do Congresso um espaço de debate e avanço do conhecimento pedagógico disponível, alargado a todas as áreas de saber Universitário.
O evento terá duas línguas oficiais, o português e o espanhol.

Datas importantes
06.2011 - Anúncio do Colóquio
15.12.2011 - Data limite de submissão de propostas de comunicação; posters; fóruns de discussão; simpósios auto organizados.
29.02.2012 - Data de comunicação aos proponentes sobre o resultado das propostas
15.03.2012 - Data limite de inscrição com taxa reduzida
30.04.2012 - Data limite de inscrição sem taxa reduzida
30.04.2012 - Data final de envio dos textos
09.06.2012 - Data de publicação do programa incluindo as comunicações livres»

(reprodução integral de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, da entidade identificada)

segunda-feira, novembro 07, 2011

"CFP ~ Integrating Research, Education, and Problem Solving"

«As you know, there is a growing academic and societal need for the integration of academic activities among themselves and with Society, including private and public sectors. An increasing number of academics have noticed the importance of integrating Research, Education, and Problem Solving among themselves and with societal and corporate real life problems.
To address these integrating processes is the purpose of the 2nd International Symposium on Integrating Research, Education, and Problem Solving: IREPS 2012
to be held in Orlando, Florida, USA, on March 25 - 28, 2012, jointly with ICETI 2012
ICSIT 2012
and IMCIC 2012
The submission deadline for the four collocated events is November 23rd, 2011.
We would like to invite you to submit an extended abstract or a draft paper as a contribution to this important Symposium (or to any of its collocated events). Your contribution may be oriented to how any kind of partial or global integration might be done and/or why it is important or useful to be done. You can address via reflection why it should be done, or via reflective practice how it might be effectively achieved. Submissions related to Case Studies are also accepted, as well as Action Research in how to achieve some specific or general integration of academic activities.
Please, check the web site for acceptance and camera ready deadlines, as well as for details with regards to awards for best papers, two-tier peer reviewing, journal publication of the best 20% of the presented papers, technical keynote speakers, virtual participation, invited sessions organization, etc.
Some of the suggested topics are the following:
• Relationships between research and teaching. Teaching via collaborative research.
• Relationships between research and practice or consulting
• Relationships between teaching and practice or consulting
• Integrating research, teaching and consulting or practice
• Relationships between academic informing sciences and informing engineering
• Integrating Informing Science and Informing Engineering
• Action research applied to academic activities
• Research design
• Academic systems engineering
• Educational systems engineering
• Organizational engineering applied to educational or research organizations.
We hope we can count on your contribution in such an important issue,

IREPS 2012 Organizing Committee»

(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sábado, novembro 05, 2011

"Vários cursos não serão acreditados"

Notícia TVI24
Muitos cursos superiores podem acabar em breve:
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/universidade-ensino-superior-tvi24/1295748-4071.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

sexta-feira, novembro 04, 2011

PRAXES: "PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 120/XII/1.ª"

