Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

quinta-feira, junho 21, 2012

"Professores vestidos de luto contra o corte dos subsídios"

«Esta tarde, os professores vestem-se de luto numa ação de protesto contra o desemprego e o corte do subsídio de férias
Faixas pretas vão ser colocadas nas escolas de todo o país.
Foi a forma escolhida pela Fenprof para assinalar um ano de Governo. Às 16h, junto à enorme bandeira nacional que se ergue no alto do Parque Eduardo VII, os professores - que foram chamados a vestir-se de preto - vão "mostrar ao mundo" a situação do desemprego em Portugal e, em particular, no sector docente.
Segundo dados da federação, o desemprego entre os professores subiu, este ano, 60% no ensino básico e 137% no secundário e superior. Números extraordinários que serão denunciados ao mundo, segundo a Fenprof, numa ação simbólica que será traduzida em inglês, alemão, espanhol, grego, russo, chinês, finlandês e esperanto.
O objetivo é criar uma nuvem negra do desemprego que "ensombre a bandeira portuguesa". Ainda hoje e até ao final da semana, os professores vão colocar faixas pretas em todos os estabelecimentos de ensino do País, como forma de protesto contra o corte do subsídio de férias dos funcionários públicos que, normalmente, seriam pagos nesta altura do ano.
Amanhã, sexta-feira, será a vez dos sindicatos da Função Pública afectos à CGTP organizarem uma manifestação. Em Lisboa, o protesto sairá da Praça do Príncipe Real em direção à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento.
No caminho, frente ao Tribunal Constitucional, os manifestantes farão uma paragem para protestarem igualmente contra o corte dos subsídios de férias e de Natal. Na altura, está previsto que os manifestantes desenrolem cachecois brancos, onde se pode ler "Devolvam-nos os subsídios".»
(reprodução de notícia EXPRESSO online, de 21 de Junho de 2012 - Rosa Pedroso Lima - www.expresso.pt)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, junho 20, 2012

"Ensino Superior. Ministro diz que sucesso escolar vai ser critério na atribuição de bolsas"

«O Ministério da Educação e Ciência vai introduzir o critério de sucesso escolar na atribuição de bolsas de estudo para o Ensino Superior, anunciou hoje o ministro da Educação, Nuno Crato.
"As condições são mais apertadas num aspeto, que é o da exigência do sucesso escolar. Nós queremos que os jovens que recebem essas bolsas se empenhem no estudo", afirmou o ministro em Castelo Branco, à margem de uma visita à Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental.
Segundo Nuno Crato, este ano será introduzido pela primeira vez o critério de sucesso, "que é de 50 por cento do sucesso do ano anterior".
No próximo ano essa percentagem subirá para os 60 por cento, reforçando assim a exigência de sucesso escolar na atribuição de bolsas de estudo.
O Ministério da Educação e Ciência estabeleceu que o próximo período de candidaturas decorre de 25 de junho, até final de setembro.
A informação sobre as candidaturas para o ano letivo 2012/2013 foi publicada na página de Internet da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), na sequência de "um conjunto de solicitações" para aperfeiçoar o regulamento.
De acordo com a informação publicada, foram tidas em conta recomendações formuladas pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), pela Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado (APESP) e por associações de estudantes.
Na informação publicada lê-se que foi revisto o regulamento, estando em fase de conclusão a audição das entidades envolvidas nesta matéria.»
(reprodução de notícia JORNAL i online, de 19 Jun 2012)
[cortesia de Nuno Soares  da Silva]

Ask five economists…

"Ask five economists and you'll get five different answers - six if one went to Harvard."
Edgar R. Fiedler


 (citação extraída de SBANC Newsletter, June 19, Issue 721 - 2012, http://www.sbaer.uca.edu)

sábado, junho 16, 2012

"Instituto Politécnico de Leiria baixa propinas dos mestrados até 25%"

"O Instituto Politécnico de Leiria vai baixar a propinas dos mestrados até 25 por cento, no quadro das medidas de apoio aos estudantes que visam garantir a permanência destes nos cursos, anunciou hoje aquela instituição.
«O Instituto Politécnico de Leiria (IP Leiria) decidiu hoje, em Conselho Geral, baixar as propinas dos mestrados até 25 por cento, no âmbito das medidas de apoio destinadas a garantir o princípio de que nenhum estudante deixe de continuar estudos por falta de condições económicas», refere a instituição, num comunicado hoje divulgado.
No âmbito das mesmas medidas, refere ainda a nota, o IP Leiria «deliberou manter o valor das propinas das licenciaturas, que não sofrerão assim qualquer agravamento no ano letivo 2012/2013, mantendo também as atuais condições de pagamento faseado».
A instituição garante que «a política de apoio social, em conjunto com o esforço das famílias, tem permitido manter as taxas de incumprimento ao mesmo nível do ano anterior».
Os Serviços Académicos do IP Leiria identificaram 713 estudantes em situação de incumprimento (dados atualizados a 15 de junho de 2012), 653 no 1.º ciclo e 60 no 2.º ciclo, correspondente a 7,3 por cento dos estudantes inscritos 2011/2012.
«Existem ainda 504 estudantes com planos de pagamento especiais ativos, o que significa que renegociaram a forma de pagamento das suas propinas, e não estão, por isso, em incumprimento», assinala o comunicado.
Em Dezembro do ano passado, o IP Leiria formalizou o Fundo de Apoio Social ao Estudante (FASE), ao qual recorreram já 266 alunos, «mas este é um número com tendência crescente, tendo em conta o atual contexto»." 
(reprodução de notícia Lusa/SOL  online, de 15 de Junho de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, junho 14, 2012

Faculdade de Letras da UCoimbra: uma mensagem curiosa que me caiu entretanto na caixa de correio

«12/06/2012
1.º Fato: Três funcionários da Secretaria de Assuntos Académicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra expulsaram violentamente uma aluna, seguindo ordens da direção da faculdade que mais uma vez não aceitou a reclamação desta aluna expulsa do Doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura, nomeadamente no Livro de Reclamações / Livro Amarelo da mesma, apesar de a lei nacional o exigir!
2.º Fato: A Secretaria de Assuntos Académicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra confirmou à PSP, que a aluna expulsa chamou, que se recusou a cumprir a lei!
3.º Fato: A ASAE vai ter que sancionar Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com uma multa de até 30.000 Euros!
1.º Resultado: A cópia que a lei obriga a universidade a enviar para o gabinete do membro do Governo que a tutela foi enviada diretamente pela aluna: 1 a 0 para a aluna!
2.º Resultado: A cópia que a lei obriga a universidade a enviar para o membro do Governo que tutela a Administração Pública foi enviada diretamente pela aluna: 2 a 0 para a aluna!
3.º Resultado: A cópia que a lei obriga a universidade a entregar à aluna, a aluna já a tinha escrita no seu computador: 3 a 0 para a aluna!
4.º Resultado: A ASAE vai ter que sancionar a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com uma coima até 30.000 Euros: 4 a 0 para a aluna!
5.º Resultado: Depois de ter causado a ida do reitor da Universidade de Coimbra ao DIAP agora aguarda-se que seja a vez do diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: 5 a 0 para a aluna!
6.º Resultado: A aluna expulsa do Doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura prova mais uma vez que a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra se considera acima da lei e se recusa a cumpri-la, e desta vez fica com um vídeo gravado e Agentes da PSP como testemunhas para usar nos vários processos que move contra a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra por a ter expulsado do Doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura, e a aluna só gastou 20 Euros na viagem e algum tempo para conseguir tudo isto: 100 a 0 para a aluna!»

(reprodução do corpo principal de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente de zecaafonsocoimbra@gmail.com)

"Presidente do CRUP considera despacho importante"

«O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Rendas, considerou hoje que o despacho governamental sobre as vagas no Ensino Superior pode ser "importante como um...

Em declarações à Agência Lusa, indicou que o congelamento do número de vagas e cursos por instituição é o que tem sido feito nos últimos anos e destacou a "novidade" do fator da empregabilidade na concessão de vagas extraordinárias para certos cursos, frisando, no entanto, que para as universidades, o que mais importa é "a qualidade da formação".
"É essencial que seja de muita qualidade, isso é prioritário para as universidades", garantiu.
Quanto às recomendações feitas às universidades, para arranjarem dentro das vagas que já têm espaço para mais alunos em cursos de Ciências, Matemática, Informática e Engenharia e para reduzirem em pelo menos 20 por cento as vagas em educação de infância e professores do ensino básico, o reitor da Universidade Nova de Lisboa afirmou que as instituições estão à vontade para o fazer.
"É uma área onde temos capacidade de resposta e pode ser importante como um sinal para a reorganização da rede, que é evidente que tem que passar por muitas outras coisas", apontou.
Em relação à empregabilidade que tem que ser calculada com base nos números dos inscritos nos centros de emprego por curso/instituição, o presidente do CRUP afirmou que não é um método exaustivo, mas será o único possível de adotar em larga escala.
Referiu ainda que mais importante que as vagas é a qualidade dos cursos: "vai depender das instituições poderem valorizá-los".
António Rendas afirmou que no topo das preocupações dos reitores está o "financiamento", reiterando que "não será possível continuar a manter a qualidade do que as universidades fazem com cortes que se situam a níveis semelhantes" aos dos últimos anos letivos.
"O mais correto seria manter o mesmo nível de financiamento", referiu.»
(reprodução de notícia DIÁRIO DE NOTÍCIAS online, de 2012-06-14)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quarta-feira, junho 13, 2012

"Vagas congeladas no Ensino Superior"

«Governo impõe às instituições a prova da empregabilidade dos cursos.

O Governo congelou o número de vagas para cursos do Ensino Superior para o próximo ano letivo, que não vão aumentar em relação a 2011-2012, a menos que as instituições consigam provar a empregabilidade dum curso.
O despacho que regulamenta a fixação das vagas para o Ensino Superior foi publicado terça-feira à noite na página da Direção-Geral de Ensino Superior (DGES) e determina que o número de vagas para cada universidade ou politécnico "não pode exceder a soma das vagas fixadas para essa instituição para o ano letivo de 2011-2012".
A DGES poderá autorizar mais vagas em "situações particulares": quando as instituições consigam provar que os alunos de um determinado curso têm menos probabilidades de ir parar ao desemprego.
O Governo recomenda às universidades e politécnicos que "redistribuam" as vagas que têm disponíveis para poderem aumentar o número de alunos nos cursos de "Ciências, Matemática, Informática e Engenharia".
"Excesso de oferta" nos cursos de professor do ensino básico e educação de infância
Por outro lado, impõe às universidades e politécnicos que reduzam em pelo menos 20% o número de vagas nos cursos de professor do ensino básico e educação de infância, onde identifica "excesso de oferta".
Devem também ser reduzidas as vagas nos mestrados de habilitação profissional para a docência. Nos cursos de Medicina, a oferta em 2012-2013 deve ser igual à deste ano letivo.
No despacho, o executivo diz ainda às instituições de ensino superior que não devem ter no próximo ano letivo mais cursos do que tiveram este ano, salvo um conjunto de exceções, como sejam cursos lecionados à distância.
O Governo decidiu também que não serão financiadas novas admissões em cursos que neste ano letivo tenham tido menos de 20 inscrições ou menos de 40 desde o ano letivo de 2009-2010.
Cálculo de empregabilidade 
O despacho impõe também que não podem ser abertos cursos com menos de 20 vagas, a não ser em cursos preparatórios de Artes, ou resultantes de protocolos internacionais, que não sejam financiados pelo Estado ou quando se prove a sua "especial relevância", entre outras exceções.
Para pedirem à DGES a apreciação do aumento de vagas num determinado curso, as instituições terão que provar primeiro que não têm vagas a libertar em cursos que não ficaram completamente preenchidos.
Para o cálculo da empregabilidade, devem usar como referência os números da Direção-Geral de Estatística e Ciência, que registam o número de desempregados por curso inscritos nos centros de emprego.
Deverão provar que "o nível de desemprego nesse curso é inferior ao nível médio de desemprego dos diplomados com um curso superior".
(reprodução de notícia EXPRESSO online, de Quarta feira, 13 de junho de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

Education is…

"Education is a better safeguard of liberty than a standing army."
Edward Everett

(citação extraída de SBANC Newsletter, June 12, Issue 720 - 2012, http://www.sbaer.uca.edu)

terça-feira, junho 12, 2012

"Universidades europeias preocupadas com impacto da crise no seu financiamento"

«A Associação Europeia das Universidades está preocupada com o impacto da crise económica no financiamento do ensino superior europeu.

Reunida na Universidade de Salzburgo, Áustria, desde segunda-feira, e em comunicado emitido esta manhã, a associação sublinha a preocupação quanto às divergências no financiamento às instituições em todo o continente europeu.
Desde 2008, ano em que a associação criou um observatório do financiamento às instituições de ensino superior, que se tem vindo a observar cortes por parte do financiamento público o que leva as universidades a "enfrentar uma série de pressões e desafios". Com menos alunos e menos financiamento, as escolas têm sentido dificuldades em atrair financiamento privado e receitas adicionais. Em Salzburgo discutem-se novas formas de financiamento.
Contudo, estes cortes podem criar profundas divisões em toda a Europa e “provocar a fuga de investigadores talentosos” para outras instituições, condicionando assim a participação das universidades europeias noutros programas de financiamento como os da União Europeia, alerta o observatório.
Helena Nazaré, ex-reitora da Universidade de Aveiro e actual e presidente da associação considera que “é absolutamente fundamental" que a crise económica não eclipse os desafios de longo prazo” e alertou os responsáveis políticos para a importância do financiamento público sustentável nas áreas do ensino superior da investigação. Esse não deve ser visto como despesa, mas como investimento, defende.»
(reprodução de notícia PÚBLICO, de 2012/06/12 -  Carla Romeiro)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

"Metade dos professores portugueses sofre de stress, ansiedade e exaustão"

«Investigadoras do ISPA inquiriram mais de oitocentos docentes de todo o país. A indisciplina e o desinteresse dos alunos, o excesso de carga lectiva e a extrema burocracia nas escolas são os principais motivos apontados.
Luís e Catarina são professores do ensino básico e sentem frequentemente que não conseguem estar à altura do que a profissão lhes exige. Ambos sofrem da chamada síndrome de burnout, um estado físico, emocional e psicológico associado ao stress e à ansiedade que, nos casos mais graves, pode mesmo levar à depressão.
Os dois não estão sós. Segundo um novo estudo conduzido por duas investigadoras do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), metade dos professores portugueses sofre deste distúrbio, que se manifesta mesmo nos níveis mais elevados em 30% dos docentes. O estudo resultou de inquéritos a 807 professores de escolas públicas (a larga maioria) e privadas de Portugal continental e regiões autónomas.
Luís (nome fictício) tem 40 anos, 18 dos quais a dar aulas de Língua Portuguesa e Oficina de Teatro a alunos do 3º ciclo do ensino básico e a leccionar em Cursos de Educação e Formação, destinados a alunos com mais de 15 anos e com um historial de insucesso escolar. Catarina (que também pediu para não ser identificada pelo nome verdadeiro) tem 48 anos e é professora desde 1984. Dá aulas de Língua Portuguesa, Estudo Acompanhado e Formação Cívica no 2.º ciclo, apoia dois alunos com necessidades educativas especiais e é há vários anos correctora de exames nacionais, além de ser directora de turma e coordenadora de ciclo.
"Um grande vazio"
"O sentimento de ansiedade torna-se gradualmente presente, assim como as suas consequências, nomeadamente o recurso prolongado a ansiolíticos", sintetiza Luís, garantindo que há "muitos professores" que recorrem a ajudas de "carácter psicológico e psiquiátrico, que incluem medicação forte".
"Esta é uma realidade observável através dos comportamentos, da forma de andar e falar. As queixas habituais revelam o extremo cansaço e até mesmo um tom de desespero, justificados pelas situações crescentes de indisciplina e desinteresse dos alunos, o que gera um sentimento de impotência e inevitabilidade", explica o docente.
Catarina concorda: "Muitas vezes, a sala de professores parece o muro das lamentações", conta. "A diversidade de tarefas é uma evidência" e "a carga horária é cada vez maior", diz esta professora, que exemplifica ainda com as "as reuniões constantes e intermináveis", "os alunos mais agitados e sem regras" e "os pais e encarregados de educação que "entram" na escola de forma muito negativa". "Inicialmente senti-me angustiada por verificar que a minha verdadeira função estava a ser posta em causa", descreve a professora, salientando que procurou sempre adaptar-se ao que lhe foi sendo pedido. Mas hoje sente "um grande vazio".
De acordo com a investigação realizada por Ivone Patrão e Joana Santos Rita, são sobretudo os professores do sexo feminino, mais velhos e com vínculo profissional que apresentam níveis de burnout superiores. O primeiro aspecto apontado pelos docentes como causa para o distúrbio prende-se com a dificuldade de gestão dos problemas de indisciplina na sala de aula, com a percepção da desmotivação para o estudo por parte dos alunos e pela pressão para o sucesso. O segundo factor relaciona-se com a insatisfação com a carga lectiva que lhes é atribuída, por todas as responsabilidades não-educacionais e pela falta de trabalho em equipa e de suporte das chefias, além da pressão de supervisores no que toca à avaliação de desempenho.
Luís não tem mesmo dúvidas em afirmar que o actual sistema de avaliação de desempenho, que considera "desonesto e injusto", contribuiu decisivamente para o estado em que se encontra e que o leva a questionar cada vez mais o interesse que sente pelo ensino.
As duas investigadoras do ISPA concluíram ainda que os professores do ensino secundário apresentam valores mais elevados de stress e exaustão emocional, sendo também os que mais se queixam de falta de reconhecimento profissional. Além de se sentirem colocados perante níveis de exigência e expectativas superiores para a execução do seu papel, criticam a falta de condições organizacionais nas escolas e a muita burocracia associada à profissão.


Mais intervenção
O estudo, iniciado em 2009, ainda está em curso, salientam ao PÚBLICO as autoras da investigação. "Vamos continuar a recolher dados", diz Ivone Patrão, explicando que falta avaliar, face aos dados já apurados, "quem recorre à medicação e quem está a realizar intervenção psicológica". Joana Santos Rita revela, por outro lado, que agora estão interessadas em perceber quais "os factores e as estratégias que facilitam a resiliência e o envolvimento dos professores que mantêm níveis elevados de bem-estar" profissional.
Apesar da falta de investimento nesta área e de terem consciência de que "é impossível ter um psicólogo em cada escola", as duas investigadoras defendem a necessidade de "dar o salto para a intervenção" através de "metodologias que partam das experiências boas e más dos professores".
Ivone Patrão salienta que os próprios professores inquiridos no estudo apontam "necessidades formativas": 53% querem formação em gestão de conflitos, 22% em competências comunicacionais e 19% em desenvolvimento pessoal. Embora em menor número, há quem também peça formação em actividades mais dirigidas para os alunos ou para a promoção da saúde física e mental dos estudantes.
Joana Santos Rita garante que "esta oferta formativa não existe", mas "cada escola pode definir as suas próprias intervenções". As comunidades de aprendizagem "podem ser o caminho" e "qualquer escola pode ganhar com uma intervenção em grupo", acrescenta Ivone Patrão.
Apesar da "descrença" e do "desânimo", Luís ainda não perdeu a esperança. Considera "que é fundamental continuar a acreditar" que as coisas vão mudar e que vai conseguir "manter interesses e actividades que compensem o sentimento de perda".
(reprodução de notícia PÚBLICO online, de 11.06.2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

sábado, junho 09, 2012

Serviço público: "Avaliação de Competência Docente em Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC)"

«Muito te agradecia o preenchimento deste inquérito e também o seu encaminhamento para mais alguns colegas/amigos ligados ao Ensino Superior. Seguramente que chegarás a mais alguns colegas da Univ. do Minho e de outras Universidades…, em especial da área da Economia (setor da amostra em que temos mais dificuldade em chegar). Desde já muito obrigado! Para a próxima será a tua vez a pedir! Bom fim de semana. Abraço. Bento


Prezado/a Professor/a,
Estamos realizando o estudo "Avaliação de Competência Docente em Tecnologias da Informação e Comunicação: Um estudo Transcultural Brasil - Portugal", a fim de caracterizar o perfil do docente universitário Brasileiro e Português quanto ao uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), mais especificamente o uso do computador e Internet seja no processo de ensino e aprendizagem seja no quotidiano. Este é um projeto apoiado pelas agências CNPq (Brasil) e FCT (Portugal), promovido pela Universidade de São Francisco (USF, Brasil), Universidade Federal de Lavras (Brasil), e Universidade do Minho (UM, Portugal), e com coordenação da Prof. Doutora Maria Cristina Joly (USF, Brasil) e do Prof. Doutor Leandro S. Almeida (UM, Portugal). A sua participação será de extrema importância, e nesse sentido solicitamos que responda ao questionário que se segue. Dado que se trata de uma investigação, os resultados obtidos não serão considerados individualmente, mas sim de forma global. Os seus dados serão tratados de forma confidencial, protegendo assim o seu anonimato. Caso concorde em participar neste estudo por favor selecione a opção seguinte e forneça os seus dados de caracterização. Atenção: Este questionário requer cerca de 20 minutos. Verifique a sua disponibilidade de tempo antes de iniciar.
Foi convidado a preencher o formulário Avaliação de Competência Docente em Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC). Para o preencher, vá a:
http://tinyurl.com/ACTDIC »

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente do colega identificado)

Comunicado FENPROF

"MEC verga-se ao diktat das Finanças que quer professores a receber como assistentes":

sexta-feira, junho 08, 2012

"Conf. Ibero Americana WWW/Internet 2011 em Madrid, Espanha (extensão): submissão até 29 Junho"

«-- Chamada de Trabalhos em Português ou Espanhol   
-- Data Limite para Submissão (extensão 1ª chamada) – 29 Junho 2012 --

Conferência IADIS Ibero-Americana WWW/Internet 2012
18 a 20 Outubro 2012, Madrid, Espanha
(http://www.ciawi-conf.org/)

* Âmbito
A conferência IADIS Ibero-Americana WWW/Internet 2012 pretende focar os principais aspectos relacionados com a WWW e a Internet. A WWW e a Internet tiveram um crescimento significativo nos últimos anos. As preocupações já não se centram apenas nos aspectos tecnológicos e torna-se notório o despertar para outros aspectos. Esta conferência pretende abordar ambos os aspectos, tecnológicos e não tecnológicos relacionados com este desenvolvimento.

* Formato da Conferência
A conferência incluirá sessões convidadas, apresentações orais e posters (avaliadas por membros do comité do programa). As actas da conferência serão publicadas em livro e em versão electrónica (CD-ROM) com ISBN.

* As contribuições podem ser do seguinte tipo:
Artigos Longos, Artigos Curtos, Artigos de Reflexão, Posters/Demonstrações, Tutoriais, Painéis e Consórcio Doutoral.

* Tópicos de Interesse
Tópicos de interesse relacionados com a WWW e a Internet. Destaca-se, não estando limitado a estes tópicos:

Web 2.0
- Sistemas Colaborativos
- Redes Sociais
- Folksonomias
- Wikis e Blogs Empresariais
- Mashups e Programação Web
- Tags e Sistemas de Categorização do Utilizador
- Jornalismo cidadão 

Web Semântica e XML
- Arquitecturas da Web Semântica
- Middleware da Web Semântica
- Serviços da Web Semântica
- Agentes da Web Semântica
- Ontologias
- Aplicações da Web Semântica
- Gestão de dados da Web Semântica
- Recuperação de informação na Web Semântica

Aplicações e Utilizações
- e-learning
- e-Commerce / e-Business
- e-Government
- e-Health
- e-Procurement
- e-Society
- Bibliotecas Digitais
- Serviços Web/ Software como Serviço
- Interoperabilidade de Aplicações
- Tecnologias Multimedia para a Web

Serviços, Arquiteturas e Desenvolvimento da Web
- Internet Wireless
- Internet Móvel
- Computação em Cloud/Grid
- Métricas Web
- Web Standards
- Arquiteturas da Web
- Algoritmos de Rede
- Arquiteturas de Rede
- Computação em Rede
- Gestão de Redes
- Performance de Rede
- Tecnologias de Distribuição de Conteúdos
- Protocolos e standards
- Modelos de Tráfego

Questões de Investigação
- Ciência Web
- Gestão de Direitos Digitais
- Bioinformática
- Usabilidade e Interação Humano-Computador
- Segurança e Privacidade na Web
- Sistemas de Confiança e Reputação Online
- Data Mining
- Recuperação de Informação
- Optimização de Motores de Busca

Prática e Experiência Industrial
- Aplicações Empresariais
- Casos de Estudo de Empresas
- Sistemas de Informação Empresariais

* Datas Importantes:
Limite para Submissão (extensão 1ª chamada) – 29 Junho 2012
Notificação aos Autores (extensão 1ª chamada) - 30 Julho 2012
Submissão de Versões Finais e Inscrições (extensão 1ª chamada) - Até 5 Setembro 2012
Inscrições Tardias (extensão 1ª chamada) - Depois de 5 Setembro 2012

* Localização
A conferência realizar-se-á no Madrid, Espanha, de 18 a 20 Outubro 2012.

* Secretariado
Conferência IADIS Ibero-Americana WWW/Internet 2012 
Rua S. Sebastiao da Pedreira, 100, 3
1050-209 Lisboa, Portugal
E-mail: secretariat@ciawi-conf.org
Web site: http://www.ciawi-conf.org/

* Comité Científico
Co-Chairs:
José María Gutiérrez, Escuela Politécnica de la Universidad de Alcalá, España
Flávia Maria Santoro, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Brasil
Pedro Isaías, Universidade Aberta, Portugal

Membros do Comité:

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

Notícias da UAveiro e não só

"Não é das Universidades que vem o défice das contas públicas":

quinta-feira, junho 07, 2012

"Cada aluno do Ensino Superior custou 5841 euros no ano 2010/2011"

«O custo total por aluno no Ensino Superior Público foi de 5.841 euros em 2010/2011, sendo o esforço das famílias superior ao investimento público em 60%, segundo um estudo.
"O contributo privado (estudantes e famílias) foi significativamente mais elevado do que o esforço público (+60%), revela o estudo "Quanto Custa Estudar no Ensino Superior Português", coordenado pela investigadora da Universidade de Lisboa (UL) Luísa Cerdeira.
O estudo, a apresentar, esta quarta-feira, durante um seminário no Instituto de Educação, revela ainda que o custo total por aluno no Ensino Superior Público em 2010/2011 representa mais 10% do que em 2004/05.
A análise mostra também que para um universo de 314032 alunos, se destinou um valor do Orçamento do Estado por estudante de 3601 euros.
"Este valor é menos 13% da despesa por aluno de 2005, no valor de 4151 euros", lê-se no documento, que traça o perfil do estudante português.
Os autores do estudo salientam que o valor da bolsa média cobre cerca de um quarto dos custos totais dos alunos.
Se no ensino público cobre os custos de educação (propinas e livros), no privado fica "muito aquém" - 44% em 2005 e 37% em 2010.
De fora ficam os custos de vida (alimentação, alojamento, transporte e gastos pessoais).
Os estudantes da área de Educação são os que indicam em maior percentagem (30% pertencer ao nível de rendimento mais baixo (inferior a 870 euros).
"No total, os estudantes do politécnico são os que evidenciam um agregado com maiores dificuldades económicas", refere-se no estudo.»
(reprodução de notícia JN online, de 6 de Junho de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, junho 05, 2012

"Alunos de Direito preocupados com acesso à advocacia"

«As restrições impostas no acesso à profissão de advogado, como forma de limitar a concorrência, foram hoje discutidas e criticadas durante a reunião entre a Associação Académica da Faculdade de Direito...
No final do encontro, em Lisboa, Afonso Scarpa, vice-presidente da direção da Associação Académica da FDL, disse à Agência Lusa que a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, partilhou da ideia de que "não é possível limitar o acesso à profissão de advogado, por forma a limitar a concorrência".
Afonso Scarpa disse que os estudantes estão convictos de que essa tem sido a intenção de algumas medidas adoptadas pelo atual bastonário, António Marinho Pinto, e que levaram muitos dos licenciados em Direito a contestar, junto dos tribunais, as limitações criadas no acesso ao estágio e à profissão.
Numa altura em que se diz haver excessos de advogados em Portugal e em que as saídas profissionais escasseiam, Scarpa comunicou à ministra a preocupação dos estudantes em que haja um ensino de qualidade do Direito, tendo Paula Teixeira da Cruz dito que a credibilidade das profissões jurídicas passa pela qualidade e pela formação desses profissionais.
Segundo Afonso Scarpa, a ministra da Justiça reconheceu que a formação e o acesso às profissões jurídicas têm de ser "repensadas" e "estudadas", de maneira a encontrar uma resposta que assegure a dignidade das atividades jurídicas.
Em análise esteve também o acesso dos licenciados em Direito a uma carreira nas magistraturas, designadamente ao Centro de Estudos Judiciários (CEJ).
Os estudantes aproveitaram para convidar Paula Teixeira da Cruz para estar presente no Ciclo de Conferências sobre as Reformas da Justiça (Penal e Civil) que a associação académica pretende realizar na FDL, em setembro ou outubro, após as férias judiciais de Verão.
António Scarpa admitiu que o bastonário Marinho Pinto também possa vir a ser convidado, porque o ensino do Direito e o acesso às profissões jurídicas são temas que também serão abordados na iniciativa.»
(reprodução de notícia Diário de Notícias online, de 5 de Junho de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

Azeituna

Notícia Correio do Minho

Concerto celebra 20 anos de Azeituna:

sexta-feira, junho 01, 2012

"Universidades estão a perder professores

«Quebra no financiamento não deixa margem financeira às instituições para contratações.
As universidades estão a perder cada vez mais professores e o corpo docente está a envelhecer de ano para ano. Esta, defendem os reitores, é outra das consequências dos cortes no financiamento do sector, que estrangula a margem financeira das instituições para fazerem contratações.
Um cenário que os responsáveis pelas instituições dizem ser "dramático", deixando o aviso de que vai criar problemas se "prolongar por mais dois anos", como assegura ao Diário Económico o vice-reitor da Universidade de Lisboa, António Vasconcelos Tavares.
Segundo um documento do Conselho de Reitores, a que o Económico teve acesso, entre Julho de 2010 e Junho de 2011, cinco universidades (Aveiro, Coimbra, Évora, Madeira, Nova e a Técnica) perderam professores. No caso da UTL, saíram 125 activos do corpo docente e entraram apenas 76. São menos 49 professores na instituição. Já na Universidade de Coimbra, a perda foi de 13 docentes durante aquele período.
Tendência que os reitores dizem que se vem a agravar desde o ano passado. Isto porque as instituições "têm vindo a admitir menos professores convidados, através de contratos e porque tem vindo a aumentar o número de aposentações antecipadas", explica ao Económico João Cunha Serra, dirigente da Fenprof.
Na UTL, garante o reitor António Cruz Serra, há "um rácio 20% inferior ao estipulado em 2006" - segundo a portaria nº 231/2006 do Ministério das Finanças, que estipula um número limite de docentes em razão do número de alunos. É o caso do Técnico, onde "o número de docentes foi sempre 50 a 100 docentes abaixo do valor padrão, por razões relacionadas com o sub-financiamento crónico", sustenta Cruz Serra. Mas a pró-reitora da Universidade de Lisboa Luísa Cerdeira, especialista nas questões de financiamento, garante que "todas as instituições estão bem abaixo dos rácio padrão".
As razões, garantem, são fáceis de identificar. Além do aumento de aposentações, "não houve abertura de concursos para substituir os docentes que se reformaram, lembra Cruz Serra". E isto, conclui o reitor da Universidade do Algarve, João Guerreiro, por causa das "regras da gestão orçamental das universidades", que apesar de terem a excepção no OE/2012 para poderem fazer contratações, são obrigadas por lei a "chegar a 31 de Dezembro com um nível de despesa em pessoal igual à despesa realizada um ano antes."
Como consequência deste congelamento dos concursos de admissão de novos professores, conclui também o reitor do Algarve, há um aumento da média de idade do corpo docente. João Guerreiro, diz que "o envelhecimento do corpo docente é um problema, julgo que de todas as universidades". A título de exemplo, este ano na Universidade de Lisboa a idade média de idades dos professores está nos 47 anos e na UTL é de 50
(reprodução de notícia ECONÓMICO online, de  01/06/12 . Ana Petronilho)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, maio 31, 2012

"Cinco alunos suspensos durante quatro períodos de praxe por práticas violentas"

«O Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra decidiu, esta quarta-feira, suspender cinco alunos do exercício da praxe durante os próximos quatro períodos de praxe, com início no próximo ano letivo, após queixas de práticas violentas sobre caloiros.
Em termos práticos, a suspensão dura durante todo o próximo ano letivo (que inclui quatro períodos de praxe) e significa que os alunos punidos "deixam de poder participar em tudo o que é praxe", explicou hoje o 'dux veteranorum", João Luís Jesus.
Uma das alunas a quem esta sanção foi aplicada regrediu também dois graus na hierarquia da praxe, passando de 'bacharel' para 'puto'.
O Conselho de Veteranos, que aplicou sanções a um total de sete alunas e um aluno, determinou também suspender duas jovens do exercício da praxe nos próximos três períodos de praxe.
Uma outra jovem foi suspensa do exercício da praxe durante o próximo período, que vai de setembro até ao Natal.
No final de março foram apresentadas três queixas de "agressões gratuitas" ao Conselho de Veteranos por seis alunas, relativas a factos acontecidos em novembro, e este órgão remeteu duas das participações, que diziam respeito a "agressões gratuitas", para o Ministério Público, explicou o 'dux veteranorum', responsável máximo do Conselho.
A análise da queixa que agora determinou a aplicação de sanções a estes oito alunos concluiu pela violação de vários artigos do Código da Praxe da Universidade de Coimbra, com a prática de infrações como a privação de direitos dos caloiros e a comunicação de informações erradas, induzindo os visados em erro, adiantou João Luís Jesus.
"Foram também ultrapassados alguns princípios, com o exagero das brincadeiras, e algumas das pessoas assumiram graus que não tinham", acrescentou.
Ao referir que as sanções agora aplicadas, depois de ouvidos todos os queixosos e acusados, são de gravidade média, o 'dux veteranorum' afirmou que "a praxe é para as pessoas se conhecerem e divertirem e não para o exercício de frustrações pessoais que nada têm a ver com a praxe e com o espírito de Coimbra".
Durante o período da sanção, aos alunos punidos é apenas permitido "usar capa e batina, considerado um direito individual", acrescentou.
O Conselho de Veteranos decidiu ainda "tomar medidas tendo em vista uma melhor fiscalização e limitação do exercício da praxe académica da UC", lê-se num comunicado divulgado hoje por este órgão.»

(reprodução de notícia Jornal de Notícia online, de 30 de Maio de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, maio 29, 2012

"Conheça os melhores créditos para estudar"

