Fórum de Discussão: o retorno a uma utopia realizável - a Universidade do Minho como projecto aberto, participado, ao serviço do engrandecimento dos seus agentes e do desenvolvimento da sua região

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quinta-feira, janeiro 24, 2008

Percalços de uma reforma: a aparência de que alguma coisa está a mudar para que tudo fique na mesma?

No jornal de parede electrónico de que sou editor (Universidade Alternativa) publiquei há poucos semanas uma nota sobre a temática da composição da assembleia estatutária da Universidade do Minho em que assinalava a curiosidade de haver um membro externo da dita assembleia que está, simultaneamente, na assembleia congénere da Universidade do Porto. Perante este facto, ironizando, questionava se os elementos externos que integram as assembleias estatutárias não deveriam ser todos os mesmos. Assim se poupariam muitos esforços e tempo.
Esta nota surgia na continuidade de uma primeira, da autoria de um colega, que, no seu blogue (Empreender), havia questionado o facto identicamente curioso de uma assembleia estatutária constituída ao abrigo da lei nº 62/2007 (RJIES) poder integrar entre os seus membros, com o estatuto de membro externo, isto é, cooptado, um ex-reitor da Instituição. Uma vez mais a título de comentário irónico, essa situação levou-me então a questionar se não seria esta uma política de recrutamento dos membros externos a manter aquando da constituição do futuro Conselho Geral. Assim se evitaria o desperdício de capital de experiência que a não preservação dessa prática implicaria.
Lembre-se que a lei estabelece sobre a constituição das assembleias estatutárias, à semelhança dos futuros conselhos gerais (órgãos de topo da instituições, responsáveis, nomeadamente, pela designação dos reitores ou presidentes), que aquelas integram, obrigatoriamente, “Cinco personalidades externas de reconhecido mérito não pertencentes à instituição com conhecimentos e experiência relevante para a instituição.”
A manifesta interpretação “desviante” do espírito da lei que aqui invoco estará longe de ser caso isolado. Na sua crueza, este exemplo serve para tornar patente quanto intenções de reforma que aparecem suportadas na produção de leis e na suposta clarividência do legislador (ou do príncipe) facilmente falham no seu alcance. Por isso, durante a fase de discussão da lei, falei da necessidade de se trazer para o processo os agentes da reforma necessária, professores, investigadores, técnicos que suportam o funcionamento das instituições, e também alguns interlocutores daquilo que deveria ser o caminho a trilhar pelas Instituições de Ensino Superior em matéria de relação com a comunidade. Possivelmente, só não deixei um alerta tão forte quanto deveria para o perigo, óbvio, da oligarquia de interesses que estava (está) instalada se assenhorear do processo. O perigo que se oferecia era que desembocássemos numa situação em que, parecendo que alguma coisa mudaria, ficasse tudo na mesma. O exemplo que deixo acima ilustra a verosimilhança desse risco.
Não é, entenda-se, que as personalidades em causa não sejam pessoas de grandes méritos e com contributos dados à Universidade dignos de reconhecimento. O problema é que deveriam ter tido a lucidez de se afastarem neste momento que deveria ser de renovação, e deviam tê-lo feito apesar de (ou sobretudo se) pressionadas a continuarem, porque essa pressão só poderia vir de quem não é capaz de replicar-lhes a obra e delas se serve como bóia para se manter à tona da água.
A inércia que persiste e a falta de ousadia que é patente têm ilustração também na forma como as instituições estão a reagir à possibilidade consagrada na lei de optarem pelo estatuto de fundações públicas de direito privado. Tratando-se, embora, de uma figura estatutária opaca, inventada por uma tutela animada de intenções ainda mais opacas, a verdade é que ninguém antecipava o que viria a passar-se, incluindo a postura que Vasco Eiriz, o colega a que fiz já alusão a abrir este texto, designou de posição de “Maria vai com todas”, e que eu chamaria antes de “Maria vai com as outras”. Esta figura de estilo é usada para sublinhar uma conduta em que ninguém quer arriscar, ficando todos à espera do passo que dê a “vizinha”. Daqui resulta que tanto a fundação aparece recusada por todos(as) quanto conquista a respectiva adesão. Depois de Aveiro, o ISCTE e o Porto, à última hora, terem dado o primeiro passo, vamos poder confirmar isso nos próximos meses.
Tudo o que se anota aqui é tanto mais paradoxal quanto a sociedade espera do Ensino Superior, crescentemente, liderança, iniciativa e inovação. Ora se, como anotava José Manuel Silva no seu blogue (Campo Lavrado), em entrada já deste ano, todo o líder deve possuir “curiosidade, criatividade, comunicação, carácter, coragem, convicção e carisma", temos que convir que não é isto que transpira desta reforma do ensino superior nacional, quer em termos da iniciativa que a desencadeou formalmente, quer em termos do processo de implementação que está a ter.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Os exemplos que vêm da Escola de Engenharia

Repensar a Escola de Engenharia: Os departamentos

(título de mensagem, datada de Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008, disponível em Prálem D`Azurém)
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Comentário: ora aí está uma iniciativa válida da Escola de Engenharia, a replicar pelas demais Escolas da UMinho. Será que é um debate que queremos (temos a coragem de) fazer?

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Um reitor ousado

"Posição idêntica tem o Reitor da Universidade do Minho, António Guimarães Rodrigues, que não apresentará proposta alguma até dia 10, mas manterá a opção em aberto, pelo menos até que seja «publicada a necessária regulamentação e clarificação» da lei, que considera vaga.
«A opção pelo regime fundacional implica considerações sobre o modelo de gestão da instituição universitária, a verificação de condições técnicas da Universidade, a existência de garantias sobre o investimento fundacional e a garantia do financiamento futuro do Estado neste novo regime», afirmou Guimarães Rodrigues, sublinhando que a lei «não é esclarecedora sobre esta matéria»."
*
(extracto de notícia, datada de 08-01-09 e intitulada "Universidades: Quase todas rejeitam modelo fundacional", publicada pelo Diário Digital - http://www.diariodigital.pt/news.asp?section_id=61&id_news=312750)
[cortesia de Nuno Soares da Silva]
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Comentário: ao contrário da generalidade das instituições de ensino superior nacionais, confirma-se que a UMinho tem um reitor ousado, pelo menos a usar os recursos gerados por outrém e a delapidar a imagem da Instituição, construída com esforço, ao longo de anos, por muitos outros.

terça-feira, janeiro 08, 2008

"As universidades de Lisboa, Nova de Lisboa, Técnica de Lisboa, de Coimbra e do Minho decidiram adiar para Junho a decisão"

(titulo de mensagem, datada de 08/01/08, disponível em Ladrões de Bicicletas)
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Comentário: a UMinho também? À sim?! Não sabia. (Alguém sabia? Será já a transparência prometida por ambas as listas candidatas à Assembleia Geral a funcionar?)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Os membros externos da AE: mais do mesmo!

(título de mensagem, datada de 08/01/03, disponível em Prálem D`Azurém)
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Comentário: será que ocorreu ao "Zé Mariano" que se pudesse passar com os Conselhos Gerais (e Assembleias Estatutárias) o que se está a passar, bem ilustrado pelo caso da UMinho? Quando será que alguns distintos colegas (indelevelmente ligados à história da gestão universitária em Portugal) se convencem que o melhor contributo que podem dar à Universidade Portuguesa de hoje é afastarem-se? É mesmo uma pena o que se vai passando, e uma oportunidade perdida de dar um salto em termos de paradigma de Universidade.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Ex-reitor, membro externo?