«RECOMENDA AO GOVERNO MEDIDAS QUE DESENCORAJAM PRAXES VIOLENTAS E QUE APOIAM OS ESTUDANTES VÍTIMAS DESSAS PRAXES

Todos os anos assistimos em muitas instituições de ensino superior, público e privado, a praxes violentas, como se o momento de entrada no ensino superior fosse um momento de excepção, onde tudo é permitido.
Nos últimos dez anos multiplicaram-se os casos de violência associados às praxes de Norte a Sul do país. Alguns destes “abusos” chegaram mesmo às páginas dos jornais, oferecendo visibilidade a uma realidade que vai muito para além dos casos conhecidos.
De facto, em 2003, a aluna do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros, Ana Sofia Damião, denunciou as agressões a que havia sido sujeita durante as praxes. A instituição de ensino decidiu na altura defender os agressores e, posteriormente, sancionar tantos os agressores como a agredida de igual forma, defendendo corporativamente a violência.
Em Março do mesmo ano Ana Santos, da Escola Superior Agrária de Santarém, também denunciou a violência das praxes a que foi sujeita, realizando uma queixa na polícia e escrevendo uma carta ao Ministério Público. Neste caso, o presidente do Conselho Directivo abriu um inquérito sobre o sucedido mas, simultaneamente, deu uma entrevista à revista Visão onde defendia que também ele tinha recebido “bosta no corpo” e que era essa a tradição daquela escola agrária.
Já em 2004 veio a público um caso bastante mais grave. Diogo Macedo, aluno da Universidade Lusíada de Famalicão, faleceu no hospital após uma praxe da tuna daquela instituição. A Universidade Lusíada de Famalicão não abriu qualquer inquérito e fez saber que qualquer aluno que prestasse declarações à imprensa sobre o sucedido seria expulso. Nunca se veio a conhecer o que aconteceu naquela praxe e o processo judicial foi arquivado. A família do Diogo Macedo até hoje não teve respostas das autoridades.
A 28 de Novembro de 2006, um estudante da Escola Superior Agrária de Coimbra ficou paraplégico como resultado de uma praxe. A escola lamentou o sucedido e o Ministério com a tutela do Ensino Superior na altura apelou à responsabilidade das instituições, mas nunca foi aberto nenhum processo judicial ou cível e a culpa morreu, de novo, solteira.
No mesmo ano em Elvas, um outro aluno ficou também paraplégico depois de um acidente numa praxe académica. Neste caso os organizadores da praxe alegaram que o aluno tinha participado de livre vontade e a faculdade rejeitou qualquer responsabilidade, apesar do acidente ter ocorrido nas suas instalações.
Já em 2011, os jornais deram conta de uma aluna do primeiro ano da Academia Militar do Exercito que foi internada devido à violência de uma praxe nas instalações da Escola, na Amadora.
Os exemplos repetem-se e são a face visível de que não se tratam de “casos” ou “abusos” pontuais, mas sim de uma cultura de violência inerente à prática da praxe. Subjacente a estas práticas detectamos uma hierarquia inventada e arbitrária, que se instala entre alunos e alunas duma mesma escola, alimentando todo um sistema de obediência de uns mais “fracos” para com outros mais “fortes”.
Durante vários anos as instituições de ensino superior, públicas e privadas, contribuíram para a banalização das praxes, incluindo-as nas cerimónias oficiais, dando relevo às chamadas “Comissões de praxe” ou “Conselhos de Veteranos” e referindo-as na sua propaganda destinada aos alunos.
Em Abril de 2008, na sequência de um conjunto vasto de requerimentos do Bloco de Esquerda a instituições do ensino superior, bem como da discussão do Projecto de Resolução n.º 254/X/3.ª, que o mesmo partido apresentou, no sentido de recomendar a criação de gabinetes e linha verde de prevenção da violência das praxes e de apoio às vítimas dessas práticas., a Comissão de Educação e Ciência aprovou o relatório intitulado “As praxes académicas em Portugal”. Este relatório, que recebeu 38 contribuições de instituições do ensino superior de todo o país, realizava a resenha histórica da praxe e propunha medidas de apoio aos estudantes vítimas de praxes violentas e de responsabilização das Universidades.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior da X Legislatura, observando as propostas da Comissão de Educação e Ciência, enviou às instituições de ensino superior um memorando onde informava os Conselhos Directivos que seriam responsabilizados caso ocorressem problemas na sequência de praxes nas suas escolas. Em resposta, muitos Conselhos Directivos decidiram proibir as praxes académicas no interior das universidades e politécnicos.
Assim, as praxes académicas mantêm hoje os moldes autoritários e potencialmente violentos mas ocorrem na via pública, fora das instalações das universidades e politécnicos. Esta mudança do local onde ocorre a praxe não solucionou nenhum dos problemas que foram apontados pela Comissão de Educação e Ciência em 2008, não ajudou a proteger as vítimas de praxes violentas, desresponsabilizou os Conselhos Directivos das escolas e aumentou a insegurança a que os alunos que participam nas praxes estão sujeitos.
Deste modo, o Bloco de Esquerda considera que se devem retomar as propostas apresentadas em 2008, de forma a evitar que, de novo, aconteçam casos de violência nas praxes, com prejuízo dos alunos e alunas do Ensino Superior.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
1. A realização de um estudo nacional sobre a realidade da praxe em Portugal, levado a cabo por uma equipa multidisciplinar de uma instituição de ensino superior pública, financiado pelo Ministério da Educação e Ciência e cujos resultados sejam públicos e tornados acessíveis on-line.
2. A produção e divulgação pelo Ministério da Educação e Ciência de um folheto informativo sobre a praxe no meio estudantil, a ser distribuído no acto das candidaturas em cada instituição de ensino superior do país.
3. A criação de uma rede de apoio aos estudantes do ensino superior que permita acompanhamento psicológico e jurídico aos estudantes que solicitem apoio e que denunciem situações de praxe violenta ou não consentida, disponível no sítio da internet do Ministério da Educação e Ciência.
4. Uma recomendação por escrito dirigida aos órgãos directivos das escolas no sentido de estes assumirem uma postura que não legitime as práticas de praxes violentas no interior ou no exterior das instituições de ensino superior, nomeadamente em todas as cerimónias oficiais das escolas.