«As universidades mostram-se atentas às dificuldades financeiras dos alunos e há sempre a hipótese do financiamento bancário.
Estudar é um investimento para o futuro. Disso ninguém duvida. Mas também pode ser uma grande dor de cabeça para muitos pais, que querem ver os seus filhos tirar um curso superior, mas que se confrontam com o dilema de não terem posses suficientes para os pagar. Se numa universidade pública, o investimento maior é feito no início do ano, com o pagamento de uma propina, que ronda, em média, os mil euros, nas universidades privadas, as mensalidades podem ultrapassar os 300 euros.
De facto, os valores assustam. No entanto, as universidades mostram-se atentas às dificuldades financeiras dos alunos, apresentando soluções de pagamento mais flexíveis. Por outro lado, há sempre a possibilidade de se poder recorrer ao financiamento bancário para pagar as licenciaturas. A maioria dos bancos disponibiliza o crédito bancário com garantia mútua, um programa que consiste num crédito - com o Estado como fiador - e as suas próprias linhas de financiamento, que são vantajosas pelas condições que oferecem, como taxas de juro baixas, ‘spreads' que baixam de acordo com as médias finais obtidas pelos estudantes, entre outros. Além disso, o crédito pode ser concedido faseadamente, se isso for o que mais convier a quem o solicitar.
Há características comuns a todos os bancos, mas também algumas diferenças que podem ser dicisivas na altura de escolher. Passemos a apresentar caso a caso: No BES, o crédito com garantia mútua oferece um spread de 1%, 0,65% e 0,2%, consoante a média. O empréstimo, que vai dos mil aos 25 mil euros, é utilizado ao longo do curso e entregue em parcelas mensais. O prazo varia entre os 30 e os 204 meses, ou os 21 e os 48 meses para programas internacionais. Já a Linha BESUp Futuro financia até 30 mil euros, até 120 meses, com taxa de juro fixa. O aluno que vier de instituições com protocolo com o BES beneficiam de uma bonificação de 2%.
Já o Santander Totta, e no que se refere ao crédito ensino superior com garantia mútua, oferece um ‘spread' que varia entre 0,2% e 1%, consoante a média. As tranches são mensais de igual valor, num máximo de cinco mil euros por ano. O prazo de carência é de um ano e o de reembolso de dez.
Já o "crédito universitário plus" financia até 30 mil euros em Portugal e 75 mil euros no estrangeiro. O ‘spread' é de 3% e a taxa de juro variável indexada à Euribor a seis meses. O prazo máximo é de 60 meses, podendo ir até aos 24 meses.
Também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BPI disponibilizam soluções de financiamento com condições vantajosas. Na CGD, o crediformação financia licenciaturas em Portugal até 30 mil euros, ou no estrangeiro até 50 mil euros, num prazo máximo de 14 anos, com taxa de juro indexada à Euribor a três meses, e um ‘spread' que diminui quanto mais alta for a média. Para escolas com protocolos com a CGD, há desconto de 25%. Já quem optar pelo crédito com garantia mútua, o financiamento vai até aos cinco mil euros, por ano, num máximo de 25 mil euros, até 16 anos, com ‘spread' de 1%.
No caso do BPI, o crédito formação permite solicitar montantes de mil até 75 mil euros, a pagar de 24 a 120 meses. São possíveis amortizações totais ou parciais, sem penalizações. A taxa de juro é indexada à Euribor a três meses e o ‘spread' de 3,5%. A utilização do crédito pode ser faseada, se optar por carência, com mobilização de tranches mínimas de 1.250 euros. Pode optar por um período de carência de capital de 12 meses ou múltiplo de 12 meses, num máximo até 60 meses.
Pode ainda recorrer ao Millenniumbcp que, através do crédito universitário financia até 15 mil euros em Portugal e 30 mil euros no estrangeiro, com reembolso até 60 meses e utilização até 36 meses. A taxa de juro é indexada à Euribor a três meses e o ‘spread' de 4%. As tranches podem ser mensais, trimestrais, semestrais ou anuais. O crédito com garantia mútua financia até 25 mil euros, em tranches mensais, com o ‘spread' a variar entre 1% e 0,2%, em função da classificação. Na página ao lado, pode consultar simulações que permitem antever o que poderá ficar a pagar.
Procura crescente por financiamento
Apesar do clima económico que se vive não ser muito favorável a grandes investimentos, os bancos têm registado uma procura constante pelos vários produtos e serviços relacionados com o crédito a estudantes. No BPI, por exemplo, em 2011, "o crédito formação registou um crescimento de 45% face a 2010", diz fonte oficial do banco. Já no BES, "a procura tem sido constante", garante fonte do banco, que frisa que a oferta "vai-se ajustando à evolução do mercado e às necessidades dos clientes". Também no Santander Totta, apesar da crise, verifica-se, no presente ano lectivo, "um aumento da procura do crédito ao ensino superior, face ao período homólogo do ano anterior", informa fonte oficial, sublinhando a grande vantagem associada à possibilidade de se pagar apenas depois de terminado o curso: "o facto do pagamento da dívida se iniciar apenas um ano após o final do curso, o que dá aos alunos a possibilidade de entrarem no mercado de trabalho já formados". O Santander Totta acredita, por isso, que estes financiamentos são o "apoio necessário para se iniciar a vida activa".
Santander Totta
Um aluno que opte pelo Crédito Ensino Superior do Santander Totta ficará a pagar 57,54 euros mensais, após o período de carência de 12 meses, para financiar a sua licenciatura, e tendo em conta um pedido de financiamento de seis mil euros, num prazo total de 168 meses, com período de reembolso de 120 meses. O período de libertação da bolsa é de 36 meses, sendo que, por ano, o aluno recebe um total de dois mil euros.
A taxa anual é de 2,7% e o TAEG de 3,6%, sendo importante referir que o pedido de financiamento terá associado um imposto de selo, com um custo total de 36 euros, a que se somam encargos no mesmo valor, bem como comissão de gestão de 1,65 euros por mês.
Já quem optar por um financiamento de 15 mil euros, também por 168 meses e no mesmo período de carência e reembolso, ficará com uma prestação mensal de 153,85 euros, com taxa de juro de 2,7% e TAEG de 9,232. Por ano, o crédito será de cinco mil euros no total, tendo o pedido de crédito um encargo de 90 euros, o mesmo valor do Imposto de Selo pela sua utilização. O ‘spread' varia entre 0,2% e 1% consoante a média final.
Millenniumbcp 
Quem recorrer ao Crédito Universitário Millenniumbcp para um financiamento de seis mil euros, com entrega de três tranches anuais de dois mil euros, a pagar a 60 meses, durante os três anos de duração do curso, apenas paga juros, no valor de 11,37 euros por mês, no primeiro ano, 22,73 euros, no segundo, e 34,10 euros, no terceiro, começando a amortizar o empréstimo no ano seguinte, numa prestação de 118,30 euros, durante 96 meses. O ‘spread' é de 5,7%, o valor indexante de 0,858% e a taxa nominal de 6.558%, com TAEG de 7,3%. Com as mesmas características, mas num financiamento de 15 mil euros, com tranches anuais de cinco mil euros, a pagar em 60 meses, durante três anos, o cliente apenas paga juros, no valor de 28,42 euros, no primeiro ano, 56,84 euros, no segundo, e 85,22 euros no terceiro ano. No período de amortização a prestação é de 295,75 euros.
Se o crédito de seis mil euros for através de garantia mútua, com entrega de 36 tranches mensais de 166.67 euros, durante esse período, o cliente apenas paga 16,73 euros de juros. No período de amortização, que é de 72 meses, a prestação fica em 92,30 euros, pressupondo um ‘spread' de 1%, uma taxa de juro de 3,217 e um TAEG de 3,266%.
Optando pelo crédito Universitário com Garantia Mútua do Millenniumbcp, para um financiamento de 15 mil euros, o cliente receberá durante 36 meses, tranches mensais de 416.67 euros, a pagar em 72 meses. Durante esse período, é debitado apenas o valor dos juros, que é de 41,82 euros.
De seguida existe um período de carência de 12 meses. Chegado ao período de amortização, a prestação fica em 230,97 euros, tendo em conta a mesma taxa de juro, indexante e TAEG, bem como o ‘spread' de 1%.»

