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segunda-feira, agosto 20, 2012

"Brasil trava diplomados portugueses"

«Os licenciados nas instituições de Ensino Superior portuguesas estão com dificuldades em obter o reconhecimento da sua formação no Brasil. Para colmatar este problema, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), presidido por António Rendas, e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), no Brasil, assinam na próxima terça-feira, em Brasília, um memorando de entendimento.
Embora desconheça o número de diplomados afectados, o CRUP garante que "o molde em que o processo de reconhecimento se desenvolve tem criado dificuldades ao exercício de determinadas profissões no Brasil por parte dos licenciados em Portugal", como é o caso da Engenharia Civil.»

(reprodução de notícia Correio da Manhã online,  de 19 de Agosto de 2012)

[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, julho 09, 2012

"Não queremos pôr os engenheiros a emigrar, mas promover a sua internacionalização"

«Plano do bastonário passa pela passagem de profissionais por países como Angola ou Peru, onde há projetos e crescimento

Todos os anos saem mais de 15 mil licenciados em Engenharia das universidades portuguesas. Poucos, tendo em conta que esta área contraria os números do desemprego: aqui as vagas não secam; pelo contrário, acumulam-se os pedidos para Portugal e para fora. Só nos últimos 30 dias, a plataforma net-empregos - a maior de recrutamento no país - recebeu 422 ofertas para engenheiros, em particular mecânicos (186 ofertas) e eletrotécnicos (103).
"Temos consciência da procura que há, especialmente pelos contactos de empresas que nos pedem ajuda para publicitar vagas", confirma Carlos Matias Ramos, bastonário da Ordem dos Engenheiros.
Com pedidos a chegar já de várias partes do mundo, "o nosso objetivo agora é apostar na formação", explica. Até porque Portugal tem provas dadas da sua engenharia de qualidade e tem muito para ensinar a países como Angola ou Moçambique.
"Não queremos pôr estes jovens a emigrar, queremos promover a sua internacionalização", explica o bastonário. Ou seja, os nossos engenheiros vão para fora, integram projetos e passam competências. E depois voltam. "O ideal é ter contratos que permitam estar lá, mas pensar em voltar para cá."
Com um crescimento esperado do PIB de 9,1%, em 2012, e 8,8% no ano que vem (números do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola), o país tem previstos projetos de milhões de euros nas áreas básicas - saneamento, energia e construção de infraestruturas. O "plano de desenvolvimento sustentado do governo angolano implica um investimento de 6,5 milhões até 2013", completa Matias Ramos.
Com a economia portuguesa em retração, a Ordem dos Engenheiros começou a trabalhar numa lógica de ser "um facilitador" do emprego e, por isso, tem vindo a desenvolver esforços para criar condições de emprego em países onde há mais necessidades - Alemanha, Bélgica, Moçambique e Angola são os países que mais pedem engenheiros nacionais. E ainda que a procura na Europa seja elevada, tem sido dada especial atenção aos mercados em desenvolvimento - que têm as maiores carências mas também os que mais crescem neste momento.
No final de junho, a Ordem dos Engenheiros assinou um protocolo com o Peru, que prevê que os profissionais portugueses possam trabalhar naquele país desde que se inscrevam no Colegio de Ingenieros (equivalente à Ordem).
Em Angola, estão a ser analisadas as oportunidades para os engenheiros nacionais contribuírem para os projetos que o governo tem em curso. "O objetivo é identificar locais onde os números são positivos e ver se ali há oportunidades." A preocupação não passa tanto pelas vagas mas pela capacidade que os países têm para receber as empresas portuguesas.
Apesar de tudo, Carlos Matias Ramos recorda que "não está mais fácil" encontrar emprego no estrangeiro e sublinha que "a emigração é dolorosa" - ainda que os portugueses tenham uma grande capacidade de adaptação.
Ainda assim, o bastonário não tem dúvidas do caminho a seguir: "Temos de saber que o paradigma se alterou e que temos de formar engenheiros empreendedores."»

(reprodução de notícia Dinheiro Vivo, de 09/07/2012)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

quinta-feira, julho 05, 2012

"É raro que currículo profissional encurte licenciaturas"

«Situações como a de Miguel Relvas

Ver o currículo traduzido em créditos, de forma a não ter que fazer todas as cadeiras de um curso superior, é algo que está previsto na lei e que cabe a cada uma das instituições de ensino decidir como deve ser feito. Mas afinal quão frequente é a utilização desta prerrogativa noutros estabelecimentos? Em cinco das seis universidades que responderam, é uma situação rara ou inexistente. Pelo contrário, na Universidade Lusófona, onde Relvas se licenciou num ano, é uma situação muito frequente.
O PÚBLICO questionou muitas das maiores universidades portuguesas sobre quantas vezes atribuíram créditos a pessoas que pretendiam concluir um grau académico, vendo reconhecido a experiência profissional e escolar adquirida no passado. Na Universidade de Lisboa, uma das maiores públicas do país, aconteceu 15 vezes desde 2006.

Na Universidade do Porto, com mais de 31 mil alunos, não há dados. O assessor de comunicação, Raul Santos, diz que aconteceu um "número mínimo" de vezes e que o máximo que pode ser descontado a uma licenciatura de 180 créditos são 60 (equivalente a um ano lectivo).

Já na Universidade Técnica de Lisboa, o reitor António Cruz Serra, que não dispõe de dados, garante: "Ninguém aqui alguma fez uma licenciatura de três anos num ano." E há faculdades da Técnica, conta, que não fazem de todo esse reconhecimento.