«Membros externos
E se a sua universidade, em processo de escolha de "membros externos" para integrar uma assembleia estatutária, escolhesse um ex-reitor precisamente como "membro externo"? Mesmo que lhe ocorram só elogios à pessoa em causa e ela ter sido provavelmente o principal reitor da curta história da sua universidade, não lhe causaria estranheza o estatuto de "membro externo" a um ex-reitor? Afinal o que são "membros externos"? Será que o que está em causa são "membros ex" sem "ternos"? Será que eu compreendo cada vez menos a gestão universitária?»
Vasco Eiriz
(extracto de mensagem, datada de 08/01/03 e intitulada "Distribuição de Dividendos", disponível em Empreender)

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Eleições na UMinho: o momento da apanha das canas

«De: Joaquim Gomes Sá [...]
Enviada: quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007 12:25
[...]
Assunto: RE: Mensagem - Representantes dos Funcionários nos Órgãos de Governo da Universidade
Caros funcionários não docentes,
Do meu ponto de vista é muito bem vinda esta vossa participação a este debate que também vos diz inteiramente respeito. Saúdo com satisfação esta iniciativa de afirmação de direitos e aspirações legítimas, que é certamente um contributo para uma visão de Universidade em que todos os sujeitos tenham voz, logo, mais democrática. Solidarizo-me com e apoio a justa aspiração de um representação dos funcionários não docentes no Conselho Geral e no Senado Académico. A palavra cabe agora à Assembleia Estatutária que, conforme já defendi, deverá encontrar formas de funcionamento em regime aberto, em termos de poder acolher e ponderar ideias e propostas de pessoas-grupos que não sejam membros da referida Assembleia.
Cordiais saudações académicas.
Joaquim Sá
*
De: Amaro António Magalhães Rodrigues
Enviada: ter 04-12-2007 17:00
[...]
Assunto: Mensagem - Representantes dos Funcionários nos Órgãos de Governo da Universidade
Mensagem

Representantes dos Funcionários nos Órgãos de Governo da Universidade

Decorreram hoje as eleições para a constituição da assembleia estatutária que irá proceder à revisão dos Estatutos da Universidade do Minho, de modo a conformá-los com o novo regime legal.
Esta eleição visa apenas, como é sabido, a representação dos Professores (e Investigadores) e dos Estudantes, estando os Funcionários Não Docentes arredados deste processo. É facto que a Lei n.º 62/2007, de 10 de Setembro, não prevê a inclusão de todos os corpos universitários no órgão que vai aprovar as normas fundamentais da organização interna e do funcionamento da Universidade, tendo postergado os Funcionários destas decisões.
Esta situação, que vivamente repudiamos, afronta os mais elementares princípios da democracia representativa, fazendo reviver conceitos e arquétipos ultrapassados e constitui um retrocesso à participação dos Funcionários, enquanto interessados, na formação de decisões que lhes dizem directamente respeito.
Sabemos, porém, que existem mecanismos de correcção desta visão fechada e unilateral da Universidade, em sede dos futuros Estatutos, num quadro de conformação com o novo regime jurídico.
Na composição do Conselho Geral é permitida, tecnicamente, a inclusão de dois membros eleitos pelo Pessoal Não Docente; o Senado Académico, a constituir como órgão de consulta obrigatória do Reitor, nas matérias a definir nos estatutos, que entendemos dever ser o mais possível alargadas, pode integrar representantes de todas as unidades orgânicas (entendidas estas em sentido lato, não circunscrito àquelas que dispõem de órgãos e de pessoal próprios), abrangendo assim os Funcionários das Escolas e dos Serviços; os órgãos das Escolas podem incluir Representantes dos Funcionários nos seus órgãos de gestão.
De algum modo, nas diferentes Universidades, tem sido acentuada a necessidade de integração de todos os corpos constituintes nas futuras estruturas de governo e de gestão, como se pode ver através dos comentários, propostas e pareceres enviados para foruns institucionais, abertos com o intuito de receber os contributos da comunidade universitária para os seus novos modelos organizativos (em anexo, extracto de mensagem do Reitor da Universidade de Lisboa e Comentários no forum).
Os Representantes dos Funcionários da Universidade do Minho na Assembleia da Universidade e no Senado Universitário acompanharam a campanha desenvolvida pelas Listas em presença, no acto eleitoral que agora decorre, tendo analisado os respectivos ideários, assistido aos debates e formulado as suas opiniões.
Entendemos ser imprópria qualquer tomada de posição até ao termo da eleição, mas que o devíamos fazer agora, antes de apurados os resultados.
Esperamos que os eleitos - e posteriores elementos cooptados na assembleia estatutária - tenham em conta que os funcionários da Universidade do Minho, com o seu saber, empenho e labor quotidianos, são um suporte e um garante do bom funcionamento da Instituição. E que cientes desta realidade, seja colmatada a falta de equidade que resulta da nossa ausência naquele órgão.
Confiámos ainda que no processo de elaboração dos estatutos prevaleça um espírito construtivo, de diálogo na diversidade, em busca dos equilíbrios e consensos necessários à feitura do Instrumento normativo fundamental que irá reger a Universidade.

Braga, 4 de Dezembro de 2007 (17h.00m.)

Os Representantes dos Funcionários nos Órgãos de Governo da Universidade»
*
(reprodução de mensagens distribuídas na rede electrónica da UMinho, datadas de 4 e 5 de Dezembro pp., que me cairam na caixa de correio)
-
Comentário: simpática que se nos ofereça a mensagem dos funcionários não-docentes da UMinho, ela peca por confundir democraticidade, legitimidade e participação com a presença multiplicada em orgãos de governo da universidade; isto não tem nada que ver com os valores que são enunciados e não assegura a eficácia do governo da instituição; envolvimento, mobilização, democracidade são outra coisa; foi uma pena que se tivesse perdido a oportunidade de ter uma discussão séria sobre esta e outras matérias na campanha eleitoral agora finda.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Notícias da UMinho

Notícia JN
IDEIAS EM CONFRONTO PARA DOCUMENTO FINAL
Opositores do reitor vencem para a comissão estatutária da UM:
http://jn.sapo.pt/2007/12/06/norte/opositores_reitor_vencem_para_a_comi.html
*
(cortesia de Nuno Soares da Silva)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Serviço público: resultados das eleições na UMinho

Ainda fresquinhos, divulgo nesta sede os resultados da

Eleição dos Representantes dos Professores e Investigadores na Assembleia Estatutária

Foram eles os seguintes:

- Número total de eleitores inscritos:794
- Número total de votantes: 512 (64,48%)
- Número de votos em branco: 44 (8,59%)
- Número de votos nulos: 1 (0,20%)
- Número de votos obtidos pela “Lista A”: 224 (43,75%)
- Número de votos obtidos pela “Lista B”: 243 (47,46%)

Os candidatos eleitos por cada uma das listas segundo o método de Hondt, por ordem de apuramento, foram os seguintes:

- Licínio Carlos Viana da Silva Lima (Lista B) / Instituto de Educação e Psicologia;
- António Augusto Magalhães Cunha (Lista A) / Escola de Engenharia;
- Pedro Nuno Ferreira Pinto Oliveira (Lista B) / Escola de Engenharia;
- Graciete Tavares Dias (Lista A) / Escola de Ciências;
- Manuel Rosa Gonçalves Gama (Lista B) / Instituto de Letras e Ciências Humanas;
- Rui Manuel Costa Vieira Castro (Lista A) / Instituto de Educação e Psicologia;
- Miguel Sopas de Melo Bandeira (Lista B) / Instituto de Ciências Sociais;
- Maria Margarida Santos Proença Almeida (Lista A) / Escola de Economia e Gestão;
- Pedro Alexandre Faria Fernandes Teixeira Gomes (Lista B) / (...);
- Maria Augusta Abreu Lima Cruz (Lista A) / (...);
- Lúcia Maria Portela de Lima Rodrigues (Lista B) / Escola de Economia e Gestão;
- Acílio Silva Estanqueiro Rocha (Lista A) / Instituto de Letras e Ciências Humanas/vice-reitor.

Dois breves comentários:
i) confesso a minha surpresa perante estes resultados - os resultados da lista B vão muito para além do que admiti; imaginem agora se o seu lider ausente e a lista, no seu todo, não tivessem feito tanta burrice quais os resultados que poderia ter alcançado; bastar-lhes-ia terem capitalizado a rejeição subsistente na academia em relação à nomenclatura reinante (agora, em fim de festa);
ii) conforme era óbvio, dentro do modelo de listas definido (particularmente, pela lista do reitor), metade das Escolas/Institutos ficaria de fora; confiram quais foram!