(reprodução de notícia ECONÓMICO online, de  29/05/12 -  Raquel Carvalho)   


[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, maio 28, 2012

"MIT Portugal, um programa que nos últimos cinco anos custou 150 milhões de euros aos cofres do Estado"

Notícia JN
Governo corta financiamento ao programa MIT Portugal:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2550764

Comunicado SNESup: "há pelo menos três tipos de professores auxiliares nas fundações"

«Carreira docente universitária: há pelo menos três tipos de professores auxiliares nas fundações

Colegas

1. Aquando da apreciação parlamentar do ECDU em 2010 o SNESup conseguiu fazer incluir uma norma que permitia às universidades fundações continuarem a contratar pessoal docente em regime de contrato de trabalho em funções públicas.
Evitava-se desse modo criar uma dualidade de situações entre "antigos" - contratados em regime de contrato de trabalho em funções públicas - e "modernos" - contratados ao abrigo do Código de Trabalho, com regimes diferentes, criando evidentes disfunções.
Até há alguns meses a Universidade do Porto, embora tendo criado um regulamento de contratação de professores em regime de direito privado, contratava os seus professores de carreira em regime de contrato de trabalho em funções públicas, tal como o fazia o ISCTE, que no princípio reservou o regime do Código do Trabalho para o pessoal especialmente contratado.
2. Posteriormente algumas Faculdades da Universidade do Porto começaram a publicar anúncios de "concursos" para professor auxiliar que não passavam pelo Diário da República e, mais grave, não oferecem qualquer meio prático de reação contra os resultados.
Registe-se que no Regulamento se fala de "processos de recrutamento", mas aparentemente achou-se preferível chamar-lhes "concurso", tendo-nos sido explicado
"A qualificação do procedimento como concurso, não se nos afigura enganosa, na medida em que, também no âmbito do direito privado se podem realizar concursos, sendo estes, no entanto, atos de direito privado e como tal sujeitos às regras de direito e sindicáveis, pelos tribunais competentes em matéria civil".
Para os colegas interessados: bem podem procurar na legislação, designadamente no código do trabalho, como impugnar estes pseudo-concursos, que não encontrarão.
3. As Universidades fundações reúnem já ou reunirão a breve trecho três categorias de professores auxiliares:
· os professores auxiliares de carreira contratados ao abrigo do ECDU;
· os professores auxiliares pagos como assistentes por deliberação do Conselho de Gestão;
· os professores auxiliares do código de trabalho que, podem até ganhar mais do que os restantes.
4. Entretanto, o Conselho de Ministros anunciou ter resolvido sujeitar as universidades fundações ao código da contratação pública, destruindo mais uma vantagem comparativa de que gozavam.
É uma limitação adicional. Mas se a reuniformização legislativa corresponde a uma opção governamental, atue-se então sobre o fator de confusão que se tornou o recurso ao regime do Código de Trabalho para admitir pessoal docente.
Saudações académicas e sindicais
A Direção do SNESup

22-5-2012»
(reprodução de comunicado SNESup; cortesia de MFTF)

domingo, maio 27, 2012

"Portugal foi o país que mais cortou no superior"

«Estudo da Associação Europeia das Universidades mostra Portugal no grupo de países que cortou 20% no financiamento público do superior.

Portugal está no grupo de países que mais cortou no financiamento do ensino superior na sequência da crise económica. A conclusão foi apresentada por Thomas Estermann, responsável pela Unidade de Governo, Autonomia e Financiamento da Associação Europeia das Universidades (EUA) no seminário a "Autonomia Universitária na Europa", que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian segunda-feira passada. Um corte de 20% no financiamento das instituições que afectou também Grécia, Hungria, Itália, Letónia e Espanha.
O estudo revela que Inglaterra, Estónia, Islândia, Irlanda e Holanda aplicaram reduções de 15% nas verbas para as universidades. A maioria dos países europeus cortou cerca de 10% no financiamento. Áustria, Bélgica e França, por exemplo, cancelaram o reforço dos investimentos que estavam previstos. Apenas a Noruega e a Alemanha continuam a aumentar as verbas que colocam nas instituições de ensino superior.
Com maior ou menor impacto, os cortes que estão a afectar a maioria das universidades europeias poderão ter consequências graves.
"A Europa está a criar cicatrizes irrecuperáveis. Os efeitos de subfinanciamento podem demorar anos a recuperar" afirmou António Barreto, presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, durante a sessão.
Mas como compensaram as instituições estes cortes? Algumas conseguiram "substituir os cortes com receitas próprias", mas em quase todas, esse dinheiro não foi substituído, afirmou Thomas Estermann.
O drama é que está a ser pedido às universidades que respondem a três desafios que são incompatíveis, afirmou Howard Newby, vice-chaceller da Universidade de Liverpool. Que assegurem a" massificação" de frequência do ensino superior recebendo mais alunos, que mantenham a "garantia de qualidade" e que "custem menos dinheiro aos contribuintes".
Mas a redução de fundos públicos teve um maior impacto em Portugal se contarmos com os cortes salariais. Nos últimos seis anos as instituições tiveram uma redução de quase 45% no financiamento público, afirmou durante o encontro Cruz Serra, reitor da Universidade Técnica de Lisboa. O mais grave é que " sem utilizar os saldos de gerência as universidades não "conseguem continuar abertas", acrescentou. Para António Cruz Serra a crise "está a afectar catastroficamente a autonomia universitária".
Durante a sessão Thomas Estermann da EUA referiu casos de países em que uma das soluções utilizadas foi permitir às instituições que "contraíssem dívidas à banca". Uma medida que, no entender do reitor da UTL não serve para as universidades portuguesas. "Em Espanha já há uma instituição que deve quase cem milhões de euros à banca" e não sabe como vai pagar.
Para o responsável pela unidade de financiamento da EUA "há países em que os empréstimos são uma forma de financiar projectos, mas nunca poderão ser utilizados para substituir financiamento público".
As tendências do financiamento
Para este especialista da Associação Europeia de universidades está assistir-se em toda a Europa a "mudanças do modelo de financiamento". Uma das tendências é a criação de fundos competitivos, que exigem co-financiamento e em que a taxa de sucesso é um dos critérios na fórmula ", sublinhou. Depois há cada vez mais fundos que são atribuídos com um determinado objectivo. Nos critérios de atribuição de verbas pesam cada vez mais a performance e os ‘outputs' das instituições de ensino superior.
No final do encontro Helena Nazaré, presidente da EUA, afirmou que está a ser pedido cada vez mais às instituições. "Se no passado as universidades eram consideradas torres de marfim, hoje são vistas como poços de petróleo. Os governos pensam que podem encontrar nas universidades o remédio para todos os seus problemas". Para Marçal Grilo a solução passa por criar um modelo em que as instituições tenham dois orçamentos: o que provêm do OE, sobre o qual prestaram contas ao Ministério das Finanças; um outro orçamento em que as verbas são arrecadadas pelas instituições e não podem ser cativadas pelas Finanças. No encerramento, o administrador da Fundação Calouste Gulbenkian alertou que "temos que nos preparar para tempos mais difíceis".»
(reprodução de notícia Económico online de 27 de Maio de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]