Na Autónoma, privada, houve em seis anos "sete ou oito pedidos" de reconhecimento de percurso anterior à licenciatura. E "alguns foram recusados", disse Reginaldo Rodrigues de Almeida, director da administração escolar. Também aqui, 60 créditos é o máximo descontado.

Na Lusíada não se faz este tipo de reconhecimento. Na Portucalense, no Porto, a vice-reitora Paula Morais explicou que acontece com alguma frequência, mas que os alunos estão sempre obrigados a fazer pelo menos 25% do curso.

Números centralizados, nacionais, não há. Há universidades que exigem exames, entrevistas, provas documentais ou tudo junto. Cada caso é um caso.

O tema ganhou actualidade depois de ter sido tornado público que o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, fez a licenciatura de Ciência Política e Relações Internacionais em apenas um ano. Segundo fez saber ao PÚBLICO, através do seu adjunto António Valle, Relvas requereu a admissão à Universidade Lusófona em Setembro de 2006. "O curso foi concluído em 24/10/07, com a classificação final de 11 valores, conferindo o grau de licenciado através da conclusão de 6 semestres equivalentes a 180 ECTS [créditos], nos termos do Processo de Bolonha", explicou, citando o diploma legal que adequava o curso de Ciência Política ao Processo de Bolonha (Despacho nº 13132/2006).

Foi com Bolonha que se deu a uniformização europeia da estrutura dos cursos superiores tendo a maior parte das licenciaturas sido reduzidas a três anos. Por regra, são precisos 180 créditos para obter esse grau. O de Ciência Política da Lusófona prevê 36 cadeiras, distribuídas por três anos, que perfazem os tais 180 créditos.

Segundo o gabinete de Relvas, foi na sequência da avaliação do seu currículo profissional e do facto de ter frequentado dois cursos superiores antes de 2006 (tendo concluído apenas uma cadeira de Direito na Universidade Livre) que foi possível ter o diploma num ano. Nem o governante nem a Lusófona disseram ainda quantos créditos foram atribuídos ao currículo de Relvas e quantas cadeiras de Ciência Política foram feitas.

Ontem, o administrador da Lusófona, Manuel Damásio, falou pela primeira vez do caso. À Lusa disse que a universidade não impõe qualquer limite máximo nos créditos que atribui no processo de licenciatura por reconhecimento da competência profissional. Disse ainda que todos os casos são analisados individualmente.

Na Universidade de Lisboa, a única que forneceu números concretos, os créditos obtidos pelos 15 estudantes que, desde 2006, viram o seu percurso anterior avaliado "variam entre um mínimo de 3 e um máximo de 48", num total de 180 ou 300 créditos, dependendo do tipo de ciclo de estudos em causa, disse o assessor António Sobral.

Narana Coissoró, histórico dirigente do CDS e professor no curso que Relvas tirou, disse à TSF que o caso do ministro licenciado num ano é "absolutamente excepcional".»

(reprodução de notícia PÚBLICO online, de 05.07.2012 - Andreia Sanches)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]

segunda-feira, abril 19, 2010

"Preocupa-me profundamente a generalizada dificuldade dos alunos no domínio da língua de ensino - o Português"

A Língua Portuguesa no Ensino Superior

(título de mensagem, datada de Domingo, 18 de Abril de 2010, disponível em Reflexos)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

domingo, dezembro 16, 2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

sábado, março 10, 2007

RVCC: o desvirtuamente em curso de uma boa ideia

«As metodologias e os princípios orientadores que sempre estiveram na base do funcionamento do sistema de RVCC parecem hoje definitivamente postos de parte ou secundarizados pela política adoptada.
Com efeito:
1 – O RVCC, inicialmente concebido para uma franja da população adulta com uma significativa experiência de vida e auto-formação, passou agora a ser visto como a grande arma de combate à sub-certificação de toda a população portuguesa, através de um discurso político e de uma prática administrativa que pressionam os Centros de RVCC a realizar uma certificação à pressa e sem critérios, inclusivamente de jovens em situação de abandono ou de insucesso escolar.
2 – A política dos grandes números esteve na base, em 2006, de um crescimento acelerado do número de Centros, assente sobretudo em escolas e centros de formação, o que traduz uma orientação intencional e contraproducente para a estatização deste sistema.
3 – A inexistência de quaisquer procedimentos de acompanhamento, formação contínua e controlo de qualidade dos Centros, que se verifica desde meados de 2002, por parte do órgão de tutela, a Direcção Geral de Formação Vocacional, tem como resultado o convite ao laxismo e, em alguns casos, à emissão de certificados que se arriscam a ter um valor social de “moeda falsa”.
4 – O lançamento nacional, em Janeiro de 2007, do complexo processo de certificação para equivalência ao 12º ano, na base de 58 centros, foi feito de forma apressada, desorganizada, sem transparência nem fundamentação, o que poderá vir a comprometer o seu funcionamento e o alargamento, a curto ou médio prazo, aos restantes Centros de RVCC.
Estes são alguns dos factos que nos levam a afirmar que o Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências está hoje gravemente atingido, correndo o risco de se encontrar, em breve, totalmente desacreditado.»
/...
(extracto de mensagem electónica recebida em 07/03/09 - com origem em lfaguiar@eeg.uminho.pt -, sob a epígrafe "Em defesa do Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências", destinada a recolher assinaturas para apoio a tomada de posição pública; a leitura da mensagem completa e a subscrição da tomada de posição podem ser feitas em: http://www.petitiononline.com/rvcc/petition.html)
Nota: RVCC = Sistema Nacional de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências