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sábado, junho 23, 2012

"Metade dos professores sofre de stress"

«Metade dos professores portugueses têm níveis de stress que afectam o seu relacionamento com os alunos, sendo mais vulgar encontrar casos entre os docentes do ensino secundário, com mais idade e mais experiência, revela um estudo nacional.
Estes são alguns dos resultados do estudo "Burnout em professores portugueses", que começou a ser desenvolvido em 2009 por Ivone Patrão e Joana Santos Rita, duas psicólogas e investigadoras da Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde, do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).
As investigadoras entrevistaram 807 professores do ensino básico e secundário de todo o país. A maioria dos inquiridos era licenciada, dava aulas em escolas públicas a tempo inteiro e tinha, em média, 45 anos.
De acordo com o estudo, “20 por cento dos professores apresentam níveis médios de 'burnout' [uma espécie de esgotamento] e os outros 30 por cento têm níveis elevados, o que é preocupante", garantiu Joana Santos Rita, explicando que o 'burnout' se caracteriza por um tipo de stress ocupacional permanente, que afecta o relacionamento com as outras pessoas.
 “Se nós promovermos a saúde mental dos professores também estaremos a promover a saúde mental das crianças", defendeu a investigadora, lembrando que os elevados níveis de 'burnout' estão directamente associados a elevados níveis de ansiedade e depressão.
"São os professores mais velhos, efectivos, com mais anos de experiência e do ensino secundário os que têm níveis de 'burnout' superiores”, acrescentou.
Os professores do ensino secundário apresentam valores mais elevados de stress, exaustão emocional e maior falta de reconhecimento profissional. A dificuldade em gerir problemas de indisciplina na sala de aula, a percepção da desmotivação para o estudo por parte dos alunos e a pressão para o sucesso são algumas das razões que levam a elevados níveis de 'burnout'.
Já os professores do ensino básico têm mais preocupações profissionais, que passam pela maior dificuldade na gestão dos conflitos com os pais e com a escola, uma vez que são eles que assumem o papel central na aprendizagem e na gestão de uma turma.
Numa comparação entre sexos, as mulheres aparecem como sendo mais susceptíveis ao 'burnout', situação que as especialistas acreditam poder estar relacionada "com o efeito cumulativo inerente ao desempenho de diferentes papéis: são mulheres, mães e professoras", lembrou.
Para fugir aos problemas, alguns professores acabam por utilizar estratégias como a rotina ou mesmo o absentismo laboral, acabando por ser um "estímulo negativo" para os colegas, alertou Joana Santos Rita.
A investigadora contou à Lusa que o trabalho até agora desenvolvido vai continuar, com a realização de mais entrevistas e a tentativa de "perceber quais são os factores e as estratégias que facilitam a resiliência e o envolvimento dos professores que mantém níveis elevados de bem-estar".»
(reprodução de notícia Correio da Manhã online, de 22 de Junho de 2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, maio 17, 2012

"APESPE distingue melhor trabalho académico"

«Estão abertas as candidaturas à 2ª edição do prémio APESPE para Melhor Trabalho Académico, o qual se destina a premiar trabalhos desenvolvidos por alunos do ensino superior, nomeadamente trabalhos de investigação, teses de mestrado ou de doutoramento, cujo objecto de estudo no âmbito do Trabalho Temporário se enquadre em áreas como Economia, Direito, Gestão de Recursos Humanos, Psicologia do Trabalho, Qualidade de Serviço, Organização e Gestão ou Gestão da Marca.
A candidatura deverá ser formalizada em ficha própria, a enviar à APESPE, conjuntamente com o trabalho efectuado, até 31 de Agosto de 2012. O vencedor receberá um prémio de € 750,00 com data prevista de entrega em Novembro de 2012. Consulta do regulamento no site da APESPE em http://www.apespe.pt/»
(reprodução de notícia sobre a matéria em epígrafe, disponível no sítio identificado)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Contar artigos publicados? "Nunca fizemos isso"!

"Nos Estudos Unidos da América, nunca fizemos isso! (quer dizer, "andar a contar artigos").

Alberto Amaral

[afirmações produzidas no contexto de sessão de debate da proposta do reitor de transformação da UMinho numa fundação, da iniciativa do CG, que hoje decorreu no campus de Gualtar (invocando declaração recente de um seu interlocutor americano)]

domingo, março 11, 2007

Júris e Concursos: breve nota

No blogue JVC-ApontamEntoS pode ler-se uma mensagem, datada de 9 de Março de 2007 e assinada por António Fidalgo, "Sobre concursos, currículos e critérios", onde, entre outras coisas, se diz:
i) "Hoje há a tendência não só para quantificar elementos de currículo – quantas publicações, quantas orientações de tese – como também para criar normas nesse sentido. Trata-se de dar um cariz administrativo à avaliação.[...]. Este tipo de avaliação administrativa é defendido em nome da isenção, da transparência e também, o que é hoje muito importante, da sua blindagem face às impugnações judiciais dos concursos."
ii) "Um professor que integre um júri de qualquer concurso tem a obrigação de acima de qualquer grelha pré-definida de avaliação se orientar pelo ethos (entendido no sentido de um código deontológico) de professor, pelo qual deverá orientar a sua própria acção profissional. Não serão normas indicativas a comandar a avaliação mas o ideal ou o modelo de professor. Esse modelo é o grande critério."
Entendo que as afirmações que se reproduzem merecem reflexão, assim como as ideias presentes no texto, no seu todo.
A mim, o texto serviu-me para reavivar algumas angústias que me têm assistido sempre que sou confrontado com a situação que se invoca, mas não me trouxe respostas, o que me confortaria muito mais. Aliás, concordo com António Fidalgo que um dos elementos que mais vem inquinando os concursos é o pano de fundo da intervenção judicial nesses processos, eufeudada, como bem sabemos, a formalismos e processos, e rigorosamente nada à substância dos concursos. Por isso, corre-se até o risco de cada concurso se arrastar por eternidades ou se multiplicarem as indisponibilidades de professores para integrarem os júris respectivos, o que já vem estando presente.
Sobre a outra dimensão colocada no texto, recuperando argumentos de um parecer que elaborei, pode-se, por outro lado, dizer que se oferece "relevante manter presente os valores vigentes na comunidade académica alargada e, bem assim, os que vêm sendo usados na avaliação das unidades de investigação, com implicações em matéria de financiamento, pelos organismos que tutelam a Ciência e a Tecnologia.". Isto é, entendo eu que o júri não se pode alhear das regras em que o académico vive mergulhado e que informam muito do seu posicionamento competitivo quotidiano, sob pena do professor ter que, ao mesmo tempo, "agradar a múltiplos senhores", para além daquilo que já faz no dia-a-dia.
A "discussão" pode ser levada muito para além do que agora coloco mas, respeitando as regras destes fóruns, o que deixo dito chega, por agora. Que o assunto merece uma boa discussão, disso não me restam quaisquer dúvidas.

J. Cadima Ribeiro