Porque quem desafia o poder tem a minha simpatia, em princípio, e sendo sabido que a luta era particularmente dura (porque não equitativa e muito menos transparente), aqui ficam os meus parabéns para os vencedores, em geral, e para a minha colega da EEG, Lúcia Lima Rodrigues, em particular, que nunca acreditei que viesse a ser eleita.

J. Cadima Ribeiro

Não nos revemos nas linhas programáticas das listas!

Em dia de eleições na UMinho, a palavra de ordem só pode ser:
Não nos revemos nas linhas programáticas de nenhuma das listas !



domingo, dezembro 02, 2007

Eleições na UMinho: fórum

(título de mensagem, datada de 07/12/01, disponível em Ideias livres)
-
Comentário: embora não pareça, na EEG/UMinho há um esboço de debate. Digo isto olhando para os jornais de parede editados por gente da casa. É pouco? Pois é! Sempre é um bocadinho mais que em algumas outras Escolas da dita Universidade. E olhem que não é porque o poder instalado se sinta particularmente confortável com a existência de ideias e de debate.

sábado, dezembro 01, 2007

Não nos revemos nas linhas programáticas de nenhuma das listas

"Caros(as) colegas,

A elaboração dos estatutos é um momento de capital importância na história da Universidade do Minho. A implicação dos membros da academia no processo de reforma é condição básica do sucesso da organização.
Tendo acompanhado o processo, desde o primeiro momento, e estando empenhados em contribuir para ele, vimos manifestar a nossa preocupação quanto aos termos do debate sobre o que deverá ser consagrado, em sede estatutária, como modelo de governação da nossa Universidade.

Não nos revemos nas linhas programáticas de nenhuma das duas listas candidatas à Assembleia Estatutária que estão no terreno. Move-nos, nesta afirmação de diferença, desde logo:
i) a convicção, ditada pelas vivências pessoais e pela reflexão mantida, de que é preciso uma verdadeira reforma da Universidade e de que, para isso, não basta acomodar as suas estruturas e o seu modelo de governo ao RJIES;
ii) o entendimento de que o Conselho Geral é uma peça essencial para o sucesso da reforma, devendo consagrar-se medidas que lhe assegurem uma relevância estratégica e um funcionamento ágil; e
iii) a ideia de que a Universidade deve reforçar a sua acção social, nas distintas dimensões que configuram a sua missão - oferta formativa, produção de conhecimento, extensão universitária -, o que não se fará sem o estabelecimento de uma relação renovada com a envolvente externa, empresas e outras organizações sociais.
Acreditamos, por outro lado, que uma gestão financeira e patrimonial competente não é contraditória com a vigência de princípios de funcionamento interno democrático e participado.

Em face disto, queremos anunciar-vos a nossa intenção de, no momento devido, virmos a apresentar uma lista alternativa para as eleições do Conselho Geral.

Pelo Grupo de Reflexão sobre a Universidade do Minho,

J. Cadima Ribeiro
Catarina Serra
Carlos Couto
Eduarda Coquet
Fernando Castro
Jaime Rocha Gomes
Nuno Neves"
*
(reprodução integral de mensagem distribuída universalmente na rede de correio electrónico da UMinho, em 07/11/30, sob a epígrafe "RJIES - Assembleia Estatutária - tomada de posição")

quarta-feira, novembro 28, 2007

Eleições na UMinho: vícios privados, virtudes públicas

«Caras e Caros Colegas,
A Lista A – Plataforma Eleitoral, candidata às eleições para a Assembleia Estatutária da Universidade do Minho, vem por este meio esclarecer a comunidade de docentes e investigadores que o Prof. Moisés Martins nunca foi convidado por esta Lista para nela participar.
A mensagem que o Prof. Moisés Martins enviou à comunidade académica exprime ausência de tolerância e de sentido democrático, referindo-se aos seus pares em tom censório e depreciativo.
A plataforma é constituída por colegas no pleno uso dos seus direitos que, com seriedade e abertura, se disponibilizaram para este desígnio.
A Plataforma desenvolveu um ideário e um plano concreto que detalha as linhas mestras com que se apresenta a este processo eleitoral, promovendo o esclarecimento e o debate.
A Plataforma considera que a visão de “personagens iluminadas” não serve a Academia, nem lhe oferece garantias.
A Plataforma sabe que a Academia exige mais do que isso.
Saudações académicas,