Assembleia da República, 2 de Novembro de 2011.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,»

(reprodução integral de projecto de resolução da iniciativa do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, novembro 03, 2011

"Barreto quer Universidades a ocuparem-se ´dos problemas do país`”

«Sociólogo na cerimónia de aniversário da Universidade Nova de Lisboa
O sociólogo António Barreto defendeu hoje que as universidades devem devolver o investimento que o País lhes proporciona, o que considera não ter acontecido até agora.
Falando aos jornalistas no final da cerimónia do 38.º aniversário da Universidade Nova de Lisboa, em que foi orador convidado, o ex-ministro propôs que as instituições do ensino superior passem a "ocupar-se dos problemas do País".
Deu exemplos de grandes projectos, como o TGV, o plano energético ou o novo aeroporto, onde as universidades não estiveram envolvidas "ou participaram pouco ou nada".
Barreto propôs ainda que as universidades passem a planear a 20 ou 30 anos, e não apenas no curto prazo, de dois ou três anos, como actualmente, quando um aluno começa um curso e não sabe se, quando o terminar, "vai ter saída" profissional.
Para isso disse ser necessário que as instituições universitárias nacionais se entendam e planeiem o futuro em conjunto.
Um dos objectivos é evitar repetir o erro que cometeram ao criar "centenas de cursos inúteis" nos últimos anos, salientou.
E defendeu a valorização cultural em vez da especialização, afirmando que a Universidade deve dar as ferramentas para os alunos pensarem.
O reitor da Universidade Nova, António Rendas, por seu lado, disse que a instituição que dirige deve "competir mais a nível internacional", uma das suas prioridades a par do financiamento.
Garantiu que a Universidade Nova tem sido "frugal" nos gastos e considerou que o ensino superior não é uma prioridade no actual estado de crise profunda vivida no País.

(reprodução de notícia Público online, de 03.11.2011
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, novembro 02, 2011

"Já que desistiu de lutar pelos nossos jovens, tome o passo seguinte: demita-se!"


(título de mensagem, datada de Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011, disponível em Prálem d`Azurém)

2ª edição da Conferência Anual - ´Rethinking Educational Ethnography. Researching on-line communities and interactions`

«Informação Call for papers 1 - Novembro 2011

Caros/as sócios/as:
1. Está aberto o call for papers para a 2ª edição da Conferência Anual - Rethinking Educational Ethnography. Researching on-line communities and interactions, este ano com a colaboração da SPCE - Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação.
Para mais informações pesquisar em:


2. Está aberto o call for papers para o colóquio "Revisitar os Estudos Curriculares – Onde estamos e para onde vamos?" Para acesso como autor, siga a hiperligação: http://conf.afirse.ie.ul.pt/openconf.php [1]

Para mais informações consulte a página: http://afirse.ie.ul.pt

3. De 15 de Novembro a 1 de Fevereiro está aberto o call for papers para submissão de propostas a apresentar à European Conference on Educational Research (ECER) que terá lugar de 17 a 21 de Setembro de 2012 na Universidade de Cadiz sob o tema The Need for Educational Research to Champion Freedom, Education and Development for All. Lembramos que pelo facto de ser membro da SPCE tem redução no valor da inscrição.

Para mais informações consulte a página:


(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, novembro 01, 2011

That has made all the difference

"Two roads diverged in a wood, and I - I took the one less traveled by, and that has made all the difference."

Robert Frost

(citação extraída de SBANC Newsletter, November 1, Issue 693 - 2011, http://www.sbaer.uca.edu)