A Lista A – Plataforma Eleitoral
»
*
«Caros colegas de Academia,
O professor Moisés Martins difundiu hoje (já ontem) uma mensagem que intitulou de “Razões”. Essa mensagem agrediu-me. Pela deselegância. Cinco palavras apenas, “...para que todavia fui convidado...” (sic), marcam e mancham todo o texto. Elas quebram valores basilares no relacionamento humano, de confidencialidade, de confiança, de intimidade. São impróprias para um académico. Tratou-se, estou certo, de um momento infeliz, de que, também estou certo, o Professor Moisés Martins se redimirá, com hombridade, reconhecendo a deselegância.
Saudações académicas
Jaime C L Ferreira da Silva
Escola de Engenharia
Departamento de Engenharia Mecânica»
*
(reprodução integral de mensagens, de distribuição universal na rede da UMinho, que me cairam na caixa de correio electrónico esta manhã, bem cedinho)
-
Comentário: as mensagens que reproduzo acima parecem-me bem esclarecedoras: i) "o Prof. Moisés Martins nunca foi convidado por esta Lista", isto é, os membros da lista não tiveram nada a dizer na sua constituição; ii) "A mensagem que o Prof. Moisés Martins enviou à comunidade académica exprime ausência de tolerância e de sentido democrático", isto é, se querem ter uma noção elevada do que é a democracia e a tolerância então têm que olhar atentamente para o exercício de poder na UMinho nos últimos 6 anos; e iii) «Cinco palavras apenas, “...para que todavia fui convidado...” (sic), marcam e mancham todo o texto. Elas quebram valores basilares no relacionamento humano, de confidencialidade, de confiança, de intimidade", isto é, aplica-se à Universidade, com o mesmo rigor que a qualquer outro contexo da vida social nacional, a regra popular que distingue "vicíos privados de virtudes públicas".
Síntese final: o editor deste jornal de parede é um herege. A sua alma não tem redenção possível.
A festa continua!

terça-feira, novembro 27, 2007

Lista A: um programa oculto

"A lista A disfarça mal um programa oculto. Tem os Estatutos já elaborados, ponto por ponto, que homologam o actual funcionamento da Universidade e a sua actual prática de governo. Esperam os seus inspiradores que o período de campanha eleitoral passe depressa, sem darem muito nas vistas e sem terem que se explicar muito. O ideal seria passarem mesmo despercebidos, sem dizerem sequer ao que vêm, uma vez que já estão ao leme da Universidade. Que chatice ser preciso jogar o jogo da democracia em oito dias de campanha! Mas esse mal necessário passará depressa. E mais depressa passará com umas espertezas regimentais, mais umas esquivas ao confronto, umas manobras dilatórias, e com os habituais ruído, morosidade e bloqueamento da rede interna de informação. Sem dúvida, para a lista A, o calado é o melhor. E estarão calados o mais que puderem."
Moisés de Lemos Martins
(extracto de mensagem, com distribuição universal na rede electrónica da UMinho, que me caiu na caixa de correio hoje, ao raiar do dia)
-
Comentário: até que enfim que leio algo escrito pela lista B em que me reconheço, isto é, em que as nossas as análises de situação (a da lista B e a minha) coincidem.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Reforma universitária e joguinhos politiqueiros

"Afinal, sempre há jovens universitários que pensam sobre as circunstâncias, com qualidade e esperança. Os outros transformam a reforma universitária em joguinhos politiqueiros ..."

José Adelino Maltez

(extracto de mensagem, datada de 07/11/26 e intitulada «Patos bravos, soares, cavalheiros da indústria e "rankings"», disponível em Sobre o tempo que passa)
-
Comentário: o dia de hoje foi fértil na rede electrónica da UMinho em mensagens alusivas à campanha eleitoral em curso: foram os representantes das listas a anunciar os debates programados - uma mão-cheia deles; foi o moderador de um desses debates a convidar "o povo" para a festa; foi o reitor a anunciar que antes de tudo o mais está a festa - que ninguém falte, pois; foram as listas a apresentar os respectivos "portal" (lista A) e blogue (lista B), percebendo-se daqui (ou parecendo) que os favores da proximidade ao poder permitem umas flores mais que ser-se oposição, mesmo cordata.
É o que dá a mingua de sinais de campanha de várias semanas, desde que as listas estão, de facto, no terreno. Alguns, já acreditavamos que lhes tivessem cortado a lingua ou coisa do género. Mas não, estavam só a amadurecer ideias e a ganhar coragem para sair à rua, de andor às costas.
Confrontado com tal torrente de mensagens e apelos, não admira que eu tivesse estacionado na frase que retenho acima, pela diferença que faz daquilo que comento nos parágrafos que aparecem depois.
Viva a festa!

sábado, novembro 24, 2007

Quebra-cabeças para um dia frio de fim-de-semana

As mensagens que reproduzo de seguida, sob a figura de estilo da carta aberta, circularam na rede interna de uma Escola perto de si, na UMinho, na semana que agora finda, sob a epígrafe “Comemoração de uma data”, e parecem-me bastante expressivas, sob diversos pontos de vista. Concordarão ou não.
Antes de ir mais longe, vejamos o seu conteúdo:

«Caros(as) colegas,
Comemorando-se nesta ocasião 15 (quinze) dias desde que, sem explicação nem aviso*, foram encerradas as casas de banho masculinas existentes no piso do Departamento de […], em razão do elevado simbolismo da data, não posso deixar de lembrá-la e convidar-vos, a todos, a que se associem a esta comemoração.
Com saúde, talvez possamos comemorar os primeiros 30 dias de encerramento e, depois, os seis meses e assim sucessivamente.
Tenham um bom dia!

[…]

* ao que consta, o "Conselho de Gestão" da […] irá reunir num futuro próximo, talvez daqui por 15 dias, para se debruçar sobre a oportunidade de prestar o esclarecimento em falta e repor o bom-senso
»
------------------------------

«terça-feira, 20 de Novembro de 2007 10:55
Assunto: Comemoração de uma data

Caros(as) colegas,
Comemorando-se nesta ocasião 13 (treze) dias desde que, sem explicação nem aviso, foram encerradas as casas de banho masculinas existentes no piso do Departamento de […], em razão do elevado simbolismo da data, não posso deixar de lembrá-la e convidar-vos, a todos, a que se associem a esta comemoração.
Com saúde, talvez possamos comemorar os primeiros 30 dias de encerramento e, depois, os seis meses e assim sucessivamente.
Tenham um bom dia!

[…]
»

As mensagens tinham destinarário óbvio, que não era explicitado, por manifesta redundância, naquele contexto.
Num dia frio como o que está, em vésperas de natal, com as compras já todas feitas, ocorreu-me lançar-vos o desafio de identificarem o(a) destinatário(a) das mensagens, ao estilo de quebra-cabeças de tempos idos. Haverá alguém que queira habilitar-se a deslindar este enigma?
Consciente do seu elevado grau de dificuldade, a título de ajuda aos corajosos, deixo as dicas seguintes:
i) a pessoa em causa andou a negociar a respectiva inclusão na lista do Moisés Martins/Licínio Lima ao longo de várias semanas, tendo roído a corda na véspera do fecho da lista; e
ii) “surpreendentemente”, acabou por cair na lista do reitor, em lugar elegível.

Vou ficar a aguardar a vossa perspicácia. Não me desiludam!

J. Cadima Ribeiro

Pasmem !!!

«[...]
A Universidade é um centro de pensamento e de debate. Deve constituir um exemplo para a sociedade em geral, na sua abertura, na preservação dos valores e na sua capacidade de inovação.
[...]

O Reitor

A. Guimarães Rodrigues
»

(extractos de mensagem distribuída universalmente na rede electrónica da UMinho na tarde de 23 de Novembro pp., com a autoria e a proveniência identificadas)
-
Comentário: pasmem!!! Por onde é que andou nos últimos seis anos o autor de tão elevadas considerações?

quarta-feira, novembro 21, 2007

"Ninguém parece querer saber um chavo que seja sobre as eleições"

Os agitadores
"[...] no meio destas mensagens de repúdio surgem umas outras com cartitas abertas: da lista B para a lista A e depois, claro, da lista A para a lista B. É certo que estas cartas nada dizem de substancial, mas curiosamente, às cartas das listas ninguém responde. Mais, ninguém parece querer saber um chavo que seja sobre as eleições que decorrerão no início de Dezembro para eleger uma assembleia que cozinhará os novos estatutos da universidade."
Vasco Eiriz
(título e extracto de mensagem, datada de 20 de Novembro de 2007, disponível em Empreender)

Que os Hunos façam tudo o que lhes apetece

«Eu diria o seguinte: quandos os padres não sabem da missa, todos os santos servem para adiar a prédica. Depois de ler, com "incontido" entusiasmo, tudinho da notável troca de mails sobre as praxes, fico convencido que até à 6ooª posição do ranking é tudo "mentes brilhantes". Assim sendo, não supreende que os Hunos façam tudo o que lhes apetece.
(sic transit gloria uminho)»
*
(reprodução de comentário de autor anónimo produzido a propósito da mensagem precedente, intitulada "Jogos de campanha")

terça-feira, novembro 20, 2007

Jogos de campanha

Há dias, o 1º nome da lista B de candidatura à Assembleia Estatutária da UMinho, em carta aberta endereçada à oponente lista A, desafiando os seus membros para debates, escrevia o seguinte:
“[…] decidimos tomar a iniciativa de convidar a Lista A para duas sessões de debate, a realizar em Braga e em Guimarães, em datas e segundo modelo a definir, em conjunto, pelos mandatários das duas candidaturas”. Com grande candura, embora o dito colega não se chame Cândido, concluía depois com a frase:
“Convictos de que esta será a melhor forma de dar sentido e conteúdo substantivo ao período de campanha eleitoral formalmente previsto, aguardamos a aquiescência dos colegas”.
Alguns dias após, hoje precisamente, teve a resposta, que não sei se esperava ou não, nem sei dizer se era a resposta que esperava, onde o também nº 1 da lista A, com idêntica candura, diz o seguinte:
“A Plataforma (lista A) está disponível com debates com a lista B, nos termos a definir pela Comissão Eleitoral. No entanto, entende que esses debates devem ocorrer após a difusão institucional das posições e propostas de ambas as candidaturas”. Mais acrescenta que “A lista A aguarda permissão da Comissão Eleitoral para a difusão das suas posições pelos meios institucionais”.
Não são mesmo uns santos estes colegas? Por contraponto, esta ditadura da Comissão Eleitoral (seguramente, por influência do seu presidente), aqui cortesmente denunciada pelo nº 1 da lista A, não é uma coisa abjecta, mesmo monstruosa?
E os eleitores, coitados, privados que estão da informação sobre as posições e propostas das listas, em que posição ficam? Seguramente, mais indignados ainda que os candidatos, que só estão nisto por puro altruísmo.
Enfim, fica provado que, nestas coisas, a candura e a vontade de servir não bastam.
Aqui chegados, procurando contribuir para a qualidade dos debates que estão sobre a mesa, com risco de apreciação severa da Comissão Eleitoral (assumindo que esta se condoa da carência de esclarecimento dos eleitores), entendo deixar a seguinte proposta:
que os debates a realizar tenham como intervenientes os lideres de ambas as listas, ao invés de segundas figuras!
E mais não proponho nesta ocasião porque, por pouco que tenha dito, disse já muito mais que tudo o que disseram ambas as listas deste prelo.

J. Cadima Ribeiro